"Drunk on Love" é uma canção da cantora barbadense Rihanna, gravada para o seu sexto álbum de estúdio, Talk That Talk (2011). A sua composição e produção esteve a cargo da equipa norueguesa Stargate, com auxílio de Ester Dean, Traci Hale e dos quatro membros fundadores da banda britânica de música alternativa The xx — Baria Qureshi, Romy Croft, Oliver Sim e Jamie Smith —, na escrita, e assistência vocal de Kuk Harrell. Estruturada a partir da interpolação direta do tema instrumental "Intro" (2009), gravado pelos The xx, é uma balada de andamento moderado enquadrada no R&B com texturas atmosféricas de indie pop. A sua instrumentação assenta numa linha melódica marcante de guitarra elétrica, camadas densas de sintetizadores, apontamentos de piano e batidas programadas de bateria eletrónica, enquanto a narrativa lírica explora a capitulação emocional perante uma paixão avassaladora, retratando uma mulher que se assume como uma romântica incurável.

A receção crítica atribuída à faixa revelou-se polarizada: diversos comentadores enalteceram a ousadia em incorporar o repertório independente dos The xx no universo comercial e elogiaram a potência e a amplitude vocal de Rihanna, ao passo que outros analistas consideraram a sua entrega excessivamente grandiloquente e melodramática para a delicadeza minimalista da amostra utilizada, apontando alguma previsibilidade às fórmulas melódicas da equipa de produção. Mesmo sem ter sido lançada autonomamente como single de trabalho nas emissoras de rádio, a composição obteve projeção comercial nas plataformas digitais após a comercialização do disco, alcançando a 55.ª posição da tabela internacional de descarregamentos digitais da Coreia do Sul, o 153.º lugar na britânica Official Singles Chart e o 23.º posto na tabela especializada Official Hip Hop and R&B Singles Chart.

Antecedentes e desenvolvimento Após a receção comercial e crítica favorável alcançada pelo seu quinto álbum de estúdio, Loud (2010), Rihanna revelou através da rede social Twitter (X) que o projeto seria alvo de uma reedição alargada com temas inéditos no outono de 2011, afirmando que a era do disco prosseguiria com a adição de novo reportório. Contudo, em setembro desse mesmo ano, a artista esclareceu que a ideia de relançamento havia sido abandonada, sustentando que o álbum anterior representava um corpo de trabalho autónomo e que o público justificava a conceção de um projeto inteiramente novo.

Em agosto de 2011, durante uma entrevista com o espaço Mixtape Daily do canal MTV News, o produtor Verse Simmonds, da dupla The Juggernauts, (responsável pela conceção do tema "Man Down", revelou que a intérprete se encontrava a ultimar as gravações do seu sexto trabalho de estúdio durante as pausas da digressão The Loud Tour. O produtor adiantou que a sua equipa havia submetido maquetes adicionais após o entusiasmo demonstrado pela cantora perante as novas orientações musicais. A 15 de setembro de 2011, Rihanna confirmou aos seus seguidores que o processo de captação decorria em ritmo acelerado e reiterou a previsão de lançamento para o último trimestre do ano civil.

Estrutura musical e composição

"Drunk on Love" é uma balada dramática de andamento moderado que conjuga influências diretas de R&B, incorporando texturas sonoras de indie pop, com uma duração de 3 minutos e 50 segundos. A produção musical esteve a cargo da dupla norueguesa Stargate, tendo as sessões de captação decorrido ao longo de 2011 nos estúdios Roc the Mic Studios, em Nova Iorque, Westlake Recording Studios, em Los Angeles, e The Hide Out Studios, em Londres. A produção e a gravação vocal foram supervisionadas por Kuk Harrell e Marcos Tovar, coadjuvados pelo engenheiro assistente Alejandro Barajas. A arquitetura harmónica edifica-se sobre a interpolação proeminente da linha instrumental de "Intro", faixa de abertura do álbum de estreia da banda britânica The xx, intitulado xx (2009), sobre a qual se desenvolvem sequências ritmadas de sintetizadores, acordes ocasionais de piano e batidas programadas de bateria eletrónica. Robert Copsey, do sítio britânico Digital Spy, identificou de imediato a sonoridade dos Stargate devido à progressão eletrónica inspirada no género trance, apontando semelhanças de atmosfera com "Te Amo" (2010).

A letra da canção resultou de uma parceria entre Ester Dean, Mikkel S. Eriksen, Tor Erik Hermansen, Traci Hale e os quatro integrantes dos The xx, creditados em virtude do excerto melódico utilizado. De acordo com a partitura musical publicada pela Universal Music Publishing Group a peça foi concebida no compasso de tempo comum (4/4), estabelecendo um andamento de 96 batidas por minuto na tonalidade de lá menor. O alcance vocal demonstrado por Rihanna abrange o intervalo compreendido entre a nota grave de lá na terceira oitava (A3) e a nota aguda de mi na quinta oitava (E5). No plano lírico, o texto articula a rendição incondicional a um sentimento amoroso que assume contornos de embriaguez psíquica, com a cantora a proclamar na estrofe mais contemplativa do álbum: "Tenho o coração na boca / Deixo o amor assumir sempre a liderança / [...] Bebo do teu perfume, embriagada de amor". Katherine St. Asaph, na publicação Popdust, salientou a linha "Adoro o sabor que deixas nos meus lábios quando nos beijamos", comentando com ironia que o tom moderado contrastava de forma curiosa com a faceta licenciosa das restantes faixas do projeto.

