Sacavém (AFI: [sɐkɐ'vɐ̃ĩ]) é uma cidade portuguesa pertencente ao Município de Loures, situada a poucos quilómetros a nordeste da capital do País, Lisboa, que foi sede da extinta Freguesia de Sacavém, freguesia que tinha 4,08 km² de área e 18 469 habitantes (2011), e, por isso, uma densidade populacional de 4 526,7 h/km².
A Freguesia de Sacavém foi extinta em 2013, no âmbito de uma reforma administrativa nacional, para, em conjunto com a Freguesia de Prior Velho formar uma nova freguesia denominada União das Freguesias de Sacavém e Prior Velho da qual é a sede.
Origem do nome Julga-se que na origem do nome Sacavém esteja o étimo árabe šâqabî, significando «próximo» ou «vizinho» (provavelmente, da cidade de Lisboa), através de uma corruptela em Šaqaban; o nome eventualmente teria sido latinizado como Sacabis, e através da forma do acusativo Sacabem (relativamente similar ao termo usado pelos muçulmanos) ter-se-ia chegado ao moderno termo Sacavém. Há no entanto outras teorias acerca da origem do topónimo; para tal veja-se o artigo História de Sacavém.
História
Situada na encruzilhada dos caminhos que, vindos do Norte e do Este, se dirigiam a Lisboa, Sacavém esteve presente em inúmeros momentos da História de Portugal.
Povoação antiquíssima, existiu no tempo dos Romanos uma ponte em Sacavém que subsistiu, pelo menos, até ao (segundo o relato de Francisco de Holanda). Do tempo da ocupação mourisca ficou, aparentemente, o topónimo de origem arábica (شقبان, Šaqabān); imediatamente após a tomada de Lisboa pelos cristãos, em 1147, parece ter ocorrido aqui um combate (a batalha de Sacavém), hoje comummente considerado lendário.
Durante a Idade Média, Sacavém constituiu um reguengo, grande produtor de cereal e vinho; não obstante, os monarcas cederam, por várias vezes, o seu usufruto. Assim, foram beneficiários do reguengo o almirante Manuel Pessanha, a rainha D. Leonor Teles, e depois o Condestável Nuno Álvares Pereira. Por morte deste, passou a sua posse para o seu neto, o conde de Ourém D. Afonso, filho do duque de Bragança, sendo que após a morte de D. Afonso sem filhos, a terra foi integrada no extenso património da Casa de Bragança, à qual viria a pertencer até à queda da monarquia (excetuado o reinado de D. João II, com a execução do titular e confisco dos respetivos bens pela Coroa).
De acordo com algumas crónicas, aqui terá falecido a rainha D. Filipa de Lencastre, em 1415; o nome da povoação figura depois num documento histórico da maior importância para o período das Descobertas – a Carta do Achamento do Brasil (1500), por haver participado na expedição comandada por Pedro Álvares Cabral Diogo Dias, que fora almoxarife da povoação.
No final desse século, o governador do reino Miguel de Moura ordenou aí a construção do Convento de Nossa Senhora da Conceição (com a Igreja de Nossa Senhora da Purificação (Sacavém) anexa), em cumprimento de um voto que fizera anos antes.
Durante um grande surto de peste, em 1599, descobriu-se acidentalmente uma antiga imagem de Nossa Senhora, a qual, por ter, aparentemente, acalmado a pestilência, passou a ser venerada como Nossa Senhora da Saúde, e celebrada desde então todos os anos.
Severamente danificada durante o Terramoto de 1755 (com a destruição da Igreja Matriz e dos últimos vestígios da ponte romana), Sacavém entrou num lento marasmo que durou cerca de um século, até cerca de 1850 se iniciar a sua industrialização – donde ressalta a fundação da célebre Fábrica de Loiça de Sacavém, que espalhou o nome de Sacavém por Portugal e pelo Mundo, e a passagem do caminho-de-ferro, inaugurado em 1856, pela povoação. Esta situação contribuiu para um aumento populacional sustentado, até meados da década de 1970. A industrialização esteve na base do desenvolvimento associativo de que são expressão a Cooperativa «A Sacavenense» e o Sport Grupo Sacavenense, entre outros.
Em Sacavém estabeleceu-se o quartel-general das forças responsáveis pela queda do regime democrático da I República, e aí se preparam os contragolpes que sucessivamente derrubaram Mendes Cabeçadas e Gomes da Costa, e levaram ao poder Óscar Carmona.
