Rossi é sobrenome de grande difusão internacional, de antiga origem italiana, grafado originalmente Rosso, do qual Rossi é plural. A palavra rosso tem uso comum, em italiano significa "vermelho", e como sobrenome surgiu de forma independente em várias regiões. É encontrado em muitas variantes, entre elas Roscii, Russo, de Rossi, ou na latina Rubeus (plural Rubeis). Em tempos antigos muitos ramos foram enobrecidos, alguns dos quais adquiriram grande importância, como o da Sicília e o de Parma, possuindo numerosos títulos, feudos e outras propriedades e influindo decisivamente no curso dos acontecimentos históricos. Muitos plebeus também levam o sobrenome, um dos mais comuns na Itália, e muitos membros se destacaram em variadas áreas, da ciência à arte, da política à religião.
Origens A origem dos muitos grupos é frequentemente incerta. Na Renascença, quando os principais Rossi já eram muito poderosos, alegava-se que teriam nascido na Grécia Antiga, atribuindo-lhes uma tradição imemorial que lhes dava uma origem mítica, pondo entre seus ancestrais Sísifo, Éolo, o deus Oceano e outras deidades. Roscio, suposto filho de Sísifo, teria passado à Itália e se tornado senhor da Umbria, fundando muitas cidades, entre as quais Rosciolano, a imaginária terra ancestral dos Rossi italianos. Segundo Carrari, escritores romanos como Tito Lívio, Catulo, Políbio e Cícero teriam citado pessoas ilustres de sobrenome Roscio, entre elas Lucio, tribuno da plebe, e outros da classe equestre, e também apresenta algumas epígrafes como prova,Carrari, Vincenzo. Historia de Rossi Parmigiani. Tebaldini, 1583 mas hoje sabe-se que muitas das ditas provas epigráficas para legitimação das pretensões de antiguidade das famílias nobres foram forjadas.Preto, Paolo. "Falsari di epigrafi nell'Italia meridionale". In: Giuffrida, Antonino; D’Avenia, Fabrizio & Palermo, Daniele (eds.). Studi storici dedicati a Orazio Cancila. Associazione Mediterranea, 2011, pp. 1415-1460 Outro autor antigo, Campanile, diz mais ou menos o mesmo que Carrari, aceitando a origem romana, mas alegando que depois se haviam fixado em Parma, considerada então sua terra ancestral. Estariam lá como condes desde o tempo do sacro imperador Oto I, que reinou entre 936 e 973, depois se tornando podestà (delegados imperiais) em muitas cidades da Lombardia.Campanile, Filiberto. L'armi, ouero Insegne de' nobili; scritte dal signor Filiberto Campanile. Oue sono i discorsi d'alcune famiglie nobili, così spente, come viue del regno di Napoli. Longo, 1610
Sicília
O ramo siciliano adquiriu muitos títulos e feudos, e exerceu um papel destacado na região no século XIV. A pesquisa recente indica que os Rossi sicilianos descendem de Rabel Tancredi I, no século XI senhor de Cotentin, na Normandia, e fundador da Casa Real siciliana de Altavila. Dele nasceriam vários ramos de grande nobreza, entre eles a família Avarna, que possuiu muitos títulos e feudos, e os Rossi, derivados de Ugone d'Altavilla, parente consanguíneo de Rugiero II da Sicília, e cognominado il Rosso (o Vermelho), apelido que adotou e transmitiu à descendência.Centro di studi filologici e linguistici siciliani. Bollettino, 2001; 19 Gravina, Vincenzo Palizzolo. Il blasone in Sicilia: ossia, Raccolta araldica. Visconti & Huber, 1875Chiesa di S. Francesco Borgia & Istituto statale d'arte di Catania. Memoria e progetto: i segni del sistema urbano. Maimone, 2002
Foram notáveis, entre outros, Cataldo, embaixador no reino de Aragão, e grande camerlengo do reino; Rosso Rossi, conde de Aidone e Sclafani, grande almirante e grande ministro do reino, segundo Gravina chamado Pai da Pátria por ter salvo quatro reis da Sicília da anarquia feudal, não obstante ter perdido a maior parte de seus bens na revolta de seus cunhados Chiaramonti; Nicolò, senhor de nove feudos, capitão de justiça e governador perpétuo de Naro, progenitor dos Rossi desta cidade, da qual derivam os barões Settefarini e condes de San Secondo; Damiano, barão em cinco feudos, alferes-mor hereditário do reino, título transmitido aos herdeiros de Guglielmo Rosso, hoje principes de Cerami. Outro notável foi Enrico, conde e barão em vinte feudos, passou sua vida em constante conflito com outros nobres, em geral apoiando o Reino.Digrazia, Umberto. Storia di Aidone. Comune di Aidone.
