Pamplona (em e cooficialmente Iruña ou Iruñea) é um município e cidade da Espanha, capital da província e comunidade foral (autónoma) de Navarra. Encontra-se no norte da Península Ibérica, a algumas dezenas de quilómetros da fronteira com França e é atravessada pelo rios Arga (afluente do Ebro), Elorz (afluente do Arga) e Sadar (afluente do Elorz). É o centro da comarca a que pertence, a Cuenca de Pamplona e da Área metropolitana de Pamplona. O município tem e em tinha habitantes (). A área metropolitana ocupa e em tinha habitantes ().

Pamplona foi fundada em pelo general romano Pompeu sobre um povoado de vascão já existente chamado Iruña ou Bengoda. Após as invasões bárbaras no , a cidade fez parte do Reino Visigótico de Toledo e, a partir do , do Alandalus muçulmano. Durante a primeira metade do a nobreza local, aliada à família muladi Banu Cassi, conseguiu consolidar um reino cristão vassalo dos muçulmanos, o Reino de Pamplona, que depois se tornaria o Reino de Navarra e se tornou completamente independente em 905. O reino teve o seu auge no , quando chegou a ser o mais poderoso reino ibérico cristão. Em 1512 a cidade foi ocupada por tropas castelhanas de Fernando, o Católico, tendo o reino navarro sido oficialmente anexado à coroa espanhola em 1521. A maior parte dos nacionalistas vascos considera Pamplona uma das capitais do País Basco (em basco: Euskal Herria).

O património histórico e monumental e as diversas festividades que decorrem ao longo do ano contribuem para que a cidade atraia muitos turistas espanhóis e estrangeiros. O evento mais concorrido, de fama mundial, são os Sanfermines, que se realizam todos os anos entre 6 e 14 de julho. O ponto alto das festas, durante as quais as ruas da zona histórica permanecem inundados de locais e forasteiros, são os encierros (largadas de touros) e as touradas. Entre os monumentos mais representativos de Pamplona encontram-se a catedral, a Igreja de São Saturnino (o padroeiro da cidade), popularmente conhecida como Igreja de San Cernin (em francês), a Igreja de São Nicolau, a cidadela e a Câmara de Comptos de Navarra. Todos estes monumentos estão classificados como "Bens de Interesse Cultural.

Além de capital e centro administrativo, a cidade é o centro financeiro, comercial e industrial de Navarra. As indústrias mais importantes de Pamplona são a automobilística (só a fábrica de automóveis da Volkswagen instalada na periferia emprega diretamente cerca de trabalhadores), a metalurgia, materiais de construção, papel e artes gráficas e transformação de carne. A cidade tem duas universidades: a Universidade Pública de Navarra (UPNA), estatal, e a Universidade de Navarra, privada. A primeira foi fundada em 1987; a segunda foi fundada em 1952 e é gerida pela Opus Dei. Além disso, funciona na cidade uma delegação da Universidade Nacional de Educação à Distância (UNED). No que toca a instalações de saúde, a cidade dispõe de dois hospitais públicos o Hospital de Navarra e o Hospital Virgem do Caminho, e de vários centros outras unidades públicas e privadas, entre as quais se destaca a Clínica Universidade de Navarra, o hospital universitário da Opus Dei, uma unidade de renome internacional.

Etimologia O topónimo Pamplona deriva de Pompelon, o nome latino difundido nos tempos da Roma Antiga pelos geógrafos clássicos, como Estrabão (—), a quem se deve a referência mais antiga conhecida da cidade. Estrabão refere que Pompelon era o povoado mais importante dos vascões e Pompeios polis, ou seja, a "cidade de Pompeio", era uma alusão à linhagem do general romano Pompeu (106 — ).

left|thumb|upright|Pompeu, o general romano que fundou Pompelon Em obras antigas medievais aparecem as grafias Pampejopolis, Pampelo, Pampelona, Pampilona, Pampalona, Pampelone, Pampeluna, Pampelune, Pampilo, Pamplon, Pamplona, Pamplona, Pompelo o Pompilone. O gentílico derivado é pamplonês (em espanhol: pamplonés), pamplonesa, sendo o pamplonico também empregue coloquialmente e serve igualmente para designar os trajes tradicionais brancos e vermelhos que enchem as ruas nos Sanfermines.