Receção pela crítica upright=0.65|thumb|left|210px|alt=Fotografia de meio-corpo de Romy Madley Croft a tocar guitarra elétrica e a cantar ao microfone num palco ao ar livre sob a luz do dia, usando uma blusa preta e óculos de sol com armação escura.|Romy Madley Croft (imagem), vocalista e guitarrista dos The xx, coautora da composição instrumental «Intro», cuja melodia foi incorporada em «Drunk on Love». Após a disponibilização de Talk That Talk, a composição acolheu reações díspares da imprensa especializada. Jason Lipshutz, da revista Billboard, apreciou o resultado final, classificando a produção dos Stargate como "dinâmica e expansiva" e sustentando que a obra "permite a Rihanna demonstrar todo o alcance e flexibilidade da sua voz". Randall Roberts, no diário Los Angeles Times, salientou a franqueza da temática lírica, observando como a intérprete "confessa com determinação que o amor é a única coisa de que realmente necessita". Sam Lansky, no portal MTV Buzzworthy, elogiou a abordagem concetual, assinalando que "apenas uma artista com a personalidade de Rihanna consegue pegar numa amostra de culto dos The xx e convertê-la num hino romântico que soa incrivelmente contemporâneo e fresco". Steve M., da plataforma Sputnikmusic, identificou semelhanças melódicas com o fraseado de "What's My Name?" (2010), apontando que os versos centrais são defendidos com "uma convicção séria, confiante e amparada por vocais imponentes". Meena Rupani, no portal DesiHits, notou a eficácia do ritmo para ambientes festivos, embora tenha considerado que a peça não figurava como o momento mais memorável do disco.

Em sentido adverso, os críticos Jon Caramanica, Ben Ratliff e Nate Chinen, do diário The New York Times, acolheram a gravação com severidade, observando que o tema "tenta transmitir emoção genuína, mas cambaleia em torno da melodia, soando como um exercício forçado de vitimização sentimental". Greg Kot, no jornal Chicago Tribune, sustentou que a vocalista deixa entrever "apenas uma ténue réstia de vulnerabilidade sob a densidade eletrónica das batidas". Katherine St. Asaph, em texto para a publicação Popdust, elogiou a elegância melódica concedida pelo enxerto dos The xx e destacou a veia melodramática do timbre de Rihanna, mas criticou a construção dinâmica da faixa, que em vez de partir da quietude para edificar o clímax, arranca num nível intermédio e dissipa o seu impacto dramático.

Tuyet Nguyen, na publicação The A.V. Club, manifestou desagrado pela proliferação de faixas românticas no álbum, argumentando que os versos se traduziam em "generalidades superficiais desprovidas de ressonância humana autêntica". Matthew Cole, na revista Slant Magazine, dirigiu reservas ao trabalho dos produtores, afirmando que a dupla Stargate — responsável por alguns dos maiores sucessos de Rihanna — contribuiu com faixas previsíveis em Talk That Talk, rematando com ironia que esta composição específica "funciona apenas porque deixa que a demonstração dos The xx faça todo o trabalho pesado da melodia". De forma similar, Lindsay Zoladz, na revista eletrónica Pitchfork, considerou a linha de refrão débil e julgou a entrega vocal da cantora "demasiado bombástica e grandiloquente para coabitar harmoniosamente com o instrumental minimalista da banda britânica".

Desempenho comercial Apesar de não ter beneficiado de um lançamento individual nas emissoras de rádio comerciais, a música marcou presença nas listagens de vendas digitais na sequência da comercialização internacional de Talk That Talk. Na Coreia do Sul, a gravação alcançou a 55.ª posição da tabela de descarregamentos digitais internacionais, Gaon International Download Chart, durante a semana de 20 a 26 de novembro de 2011. No Reino Unido, o tema ingressou na 153.ª colocação da contagem oficial Official Singles Chart na publicação datada de 3 de dezembro de 2011, compilada pela Official Charts Company. Na classificação temática britânica direcionada aos géneros urbanos, a faixa ascendeu ao 23.º lugar da Official Hip Hop and R&B Singles Chart.

Posições nas tabelas musicais semanais Tabela musical (2011–2012)Melhor posiçãoCoreia do Sul (Gaon International Digital Chart)48Coreia do Sul (Gaon International Download Chart)55Reino Unido (Official Singles Chart)153

Créditos Todo o processo de elaboração da canção atribui os seguintes créditos pessoais:

Rihanna – vocais principais Ester Dean – composição Mikkel S. Eriksen – composição, produção musical, engenharia de áudio, instrumentação Tor Erik Hermansen – composição, produção musical, instrumentação Traci Hale – composição Baria Qureshi – composição (amostra de "Intro") Romy Croft – composição (amostra de "Intro") Oliver Sim – composição (amostra de "Intro") Jamie Smith – composição (amostra de "Intro") Kuk Harrell – produção vocal, gravação vocal Marcos Tovar – gravação vocal Alejandro Barajas – assistência de engenharia de gravação vocal Phil Tan – mistura Daniela Rivera – assistência de mistura

Categoria:Canções gravadas por Rihanna Categoria:Canções de 2011 Categoria:Canções compostas por Ester Dean Categoria:Canções produzidas por Stargate Categoria:Baladas de R&B Categoria:Canções em inglês