é um filme animado japonês, do gênero drama biográfico, lançado em 2013. Com direção e roteiro de Hayao Miyazaki, é baseado no romance homônimo de Tatsuo Hori, lançado originalmente em 1936. É o 19.º longa-metragem de animação do Studio Ghibli e foi distribuído internacionalmente pela Toho. O elenco da película é composto pelas vozes de Hideaki Anno e Miori Takimoto, ambos como os protagonistas, com vozes adicionais de Nomura Mansai, Hidetoshi Nishijima, Masahiko Nishimura e Stephen Alpert, entre outros.

O filme narra a história de Jiro Horikoshi, projetista do avião de caça Mitsubishi A5M e o seu sucessor, Mitsubishi A6M "Zero", usado pelo Império do Japão durante a Segunda Guerra Mundial. Kaze Tachinu foi anunciado como o último longa-metragem dirigido por Miyazaki, antes de sua aposentadoria em setembro de 2013. No entanto, em 2017, Miyazaki anunciou ter saído da sua aposentadoria para dirigir Kimi-tachi wa Dō Ikiru ka, que deverá ser lançado em 2023. Kaze Tachinu foi o filme de maior bilheteria do ano de 2013 no Japão, recebeu indicações aos Prêmios Globo de Ouro e Óscar e ganhou dois prêmios da Academia do Japão.

Enredo A história tem como personagem principal , um jovem que pretende se tornar um especialista na criação e manuseio de aeronaves. Uma das referências mais notáveis ao longo da sua vida é o artista transalpino Giovanni Battista Caproni, um profissional muito famoso que alcançou grande prestígio devido à beleza das suas obras. Devido aos problemas de miopia desde criança — uma condição que o impediu de ser piloto —, Jiro decide se juntar a uma instituição poderosa de aeronáutica no final da década de 1930.

À medida que a trama se desenvolve, os seus chefes percebem seu talento inato e tomam a decisão de lhe dar total liberdade para construir qualquer categoria de aeronave. O filme narra os acontecimentos mais representativos e influentes de toda a sua existência, recriando o terremoto que ocorreu em Kanto, o tempo marcado pela crise e dificuldades mundiais, a propagação de diferentes doenças por toda a sociedade e o envolvimento do Império do Sol Nascente na Segunda Guerra Mundial.

Elenco Hideaki Anno como Miori Takimoto como Nomura Mansai como Hidetoshi Nishijima como Masahiko Nishimura como Stephen Alpert como Morio Kazama como Keiko Takeshita como a Mirai Shida como Jun Kunimura como

Produção Antecedentes Fã vitalício de aviões e aviações, Hayao Miyazaki começou a produzir uma história sobre a vida de Jiro Horikoshi em 2008, após a conclusão de Gake no ue no Ponyo. O resultado de sua pesquisa resultou em um pequeno mangá, publicado pela revista mensal Model Graphix, entre abril de 2009 a janeiro de 2010, cujo título foi baseado no romance de Tatsuo Hori, Kaze Tachinu, inspirado em um trecho do poema Le Cimetière marin, de Paul Valéry.

Com o intuito de ser um simples deleite pessoal, Miyazaki não planejava seguir com o mangá. Contudo, após ler seu trabalho, o produtor Toshio Suzuki sugeriu que o roteirista extraísse da obra o seu próximo longa de animação. Inicialmente Miyazaki estava cético em relação à ideia de uma história abordar a guerra para o público infantil, algo que poderia ser visto como impróprio. Entretanto, por insistência de seu colega, foi dado "sinal verde" ao projeto no dia 28 de dezembro de 2010. Em uma entrevista para o Asahi Shinbun em 2013, Hayao Miyazaki disse:

Numa outra entrevista em 2011, Miyazaki havia revelado que para a realização de Kaze Tachinu inspirou-se em uma frase de Horikoshi: "Tudo o que eu queria fazer era criar algo de belo".