A forma euskera (basca) Iruña é reconhecida oficialmente tanto pelo Governo de Navarra como pela Real Academia da Língua Basca. O termo Iruñea também é comum e está igualmente reconhecido pela Real Academia, mas não pelo governo. Em ambas as variantes está presente a raiz uri, iri/hiri, idi ou ili, que significa cidade. Outras grafias encontradas em textos medievais e outros mais recentes são: Erunga, Ironía, Irunga, Irunia, Irunna, Irunnia, Irunpa, Orunia, Urunia, Yronia, Yrunea, Yrunia, Yruynna e Irunia. Os gentílicos em basco são: iruñar, uruñar, iruindar, irunxeme e iruinxeme. No , cronistas como o padre José de Moret e Arnaud Oihenart assinalaram que a denominação em euskera era do povoado pré-romano. Outras hipóteses, baseadas em estudos numismáticos, identificaram o nome desse assentamento como Bengoda., Olcairum e Bentian.

Símbolos thumb|Pendão de Pamplona conforme o Privilégio da União de 1432

A bandeira e o escudo de Pamplona são os símbolos oficiais da cidade. A história de ambos remonta ao "Privilégio da União", a Carta Fundacional da cidade outorgada em 1423 pelo rei , o Nobre, a qual formalizou a união dos três burgos medievais.

A bandeira de Pamplona é verde, com proporções de 2 por 3, com o escudo no centro. Foi declarada oficial pelo ayuntamiento em 1930, depois de ter sido empregue pela primeira vez em 1923, para comemorar o quinto centenário do Privilégio de la Unión. Antes de 1923 a bandeira era azul e branca, apesar do Privilegio determinar que devia ser azul. Durante a ditadura de Primo de Rivera (1923-1930), a bandeira voltou a ser azul e branca, sendo novamente verde a partir de 1930. Ninguém sabe ao certo quais as razões para as mudanças.

O escudo de armas ou brasão pamplonês conservou os elementos do brasão outorgado à cidade em 1423. Dele constam as figuras de um leão caminhante e uma coroa, a que se juntaram as "cadeias", então o emblema do reino navarro e do seu soberano. A sua descrição heráldica é a seguinte: A descrição oficial refere também o uso de uma coroa ducal, habitualmente representada na forma de um escudo com contorno aguçado. Este escudo é compartilhado com a cidade irmã de Pamplona, na Colômbia, enquanto que o município vizinho de Arbizu usa uma variante com o leão na posição oposta ou "alterada".

História esquerda|thumb|upright=1.2|Mapa dos povos pré-romanos na região de Navarra segundo Ptolemeu

A história de Pamplona como cidade remonta ao , altura em que existiu no local um povoado de vascões de nome Iruña. No entanto, os vestígios de ocupação humana da zona remontam a anos. Na era romana, o povoado vascão foi convertido numa cidade romana pelo general Pompeu, que ali começou por instalar um acampamento militar em a que chamou Pompaelo.

Após a queda do Império Romano, a região foi ocupada pelos visigodos, os quais, ao contrário dos romanos, não mantiveram boas relações com os vascões locais. Seguir-se-iam os muçulmanos do Alandalus, os quais dominaram de forma direta ou indireta o que viria a ser o Reino de Pamplona nos séculos VIII e IX. Entre 778 e 816 a região foi disputada aos muçulmanos pelo império de Carlos Magno que tentou consolidar o alargamento a oeste do estado tampão da Marca Hispânica, chegando Pamplona a ser ocupada durante alguns anos em mais do que uma ocasião.

