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Está página é um índice cronológico de fatos marcantes relacionados aos direitos das pessoas LGBT nos últimos séculos.

12000 a.C. Os registros arqueológicos mais antigos apontam para 12.000 AC na Era Paleolítica onde algumas pinturas de caverna e centenas de "batons" fálicos foram encontrados na caverna de Gorge d'Enfer em Dordonha na França. Entre os exemplares encontrados destaca-se um dildo duplo supostamente utilizado para em relações sexuais entre mulheres.

5000 a.C. Outros registros arqueológicos apontam para 5000 AC na Era Mesolítica, onde o homoerotismo está representado em uma rocha encontrada em Addara na Sicília. Nessa inscrição em rocha, homens e mulheres dançam ao redor de duas figuras masculinas com ereção. Supõe-se que esse registro represente uma relação homoerótica.

Século XXVIII a.C. Em registros que apontam para o século XXVIII a.C. (2800 a.C., mas também citado em outros artigos com data de 2500 a.C.), um poeta desconhecido escreve a mais antiga epopeia preservada pela história, a Epopeia de Gilgamesh. A epopeia inclui a primeira história de amor homoerótico retratada pelos personagens Gilgamesh e EnkiduDesire, discord and death: approaches to ancient Near Eastern myth, Neal Walls, ASOR Books, v. 8 - uma tradução amplamente comentada de duas tábuas - uma tradução das onze tábuas

Século XXVI a.C.. No século XXVI a.C. (2600 a.C.), na tumba do faraó Raturés na 5ª dinastia do Reino Antigo, os cabeleireiros e manicures da grande casa, Nyankh Khnom e Khom Hotep, foram retratados numa pintura onde insinua-se um beijo homossexual entre homens. Segundo estudiosos da história do Egito há de se considerar que o beijo entre homens não têm, necessariamente, uma conotação homoerótica, sendo muitas vezes manifestados como uma relação de amizade em várias civilizações até os dias atuais, porém como aparecem representados como casal e com descendentes ao fundo (sem falar na atipicidade do beijo entre amigos em outros murais), acabam por gerar fortes indícios de divergência sexual.

Século XX a.C. A civilização Mochica da região dos Andes na América do Sul retratava a penetração per annum em 3% da coleção das cerâmicas coletadas pela Família Larco, com datação estimada em 1000 a.C.. Há informações, também, de que várias esculturas em Ouro das civilizações pré-coloniais dos Andes que representavam a prática do homoerotismo foram derretidas com a chegada dos espanhóis no continente.

Século VII a.C. 630 A.c. - Aristocratas Dorianos da Grécia antiga assumem relações pederastas formais entre adultos nobres e homens adolescentes com o objetivo de educar a população e conter o crescimento populacional.

Os registros mais conhecidos da homossexualidade foram resgatados da história da Grécia e Esparta. Durante os séculos VII a.C. a VI a.C. a Grécia Antiga vivenciou grandes fatos históricos, representados através de sua arte onde a homossexualidade é abordada. Nesse período, o poeta Álcman escreveu um coro às virgens onde muitos historiadores acreditam haver uma simbologia de homoerotismo entre mulheres; a poetisa Safo da Ilha de Lesbos, que alguns historiadores consideram como bissexual, escreve vários poemas que alcançam tanto homens como mulheres. Segundo o historiador grego Plutarco, Sólon, homem de estado, legislador e poeta lírico de Atenas mantinha relações homossexuais com Pisístrato. A homossexualidade também teve registros históricos reconhecidos de afeição e convivência nesse período.

