A Batalha de Grijó (10 de Maio de 1809 – 11 de Maio de 1809) foi uma batalha travada entre o exército anglo-português, comandado por Sir Arthur Wellesley, e o exército francês, comandado pelo Marechal Soult, no contexto da segunda invasão francesa a Portugal, durante as Guerras Peninsulares.
Antecedentes
Preparação para a invasão de Portugal Após a saída dos franceses de Portugal após a Convenção de Sintra, é planeada uma nova incursão a Portugal, de modo a subjugar e ocupar o mesmo.
Com a vitória francesa na Batalha da Corunha e a subsequente retirada das forças britânicas do noroeste da Península, no início do ano de 1809, juntamente com a morte do comandante-em-chefe das forças britânicas na Península, Sir John Moore, o Marechal do exército francês na região, Nicolas Jean de Dieu Soult, planeia e executa uma nova tentativa de subjugação de Portugal aos franceses. Desta vez, ao invés da tradicional invasão pelo Alentejo, ou pela Beira Alta, a ideia seria invadir e ocupar a segunda maior cidade do país e trazer a domínio francês o Norte do País, daí fazendo um centro de operações para a conquista e ocupação subsequente do resto do País.
As ordens que Soult tinha recebido de Napoleão consistiam em marchar em direção ao Porto após o embarque das tropas britânicas de Corunha, devendo aquela cidade ser ocupada a 1 de fevereiro. Dez dias mais tarde, o II Corpo deveria, idealmente, estar em Lisboa. O I Corpo, situado em Mérida (Espanha, a cerca de 65 km de Badajoz), sob o comando do marechal Claude Victor-Perrin, enviaria uma coluna em direção a Lisboa quando Soult se aproximasse da capital portuguesa e, simultaneamente, a sua 2.ª Divisão (comando do general Pierre Bellon Lapisse) que se encontrava em Salamanca devia marchar sobre Ciudad Rodrigo e Almeida assim que recebesse notícias da chegada de Soult ao Porto.
No dia 2 de fevereiro de 1809, a guarda avançada de Soult chegou à margem norte do rio Minho mas só no dia 15 de fevereiro, depois de estarem reunidas todas as forças, foi feita a tentativa de entrar em Portugal.
Soult manda, portanto, passar o rio Minho no dia 15 de fevereiro de 1809 em direção a Vila Nova de Cerveira, mas uma resposta imediata da artilharia portuguesa impede a passagem das forças e estas retiram. esquerda|miniaturadaimagem|235x235px|Batalha da Corunha, 16 de janeiro de 1809, vitória francesa que obrigou à retirada das forças inglesas da Península. miniaturadaimagem|267x267px|Marechal Soult, comandante do Grande Armée durante a 2.ª Invasão Francesa Soult decidiu não fazer outra tentativa de atravessar o Minho e deu ordem às suas unidades para marcharem em direcção a Ourense e daí seguirem em direcção a Chaves pelo vale do rio Tâmega.
No dia 4 o exército francês marchou de Ourense para Allariz e daí para Monterrei onde esperou mais três dias para permitir às unidades e comboios de apoio logístico mais à retaguarda acompanharem o grosso das forças. No dia 10 de Março retomou a marcha em direção a Chaves com forças em ambos os lados do Tâmega. Perante a impossibilidade de resistir ao invasor, Silveira retirou as suas forças regulares para as posições de São Pedro de Agostém, a sul de Chaves. No entanto, as numerosas forças irregulares que o acompanhavam, bem como parte do Regimento de Infantaria N.º 12 de Chaves, decidiram defender aquela praça. Soult resolveu começar por atacar as forças do brigadeiro Silveira em São Pedro que foram obrigadas a retirar para Vila Real. Sentindo-se menos protegidos, os defensores da praça de Chaves renderam-se no dia 12 de Março. Soult fez de Chaves a sua base para as futuras operações em Portugal.
Em Chaves, Soult decidiu seguir para o Porto através da Serra da Cabreira e descer o vale do rio Cávado por Ruivães e Salamonde. Desta forma evitava as forças do brigadeiro Silveira e um território que era mais fácil de defender. Pelo itinerário escolhido, depois de Salamonde chegaria a Braga e, a partir daí, dispunha de uma boa estrada até ao Porto. Com a entrada do exército e ocupação da cidade do Porto, o Norte estava agora completamente vulnerável aos franceses.