Segundo o Centro di Studi Filologici e Linguistici Siciliani, "o ramo siciliano dos Rosso, partido de Enrico, um dos dois filhos do citado Ugone, manteve constantemente um papel de primeiro plano nos acontecimentos políticos da cidade de Messina e da ilha (da Sicília), distinguindo-se pela fidelidade à dinastia aragonesa tanto como pela hostilidade à dinastia angevina". Em seu apogeu o ramo siciliano chegou a ter um principado, doze condados e 55 outros feudos.Candida-Gonzaga, Berardo. Memorie delle famiglie nobili delle province meridionali d'Italia. De Angelis e figlio, 1878 Gravina a chama de "nobilíssima, antiga e histórica família, encontrada ilustre em vários pontos da Itália", e descreve suas armas: "Sobre vermelho, um cometa de ouro com cauda ondulante em pala. Coroa de príncipe. Moto: Serenat ".
Parma
Em Parma alcançaram um destaque semelhante, mas apesar do que disse Campanile sobre suas origens, há divergências. Neste local provavelmente descendiam de vassalos do Capítulo da Catedral de Parma. O progenitor deste grupo é Orlando, também cognominado il Rosso, atestado atestado em Parma em 1147. Foi um condottiero de Frederico Barba Ruiva, que o nomeou em 1162 vigário imperial para toda a Itália, foi duas vezes podestà de Parma e faleceu em Milão depois de 1167.Simeoni, Luigi. “Rossi”. In: Enciclopedia Italiana. Treccani, 1936 Angeli, Bonaventura. La historia della citta di Parma, 1591Rossi, Federico. Elogia virorum rosciorum bellica virture et litteris illustrium, MS séc XVI. Biblioteca Cívica de Parma Uma tradição alega que passaram a ser notados quando os descendentes de Orlando em 1164 adquiriram parte do feudo de San Secondo (nos arredores de Parma), que se tornou a raiz dos parmesãos."Rossi di Parma". Libro d'Oro della Nobiltà Mediterranea. Em 1245 Bernardo di Rolando Rossi se envolveu em uma trama contra o imperador , e a família foi obrigada a deixar a cidade. Logo retornaram, mas ao longo de séculos o cenário local seria agitato por constantes oscilações de poder entre facções que buscavam o controle da cidade e colocavam seus potentados para em pouco tempo serem derrubados e substituídos. Em 1324, Ugolino, com apenas 23 anos de idade, foi consagrado bispo de Parma, e proveu as seus parentes meios de enriquecimento, muito porque naquele período a maior parte das comunas de Parma estava em posse da Igreja, como Berceto, Bardone, Corniglio, Bosco, Roccaprebalza, Roccaferrara, Corniana e Castrignano, que um século depois estariam todas transformadas em feudos dos Rossi.