As relações pederastas se espalharam pela Grécia antiga, influenciando os esportes, a literatura, a política, a filosofia, as artes e a comunidade, causando, segundo alguns estudiosos, um grande florescimento cultural; também é considerara a valorização da beleza muscular e a nudez atlética nesse período, gerando obras de arte clássicas com alto grau de perfeição que influenciariam até o Renascimento, a exemplo da obra de Michelangelo (que por sua vez influenciaria as visões eugênicas na busca por um ideal de suprassumo, do humano perfeito, e por mera resultante uma boa semente na geração de uma tribo e etnos acima da média em proporção de bem nascidos e constituídos com impactos positivos para todas as áreas da civilização avançada e clássica).Devereaux, George, "Greek Pseudo-homosexuality and the Greek Miracle", Symbolae Osloenses, 13 (1967), pp.70-92William Armstrong Percy III, Pederasty and Pedagogy in Archaic Greece, passim

séc. VI a.C 600 a.C. - O termo lésbica (Lesbos) é usado pela primeira vez. Ver etimologia da palavra "lésbica".

séc. I a.C. 45 a.C. a 140 d.C - Os textos do Antigo Testamento redigidos por diversos autores desconhecidos no período entre 45 a.C. e 140 d.C. e que são a origem da Bíblia e da Bíblia Hebraica, citam a homossexualidade em suas escrituras.O Antigo Testamento e a Sexualidade (V), Francolino J. Gonçalves, École Biblique et Archéologique Française, Jerusalém Entre os registros do antigo testamento, são reconhecidos os textos que consideram a homossexualidade como uma abominação (toeba), no caso a Lei da Santidade (Lv 18:22 e 20:13), originária dos cinco livros do Pentateuco que estipula a pena capital para ambos os culpados. No entanto, é apenas uma interpretação livre baseada na passagem referente a Sodoma, que condena a violação de estrangeiros por alguns habitantes locais. Outros registros do Antigo Testamento podem sugerir uma relação homo erótica, entre eles os casos de 'Davi e Jônatas', 'Isaque gostava de Esaú', em Gn 25:28 e 'Saul afeiçoou-se a Davi', em I Sm 16:21; contudo a opinião dos estudiosos sobre o assunto é que essas passagens expressam apenas uma relação de amizade entre eles. A Bíblia e a Homossexualidade

séc. I d.C 54 d.C. - Nero torna-se imperador de Roma. Nero casou dois homens através de uma cerimônia legal com ao menos uma esposa concordando com as mesmas cerimônias de um César. Essa interpretação é alvo de críticas de estudiosos sobre o assunto.

séc. XIII O artigo 48 do Código de Gengis Cã indicava que a pena de morte para os homens que tivessem cometido sodomia.

séc. XVI 1553 - Portugal criminaliza a sodomia através da instalação da Inquisição e de mudanças no Código Penal de Portugal. A criminalização da sodomia é estendida às colônias de Portugal. As Ordenações Afonsinas declaram que a sodomia é o mais torpe, sujo e desonesto pecado ante Deus e o mundo, impondo ao infrator que seja queimado até virar pó, para que não reste memória de seu corpo e sepultura.e http://www1.ci.uc.pt/ihti/proj/afonsinas/l5pg54.htm Diz o texto das ordenações (Livro V, Título XVII - Dos que cometem pecado de sodomia): "Sobre todos os pecados, bem parece ser o mais torpe, sujo e desonesto o pecado de Sodomia, e não é achado um outro tão aborrecido ante a Deus e o mundo (…)Portanto mandamos que todo homem que tal pecado fizer, por qualquer guisa que ser possa, seja queimado e feito pelo fogo em pó, por tal que já nunca de seu e corpo e sepultura possa ser ouvida memória."

1533 - Rei Henrique VIII, Inglaterra proclama todas as atividades sexuais não-reprodutivas como crime. Além da proibição de relações homossexuais, também foram proibidas a masturbação, o sexo anal e o sexo oral. A criminalização das relações "não naturais" foi introduzida através do "Buggery Act" de 1533. Há interpretações de que o "Buggery Act" não se aplicaria a relações homossexuais, contudo houve várias punições nesse sentido.

séc. XVII séc XVIII 1791 - França descriminaliza a pederastia, termo utilizado para as relações homossexuais na França.

