Simón Rodríguez, cujo nome completo era Simón Narciso de Jesús Carreño Rodríguez (Caracas, 28 de outubro de 1771 — Distrito de Amotape, Peru, 28 de fevereiro de 1854) foi um educador, filósofo, tipógrafo e político venezuelano.
Seus escritos são referentes ao campo da política, da educação, da sociedade e da ética. Suas obras foram muito importantes para a concepção do imaginário latino-americano no século XVIII e XIX, influenciando diversos agentes intelectuais e políticos dos movimentos independentistas da América Colonial Espanhola. Inclusive, Simón Rodriguez foi professor e tutor de Simón Bolívar.TARASCONI, Fábio. As ideias de Simón Rodriguez: a “educação social” republicana à época de formação dos Estados Nacionais Hispano-americanos. Dissertação: Mestrado em História Social. Rio de Janeiro, UNIRIO, 2015. p. 7 - 20.
Segundo o diplomático e político chileno José Victorino Lastarria, “«Don Simón Rodríguez era un verdadero reformador, cuyo puesto estaría al lado de Owen, de Saint-Simon y de Fourier. Hombre de genio, independiente y observador, nacido y formado por sí mismo...»Rodríguez, Simón (1990). «Simon Rodriguez «El hombre mas extraordinario del mundo»». En Oscar Rodriguez Ortiz, ed. Sociedades Americanas. Caracas, Venezuela: Biblioteca Ayacucho. p. XXII. ISBN 980-276-123-0. Consultado el 5/12/2023.
Resumo
Simón Narciso de Jesús Carreño Rodríguez nasceu em Caracas no dia 28 de outubro de 1771 (alguns estudos afirmam que foi em 1769), os estudos indicam que era filho de um sacerdote da igreja e inicialmente foi criado na casa de sua mãe. Contudo, essa faleceu e ele veio a crescer na casa de seu tio, um outro sacerdote, que tinha uma biblioteca repleta de obras, com a qual desde cedo Simón Rodriguez teve contato. Vale a pena destacar que Simón Rodríguez é irmão de Alejandro Carreño, famoso músico venezuelano.Fernandez, Adrian Padilla (14 de julho de 2022). «Simón Rodríguez, educomunicador do século XIX: leitura histórica de uma experiência tecnocultural:». Comunicação & Educação (1): 119 - 121. ISSN 2316-9125. doi:10.11606/issn.2316-9125.v27i1p119-130. Consultado em 21 de junho de 2025
Desde cedo Rodriguez se interessava pela leitura e teve contato com as obras iluministas, além de acompanhar acontecimentos históricos como a Revolução Francesa e a Independência Americana, fatos esses que o ajudaram a compreender o porquê da posição republicana e rebelde do pensador, de modo que ele pode ser compreendido como um pensador ilustrado.
Aos 20 anos de idade, Rodriguez começou a lecionar na escola primária de Caracas, onde veio a ser professor de Simón Bolívar, futuro libertador da américa. Logo no início, inspirado pelas Reales Escuelas de Madrid, Rodriguez propôs alterações na escola de Caracas. Porém essas foram recusadas e após participar de um movimento republicano revolucionário o pensador decide deixar o país.LÓPEZ, Javier Ocampo. Simón Rodríguez, el maestro del libertador. Revista Historia de La Educación Latinoamericana, Bogotá, v. 9, p. 82-99, 2007. p. 89 - 92.
Durante seu período como migrante, Rodriguez desempenhou uma série de trabalhos, aprendeu a ser tipógrafo, viveu em vários países e até adotou um novo nome, o de Samuel Robinson. Até que em 1804, em Paris, reencontra-se com Bolívar e os dois empreendem uma viagem pela europa. Durante o percurso, quando estão em Roma, ocorre o famoso evento do Monte Sacro, no qual Bolívar promete a Rodriguez que voltará para a américa e lutará pela independência das colônias do jugo espanhol.TARASCONI, Fábio. As ideias de Simón Rodriguez: a “educação social” republicana à época de formação dos Estados Nacionais Hispano-americanos. Dissertação: Mestrado em História Social. Rio de Janeiro, UNIRIO, 2015. p. 37 - 55.
