Rastislau, Rostislau, Rastislav ou Rostislav ( - Havlík, 2013, p. 362.), também conhecido como São Rastislau, foi o segundo monarca conhecido da Grande Morávia, reinando entre 846 e 870.Spiesz et al. 2006, p. 20.Goldberg 2006, p. 138. Embora ele tenha começado seu reinado como vassalo de Luís, o Germânico, rei da Frância Oriental, ele consolidou seu governo a ponto de, depois de 855, conseguir repelir diversos ataques francos.Spiesz et al. 2006, pp. 20-21. Por iniciativa sua, dois irmãos, Cirilo e Metódio, enviados pelo imperador bizantino Miguel III em 863, traduziram os mais importantes livros litúrgicos cristãos para o antigo eslavônico eclesiástico.Spiesz et al. 2006, p. 22.

Rastislau foi deposto pelo sobrinho Zuentibaldo I, que o entregou para os francos.Spiesz et al. 2006, p. 21.

Primeiros anos De acordo com os "Anais de Fulda", Rastislau era um sobrinho de Moimir I, o primeiro monarca conhecido da Morávia.Goldberg 2006, p. 140.Reuter 1992, p. 25. Nada se sabe sobre sua vida antes de 846, mas é possível que ele tenha servido como refém para seu tio na corte de Luís, o Germânico. O rei franco invadiu a Morávia neste ano, depôs Moimir I e instalou Rastislau como o novo duque.Bowlus 1994, p. 104. É provável que ele já fosse cristão quando acedeu ao trono e não há dúvidas de que ele foi batizado no máximo até esta data, pois o batismo era uma das condições impostas pelo rei franco pelo apoio.Bowlus 1994, p. 104.Vlasto 1970, p. 24.

Rumando para a independência thumb|esquerda|240px|Grande Morávia sob Rastislau (870) em verde. A linha verde marca o limite máximo da expansão sob Zuentibaldo I (894). Nos primeiros oito anos do reinado de Rastislau não houve relato de revoltas morávias, o que sugere que Rastislau permaneceu fiel a Luís. Neste período, Rastislau parece ter conseguido ampliar seus domínios para o oriente, estabelecendo uma nova fronteira com o Primeiro Império Búlgaro.Kirschbaum 2005, pp. 26-27. De acordo com os "Annales Bertiniani", em 853, Carlos, o Calvo, rei da Frância Ocidental, subornou os búlgaros para que, aliados aos "eslavos" (aparentemente os morávios), atacassem o reino de Luís, o Germano.Goldberg 2006, p. 242. No decorrer do ataque búlgaro-morávio, Luís depôs o prefeito do Marquesado da Panônia, Ratpot, que imediatamente se aliou a Rastislau,Kirschbaum 2005, p. 27. o que sugere que o duque morávio já se sentia confiante o suficiente para desafiar seu senhor franco.Goldberg 2006, p. 243.

Em 855, o rei franco oriental juntou um enorme exército para invadir a Morávia.Goldberg 2006, pp. 243-244.Bowlus 1994, p. 115. Porém, o atacasse fracassou perante as muralhas de uma das fortalezas que Rastislau (talvez Mikulčice, atualmente na República Checa) parece ter construído nos anos anteriores.Goldberg 2006, pp. 244-245. Despreparado para um cerco prolongado, o rei foi forçado a recuarGoldberg 2006, p. 245. e, conforme o fazia, seu exército conseguiu derrotar uma grande força morávia. Apesar disso, o exército de Rastislau seguiu os francos e saqueou diversas propriedades inimigas às margens do Danúbio.Goldberg 2006, p. 246.Reuter 1992, p. 37.

No ano seguinte, Luís, o Germânico, entregou o comando dos marquesados a sudeste de seu reino ao filho, Carlomano, que foi encarregado de defendê-los dos morávios.Bowlus 1994, p. 119. De acordo com os "Anais de Fulda", Carlomano liderou uma nova expedição contra Rastislau em 858, mas sua campanha fracassou também, aumentando ainda mais a ousadia do duque morávio. No futuro, ambos seriam aliados contra o pai de Carlomano.Goldberg 2006, p. 266.