O desenvolvimento da povoação levou os responsáveis políticos a atribuir-lhe o estatuto de vila; porém, os sacavenenses, descontentes, pugnaram abertamente contra o regime ditatorial saído da Revolução Nacional de 1926, destacando-se a célebre «greve dos rapazes» (1937) ou a «marcha da fome» (1944).
Após a restauração do regime democrático, em 1974, deram-se importantes acontecimentos históricos em Sacavém – designadamente o cerco do quartel do RALIS, que então estava integrado na freguesia (hoje faz parte da Portela de Sacavém). Em 1983 a famosa Fábrica de Loiça encerra as portas.
No final da década de 1980, a freguesia ganha a sua actual configuração geográfica, com a separação da Portela e do Prior Velho.
Em 4 de Junho de 1997, Sacavém vê enfim reconhecido todo o seu valor e potencial, tendo sido elevada a cidade através da lei n.º 45/97. Meses mais tarde, era inaugurada a Ponte Vasco da Gama, ligando Sacavém ao Montijo, e que se tornou uma obra de referência na paisagem urbana da Cidade.
Em 2000, foi inaugurado, pelo Presidente da República Dr. Jorge Sampaio e pelo Presidente da Câmara Municipal de Loures Eng. Adão Barata, o Museu de Cerâmica de Sacavém, que acolhe o espólio histórico da antiga fábrica cerâmica.
Geografia
Localizada na parte oriental do Município de Loures, Sacavém confina com as freguesias de Unhos (a Noroeste), Camarate (a Oeste), Prior Velho (a Sudoeste), Portela, (a Sul) e Moscavide (a Sudeste), sendo ainda banhada pelo Estuário do Tejo (a Este) e pelo Rio Trancão, anteriormente chamado Rio de Sacavém (a Norte, o qual separa esta freguesia da Bobadela).
Freguesia bastante urbanizada, acha-se tradicionalmente dividida em Sacavém de Cima e Sacavém de Baixo, embora recentemente tenham surgido novas urbanizações na cidade. Orograficamente, é um espaço pouco acidentado (contando somente três elevações: o Monte do Convento, o Monte de Sintra e o Monte do Mocho), variando a sua altitude entre os zero e os sessenta metros.
Outrora, a freguesia recobria um espaço muito mais vasto, tendo perdido, com o decorrer dos tempos, a jurisdição sobre territórios que integram as atuais povoações vizinhas de São João da Talha, Bobadela, Camarate, Prior Velho, Portela, Moscavide, e Santa Maria dos Olivais. Administrativamente, antes de ser integrada no concelho (atual município) de Loures, fez parte do termo da cidade de Lisboa (até 1852), e depois, do extinto concelho dos Olivais (1852-1886).
População
População da freguesia de Sacavém Instituto Nacional de Estatística (Recenseamentos Gerais da População) - https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_publicacoes 1864 1878 1890 1900 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 2011 1 251 1 467 1 877 2 101 3 852 4 446 3 779 4 653 6 488 10 624 19 087 27 945 16 231 17 659 18 469 Nos anos de 1864 e 1878 pertencia ao concelho dos Olivais, extinto por decreto de 22/07/1886. No ano de 1890 estava dividida nas freguesias de Sacavém (Intra-muros), parte do 1.º Bairro do Concelho de Lisboa (população: 1510 habitantes) e de Sacavém (Extra-muros), parte do concelho de Loures (população: 367)Censo da População do Reino de Portugal no 1.º de Dezembro de 1890, vol. I, pp. 166-168. Nos anos de 1911 a 1930 tinha anexada parte das freguesias de Charneca e dos Olivais.
Pela sua posição estratégica dentro do Município de Loures e pela sua situação de proximidade face à cidade de Lisboa, Sacavém sempre dispôs de condições para o estabelecimento de novas populações e para o consequente crescimento populacional.
Desde que se iniciaram os modernos recenseamentos, que o número de habitantes da população tem vindo constantemente a aumentar (muito por causa do estabelecimento, na freguesia, da Fábrica de Loiça de Sacavém), até aos nossos dias (com decréscimos pontuais causados pela separação das freguesias de Moscavide (Olivais Extra-Muros), em 1928, Portela, em 1985, Prior Velho, em 1989, e mais recentemente, o Parque das Nações, em 2012):
Anteriormente ao , existem algumas informações dispersas, mas como até então a prática corrente era a contabilização do número de fogos (e não de habitantes), não podemos senão deduzir o número aproximado de habitantes, consoante os coeficientes utilizados.