séc. XIX 1807- John Church, (1780-1835) é ordenado clérigo e torna-se, segundo alguns historiadores, o primeiro reverendo na Inglaterra a celebrar cerimônias de casamentos entre pessoas do mesmo sexo. Foi condenado à prisão, dez anos após, por crime de sodomia. 1813 - Estado da Baviera, na Alemanha, descriminaliza a prática homossexual entre homens. 1830 - Brasil descriminaliza a sodomia nas relações sexuais, inclusive entre homens. Todas as referências à sodomia foram removidas com a introdução do novo Código Penal do Império do Brasil, assinada por Dom Pedro I. 1860 - Índia (e Paquistão), então colônia da Inglaterra, criminalizam a homossexualidade através da Seção 377 do Código Penal Indiano 1867 - o jurista alemão Karl-Heinrich Ulrichs(1805-1825) é demitido em função de sua homossexualidade e, então, começa sua vida como uns dos primeiros ativistas políticos em prol dos direitos dos homossexuais. 1871 - Alemanha criminaliza a homossexualidade através do Parágrafo 175 do Código Criminal. 1897 - Magnus Hirschfeld, médico alemão e homossexual assumido, funda junto com Eduard Oberg, Max Spohr e Franz Josef von Bülow, o Wissenschaftlich-humanitäres Komitee ("Comité Científico-Humanitário") cujo objectivo era defender os direitos dos homossexuais e revogar o parágrafo 175 da lei alemã, que penalizava as relações homossexuais. Lançara um ano antes um panfleto intitulado Sappho und Sokrates oder Wie erklärt sich die Liebe der Männer und Frauen zu Personen des eigenen Geschlechts? (Safo e Sócrates ou como explicar o amor de homens e mulheres por pessoas do seu mesmo sexo?) objetivando explicar cientificamente a homossexualidade como algo natural.

1900-1909 1906 - A condessa brasileira Dina Alma de Paradeda envenena-se em Breslau, e um médico revela que seu corpo tinha um pênis, causando sensação na mídia. De Paradeda se torna uma das primeiras mulheres transgênero conhecidas pelo nome em toda a Europa Central. Sua história é frequentemente lembrada posteriormente por Magnus Hirschfeld em suas pesquisas e trabalhos. 1907 - Adolf Brand, líder ativista do Gemeinschaft der Eigenen, tentando reverter o Parágrafo 175, publica uma obra onde afirma que o chanceler imperial da Alemanha, o príncipe Bernhard von Bülow, seria homossexual. Brand é condenado a dezoito meses de prisão.

1910-1919 1919 - Em Berlim, Alemanha, o Dr. Magnus Hirschfeld cofundou o Institut für Sexualwissenschaft, um instituto de pesquisa privado pioneiro e escritório de aconselhamento. Sua biblioteca de milhares de livros foi destruída pelos nazistas em maio de 1933.hirschfeld.in-berlin.de, The first Institute for Sexual ScienceFamous GLBT & GLBTI People - Dr. Magnus Hirschfeld stonewallsocietyAtina Grossmann. Reforming Sex. Oxford University Press, 1995.

1920-1929 Em 1922 foi aprovado o primeiro Código Penal da República Socialista Federativa Soviética da Rússia, a homossexualidade ou a “sodomia”, como era chamada, foi descriminalizada. 16 de outubro de 1929 - Um Comitê Reichstag vota para cancelar o Parágrafo 175. A chegada ao poder pelos nazistas impede que a decisão entre em vigor.

1930-1939 1933 - Dinamarca descriminaliza a homossexualidade. 1936 - A Secção 121 do código da URSS criminaliza o sexo anal entre homens 1937 - O triângulo rosa é usado pela primeira vez nos campos de concentração nazistas.

1940-1949 1945 - Após a libertação dos presos dos campos de concentração pelas forças aliadas, os homossexuais lá internados não são libertados, mas obrigados a cumprir pena de acordo com as sentenças proferidas a partir do Parágrafo 175.

1950-1959 1950 - Alemanha Oriental reverte parcialmente as emendas feitas pelos nazistas no Parágrafo 175. 1951 - Bulgária, Grécia e Jordânia descriminalizam a prática homossexual. 1954 - Portugal reforma seu Código Penal de 1886 e criminaliza, nos artigos 70º e 71º, os "vícios contra a natureza", tanto para Portugal como para todas as suas colônias. 1954 - Alan Turing, matemático britânico, comete suicídio devido a depressão causada pelo tratamento legalmente forçado contra sua assumida homossexualidade, uma terapia à base de estrogênio visando castração química, que tem como efeito colateral o desenvolvimento de seios.