Pribina, o duque eslavo da Panônia Inferior, morreu lutando contra os morávios em 861, o que sugere que Carlomano também havia concedido esta província a Rastislau.Goldberg 2006, pp. 266-267.Bowlus 1994, p. 125. Como resposta à revolta aberta do filho e Rastislau, Luís negociou uma contra-aliança com Bóris I da Bulgária.Goldberg 2006, p. 269. Ele fingiu estar se preparando para atacar a Morávia, mas, no último momento, marchou contra Carlomano que, pego desprevenido, foi obrigado a se render.

Missão dos santos Cirilo e Metódio

Para aumentar sua capacidade de manobra, Rastislau tentou impedir as atividades dos missionários franceses em seu reino. Para iss,o por volta de 862, ele primeiro tentou contatar a Santa Sé.Sommer et al. 2007, p. 222. Sem sucesso, ele então pediu por "professores" em Constantinopla para poder formar sacerdotes morávios. Sua embaixada na capital bizantina enfatizou também a necessidade de que estes "professores" fossem capazes de falar a língua eslava.Vlasto 1970, pp. 27-28.

O pedido de Rastislau foi atendido quando Constantino (Cirilo) e Metódio, dois irmãos que haviam aprendido o dialeto eslavo falado em Tessalônica chegaram com uns poucos discípulos na Morávia em 863.Barford 2001, pp. 109-110. Os dois logo se dedicaram à tarefa para a qual foram enviados utilizado o eslavônico para ensinar e para a missa e Constantino chegou mesmo a inventar um alfabeto para os eslavos. O clero francês logo percebeu que as atividades dos dois irmãos bizantinos representava uma ameaça às suas atividades,Kirschbaum 2005, p. 31. mas, como os dois estavam sob a proteção de Rastislau, Luís, o Germânico, enviou Salomão I, o bispo de Constance, para Roma, onde ele relatou como a Diocese de Passau teria sido "fragmentada e arruinada" pela deserção dos morávios.Goldberg 2006, pp. 271-272.

O rei franco estava também planejando lançar uma grande campanha contra Rastislau com o apoio de Bóris I da Bulgária.Goldberg 2006, p. 271. Embora ele tenha desistido de participar no último minuto, a nova campanha foi um sucesso.Goldberg 2006, p. 272. Em agosto de 864, Luís invadiu a Morávia depois de cruzar o Danúbio para cercar civitas Dowina (identificada, embora não unanimemente com o Castelo de Devín na Eslováquia).Bowlus 1994, p. 140.Goldberg 2006, p. 273. O rei aparentemente pegou Rastislau de surpresa e o aprisionou na fortaleza. Incapaz de escapar, Rastislau se rendeu, entregou diversos altos nobres como reféns e fez um novo juramento de lealdade.

A camapanha do rei, porém, não resultou na subjugação completa de Rastislau.Bowlus 1994, p. 154. Em 865, de acordo com os "Anais de St-Bertin", Luís enviou seus exércitos contra os wends (eslavos) e, segundo os "Anais de Fulda", Werner, um conde da Panônia Superior, foi convocado no mesmo ano perante o rei e acusado de conspirar com Rastislau.Bowlus 1994, pp. 154-155.Goldberg 2006, p. 275. No final de 866, Constantino e Metódio partiram para Veneza, onde foram persuadidos pelos emissários do papa a irem para Roma.Goldberg 2006, pp. 280-281. Lá, o papa Adriano II aprovou as traduções eslavônicas das Escrituras, consagrando seus discípulos eslavos como sacerdotes e chegou mesmo a permitir que eles cantassem a liturgia eslava nas igrejas de Roma.Spiesz et al. 2006, p. 23.

Anos finais No início de 868, o filho de Luís, o Germânico, Carlomano, conseguiu duas vitórias contra Rastislau, retornando carregado de espólios.Goldberg 2006, p. 284. Em agosto, o próprio rei planejava invadir novamente a Morávia, mas ficou doente de repente. O filho mais novo do rei, Carlos, o Gordo, tomou a frente da invasão e, invadindo o reino de Rastislau, incendiou todas as fortalezas que encontrou depois de derrotar as forças enviadas contra ele.Bowlus 1994, p. 161. Nesta época, de acordo com os "Anais de Fulda", Rastislau, que havia concedido sua "velha cidade" para o sobrinho, Zuentibaldo, passou a governar a partir de sua "fortaleza indescritível", que pode ser identificada como sendo Mikulčice (na República Checa). Em 869, o papa Adriano II, que estava decidido a reviver a Diocese da Ilíria, consagrou Metódio como arcebispo de Sírmio (Sremska Mitrovica, Sérvia) e legado papal de todos os eslavos, incluindo os territórios de Rastislau, Zuentibaldo e do filho de Pribina, Gozilo.Goldberg 2006, p. 282.

