thumb|upright=1.4|Captura do Pirata, Barba Negra, 1718, por Jean Leon Gerome Ferris. A pintura representa a batalha entre o pirata e o Tenente Maynard na baía de Ocracoke, no pico da Época Dourada da Pirataria. A Época Dourada da Pirataria, (ou Época de Ouro da Pirataria, Idade do Ouro da Pirataria, Era de Ouro da Pirataria, etc.) é uma designação comum dada geralmente a uma ou mais explosões de pirataria na história marítima no início do período moderno.

Na sua mais ampla definição aceitável, a Época Dourada da Pirataria ocorreu desde a década de 1650 até à década de 1730 e abrange três grandes explosões separadas de pirataria: o período bucaneiro aproximadamente de 1650 a 1680, caracterizado por marinheiros anglo-franceses com base na Jamaica e na Tortuga que atacavam colónias e navios espanhóis nas Caraíbas e no leste do Pacífico; a Rota Pirata de 1690, associada com viagens de longas distâncias das Bermudas e Américas para roubar muçulmanos e alvos da Companhia das Índias de Leste no Índico e no mar Vermelho; e o período pós-Sucessão Espanhola, que se estende desde 1714 até 1726, quando marinheiros e corsários Anglo-Americanos ficaram desempregados no fim da Guerra da Sucessão Espanhola viraram-se em massa para a pirataria nas Caraíbas, a costa leste americana, a costa Oeste Africana, e no Oceano Índico. Definições mais estreitas excluem por vezes o primeiro ou o segundo período, mas a maioria das definições inclui pelo menos uma parte do terceiro.

Houve vários factores que contribuíram para a pirataria durante esta época, incluindo o aumento da quantidade de cargas valiosas enviadas para a Europa sobre vastas áreas do oceano, a redução de navios europeus em determinadas regiões, a formação e experiência que muitos marinheiros ganharam em navios europeus (particularmente a Marinha Real Britânica) e a ineficácia governamental nas colónias europeias ultramarinas. As potências coloniais da época constantemente lutaram com os piratas, envolvendo-se em várias batalhas notáveis ​​e outros eventos relacionados.

A concepção moderna dos piratas como retratados na cultura popular é derivada em grande parte, embora nem sempre com precisão, a partir da Época Dourada da Pirataria. Ao dar um estatuto quase mítico aos personagens mais coloridos, como os notórios Barbanegra e Calico Jack, o livro A General History of the Pyrates (1724) por Charles Johnson, é a fonte principal de biografias de muitos dos conhecidos piratas da Época Dourada, influenciando por exemplo a literatura de Robert Louis Stevenson e J. M. Barrie.

Historiografia Origens do termo thumb|230px|Piratas a dividir o saque. Pintura a óleo por Howard Pyle. A Época Dourada da Pirataria é uma designação comum dada geralmente a uma ou mais explosões de pirataria na história marítima no início do período moderno.Angus Konstam, 1998, Pirates: 1660–1730, ISBN 1-85532-706-6, p. 6.George Powell, "A Pirate's Paradise," em The Gentleman's Magazine, vol. CCLXXVI, N.S. 52, Jan-Juho 1894, p. 23. O termo "Época Dourada da Pirataria" é uma invenção dos historiadores, e nunca foi usado por qualquer pessoa que viveu durante o período que o nome denota.

A mais antiga menção literária conhecida de uma "Idade de Ouro" da pirataria é de 1894, quando um jornalista inglês de nome George Powell escreveu aquilo "o que parece ter sido a era de ouro da pirataria até a última década do século XVII."George Powell, "A Pirate's Paradise," in The Gentleman's Magazine, vol. CCLXXVI, N.S. 52, Jan-Junho 1894, p. 23. Powell usa a frase enquanto faz a sua critica ao livro A New and Exact History of Jamaica de Charles Leslie. O livro que na altura já tinha mais de 150 anos, e refere-se principalmente a eventos da década de 1660 como os ataques de Henry Morgan em Maracaibo e Portobelo e a famosa fuga de Bartolomeu Português. Powell usa a frase apenas uma vez.