Este ramo, protegido pelos duques de Milão, estabeleceu vasta rede de relações e apoios importantes na alta nobreza e no clero, estruturou sua Casa e empregou a parentela com eficiência empresarial, e mostrava grande ambição, mas suas pretensões deram origem a uma série de disputas com outras famílias locais, fazendo poderosos inimigos entre os Pallavicini, os Fieschi e os Terzi, e às vezes gerando descontentamento popular por abusos e violências, mas noutras ocasiões sendo louvados como protetores do povo e mecenas da arte, construindo uma trajetória cheia de grandes contrastes.Zanichelli, Giuseppa Z. "La committenza dei Rossi: immagini di potere fra sacro e profano". In: Arcangeli, Letizia e Gentile, Marco. Le signorie dei Rossi di Parma tra XIV e XVI secolo. Firenze University Press, 2007Covini, Nadia. "Le condotte dei Rossi di Parma. Tra conflitti interstatali e picciole guerre locali (1447-1482)". In: Arcangeli, Letizia e Gentile, Marco. Le signorie dei Rossi di Parma tra XIV e XVI secolo. Firenze University Press, 2007Bordini, Simone. Storia di Parma, vol. I. MUP, 2008, pp. 32-40Benvenuti, Antonia Tissoni. "Libri e letterati nelle piccole corti padane del Rinascimento. La corte di Pietro Maria Rossi". In: Arcangeli, Letizia e Gentile, Marco. Le signorie dei Rossi di Parma tra XIV e XVI secolo. Firenze University Press, 2007 Foram podestà em Milão, Parma, Genova, Cremona, Modena e várias outras cidades. Campanile descreve os símbolos do ramo, em passagem de interesse:
"Foram estes Senhores dedicados na guerra para a preservação do Estado, onde por símbolos da sua família alcançaram ondas azuis, e vermelhas, porque com as ondas se quer significar os trabalhos, e os sacrifícios, e com a cor azul, a água, e a vermelha, o fogo, símbolos das maiores dificuldades que se pode sofrer no caminho da aquisição da virtude, como diz o profeta: Transibimus per aquam et ignem ut educat nos Deus in refrigerium, e também ondas para significar as tempestades, e as perturbações da guerra, e o azul e vermelho para assinalar o derramamento de sangue, que muitas vezes corre mesclado à água dos rios, e com as ondas do mar. [...] E tantas guerras civis e públicas fizeram esta gente que a Itália deve boa parte de sua História a ela. Usaram também os guerreiros desta família, para mostrar a pleno sua força, portar a insígnia do leão branco em campo azul, o qual enquartelaram com as ondas, como ainda hoje usam".
Entre 1329 e 1331 o imperador Luís, o Bávaro ganhou o senhorio da cidade, colocando como seu vigário Marsilio Rossi. Em 1333 Rolando ocupou a posição, mas três anos depois foram novamente banidos. Enquanto isso, aumentavam seu patrimônio adquirindo ou conquistando Roccabianca, Rodolengo, Beduzzo, Roccalanzona, os castelos de Palmia, Felino e Sant'Andrea, além de todos os bens de Cabrino dal Borgo na cidade e diocese de Cremona, que incluíam diversos feudos, recebidos em herança. Em pouco tempo se tornaram uma das Casas mais poderosas da região, constituindo uma corte comital abrilhantada por artistas e literatos, com grande influência nos destinos do ducado, e em termos territoriais estava possivelmente em segundo lugar. Em seu crescimento, com apoio do duque e às vezes com apoio imperial, florentino e veneziano, tentaram se assenhorar de Parma inteira, destacando-se nesta etapa Pietro Maria I, conde de San Secondo, Berceto e Corniglio, chefe do ramo parmesão e conselheiro ducal, musicólogo e compositor, chamado "o Magnifico", que por breve período obteve o co-domínio da cidade. Pietro Maria II, seu filho, bravo nas artes militares, depôs o tirano Ottobuono Terzi e foi chamado de "Salvador da Pátria". Construiu um esplêndido castelo em Torrechiara para sua bela amante Bianca Pellegrini, além de ampliar o Castelo de San Secondo. Fundou várias igrejas, foi protegido de Gian Galeazzo Sforza, e pai de Bernardo, bispo de Cremona. Com a morte de Filippo Visconti em 1447, da casa ducal, os Rossi foram favorecidos com novas posses. Porém, há notícia de vários conflitos internos na família, com Pietro acabando por deserdar seus dois filhos legítimos.Arcangeli, Letizia. "Principi, homines e partesani nel ritorno dei Rossi". In: Arcangeli, Letizia e Gentile, Marco. Le signorie dei Rossi di Parma tra XIV e XVI secolo. Firenze University Press, 2007Gentile, Marco. "La formazione del dominio dei Rossi tra XIV e XV secolo". In: Arcangeli, Letizia e Gentile, Marco. Le signorie dei Rossi di Parma tra XIV e XVI secolo. Firenze University Press, 2007