Reorganização do Exército Português e planeamento da libertação do Porto As forças britânicas que tinham ficado em Portugal depois da partida de Sir John Moore para a malograda campanha que terminou com a Batalha da Corunha não eram adequadas para enfrentar os franceses, não só pelo seu fraco efetivo mas também pelo carácter do seu comandante, Sir John Cradock. Foram pois enviados reforços e um novo comandante: o tenente-general Sir Arthur Wellesley, o vencedor das Batalhas de Roliça e do Vimeiro, que ajudou à libertação de Portugal menos de um ano antes.
Wellesley chegou a Lisboa a 21 de abril de 1809.
A 29 de abril de 1809, Wellesley sai de Lisboa, chegando a Leiria no dia seguinte, a Pombal a 1 de maio, chegando a Coimbra a 2 de maio. No norte, a Brigada de Trant, composta essencialmente por milícias e ordenanças portuguesas, e outras forças irregulares, com escassos soldados de infantaria-de-linha dos regimentos que dispersaram na Batalha do Porto, contidos na região do Vouga reportaram a Wellesley que a Brigada de Cavalaria Ligeira francesa, comandada por Franceschi se mantiveram imóveis no Porto.
As mesmas notícias foram também trazidas pela Brigada comandada por Wilson, que, após perseguir o General Lapisse até Alcântara, entrou novamente em Portugal com uma parte da sua força para as imediações de Almeida, e teria um destacamento em Viseu, de forma a proteger o flanco direito do exército anglo-português na sua marcha para Porto. Com a estoica defesa de Amarante, Silveira enviou a Wellesley que ainda estaria a defender a linha do rio Tâmega e que teria pelo menos, destacados para o combater, 10.000 franceses. O seu plano consistia em avançar com o grosso das suas forças em direcção ao Porto, tão rapidamente quanto possível, de forma a atingir a cidade antes que Soult conseguisse concentrar o seu exército; enviar uma coluna sob o comando de Beresford para atravessar o Douro em Lamego e juntar-se às forças do brigadeiro Silveira para interceptar a linha de retirada de Soult através de Trás-os-Montes em direcção a Salamanca.
Além do plano de ataque ao Porto, Wellesley enviou uma força sob o comando do major-general Alex Radoll Mackenzie (comandante da 2.ª Brigada de Infantaria) para impedir o eventual avanço do I Corpo do marechal Victor sobre Lisboa através do vale do Tejo ou por Sul. Esta força tinha a seguinte constituição:
2.ª Brigada de Infantaria Britânica (4 batalhões); Brigada de Infantaria Portuguesa (9 batalhões de Infantaria de Linha e 3 batalhões de Caçadores); Brigada de Cavalaria Britânica (2 regimentos de Dragões); Brigada de Cavalaria Portuguesa (2 regimentos de Dragões - 5 esquadrões) 1 bateria de artilharia britânica; 2 baterias de artilharia portuguesas.
A coluna de Beresford iniciou o movimento para Norte no dia 6 de Maio, chegou a Viseu a 8 e juntou-se às forças do brigadeiro Silveira a 10. A coluna de Wellesley iniciou o movimento no dia 7 de Maio e foi dividida por dois itinerários: a estrada principal que passava por Ponte de Vouga e Santa Maria da Feira, por onde seguiram cinco brigadas de infantaria e a totalidade da cavalaria, e uma estrada secundária, perto da costa, que passava por Aveiro e Ovar, por onde seguiram as brigadas de Hill e Cameron. À frente da coluna principal, as milícias portuguesas sob o comando do coronel Trant, mascaravam o movimento e informavam sobre a atividade do inimigo.
