Mocho-pigmeu-pernambucano ou caburé-de-pernambuco (nome científico: Glaucidium mooreorum) era uma espécie de ave da família Strigidae. Endêmica do Brasil, onde podia ser encontrada apenas no estado de Pernambuco.O último registro da espécie foi feito em 2001, e em 2019 foi categorizada com extinta pelo ICMBio Silveira, L.F.; Santos, C.G.M.; Albano, C.G.; Lima, D.M.; Bencke, G.A.; Pacheco, J.F.; Piacentini, V.Q.; Alves, W.N.; Oliveira, R.D.A. 2023. Glaucidium mooreorum. Sistema de Avaliação do Risco de Extinção da Biodiversidade - SALVE - Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade - ICMBio. Disponível em: https://salve.icmbio.gov.br Digital Object Identifier (DOI): https://doi.org/10.37002/salve.ficha.24654.2 - Acesso em: 06 de dez. de 2025. usando o Modelo de Ameaças e o Modelo de Registros e Levantamentos do IUCN.
Etimologia
O nome popular caburé deriva do tupi kawu're. Originalmente era um termo (também presente na variante cauré) que indicava corujas e falcões. Sua primeira ocorrência registrada é do ano de 1587. Em 1631, houve novo uso com o sentido de "ave dos bubonídeos". De acordo com o Dicionário Histórico das Palavras Portuguesas de Origem Tupi (DHPT), o vocábulo tupi "parece proceder de cabu-ré, que quer dizer propenso às vespas escuras, ou que se alimenta dela". Teodoro Sampaio em O Tupi na Geografia Nacional (TupGN) argumenta que derivou do tupi caá-por-é (da raiz ka'a-, "mato"), que significa "dado a morar no mato". A partir desta acepção, comenta, surgiram sentidos totalmente distintos de caburé como "habitante da roça", "mestiço" ou "árvore".Grande Dicionário Houaiss, verbete caburé
Taxonomia Foi descrita por Silva et al. (2002) com base em dois exemplares taxidermizados (depositado na Coleção Ornitológica da Universidade Federal de Pernambuco, nº. 1030 e nº. 1017), procedentes da Reserva Biológica de Saltinho, Rio Formoso/PE. Seu nome científco mooreorum foi em homenagem a Gordon Moore, presidente emérito da empresa de tecnologia Intel, que realizou importantes contribuições financeiras à conservação da biodiversidade brasileira. Pertence ao complexo G. minutissimum e, provavelmente, mais intimamente relacionada com G. hardyi; difere vocalmente e, em certa medida, morfologicamente das outras espécies deste complexo, e está geograficamente bem isolada. Por questões taxonômicas, alguns autores nomeiam a G. mooreorum como G. minutissimum; e a G. minutissimum como G. sicki (Konig & Weick 2008). No entanto, a maioria das autoridades recentes não concordam com tal classificação.
Distribuição geográfica e habitat A espécie é endêmica das florestas Costeiras de Pernambuco no estado de Pernambuco, no Nordeste do Brasil. Duas localidades de ocorrência são conhecidas, a primeira na Reserva Biológica de Saltinho, no município de Tamandaré, e a segunda na Usina Trapiche no município de Sirinhaém.
Habitat e comportamento Foi encontrada no dossel alto de uma floresta úmida, em altitudes que variam do nível do mar até 150 m. É conhecida apenas por dois registros: um da década de 90, obtido na Reserva Biológica Saltinho/PE, unidade de conservação de 565 ha; e outro (não confirmado) de 2001, realizado na Usina Trapiche, em Sirinhaém/PE, um remanescente florestal de aproximadamente 100 ha. (Silva et al. 2002). Desde então, a espécie não foi mais registrada.
Vocalização Gravada na década de 90 por Galileu Coelho, sua vocalização consiste em uma canção curta composta por 5-7 notas, com ligeira diminuição da frequência média de notas. A quarta e a quinta nota de são as que apresentam maiores picos de amplitude, de modo que a vocalização fique mais acentuada antes do final. Essa mudança ascendente na frequência de notas e a diminuição da frequência média ao longo da canção parece ser uma característica única entre as espécies do gênero Glaucidium dos neotropicos.
(Vocalização disponível em: http://www.avesderapinabrasil.com/glaucidium_mooreorum.htm)
Conservação A União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN) classifica a espécie como "em perigo crítico" devido a restrição geográfica, baixa densidade populacional e a destruição do habitat. Os últimos avistamentos foram registrados em 2001 na Usina Trapiche. Buscas posteriores não conseguiram localizar nenhum exemplar nas áreas de habitat conhecidas, e alguns autores consideram-na potencialmente extinta.
Ligações externas
Categoria:Glaucidium Categoria:Aves endêmicas do Brasil Categoria:Aves da Mata Atlântica Categoria:Aves descritas em 2002