Após esse período, Rodriguez entra novamente em um momento de migrante, no qual vive por diversos países, chegando até mesmo à Rússia, sempre desempenhando várias funções, incluindo a de professor. Em 1823, Bolívar convocou Rodriguez para retornar à América e ajudá-lo no desenvolvimento das novas repúblicas.
Porém, seu regresso ao continente não foi esplendoroso, o pensador acumulou uma série de projetos pedagógicos fracassados, teve desavenças com figuras políticas como Antônio José de Sucre e sempre viveu em condições financeiras ruins. Apesar disso, Rodriguez nunca deixou de tentar e pensar, sempre escreveu muito sobre suas ideias acerca das novas repúblicas, acerca da educação e política. É considerado o pai da pedagogia na América Latina, com ideias inovadoras sobre o pensamento crítico, defendeu a educação gratuita e para todos independente de raça, cor ou gênero. Além disso, tinha uma concepção abrangente de cidadania e defendia uma república com a participação política de todos os seus cidadãos. Assim como criou métodos de escrita, oratória e ensino que eram inovadores para o período. Faleceu em 28 de fevereiro de 1854, em Amotape no Peru, em condições de miséria.LÓPEZ, Javier Ocampo. Simón Rodríguez, el maestro del libertador. Revista Historia de La Educación Latinoamericana, Bogotá, v. 9, p. 82-99, 2007
Atualmente, Rodriguez é visto como um dos pensadores ilustrados do continente americano do século XIX, conhecido como “Maestro del Libertador” e é um dos heróis nacionais da Venezuela. Seus restos mortais encontram-se no panteão nacional da Venezuela, em Caracas, ao lado dos restos mortais de Simón Bolívar.Gutiérrez Plaza, A. (2011). Simón Rodríguez: América en los sueños de su razón. Anales De Literatura Chilena, (16), 13–38. p. 33. Recuperado a partir de https://revistaaisthesis.uc.cl/index.php/alch/article/view/32623
Biografia
Primeiros anos Antes de começar, é preciso salientar que sua origem e infância são lacunas historiográficas, no qual dificilmente se tem um consenso sobre os dados. Desse modo, diversos estudiosos, incluindo personalidades históricas que conheceram Rodriguez, divergem a respeito de suas informações.
Simón Rodríguez nasceu em Caracas, no dia 28 de Outubro de 1771 (alguns historiadores afirmam que foi em 1769). Possivelmente é filho de um sacerdote chamado Alejandro Carreño e Rosalía Rodríguez, filha de um fazendeiro criollo. Em 1780, devido ao fato de sua mãe ter se casado novamente, Simon Rodriguez e seu irmão Caetano Carreño, famoso músico venezuelano, tiveram que ir morar com o seu tio, irmão de Rosália, Juan Rafael Rodríguez, também sacerdote, que se encarregou da educação de ambos. Em sua adolescência Simón utilizava o sobrenome Carreño, mas após uma briga com seu irmão, decidiu utilizar o seu sobrenome materno, Rodriguez.Fernandez, Adrian Padilla (14 de julho de 2022). «Simón Rodríguez, educomunicador do século XIX: leitura histórica de uma experiência tecnocultural:». Comunicação & Educação (1): 119 - 121. ISSN 2316-9125. doi:10.11606/issn.2316-9125.v27i1p119-130. Consultado em 21 de junho de 2025
Desde jovem, Rodriguez sempre teve acesso a uma biblioteca repleta de livros, mergulhando na literatura iluminista do século XVIII, entre eles Montesquieu, Rousseau e Voltaire. Além disso, acompanhou em primeira mão o processo de independência dos Estados Unidos da América e a Revolução Francesa, eventos que moldaram sua personalidade e serviram de baliza para os pensamentos que o autor viria a desenvolver no futuro.
Maestro Apenas com 20 anos de idade, em 1791, Rodriguez começou a lecionar na única escola pública que havia em Caracas, que naquele momento, contava com apenas três instituições de ensino, o convento franciscano, a escola pública que Rodriguez lecionava e a universidade. Já no início de sua experiência como docente, Rodriguez tinha sob seu comando 114 estudantes, entre eles o futuro líder do movimento independentista, Simón Bolívar.
