Filipe VI (em castelhano: Felipe VI, nascido Felipe Juan Pablo Alfonso de Todos los Santos de Borbón y Grecia; Madrid, 30 de janeiro de 1968) é o atual Rei de Espanha desde sua ascensão ao trono, em 2014, quando foi proclamado perante as Cortes Gerais após se tornar efetiva a abdicação de seu pai.

Em 21 de janeiro de 1977, foi-lhe concedido oficialmente o título de Príncipe das Astúrias. A concessão ocorreu antes de o legítimo herdeiro da Coroa espanhola, João de Bourbon, renunciar a seus direitos dinásticos, o que se deu em 14 de maio de 1977.Toquero, José María (1992). Don Juan de Borbón, el rey padre. Plaza & Janés. ISBN 978-84-7863-026-4

Em 2004, Filipe casou-se com a ex-jornalista plebéia Letícia Ortiz, atual rainha consorte, com quem tem duas filhas: a herdeira presuntiva Leonor, Princesa das Astúrias e a infanta Sofia da Espanha.

Biografia Nascimento esquerda|miniaturadaimagem|200px|D. Juan Carlos com seu filho infante Príncipe Felipe, em 1969. Felipe Juan Pablo Alfonso de Todos los Santos de Borbón y Grecia nasceu em Madrid em 30 de janeiro de 1968, na clínica de Nossa Senhora do Loreto.

A 8 de fevereiro de 1968 foi batizado no Palácio da Zarzuela por monsenhor Casimiro Morcillo, arcebispo de Madrid.

Os seus padrinhos foram João, Conde de Barcelona e a rainha viúva de Afonso XIII, Vitória Eugénia de Espanha, que regressava pela primeira vez a Espanha desde o seu exílio a 14 de abril de 1931. Assistiu também ao batizado o general Francisco Franco, no seu papel de chefe de Estado, assim como outras personalidades públicas.

Os nomes recebidos foram os seguintes: Felipe, em honra do seu antepassado o rei Filipe V, o primeiro Bourbon que reinou em Espanha. Juan, em honra do seu avô paterno João, Conde de Barcelona. Pablo, em honra do seu avô materno o rei Paulo da Grécia. Alfonso, em honra do seu bisavô o rei Afonso XIII de Espanha. De Todos los Santos, como continuidade da tradição bourbónica.

Ancestrais Entre os seus ancestrais podemos encontrar distintos vínculos com as famílias reais da Europa, como a família real britânica, a dinamarquesa, da norueguesa, a sueca; e também com as antigas casas reais da Alemanha, da Rússia, da Romênia, da Grécia, de Portugal, do Brasil, e da França.

Filipe VI é o primeiro tetraneto da rainha Vitória do Reino Unido a se tornar um monarca reinante de uma casa real européia, uma vez que os outros soberanos atuais são descendentes da rainha Vitória e seus trinetos, como Isabel II do Reino Unido, Haroldo V da Noruega e Carlos XVI Gustavo da Suécia, entre outros. Filipe é descendente de Vitória tanto por via paterna quanto materna; o seu pai, o João Carlos da Espanha, é bisneto da princesa Beatriz do Reino Unido (filha caçula de Vitória), e a sua mãe, a rainha Sofia da Grécia, Consorte da Espanha, é bisneta da princesa Vitória, Princesa Real do Reino Unido (a primeira filha da rainha Vitória).

Sobrinho materno do rei Constantino II da Grécia, Filipe guarda parentesco distante com as famílias real portuguesa e imperial brasileira: sua tia-pentavô, a rainha Carlota Joaquina da Espanha, era esposa do rei João VI de Portugal e mãe do imperador Pedro I do Brasil.

Estudos O seu percurso escolar desenvolveu-se, pré-escolar, Educação Geral Básica e Bacharelato Unificado Polivalente no Colégio Santa Maria dos Rosais de Madrid, procurando no possível ser educado da mesma maneira que o resto dos seus companheiros, sem receber um tratamento especial pelo seu cargo. Em Madrid recebeu lições de inglês e francês.

A 5 de setembro de 1984, após finalizar os seus estudos secundários em Espanha, incorporou-se ao Lakefield College School de Toronto, no Canadá, onde realizou o equivalente ao Curso de Orientação Universitária (COU), uma experiência que também lhe permitiu melhorar o domínio do inglês. Em Toronto, Filipe de Bourbon obteve um prémio especial pelos seus estudos. A 8 de junho de 1985 finalizou aquela formação e tornou a Espanha.