thumb|300px|A Ponte Romana de Sacavém, desenhada por Francisco de Holanda no terceiro quartel do na sua Da fábrica que falece a cidade de Lisboa.
thumb|300px|A Batalha de Sacavém, travada entre D. Afonso Henriques e os mouros (1147).
thumb|300px|Azulejo situado à entrada da antiga Fábrica de Loiça de Sacavém, ex-líbris da povoação.
thumb|direita|300px|A Ponte Vasco da Gama.
thumb|300px|O Museu de Cerâmica de Sacavém.
thumb|300px|Igreja de Nossa Senhora da Purificação.
thumb|300px|Santuário da Senhora da Saúde e de Santo André.
thumb|300px|Igreja de Nossa Senhora da Vitória.
thumb|300px|Convento de Nossa Senhora dos Mártires e da Conceição dos Milagres.
thumb|300px|A cidade velha: as Escadinhas do Barão de Sacavém unindo as duas «metades» históricas da povoação: Sacavém de Cima e Sacavém de Baixo.
thumb|300px|Vista parcial da zona Norte de Sacavém, a partir do Forte de Sacavém: Igreja de Nossa Senhora da Purificação, a Ponte da Auto-Estrada do Norte, o Rio Trancão e as chaminés da antiga fábrica de descasque de arroz.
thumb|300px|Ponte sobre o rio Trancão em Sacavém, vendo-se ao fundo o Sifão do Canal do Alviela.
thumb|300px|Urbanização construída no antigo espaço da Fábrica de Loiça de Sacavém, conta agora com um belo espaço verde.
thumb|300px|Jardim de Sacavém,vista parcial,construção de 1950(?).
thumb|300px|O Museu de Cerâmica de Sacavém.
thumb|300px|A Casa da Cultura de Sacavém.
thumb|300px|Pavilhão da Escola dos 2.º e 3.°Ciclos do Ensino Básico Bartolomeu Dias, em Sacavém.
Património Presentemente, nenhum do património histórico existente em Sacavém se encontra devidamente protegido; em alguns casos decorrem estudos tendentes à sua salvaguarda, noutros nem por isso:
DesignaçõesCategoriaTipologiaGrauAnoCasa do Fiscal da Companhia das Águas de LisboaArquitectura civilCasaPatrimónio da da EPAL - Empresa Portuguesa de Águas Livres, S.A.–50pxCapela (ou Santuário) de Nossa Senhora da Saúde e de Santo AndréArquitectura religiosaCapela (Igreja)Em estudo–50pxConvento de Nossa Senhora dos Mártires e da Conceição dos MilagresArquitectura religiosaConventoEm estudo–50pxCoreto no jardim da Praça da RepúblicaArquitectura civilCoretoNão classificado–50pxEstação Ferroviária de SacavémArquitectura civilEstação ferroviáriaNão classificado–50pxIgreja de Nossa Senhora da Purificação (Matriz)Arquitectura religiosaIgrejaEm estudo–50pxIgreja de Nossa Senhora da Vitória (ruínas)Arquitectura religiosaIgreja (Capela)Em estudo–50pxLápide no percurso da Rua Almirante Reis, com a inscrição epigráfica:† IĤS AVANTE 1652ArqueologiaLápideNão classificado–Monumento ao Trabalhador CerâmicoArquitectura civilEsculturaNão classificado–50pxParque do Tejo e do TrancãoParqueParque–50pxPonte sobre o rio TrancãoArquitectura civilPonteNão classificado–50pxPonte Vasco da GamaArquitectura civilPonteNão classificado–50pxQuinta de São JoséArquitectura civilQuintaNão classificado–50pxQuinta de São Luís e São JoséArquitectura civilQuintaNão classificado–Quinta do MercadorArquitectura civilQuintaPatrimónio da Mudança e Recursos Humanos, parte do grupo EDP - Electricidade de Portugal, S.A.–Quinta do Olival da Vitóriaou Palacete Braamcamp (ruínas)Arquitectura civilPalácioEm estudo–50pxReduto do Monte Sintra / Forte de SacavémArquitectura militarForteNão classificado–50pxSifão do Canal do Alviela sobre o Rio TrancãoArquitectura civilAquedutoPatrimónio da EPAL - Empresa Portuguesa de Águas Livres, S.A.–Subestação de SacavémArquitectura civilEstação eléctricaPatrimónio da REN - Redes Energéticas Nacionais, SGPS, S.A.–Torre medievalArquitectura militarTorreNão classificado–
Atividades económicas