Zuentibaldo, neste ínterim, começou a negociar com Carlomano sem o conhecimento de Rastislau e aceitou a suserania dele sobre si e sobre seu reino.Bowlus 1994, p. 164. Rastislau ficou "fora de si de raiva" quando soube da traição do sobrinho e armou para assassiná-lo num banquete.Goldberg 2006, p. 286. Avisado, Zuentibaldo conseguiu escapar fingindo ter faltado para ir caçar com falcões. Quando Rastislau enviou soldados para cacá-lo, Zuentibaldo capturou-o e o enviou, acorrentado, para Carlomano.Goldberg 2006, pp. 286-288.

Rastislau foi enviado sob pesada guarda para Regensburg enquanto Carlomano invadia a Morávia e subjugava todos os seus castelos.Goldberg 2006, p. 288. Em Regensburgo, Luís, o Germânico, recebeu Rastislau acorrentado com pesados grilhõesGoldberg 2006, pp. 299-300. para ser julgado por uma assembleia de francos, bávaros e eslavos. Ele foi condenado à morte por traição, mas o rei comutou sua a pena para cegamento e prisão.Goldberg 2006, p. 300. Rastislau morreu na prisão.Kirschbaum 2005, p. 238.Reuter 1992, p. 64.

Devoção O duque Rastislau foi canonizado pela Igreja Ortodoxa Tcheco-Eslovaca em Prešov em 1994.

Ver também

Notas

O historiador eslovaco Stanislav J. Kirschbaum defende que Rastislsav era o príncipe de Nitra antes disso.Kirschbaum 2005, p. 26.; Kirschbaum 2007, pp. xxiv., 207., 238.

Bibliografia

Barford, P. M. (2001). The Early Slavs: Culture and Society in Early Medieval Eastern Europe. Cornell University Press. ISBN 0-8014-3977-9. Bowlus, Charles R. (1994). Franks, Moravians and Magyars: The Struggle for the Middle Danube, 788–907. University of Pennsylvania Press. ISBN 0-8122-3276-3. Goldberg, Eric J. (2006). Struggle for Empire: Kingship and Conflict under Louis the German, 817–876. Cornell University Press. ISBN 978-0-8014-7529-0. Kantor, Marvin (1983). Medieval Slavic Lives of Saints and Princes. The University of Michigan Press. ISBN 0-930042-44-1. Kirschbaum, Stanislav J. (2005). A History of Slovakia: The Struggle for Survival. Palgrave. ISBN 1-4039-6929-9. Kirschbaum, Stanislav J. (2007). Historical Dictionary of Slovakia. Scarecrow Press, Inc. ISBN 978-0-8108-5535-9. Nelson, Janet L. (1991). The Annals of St-Bertin. Manchester University Press. ISBN 978-0-7190-3426-8. Reuter, Timothy (1992). The Annals of Fulda. Manchester University Press. ISBN 0-7190-3458-2. Sommer, Petr; Třeštík, Dušan; Žemlička, Josef; Opačić, Zoë (2007). Bohemia and Moravia. In: Berend, Nora (2007); Christianization and the Rise of Christian Monarchy: Scandinavia, Central Europe and Rus’, c. 900–1200; Cambridge University Press; ISBN 978-0-521-87616-2. Spiesz, Anton; Caplovic, Dusan; Bolchazy, Ladislaus J. (2006). Illustrated Slovak History: A Struggle for Sovereignty in Central Europe. Bolchazy-Carducci Publishers, Inc. ISBN 978-0-86516-426-0. Vlasto, A. P. (1970). The Entry of the Slavs into Christendom: An Introduction to the Medieval History of the Slavs. Cambridge University Press. ISBN 0-521-07459-2.

Categoria:Nascidos no século IX Categoria:Convertidos à Ortodoxia Oriental Categoria:Santos ortodoxos Categoria:Santos eslavos Categoria:Casa de Moimir