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O Banco Montepio, cuja denominação jurídica é Caixa Económica Montepio Geral, caixa económica bancária, S.A., é uma instituição de crédito portuguesa com sede em Lisboa. A sua origem remonta à criação da Caixa Económica de Lisboa, em 1844, associada ao Montepio Associação Mutualista, fundado em 1840.
Em 2017, a Caixa Económica Montepio Geral foi transformada em sociedade anónima, passando a adotar a denominação jurídica Caixa Económica Montepio Geral, caixa económica bancária, S.A.. Em 2019, passou a utilizar comercialmente a designação Banco Montepio.
O banco é controlado pelo Montepio Associação Mutualista, que detinha 99,993% do capital social após um aumento de capital realizado em 2025.
Fundação (1844)
Em 1840 foi fundada a Associação Mutualista Montepio Geral, então denominada Montepio Geral, com o objetivo de proporcionar mecanismos de proteção social aos seus associados. Quatro anos mais tarde, em 1844, foi criada a Caixa Económica de Lisboa, destinada à captação de depósitos e concessão de crédito e associada ao Montepio Geral.
Ao longo dos séculos XIX e XX, a Caixa Económica expandiu progressivamente a sua atividade e rede, acompanhando a evolução do sistema financeiro português.
Século XIX
Durante o século XIX, a Caixa Económica enfrentou diversas situações de pressão sobre os depósitos, associadas a crises económicas e financeiras e a outros acontecimentos. Em 1899 foi constituído um fundo de reserva e foram disponibilizados cofres para aluguer a particulares.
Século XX: separação contabilística e crédito hipotecário
Em 1915 iniciaram-se os empréstimos hipotecários sobre prédios urbanos em Lisboa, tendo sido criada em 1920 uma secção dedicada a esse tipo de operações. Em 1933, os novos estatutos estabeleceram uma separação contabilística entre a Associação Mutualista e a Caixa Económica de Lisboa.
Expansão da rede (1944–1972)
A partir de 1944 foi iniciada a expansão da rede de delegações para as capitais de distrito. Nas décadas seguintes foram abertas agências em várias cidades do país, incluindo Évora, Faro, Coimbra, Viseu, Bragança, Castelo Branco, Aveiro e Setúbal.
Informatização
No final da década de 1960 e durante a década de 1970, a Caixa Económica iniciou um processo de informatização. Em 1968 foi instalado um centro mecanográfico, em 1972 foi adquirido um sistema de teleprocessamento e, em 1973, entrou em funcionamento um computador Century 200.
1975: intervenção do Estado
Na sequência da nacionalização das instituições de crédito em Portugal em março de 1975, as caixas económicas não foram abrangidas diretamente pelo Decreto-Lei n.º 132-A/75, tendo sido prevista legislação específica para estas instituições.
O Decreto-Lei n.º 156-A/75 determinou, contudo, a intervenção do Estado na Caixa Económica de Lisboa, instituição de crédito anexa ao Montepio Geral, através da nomeação de uma comissão administrativa e da dissolução dos seus anteriores corpos sociais.
A intervenção foi posteriormente revertida, tendo os órgãos de gestão da instituição retomado funções em dezembro de 1975.
Modernização bancária (1984–1994)
Durante as décadas de 1980 e 1990, a Caixa Económica desenvolveu novos serviços bancários e sistemas de pagamento. Em 1984 foi lançada a rede Chave24, em 1988 a Caixa Económica adquiriu uma participação na UNICRE e, em 1989, foram introduzidos equipamentos de leitura ótica de cheques.
Em 1991, a Caixa Económica de Lisboa passou a designar-se Caixa Económica Montepio Geral. No mesmo período foram introduzidos cartões de crédito e, em 1992, a rede Chave24 passou a estar ligada ao sistema Multibanco.
Em 1994, o Banco de Portugal autorizou a Caixa Económica Montepio Geral a operar no mercado externo.
Expansão e diversificação (1995–2010)
Em 1995, a Caixa Económica Montepio Geral adquiriu a Caixa Económica Açoriana e, em 1996, a Caixa Económica do Montepio Comercial e Industrial.
Durante a segunda metade da década de 1990 e o início da década de 2000 foram também criados escritórios de representação no estrangeiro e desenvolvidos serviços de banca à distância, incluindo o Net24 e serviços de banca telefónica.
Aquisição do Finibanco
Em 2010, o Montepio Geral – Associação Mutualista lançou uma oferta pública de aquisição sobre o grupo Finibanco. A operação envolvia a aquisição do controlo exclusivo da Finibanco Holding, SGPS, S.A..
A Autoridade da Concorrência decidiu não se opor à operação em outubro de 2010, considerando que a concentração não era suscetível de criar ou reforçar uma posição dominante que resultasse em obstáculos significativos à concorrência efetiva nos mercados analisados.
A operação conduziu à integração progressiva das atividades do Finibanco no Grupo Montepio.
Transformação em sociedade anónima (2015–2017)
Em 2015 foi aprovado um novo regime jurídico das caixas económicas, através do Decreto-Lei n.º 190/2015, que estabeleceu, entre outras alterações, o enquadramento das caixas económicas bancárias como sociedades anónimas.