Foi então fazer formação militar, indo em seguida realizar a sua formação académica: Direito na Universidade Autónoma de Madrid (1993) e uma pós-graduação (1995) em Relações Internacionais na Edmund Walsh School of Foreign Service da Universidade de Georgetown, em Washington D. C.

Com uma licenciatura em Direito e uma pós-graduação em Relações Internacionais, Filipe VI é o rei de Espanha com maior formação académica, tendo sido o primeiro na linha de sucessão ao Trono de Espanha.

Filipe VI é poliglota, pois fala com fluidez, desde a sua infância, quatro línguas: espanhol, inglês, francês e catalão.

Carreira militar thumb|230px|left|Filipe VI, como capitão-geral, numa visita à Brigada Galiza VII (2015) Recebeu a sua instrução militar sucessivamente na Academia Geral Militar de Saragoça, na Escola Naval Militar de Marín e na Academia Geral do Ar de San Javier. Até à sua proclamação como rei, ostentava as patentes de tenente-coronel do Corpo Geral das Armas do Exército de Terra de Infantaria, capitão de fragata do Corpo Geral da Armada e tenente-coronel do Corpo Geral do Exército do Ar. Aos 18 anos de idade, em 1987, realizou a sua instrução como guarda-marinha no navio-escola Juan Sebastián Elcano.

A partir de 19 de junho de 2014, ao ser proclamado rei, converteu-se em capitão-general das Forças Armadas Espanholas —Exército de Terra, Armada e Exército do Ar—.

Desporto O rei, de 1,97 m de altura, pratica desportos como o squash e o esqui. No que respeita ao desporto de vela, em 1989 e 1990 a sua embarcação ficou em primeiro no campeonato de Espanha na classe Soling, e ganhou também a Taça de Espanha. Em 1990 ficou em quinto no campeonato do mundo de vela. As suas classificações no Campeonato Mundial permitiram-lhe ser selecionado a 27 de janeiro de 1992 para participar nos Jogos Olímpicos. A 15 de março de 1992, a sua embarcação alcançou a vitória na Taça de Espanha de vela de classes olímpicas, assegurando assim a sua classificação para as olimpíadas. Nos Jogos Olímpicos de Barcelona em 1992 foi o abandeirado da delegação olímpica espanhola e participou nos jogos. Terminou na sexta posição na classe soling de vela, pelo que recebeu um diploma olímpico.

Matrimónio e descendência Compromisso

A 1 de novembro de 2003 anunciou o seu compromisso matrimonial com a jornalista asturiana Letícia Ortiz Rocasolano.

Boda A boda celebrou-se a 22 de maio de 2004 na Catedral da Almudena de Madrid. Ao enlace assistiram chefes de Estado de diversas partes do mundo, assim como personagens públicas de Espanha e do estrangeiro; entre os assistentes encontravam-se os reis de Noruega, Suécia e Dinamarca; o príncipe Carlos de Gales, a rainha Noor da Jordânia, a princesa Carolina do Mónaco, o cantor de ópera Plácido Domingo, o astronauta Pedro Duque, o ex-presidente da África do Sul Nelson Mandela e o prémio Nobel da literatura Mario Vargas Llosa.

Filhas Leonor de Todos os Santos, nascida a 31 de outubro de 2005 Sofia de Todos os Santos, nascida a 29 de abril de 2007 Filipe é padrinho de batizado de: o príncipe Constantine Alexios da Grécia e Dinamarca; o príncipe Ernesto Augusto de Hanôver; Filipe Gómez-Acebo e Ponte, o filho do seu primo Beltrán (por sua vez filho da infanta Pilar); Miguel Urdangarin e Bourbon, filho da sua irmã a infanta Cristina; a princesa Ingrid Alexandra da Noruega; o príncipe Vicente da Dinamarca; Isabel de Orleães, filha do príncipe Carlos Filipe de Orleães e a princesa Sofia da Bulgária, filha do príncipe Konstantin-Assen da Bulgária.