Direção e roteiro thumb|esquerda|upright=0.8|"Eu quero criar algo realista, fantástico, ou talvez caricato, mas de modo geral, um bom filme."— Hayao Miyazaki

Miyazaki começou a produção de Kaze Tachinu através de um storyboard. Na proposta do filme, apresentada ao Studio Ghibli, descrevia brevemente as premissas e a trama geral do longa-metragem: o trabalho retrataria a sociedade japonesa nos anos trinta e alguns anos de vida de Jiro Horikoshi até à criação de sua aeronave mais famosa, o Mitsubishi A6M "Zero", além de destacar seu caso amoroso com Nahoko, uma menina com tuberculose. O caso amoroso é um elemento narrativo inteiramente fictício e foi idealizado especificamente para que o longa não se concentrasse apenas na realização de um avião de guerra, mas também nos sentimentos do protagonista e na tentativa de viver em plenitude em tempos abalados por grandes conflitos bélicos. As narrativas oníricas permitiram a Miyazaki superar a dificuldade de representar os sentimentos do engenheiro japonês, dadas as escassas fontes deixadas sobre o assunto nos seus escritos pessoais.

O diretor encontrou dificuldades com o roteiro e o storyboard e o seu trabalho prosseguiu lentamente. Ele temia que o filme não satisfizesse o gosto do público, mas, ao mesmo tempo, não pretendia desistir do projeto nesta fase inicial. Além disso, era a primeira vez que trabalhava numa narrativa baseada em um personagem não ficcional e com um arco narrativo de trinta anos de história. O assunto, entre outras coisas, era particularmente delicado e causava discordância no estúdio, entre aqueles que não queriam fazer "apologia à guerra"; Miyazaki também estava consciente deste problema. Um problema surgiu logo após o início da produção do longa-metragem, pois um grande terremoto atingiu o leste japonês em 11 de março de 2011, e poderia ser indelicado, naquele momento, retratar o grande sismo de Kantō no filme.

Em outubro de 2012, a maior parte do storyboard estava completa, mas o autor não sabia como terminar a história. Na verdade, Miyazaki sentiu que a decolagem do avião não tinha que ser uma conclusão satisfatória e não conseguiu encontrar uma maneira de descrever efetivamente a reação de Jiro a ver o seu sonho transformado num instrumento para matar. Essa indecisão teve resultado na animação: de fato, Miyazaki havia pedido aos animadores que desenhassem o engenheiro com um rosto neutro e com poucos sentimentos.

Design e cenografia Mais realista do que as produções anteriores de Miyazaki, Kaze Tachinu tenta reconstruir e mostrar nos cinemas o Japão dos anos 20 e 30, uma época em que as pessoas ainda usavam roupas tradicionais, e que foi marcada por uma grande pobreza num país ainda predominantemente rural e marcado pelas consequências da crise econômica de 1929. Como fontes de inspiração para "as duras condições sob as quais a sociedade japonesa evoluiu antes da guerra", o diretor citou os filmes monocromáticos de Yasujirō Ozu, Tomu Uchida e Mikio Naruse. Esse mesmo método de realismo foi usado na representação do tabagismo, outra característica comum entre os japoneses daquela década, especialmente entre os estudantes.

Para recriar a casa onde Jiro e Nahoko residiam, Miyazaki se inspirou na casa da família Maeda, em Tamana, na prefeitura de Kumamoto, onde morava Natsume Soseki (1867–1916). Miyazaki visitou a propriedade em 2010, durante uma viagem organizada pelo Studio Ghibli para os seus funcionários.

Os aviões do filme O filme apresenta uma grande variedade de aeronaves históricas:

130px Caproni Ca.36 Projetado por Caproni, foi usado inicialmente na Primeira Guerra Mundial. No filme: aparece durante um sonho de Jiro Horikoshi, e numa revista aeronáutica em inglês. 130px Caproni Ca.40 Bombardeiro utilizado no final da Primeira Guerra Mundial. No filme: aparece durante um sonho de Jiro. 130px Caproni Ca.48 Caproni transformou-o de um avião de guerra em um de passageiros. No filme: aparece durante um sonho de Jiro. 130px Caproni Ca.60 Transaereo Avião construído por Caproni e idealizado como um hidroavião transatlântico utilizado para transportar 100 passageiros. No filme: aparece durante um sonho de Jiro e posteriormente, em um flashback no qual Caproni testa o avião no Lago Maggiore. 130px Caproni Ca.90 Construído em 1929, foi o maior bombardeiro da época. No filme: aparece durante um sonho de Jiro, na Alemanha. 130px Junkers G 38 Aeronáutica construída pela empresa alemã Junkers, no final da década de 1920. No filme: aparece durante a visita de Jiro ao hangar da Junkers. 130px Junkers F 13 Um pequeno avião construído pela Junkers, foi lançado em mais de 30 países. No filme: aparece na fábrica da Junkers. 130px Mitsubishi 1MF2 Testado em 13 de junho de 1928, porém, em seu teste acabou sendo destruído. No filme: Hattori, Jiro e Kurokawa assistem ao primeiro teste de voo do avião. 130px Nakajima A1N Produzido pela Nakajima Aircraft Company, foi submetido a uma avaliação comparativa com outros modelos concorrentes. No filme: enquanto a bordo de um porta-aviões, Jiro e Kurokawa vêem-no não decolar. 130px Mitsubishi B1M Serviu como torpedo aéreo e bombardeiro ligeiro na Guerra de Xangai de 1932 em Sucheu. No filme: Jiro e Kurokawa são "molhados" duas vezes pelo óleo do motor dessa aeronave. 130px Mitsubishi 1MF10 Desenvolvido pela Mitsubishi, com uma estrutura de monocoque duralumínio. No filme: Jiro observa o teste de voo, e o avião decola com sucesso de uma planície gramada. 130px Mitsubishi G1M Aeronave de asa média, bimotor de longo alcance, foi desenvolvido pela Mitsubishi no início dos anos 30. No filme: Jiro vê Kiro Honjo desenvolvendo o avião. 130px Mitsubishi G3M Ativo durante a Segunda Guerra Sino-Japonesa, bombardeou muitas cidades chinesas. No filme: aparece entre os diálogos entre Jiro e Honjo. 130px Polikarpov I-15 Um dos mais importantes combatentes da Segunda Guerra Sino-Japonesa, produzido pela União Soviética, fez parte da Força Aérea da República da China. No filme: aparece durante os diálogos entre Jiro e Honjo. 130px Ka-14 Aeronave de caça usado durante a Segunda Guerra Mundial. Foi o primeiro avião monoplano a entrar em serviço a bordo de um porta-aviões. No filme: quando Nahoko sai de casa e retorna ao sanatório pela última vez, Jiro presencia o primeiro voo de teste. 130px Mitsubishi A6M Projetado por Horikoshi e construído pela Mitsubishi, o "Zero" entrou na guerra no final de julho de 1940. Antes do final de 1942, era considerado a aeronave mais perigosa na Guerra do Pacífico. No filme: aparece no último sonho de Jiro e na última cena do filme. 130px Boeing B-29 Superfortress Avião militar com quatro motores a hélices, que foi utilizado como bombardeiro durante a Segunda Guerra Mundial e na Guerra da Coreia pela Força Aérea dos Estados Unidos. No filme: aparece na cena final que retrata a derrota do Japão na guerra.

Animação A produção de Kaze Tachinu teve início em julho de 2011, com uma equipe de duzentas pessoas, terminando em junho de 2013. O filme teve um orçamento estimado de trinta milhões de dólares. Devido à sua idade avançada e à visão fraca, Miyazaki não podia dedicar suas habituais doze ou catorze horas diárias ao trabalho, então foram limitadas a cerca de sete.

Tal como em outros filmes do Studio Ghibli, o longa-metragem utilizou animação tradicional; com a computação gráfica utilizada em uma parte mínima da produção, e também foram utilizados alguns efeitos digitais. Numa única sequência, por outro lado, o CGI teve de ser utilizado mais maciçamente: na cena em que Jiro e Nahoko caminham na chuva.

Dublagem e efeitos sonoros thumb|direita|upright=0.8|125px|Hideaki Anno, dublador original de Jiro Horikoshi.

Escolher o dublador para o papel de Horikoshi foi outro imbróglio para a equipe de produção: embora concordassem com as características da voz do personagem, não conseguiram encontrar um intérprete adequado para o papel. Em dezembro de 2012, Suzuki propôs a Miyazaki uma audição de um diretor que conhecia, Hideaki Anno, porque embora não tivesse experiência com a dublagem, a sua forma de falar e personalidade pareciam apropriadas para o protagonista. Muito satisfeito com as audições, Miyazaki escolhe-o, e Anno foi escolhido como a voz de Jiro: