Os termos software de código livre e aberto, ou free and open-source software (F/OSS, FOSS) em inglês, e software de código livre/libre/aberto, ou free/libre/open-source software (FLOSS) em inglês, referem-se a um software que é duplamente livre e de código aberto. Ele é livremente licenciado para conceder a usuários o direito de uso, cópia, estudo, mudança e melhoria em seu design através da disponibilidade de seu código fonte. Esta abordagem tem ganhado momentum e aceitação uma vez que os benefícios potenciais têm sido crescentemente reconhecidos por indivíduos e corporações.
No contexto de livre e software de código aberto, livre se refere a liberdade para copiar e reusar o software, em vez de se tratar do preço do software. A Free Software Foundation, uma organização que defende o modelo de software livre, sugere que, para entender o conceito, é necessário "pensar em livre como em liberdade de expressão, não como cerveja grátis".
FOSS é um termo inclusivo que cobre tanto o software livre como o software de código aberto, o qual apesar de descrever modelos de desenvolvimento similares, possuem diferentes culturas e filosofias.Feller (2005), p. 89, 362 O software livre foca na liberdade fundamental que ele dá a seus usuários, enquanto que o software de código aberto foca nos pontos fortes percebidos de seu modelo de desenvolvimento ponto-a-ponto.Feller (2005), pp. 101–106, 110–111. FOSS é um termo que pode ser usado sem viés particular para qualquer abordagem política.
Licenças de software livre e licenças de código aberto são usadas por muitos pacotes de software. Enquanto as licenças na maioria dos casos são as mesmas, os dois termos cresceram de duas filosofias diferentes e são frequentemente usados para indicar metodologias de distribuições diferentes.
História
Nas décadas de 1950, 1960 e 1970, era bem mais comum para usuários de computador terem as liberdades que são fornecidas pelo software livre. O software, incluindo o código fonte, era comumente compartilhado entre indivíduos que usavam computadores. A maioria das empresas tinham um modelo de negócio baseado na venda de hardware e forneciam ou incluíam o software gratuitamente. Organizações de usuários e fornecedores foram formados para facilitar a troca de software; como por exemplo, SHARE e DECUS.
Já no final da década de 1960, o modelo de negócio predominante da época estava mudando. Uma indústria crescente de software estava competindo com os softwares que eram incluídos pelos fabricantes de hardware; em vez de financiar o desenvolvimento de software a partir da receita do hardware, estas novas empresas estavam vendendo o software diretamente. As máquinas alugadas necessitavam de suporte de software enquanto que não forneciam nenhuma receita para o software, e alguns clientes que conseguiam suprir suas necessidades não queriam o custo do software incluído com o custo de produção do hardware. Em Estados Unidos vs. IBM, arquivado em 17 de janeiro de 1969, o governo acusou que o software incluído era anticompetitivo. Enquanto alguns softwares devem ser sempre livres, haveria um crescimento na quantidade de softwares que eram somente vendidos. Em 1970 e no começo de 1980, algumas partes da indústria de software começou a usar medidas técnicas (tais como somente distribuir cópias binárias de programas de computador) para impedir que os usuários de computador usassem técnicas de engenharia reversa para estudar e personalizar o software que eles tinham comprado. Em 1980, a lei de copyright (Pub. L. No. 96-517, 94 Stat. 3015, 3028) foi estendida para os programas de computadores nos Estados Unidos.Computer Software 1980 Copyright Act, Pub. L. No. 96-517, 94 Stat. 3015, 3028.
Em 1983, Richard Stallman, um membro de longa data da comunidade hacker no Laboratório de Inteligência Artifical do MIT, anunciou o Projeto GNU, dizendo que ele tinha ficado frustrado com os efeitos da mudança na cultura da indústria de computadores e seus usuários.William 2002 O desenvolvimento de software para o sistema operacional GNU começou em Janeiro de 1984, e a Free Software Foundation (FSF) foi fundada em outubro de 1985. Um artigo destacando o projeto e seus objetivos foi publicado em março de 1985 com o título Manifesto GNU. O manifesto incluía uma explicação significativa da filosofia GNU, Definição de Software Livre e ideias "copyleft".
O núcleo do Linux, iniciado por Linus Torvalds, foi lançado como código de fonte livremente modificável em 1991. A primeira licença não era uma licença de software livre ou de código aberto. Porém, com a versão 0.12 em fevereiro de 1992, ele lançou o projeto sob a Licença Geral Pública GNU, a qual era. Muito parecida com a do Unix, o núcleo de Torvalds atraiu a atenção de programadores voluntários.
FreeBSD e NetBSD (ambos derivados de 386BSD) foram lançados como softwares livres quando a ação judicial USL v. BSDi foi resolvida nos tribunais em 1993. A OpenBSD forcou a partir do NetBSD em 1995. Também em 1995, o servidor HTTP Apache, habitalmente referido como Apache, foi lançado sob a Licença Apache 1.0.
Em 1997, Eric Raymond publicou A Catedral e o Bazaar, uma análise reflexiva da comunidade hacker e princípios do software livre. O artigo recebeu uma atenção significativa no começo de 1998 e foi um fator motivador para a Coorporação de Comunicações Netscape lançar seu popular navegador Netscape como um software livre. Este código é conhecido atualmente como Mozilla Firefox e Thunderbird.
O ato da Netscape levou Raymond e outros a pensar em como trazer as ideias e benefícios do software livre da FSF para a indústria comercial de software. Eles concluíram que o ativismo social da FSF não era atraente para companhias como a Netscape e buscaram uma maneira de reposicionar o movimento de software livre para enfatizar o potencial de negócio através do compartilhamento e colaboração do código fonte de software. O novo nome escolhido foi "código aberto" e rapidamente Bruce Perens, a publicadora Tim O'Reilly, Linus Torvalds e outros aderiram a esse reposicionamento. A Open Source Initiative foi fundada em fevereiro de 1998 para encorajar o uso do novo termo e evangelizar os princípios do código aberto.