Títulos, honras e proclamação esquerda|miniaturadaimagem|220px|Felipe de Borbón y Grecia jura perante as Cortes Gerais ser proclamado Felipe VI da Espanha. Quinta-feira, 19 de junho de 2014. Herdeiro da Coroa desde a proclamação de seu pai como rei, desde 22 de novembro de 1975 até 2014, Filipe recebeu em 1 de novembro de 1977 o título de príncipe das Astúrias, junto com os títulos de príncipe de Girona e príncipe de Viana; correspondentes aos herdeiros dos reinos de Castela, Aragão e Navarra, cuja união formou no a monarquia espanhola. Ostentava, assim sendo, os títulos de duque de Montblanc, conde de Cervera e senhor de Balaguer.

A 30 de janeiro de 1986, aos dezoito anos, jurou perante as Cortes Gerais fidelidade à constituição e ao rei, assumindo a plenitude do seu papel institucional como sucessor da Coroa.

Em 2 de junho de 2014, o rei João Carlos entregou a sua carta de abdicação. Após a aprovação de uma lei orgânica tal como estabelece o artigo 57.5 do texto constitucional espanhol, ocorrida em 11 de junho de 2014, as Cortes Gerais aprovaram a abdicação de seu pai, com 299 votos a favor, 19 contra e 23 abstenções. Foi proclamado "Rei de Espanha" pelas Cortes Gerais em 19 de junho de 2014.

Atividades em Espanha e no estrangeiro

Desde a conclusão dos seus estudos académicos nos Estados Unidos, Dom Felipe, ao longo de cada ano, atende os compromissos institucionais derivados da sua condição de Herdeiro da Coroa, preside numerosos actos oficiais em Espanha e participa nos acontecimentos mais relevantes dos diferentes sectores e âmbitos da vida pública espanhola.

A partir de outubro de 1995, iniciou uma série de visitas oficiais às comunidades autónomas com o fim de aprofundar no conhecimento de Espanha e facilitar a aproximação aos restantes espanhóis. Mantém periodicamente encontros e reuniões com os órgãos constitucionais e com as principais instituições do Estado com o objectivo de estar ao corrente das suas actividades. Assim, também, a reuniões com distintos organismos da "Administração do Estado e das Comunidades Autónomas" quando assim o requerem as actividades institucionais que desenvolve, tanto nacionais como internacionais.

Realiza audiências públicas e privadas com pessoas de diferentes áreas, com o objetivo de se manter informado sobre temas nacionais e internacionais. Também se reúne com pessoas de sua geração atuantes nos campos político, econômico, cultural e da comunicação.

Quando não assiste o rei, preside anualmente às entregas de despachos aos oficiais e suboficiais das forças armadas. Também participa em exercícios militares dos três Exércitos.

No que se refere às suas actividades no estrangeiro, realizou numerosas viagens oficiais a países europeus e americanos, assim como aos do mundo árabe, Extremo Oriente e Oceânia. Mostra um especial interesse por todos os assuntos relacionados com a União Europeia, Médio Oriente, Norte de África e Ibero-América. De janeiro de 1996, o príncipe das Astúrias assumiu a representação do Estado nas tomadas de posse dos presidentes ibero-americanos.

Assim sendo, vem desenvolvendo um papel muito activo na promoção dos interesses económicos e comerciais de Espanha e no fomento do conhecimento da língua e cultura espanhola no exterior. Habitualmente, preside às Exposições económicas e comerciais organizadas por Espanha no estrangeiro (Expotecnia, Expoconsumo e Expohábitat) e está especialmente interessado em promover a criação de Centros e Cátedras que difundam a história e a realidade presente em Espanha nas principais Universidades estrangeiras.

Nas demais actividades oficiais, Felipe é o presidente de honra de várias associações e fundações, como a Fundação Codespa, que financia actividades específicas de desenvolvimento económico e social em Espanha, América Latina e outros países, e a secção espanhola da Associação de Periodistas Europeus, que reúne destacados profissionais da comunicação. Entre todas elas, destaca-se especialmente a Fundação Príncipes das Astúrias, presidindo anualmente à entrega dos prémios que levam o seu nome a grande prestígio internacional.

No marco destas instituições que perseguem fins de interesse geral, dirige preferentemente a sua atenção às actividades relacionadas com projectos de desenvolvimento, voluntariado, meio ambiente, projecção da Universidade, participação da Juventude no mundo do trabalho e da empresa, relações entre empresa e sociedade e comunicação social.