Exército Anglo-português miniaturadaimagem|213x213px|Arthur Wellesley, comandante da força anglo-portuguesa, pintura de 1805 A coluna que iria marchar em direcção ao Porto, sob o comando direto de Wellesley, com cerca de 18.370 homens no total, era constituída por:
Cavalaria Comandados pelo General Cotton, o efetivo era de 1504 cavaleiros no total:
14.º Regimento de Dragões (Ligeiros), 20 oficiais, 471 cavaleiros; 16.º Regimento de Dragões (Ligeiros), 37 oficiais, 673 cavaleiros; 20.º Regimento de Dragões (Ligeiros), 6 oficiais, 237 cavaleiros; 3.º Regimento de Dragões (Ligeiros) Legião Germânica do Rei (K.G.L), 3 oficiais, 57 cavaleiros;
Infantaria miniaturadaimagem|347x347px|Soldado de infantaria ligeira português, um caçador (soldado do Batalhão de Caçadores N.º 6) Comandados pela Brigada do General Henry Frederick Campbell, o efetivo com mais de 2552 infantes:
Coldstream Guards, 33 oficiais, 1194 infantes; 3.º Regimento de Infantaria de Guarda, 34 oficiais, 1228 infantes; 1 companhia do 5.º Batalhão, do 60.º Regimento de Infantaria, 2 oficiais, 61 infantes;
Comandados pela Brigada do General Archibald Campbell, efetivo com mais de 1474:
2ª Batalhões do 7.º Regimento de Infantaria, 25 oficiais, 559 infantes; 2ª Batalhões do 53.º Regimento de Infantaria, 35 oficiais, 787 infantes; 1 companhia do 5.º Batalhão, do 60.º Regimento de Infantaria, 4 oficiais, 64 infantes; 1.º Batalhão do Regimento de Infantaria N.º 10 (Lisboa)
Comandados pela Brigada do General Sontag, com um efetivo de mais de 1459 infantes:
97.º Regimento de Infantaria, 22 oficiais, 572 infantes; 2.º Batalhão de Separados (composto por soldados provenientes de várias unidades principais, que se separaram das suas unidades por várias razões. Eram usados para reunir temporariamente companhias destacadas ou soldados isolados.), 35 oficiais, 767 infantes; 1 companhia do 5.º Batalhão, do 60.º Regimento de Infantaria, 2 oficiais, 61 infantes; 2.º Batalhão do Regimento de Infantaria N.º 16 (Lisboa);
Comandados pelo Coronel Richard Stewart, com um efetivo de mais de 1482 infantes:
29.º Regimento de Infantaria, 26 oficiais, 596 infantes; 1.º Batalhão de Separados, 27 oficiais, 803 infantes; 1.º Batalhão do Regimento de Infantaria N.º 16; miniaturadaimagem|255x255px|Soldado do 1.º Batalhão de Infantaria Ligeira da Legião Germânica do Rei Comandados pelo Coronel George Murray, com um efetivo de 3095 infantes:
1.º Batalhão Infantaria Legião Germânica do Rei, 34 oficiais, 767 infantes; 2.º Batalhão Infantaria Legião Germânica do Rei, 32 oficiais, 804 infantes; 5.º Batalhão Infantaria Legião Germânica do Rei, 28 oficiais, 720 infantes; 7.º Batalhão Infantaria Legião Germânica do Rei, 22 oficiais, 688 infantes;
Comandados pelo Brigadeiro Rowland Hill, com um efetivo de 2264 infantes:
1.º Batalhão do 3.º Regimento de Infantaria, 28 oficiais, 719 infantes; 2.º Batalhão do 48.º Regimento de Infantaria, 32 oficiais, 721 infantes; 2.º Batalhão do 66.º Regimento de Infantaria, 34 oficiais, 667 infantes; 1 companhia, 5.º Batalhão, do 60.º Regimento de Infantaria, 2 oficiais, 61 infantes;
Comandados pelo General Alan Cameron of Erracht, com um efetivo de mais de 1496 infantes:
2.º Batalhão, 9.º Regimento de Infantaria, 27 oficiais, 545 infantes; 2.º Batalhão, 83.º Regimento de Infantaria, 29 oficiais, 833 infantes; 1 companhia, 5.º Batalhão, do 60.º Regimento de Infantaria, 2 oficiais, 60 infantes; 2.º Batalhão do Regimento de Infantaria N.º 10;
Artilharia A artilharia do exército era composta pela bateria de bocas de fogo de 3 libras do capitão Robert Lawson, e as baterias de Lane, Heyse e Rettberg de baterias de bocas e fogo de 6 libras.Os regimentos de infantaria portugueses estavam, portanto repartidos pelas brigadas inglesas. Estas não estavam ainda organizadas em divisões embora estivesse estabelecido que as brigadas de Richard Stewart e Murray actuariam juntas sob o comando de Edward Paget, as brigadas de H. Champbell, A. Champbell e Sontag iriam actuar em conjunto sob comando de Sherbrooke e as brigadas de Hill e Cameron ficariam sob comando de Hill.
A coluna sob o comando de Beresford, com cerca de 5.800 homens, era constituída por:
Brigada de Infantaria Britânica, sob comando do major-general Christopher Tilson, constituída por três batalhões, um total de 1439 homens.