No início do é fundado o Reino de Pamplona, um principado cristão vassalo do Califado de Córdova, mas com alguma autonomia. O Reino de Pamplona viria a renegar a tutela muçulmana em 905, tornando-se um reino completamente independente, que passou os 130 anos seguintes em constantes conflitos com os estados vizinhos, tanto cristãos como muçulmanos. O Reino de Pamplona, ou de Navarra, como começou entretanto a ser também conhecido, teve o seu auge no início do , quando se tornou o monarca cristão mais poderoso da Península Ibérica, reinando sobre quase todos os territórios ibéricos cristãos e algumas partes do que é atualmente a França (a Baixa Navarra). Em 1164 o nome de Reino de Pamplona é definitivamente abandonado e passa a denominar-se Reino de Navarra.

thumb|São Firmino de Amiens e São Francisco Xavier, dois santos naturais de Navarra (o primeiro nascido em Pamplona)

thumb|Vista de Pamplona datada de 1846

A partir do e até 1423, em rigor Pamplona não era exatamente uma cidade, mas um conjunto de burgos autónomos que inclusivamente eram separados por muralhas entre eles para se protegerem uns dos outros. Essa situação foi fonte de conflitos que se somaram às guerras frequentes com os estados vizinhos. Os conflitos entre os burgos aumentaram a partir de 1213 e culminaram em 1276 com a destruição de um dos burgos e no massacre da sua população (a chamada Guerra da Navarrería). A paz na cidade só foi definitivamente alcançada em 1423, quando a cidade foi unida sob um mesmo foral (o Privilégio da União) e as muralhas que separavam os burgos foram demolidas.

Desde meados do até à anexação pelo recém-criado reino de Espanha, Pamplona viu-se envolvida numa série de conflitos pela posse do trono de Navarra, sucessivamente disputado por vários pretendentes, com a intervenção das potências vizinhas de Castela e França. Esse período, que ficou conhecido como Guerra civil de Navarra ou Guerra de sucessão de Navarra, acabaria por ser o prólogo da mais breve "Conquista de Navarra", ou seja, a anexação de Navarra na união dos reinos de Castela e Aragão, a qual se concretizaria a 25 de julho de 1512, quando Pamplona se rendeu a um exército invasor castelhano apoiado por alguns navarros. Os reis navarros depostos ainda tentaram retomar o poder e a cidade por três vezes, apoiados por tropas francesas, a última delas em 1521, quando uma revolta popular em Pamplona contra os invasores castelhanos chegou a dominar a cidade, mas no mesmo ano as forças dos pretendentes ao trono de Navarra foram definitivamente derrotadas na Batalha de Esquiroz.

Após a Revolução Francesa, durante a Campanha do Rossilhão, Pamplona foi cercada por forças francesas em 1794, as quais não lograram entrar na cidade. Entre 1808 e 1813 a cidade foi ocupada por tropas de Napoleão Bonaparte. A cidade viu-se envolvida nas Guerras Carlistas que marcaram o , tendo sido palco do movimento popular e político em defesa dos fueros que ficou conhecido como a "Gamazada".

Apesar da vitória dos republicanos e esquerdistas nas eleições autárquicas que conduziram à Segunda República Espanhola (1931-1939), Pamplona foi controlada pelas forças franquistas desde o primeiro dia da guerra civil, o que não a livrou de ter assistido a centenas de fuzilamentos de republicanos, os quais se prolongaram para além do final da guerra. Durante o franquismo, a cidade transformou-se de uma cidade rural, apenas com indústria artesanal, numa cidade industrial, tendo mais que triplicado a sua população. Em atenção à fidelidade da região à causa franquista durante a guerra, Navarra foi a única região histórica espanhola a conservar a sua autonomia durante o franquismo, mas ao mesmo tempo foi uma das zonas com mais conflitualidade sindical de toda a Espanha, tendo sido palco de várias greves, a primeira das quais em 1951.

A "Transição" (do franquismo para a democracia) foi vivida intensamente em Pamplona, primeiro no plano sindical e posteriormente de forma generalizada. Nesse período houve alguns distúrbios nas ruas de Pamplona, por vezes bastante violentos, como o da Semana pró-amnistia de maio de 1977, durante a qual morreram duas pessoas, e os Sanfermines de 1978, durante os quais foram feridas mais de 150 pessoas. Apesar de não ter havido atentados do movimento terrorista e separatista basco Euskadi Ta Askatasuna (ETA) durante a primeira fase da transição, o mesmo não aconteceu posteriormente, tendo Pamplona assistido a vários atentados terroristas.

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