Em 14 de setembro de 2017 foi realizada a escritura dos novos estatutos que transformou a Caixa Económica Montepio Geral em sociedade anónima, passando a denominar-se Caixa Económica Montepio Geral, caixa económica bancária, S.A..
A transformação implicou a conversão do fundo de participação da Caixa Económica em capital social representado por ações ordinárias. Na sequência da operação e da oferta pública de aquisição realizada pela Associação Mutualista, esta passou a deter a quase totalidade do capital da instituição.
Banco Montepio (2019–presente)
Em 2019, a instituição passou a utilizar comercialmente a designação Banco Montepio, mantendo a denominação jurídica Caixa Económica Montepio Geral, caixa económica bancária, S.A..
A nova identidade visual foi apresentada em fevereiro de 2019 e procurou distinguir a marca do banco da Associação Mutualista, sua acionista.
Reestruturação (2020–2021)
Em 2020, o Banco Montepio registou um resultado líquido negativo de 80,7 milhões de euros, contra um lucro de 21,7 milhões de euros em 2019. O resultado foi afetado pelo aumento das imparidades para riscos de crédito, associado ao impacto económico da pandemia de COVID-19, e por custos não recorrentes relacionados com um plano de ajustamento, que ascenderam a 35,1 milhões de euros.
O processo de ajustamento operacional incluiu a redução da rede comercial e do número de trabalhadores. Em 2020 foram encerrados 37 balcões e o número de trabalhadores foi reduzido em 241.
Em 2021, o banco regressou aos resultados positivos, registando um lucro de 6,6 milhões de euros. Nesse ano, o rácio de exposições não produtivas (NPE) diminuiu para 8,6%.
Recuperação financeira (2022–2025)
Em 2022, o Banco Montepio registou um resultado líquido consolidado de 33,8 milhões de euros, cinco vezes superior ao resultado do ano anterior.
Em 2023, o resultado líquido foi de 28,4 milhões de euros. O resultado foi afetado pela alienação da operação do Finibanco Angola; excluindo esse impacto, o resultado teria sido de 144,5 milhões de euros.
Em 2024, o Banco Montepio registou um resultado líquido consolidado de 109,9 milhões de euros, mais 287% do que no ano anterior. No final do ano, o rácio de exposições não produtivas (NPE) tinha diminuído para 2,1%, face a 3,2% no final de 2023.
Em 2025, o resultado líquido consolidado foi de 103,8 milhões de euros, menos 5,6% do que em 2024. No final do ano, os depósitos de clientes totalizavam 16,064 mil milhões de euros e o rácio de NPE situava-se em 1,6%.
Estrutura acionista e capital
O Montepio Associação Mutualista é o principal acionista do Banco Montepio. Em outubro de 2025, após um aumento de capital relacionado com a conversão de direitos atribuídos ao Estado no âmbito do regime aplicável aos ativos por impostos diferidos, a Associação Mutualista manteve uma participação de 99,993% no capital social.
A operação envolveu um aumento de capital de cerca de 4,8 milhões de euros e evitou a entrada do Estado no capital da instituição no âmbito desse mecanismo.
Notações de risco
A notação de risco do Banco Montepio melhorou durante o processo de redução dos ativos problemáticos e de reforço dos indicadores de capital. Em dezembro de 2024, a Fitch elevou a notação dos depósitos do banco para BBB-, nível considerado de investimento, e a da dívida sénior não garantida para BB+.
Em 2025, o Banco Montepio passou a ser classificado em grau de investimento pelas três principais agências de notação financeira, Moody's, Fitch e Morningstar DBRS.
Em maio de 2026, a Morningstar DBRS elevou a notação de longo prazo do emitente e da dívida sénior do banco para BBB. A Fitch elevou, na mesma altura, a notação dos depósitos para BBB+.
Governação
Pedro Leitão exerceu o cargo de presidente executivo do Banco Montepio entre 2020 e 2026. Em janeiro de 2026 foi anunciada a sua saída e a escolha de José Azevedo Pereira para o cargo.
A nova administração iniciou funções em 22 de maio de 2026, com José Azevedo Pereira como presidente executivo, para um mandato com duração até 2029.
Modelo de governação e estrutura acionista
O Banco Montepio é uma sociedade anónima e uma caixa económica bancária. A sua estrutura de governo inclui um Conselho de Administração e uma Comissão Executiva, distintos dos órgãos de administração do Montepio Associação Mutualista.
A Associação Mutualista mantém o controlo do banco, detendo 99,993% do capital social após a operação de aumento de capital realizada em 2025.
O Banco Montepio está sujeito à supervisão aplicável às instituições de crédito portuguesas e europeias.
Atividade
O Banco Montepio desenvolve atividade de intermediação financeira, incluindo captação de depósitos, concessão de crédito e prestação de serviços bancários a particulares e empresas.
A instituição mantém também atividade dirigida a entidades da economia social. Em 2024, a atividade junto de clientes da economia social e solidária representava uma parcela específica da sua atividade comercial.
No final de 2025, os depósitos de clientes ascendiam a 16,064 mil milhões de euros e o rácio de exposições não produtivas (NPE) situava-se em 1,6%.
Responsabilidade social e sustentabilidade
O Banco Montepio publica informação sobre sustentabilidade e impacto social e desenvolve iniciativas relacionadas com a economia social, literacia financeira e financiamento sustentável.
Ver também Caixa económica Banca
Ligações externas
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