Enquanto a Open Source Initiative buscava encorajar o uso do novo termo e evangelizar seus princípios, os vendedores comerciais de software sentiram-se ameaçados com o conceito de software distribuído livremente e com acesso universal ao código fonte da aplicação. Um executivo da Microsoft publicamente afirmou em 2012: "O código aberto é um destruidor da propriedade intelectual. Eu não posso imaginar algo que poderia ser pior que isto para o negócio de software e propriedade intelectual." B. Charny, "Microsoft Critíca Abordagem Código Aberto," CNET News, 3 de maio 2001; http://news.cnet.com/2100-1001-257001.html&tag=mncol%3btxt Esta visão resume perfeitamente a resposta inicial ao FOSS por parte de algumas corporações de software. Porém, enquanto FOSS tem historicamente desempenhado um papel fora dos holofotes do desenvolvimento de software privado, grandes empresas como a Microsoft têm começado a desenvolver presenças de código aberto na Internet. A IBM, Oracle, Google e a State Farm são apenas algumas das empresas com participação pública significativa no mercado de código aberto. Houve uma mudança significativa na filosofia das empresas sobre o desenvolvimento de software livre e de código aberto (FOSS).Jeffrey Voas, Keith W. Miller & Tom Costello. Software Livre e de Código Aberto. IT Professional 12(6) (Novembro de 2010), pg. 14-16.
Desenvolvimentos recentes
Enquanto o copyright é o mecanismo jurídico primário que os autores do FOSS utilizam para garantir o cumprimento da licença de seus softwares, outros mecanismos tais como legislação, patentes e marcas têm também suas implicações. Em resposta as questões legais com patentes e o DMCA, a Fundação de Software Livre lançou a versão 3 de sua Licença Pública Geral GNU em 2007, que explícitamente abordava os direitos de patentes e DMCA.
Depois do desenvolvimento da GNU GPLv3, como detentora do copyright de muitas partes do sistema GNU, tal como o compilador de software GCC, a FSF atualizou a maioria das licenças de seus programas de GPLv2 para o GPLv3. A Apple, usuária do GCC, e usuária em larga escala do DRM e patentes, decidiu trocar o compilador em sua IDE Xcode de GCC para Clang, outro compilador FOSS, mas o qual está sob uma licença permisiva. LWN especulou que a Apple foi motivada parcialmente por um desejo de evitar a GPLv3. O projeto Samba também trocou para o GPLv3, o qual a Apple substituiu sua suíte de software com uma alternativa de software proprietária de código fechado.
Fusões recentes têm afetado grandes softwares de código aberto. A Sun Microsystems (Sun) adquiriu a MySQL AB, dona do popular banco de dados de código aberto MySQL em 2008.
A Oracle por sua vez comprou a Sun em janeiro de 2010, adquirindo seus copyrights, patentes e marcas. Isto tornou a Oracle dona do banco de dados mais popular de código aberto e do banco de dados mais popular proprietário. A tentativa da Oracle de comercializar o banco de dados de código aberto MySQL têm levantado preocupações na comunidade FOSS. Parcialmente em resposta ao futuro incerto do MySQL, a comunidade FOSS forcou o projeto em um novo sistema de banco de dados fora do contorle da Oracle. Este inclui MariaDB, Percona e Drizzle. Todos estes possuem nomes distintos; eles são projetos distintos e não podem utilizar a marca MySQL.
Em agosto de 2010, a Oracle processou a Google afirmando que seu uso do Java no Android infringia os direitos de copyright e patentes da Oracle. O caso Oracle v. Google terminou em maio de 2012, com a conclusão de que a Google não infringiu a patente da Oracle e o juiz do processo determinou que a estrutura da API Java da Google não era protegida por direitos autorais. O júri concluiu que a Google infringiu um pequeno número de cópia de arquivos, mas as partes estipularam que a Google não iria pagar pelos danos. A Oracle apelou para o circuito Federal e a Google arquivou um recurso interposto sobre a alegação de cópia literal.
FOSS e a nova economia de Benkler De acordo com Yochai Benkler, Jack N. e Lillian R. Berkman, professor em Estudos Empresariais Legais na Escola de Direito de Harvard, o software livre é a parte mais visível de uma nova economia baseada em bens comuns de pontos de produção de informação, conhecimento e cultura. Como exemplo, ele cita uma variedade de projetos FOSS, incluindo ambos softwares livres e de código aberto.
Esta nova economia já está em desenvolvimento. Com o intuito de comercializar o FOSS, muitas empresas, a Google sendo a mais bem sucedida, estão se movendo para um modelo econômico de softwares com suporte a propagandas. Em tal modelo, a única maneira de aumentar a receita é tornar a propaganda mais valiosa. O Facebook teve recentemente problemas por usar novos métodos de rastreamento de usuário para alcançar tal objetivo.
Esta nova economia não está sem alternativas. A loja de apps da Apple tem provado ser muito popular entre usuários e desenvolvedores. A Fundação de Software Livre considera a loja da Apple ser incompatível com sua licença GPL e reclamou que a Apple estava infringindo sua licença com os termos de uso do iTunes. Em vez de mudar estes termos para se adequar a GPL, a Apple removeu os produtos licenciados pelo GPL de sua loja. Os autores do VLC, um dos programas licenciados pelo GPL no centro destas reclamações, recentemente começou um processo para trocar a GPL pela LGPL.
Nomenclatura
Software livre