Em 1897, um uso mais sistemático da frase "Época Dourada da Pirataria" foi introduzido pelo historiador John Fiske, que escreveu: "Em nenhum outro período na história mundial o negócio da pirataria floresceu de uma forma grandiosa como no e na primeira metade do . A sua época dourada deve ter sido desde 1650 até cerca de 1720." Fiske incluiu as actividades dos corsários bárbaros, e os piratas de Este Asiático na sua "Época Dourada," notando que "apesar destes piratas muçulmanos e daqueles asiáticos estarem muito ocupados no assim como em qualquer outra altura, o seu caso não corrobora a minha afirmação de que a era dos bucaneiros foi a Época Dourada da pirataria." Fiske não refere ou cita Powell ou outra fonte qualquer para o termo "Época Dourada."

Os historiadores de piratas da primeira metade do adoptaram o termo de Fiske, "Época Dourada," sem necessariamente adoptarem as datas do seu início e fim.R.D.W. Connor, 1909, Cornelius Harnett: An Essay in North Carolina History, P. 10; Francis Hodges Cooper, 1916, "Some Colonial History of Beaufort County, North Carolina," in James Sprunt Studies in History and Political Science, v. 14, no. 2, p. 32. A definição mais expansiva de uma época de pirataria foi feita por Patrick Pringle, que em 1951 escreveu "a época mais florida na história da pirataria . . . começou no reino da rainha Isabel I, e terminou na segunda década do ."Patrick Pringle, 1951, Jolly Roger: The Story of the Great Age of Piracy, p. 9 of the 2001 edition. Esta ideia contradiz Fiske, que muito veemente negou que figuras notáveis de Isabel, como o corsário Francis Drake, poderiam ser piratas.

Tendências para definições mais estreitas Das definições mais recentes, Pringle tem aparentemente o leque maior, uma excepção para definições mais estreitas desde 1909 até cerca de 1990, que encurtaram a Época Dourada. Em 1924, Philip Gosse descreveu que a pirataria teve o seu pico "de 1680 até 1730." No seu livro de 1978, extremamente popular, The Pirates for TimeLife's The Seafarers, Douglas Botting definiu a Época Dourada como tendo durado "quase 30 anos, começando no final do até ao primeiro quarto do ."Douglas Botting, 1978, The Pirates, p. 20. A definição de Botting é muito semelhante à de Frank Sherry em 1986.Frank Sherry, 1986, Raiders and Rebels: The Golden Age of Piracy, P. 7. Num artigo académico de 1989, o professor Marcus Rediker definiu a época como tendo durado apenas desde 1716 até 1726.Marcus Rediker, 1989, "'Under the Banner of King Death': The Social World of Anglo-American Pirates 1716–1726", William and Mary Quarterly, ser. 3, 38 (1981), 203-227. Angus Konstam em 1998, afirmou que durou de 1700 até 1730.F; Konstam, supra, p. 5.

Provavelmente o último passo em restringir a Época Dourada foi em 2005 no livro de Konstam, The History of Pirates, na qual ele retrai uma definição sua, dizendo que se a época fosse de 1690–1730 seria "generoso" concluindo que "O pior dos excessos nestes piratas estava limitado a um período de oito anos, de 1714 até 1722, assim a verdadeira Época Dourada nunca se poderá chamar de 'década de ouro.'"Angus Konstam, 2005, The History of Pirates, p. 96.

Reveses recentes para uma definição mais ampla David Cordingly, no seu trabalho muito influente de 1994, Under the Black Flag, definiu a "grande época da pirataria" ao dizer que durou pelo menos de 1650 até cerca de 1725, muito perto da definição de Fiske.David Cordingly, 1995, Under the Black Flag: The Roamnce and Reality of Life Among the Pirates, p. xvi-xvii.

Rediker, em 2004, descreveu a mais complexa definição até à data, propondo que a "época dourada da pirataria, que se estendeu por um período de 1650 a 1730," subdividido em três “gerações” distintas: os bucaneiros de 1650-80, os piratas do oceano Indico em cerca de 1690, e os piratas do período de 1716–1726.Marcus Rediker, 2004, Villains of All Nations.

Origens

A pirataria surgiu, e espelhado numa escala menor, nos conflitos sobre o comércio e a colonização entre as potências europeias rivais da época, incluindo os impérios da Grã-Bretanha, Espanha, Holanda, Portugal e França. A maioria destes piratas eram de origem inglesa, holandesa e francesa.

Período Bucaneiro, c. 1650–1680

thumb|130px|"Bucaneiro das Caraíbas" do livro Book of Pirates de Howard Pyle.

Historiadores, como John Fiske, marcaram o início da Época Dourada da Pirataria em cerca de 1650, quando nos finais das guerras europeias de religião permitiram aos países europeus voltar a desenvolver os seus impérios coloniais. Tal acontecimento aumentou consideravelmente as trocas marítimas, e uma certa melhoria económica: havia dinheiro para ser feito - ou roubado - e grande parte dele viajava por navios.

Os bucaneiros franceses estabeleceram-se na zona norte da Ilha de São Domingos (ou Hispaniola), mais ou menos em 1625, vivendo inicialmente mais da caça do que do roubo; a sua transição para a pirataria a tempo inteiro foi gradualmente motivada pelos esforços espanhóis em tentar eliminar tanto os bucaneiros como os animais de que eles dependiam. A migração dos bucaneiros da Hispaniola para Tortuga, uma ilha fora da costa e mais defensiva, acabou por limitar os seus recursos acelerando as suas actividades de pirataria. De acordo com Alexandre Olivier Exquemelin, um bucaneiro e historiador que permanece uma grande fonte deste período, o bucaneiro de Tortuga Pierre Le Grand, liderou os ataques dos colonos em galeões fazendo a viagem de volta para a Espanha.Alexandre Exquemelin, The Buccaneers of America, 1684.

O aumento de bucaneiros em Tortuga foi devido à captura da Jamaica aos espanhóis pelos ingleses em 1655. Os primeiros governadores ingleses da Jamaica enviavam livremente cartas de corso para os bucaneiros de Tortuga e para os seus próprios compatriotas, enquanto o crescimento de Port Royal, dava a estes invasores um lugar muito mais rentável e agradável para poderem vender o seu espólio. Na década de 1660, o novo governador francês da Tortuga, Bertrand d'Ogeron, dava semelhantes comissões de corso, tanto para os próprios colonos como para os assassinos ingleses de Port Royal. Tais condições levaram os bucaneiros das Caraíbas ao seu apogeu.

Rota Pirata, c. 1693–1700 thumb|esquerda|200px|Henry Every a vender o seu saque, gravura de Howard Pyle. A captura feita por Every em 1695 do Ganj-i-Sawai, um Grande Navio Mogol, destaca-se por ser um dos ataques de piratas mais rentáveis de sempre. Um certo número de factores levou a que os piratas anglo-americanos, alguns cortaram os dentes durante o período bucaneiro, fossem procurar tesouros nas Caraíbas no início da década de 1690. Com a queda do período da Casa de Stuart (1603-1714), restaurou-se a inimizade tradicional entre a Inglaterra e a França, terminando assim a colaboração proveitosa entre a Jamaica inglesa e a Tortuga francesa. A devastação de Port Royal por um terremoto em 1692 reduziu ainda mais as atracções das Caraíbas, destruindo o mercado dos piratas por pilhagens vedadas.Nigel Cawthorne (2005), Pirates: An Illustrated History, Arturus Publishing Ltd., 2005, p. 65. Os governadores coloniais das Caraíbas começaram a descartar a política tradicional de "não há paz para lá da Linha," sobre qual era entendido que a guerra iria continuar (e, portanto, seriam concedidas cartas de corso) nas Caraíbas independentemente dos tratados de paz assinados na Europa; doravante, as comissões seriam dadas apenas em guerra, e as suas limitações seriam rigorosamente aplicadas. Além disso, grande parte do território espanhol estava esgotado; só Maracaibo já tinha sido saqueado pelo menos três vezes entre 1667 e 1678,Cawthorne, p. 34, 36, 58 enquanto Río de la Hacha tinha sido roubado cinco vezes e Tolú oito.