Durante essa primeira experiência como docente, Rodriguez já começou a notar uma série de deficiências apresentadas pelo sistema educacional, de modo que queria desenvolver uma nova abordagem de ensino. Contudo, devido às regras locais, Rodriguez passou a ensinar alguns alunos em sua própria residência, como forma de ter mais autonomia, o que fez com que naturalmente se desenvolvesse em uma escola.Gutiérrez Plaza, A. (2011). Simón Rodríguez: América en los sueños de su razón. Anales De Literatura Chilena, (16), 13–38. Recuperado a partir de https://revistaaisthesis.uc.cl/index.php/alch/article/view/32623
Paralelamente a isso, foi nesse momento em que o avô de Simón Bolívar, Dom Feliciano Palacios, sugeriu que Rodriguez assumisse a educação de Bolívar, que tinha na época 9 anos de idade. Durante o ano de 1795, a partir de uma disputa do tio de Bolívar com sua irmã, fica decidido que o menino pode ir morar com seu professor, Rodriguez. Contudo, essa estadia não é de toda pacífica, Bolívar chega a fugir da casa de Rodriguez, mas retorna e fica até o final do ano, quando decide retornar para casa de seu tio Carlos Palacios.
Reflexões sobre os defeitos que viciam a escola de primeiras letras em Caracas e meios para conseguir sua reforma por um novo estabelecimento Em 1794, Simón Rodriguez publica o primeiro documento que se tem conhecimento a respeito de suas ideias sobre a educação. É um memorial que Simón apresentou ao Ajuntamento de Caracas, intitulado “Reflexões sobre os defeitos que viciam a escola de primeiras letras em Caracas e meios para conseguir sua reforma por um novo estabelecimento”. No documento, Rodriguez destaca uma série de problemas e alterações que deveriam ser feitas em relação à educação em Caracas. Entre esses pontos, destacam-se: A pouca estimação que se tinha pela função de docente na sociedade; a inconveniência que de pessoas sem a menor preparação e nem vocação se dedicassem à função de lecionar por conta própria; a precariedade dos salários; a criação de quatro novas escolas, uma para cada paróquia da cidade, que possuíssem quatro professores e doze passantes cada uma delas; e a incorporação de pardos e morenos ao processo educativo oficial.TARASCONI, Fábio. As ideias de Simón Rodriguez: a “educação social” republicana à época de formação dos Estados Nacionais Hispano-americanos. Dissertação: Mestrado em História Social. Rio de Janeiro, UNIRIO, 2015. p. 7 - 54.
Muito se fala da influência do iluminismo, principalmente dos escritos de Rousseau sobre o comportamento de Rodriguez, mas vale a pena ressaltar que as observações e propostas do pensador caraquenho estavam em confluência com um movimento mais amplo de reformas escolares estabelecidas dentro do império espanhol, que estavam acontecendo ao mesmo tempo que a experiência de Rodriguez como docente. Tal movimento educacional do governo espanhol ficou conhecido como Reales Escuelas de Madrid e foi comandado por homens como Don Juan Rubio, Don José Moñino e Don José de Anduaga e Garimberti.
No final de 1795, a Real Audiência de Caracas rejeita as propostas educacionais de Simón Rodríguez, o que o deixa profundamente chateado com o governo local e portanto, o faz renunciar ao seu cargo no cabildo de Caracas e deixar o país. Além disso, não há comprovações diretas, mas provavelmente Rodriguez esteve envolvido no movimento rupublicano independentista deflagrado em 1797, liderado pelo espanhol Juan Batista Picornell e pelos venezuelanos Manuel Gual e José Maria España, cujas principais demandas eram igualdade, liberdade, harmonia entre as classes, a abolição do tributo indígena e da escravidão negra.
Período de Peregrinação Desse momento até a carta de Bolívar em 1823, quando Rodríguez decide voltar para a América, o pensador inicia um período de peregrinação pelo globo, no qual adquire uma série de dons e vive uma série de experiências. Primeiro, Rodriguez viaja rumo à Jamaica, em 1797, com o objetivo de aprender o idioma inglês.