Idade Antiga ou Antiguidade ou Mundo Antigo, na periodização das épocas históricas da humanidade, é o período que se estende desde a invenção da escrita (de a ) até à queda do Império Romano do Ocidente (). Embora o critério da invenção da escrita como balizador entre o fim da Pré-história e o começo da História propriamente dita seja o mais comum, estudiosos que dão mais ênfase à importância da cultura material das sociedades têm procurado repensar essa divisão mais recentemente. Também não há entre os historiadores um verdadeiro consenso sobre quando se deu o verdadeiro fim do Império Romano e início da Idade Média, por considerarem que processos sociais e econômicos não podem ser datados com a mesma precisão dos fatos políticos.POMIAN. K. (1993) Periodização, Enciclopédia Einaudi, vol. 29, Lisboa, Imprensa Nacional –. Casa da Moeda, p.164-213.

Também deve-se levar em conta que essa periodização está relacionada à História da Europa e também do Oriente Próximo como precursor das civilizações que se desenvolveram no Mediterrâneo, culminando com Roma. Essa visão se consolidou com a historiografia positivista que surgiu no , que fez da escrita da história uma ciência e uma disciplina acadêmica. Se repensarmos os critérios que definem o que é a Antiguidade no resto do mundo, é possível pensar em outros critérios e datas balizadoras.GUARINELLO, Norberto Luiz. (2003) Uma morfologia da história: as formas da História Antiga. Politeia: História e Sociedade, vol. 3, n. 1, p, 41-61.

No caso da Europa e do Oriente Próximo, diversos povos se desenvolveram na Idade Antiga. Os sumérios, na Mesopotâmia, foram a civilização que originou a escrita e a urbanização, mais ou menos ao mesmo tempo em que surgia a civilização egípcia. Depois disso, já no , os persas foram os primeiros a constituir um grande império, que foi posteriormente conquistado por Alexandre, o Grande. As civilizações clássicas da Grécia e de Roma são consideradas as maiores formadoras da civilização ocidental atual. Destacam-se também os hebreus (primeira civilização monoteísta), os fenícios (senhores do mar e do comércio e inventores do alfabeto), além dos celtas, etruscos e outros. O próprio estudo da história começou nesse período, com Heródoto e Tucídides, gregos que começaram a questionar o mito, a lenda e a ficção do fato histórico, narrando as Guerras Médicas e a Guerra do Peloponeso respectivamente.

Na América, pode-se considerar como Idade Antiga a época pré-colombiana, onde surgiram os astecas, maias e incas. Porém, alguns estudiosos consideram que em outras regiões, como no que hoje constitui a maior parte do território do Brasil, boa parte dos povos ameríndios ainda não havia constituído similar nível de complexidade social e a classificação de Pré-história para essas sociedades seria mais correta. Na China, a Idade Antiga termina por volta de , com o surgimento da dinastia Chin, enquanto que no Japão é apenas a partir do fim do período Heian, em 1185, que podemos falar em início da "Idade Média" japonesa. Algumas religiões que ainda existem no mundo moderno tiveram origem nessa época, entre elas o cristianismo, o budismo, confucionismo e judaísmo.

Antiguidade oriental Civilização Egípcia

thumb|Mapa do Antigo Egito|alt=|esquerda O Antigo Egito (atual República Árabe do Egito), atravessado pelo imenso rio Nilo, com 6 500 km e 6 cataratas, limitado por dois desertos (da Líbia e da Arábia), estava localizado no nordeste da África. Ao norte, o mar Mediterrâneo possibilita a viagem marítima e a atividade comercial com as demais civilizações. A leste, o mar Vermelho constituía outra via de transporte..

O rio Nilo constituía o berço da existência dos antigos egípcios, os quais se dedicavam principalmente à lavoura. Entre junho e setembro, no tempo das enchentes, as chuvas intensas transbordavam o rio; este ultrapassava as margens e inundava imensas áreas de terras que as beiravam. Essas águas tornavam mais fértil o solo, uma vez que continham limo e matéria orgânica, que era transformada em adubo de excelente qualidade. Além de adubos, o rio continha muitos peixes e oferecia oportunidades à navegação de milhões de embarcações.

Na hipótese dos egípcios, o rio Nilo era realmente abençoado pelos deuses. Quer dizer, o mesmo rio era conhecido como santo. No entanto, o Egito não era exclusivamente essa dádiva do Nilo. Eram necessários homens experientes, trabalhadores, aplicados e organizados. Na época da estiagem, enquanto cooperavam para juntar forças e conjunto, os egípcios desfrutavam das águas do rio para regar inclusive terras longínquas ou erguer diques para conter as enchentes.

Depois das enchentes, as águas diminuíam, desfazendo os limites das fazendas. Dessa forma, a cada ano que passava, a necessidade do homem trabalhador para a medição e o cálculo desenvolveu a geometria e a matemática. Esse trabalho frequente e a unidade geográfica possibilitaram um governo centralizador e único.

Períodos históricos do Egito O vale do rio Nilo foi povoado a partir do paleolítico. Temporalmente, nasceram comunidades livres e estruturadas denominadas nomos. Os nomos foram incorporados em dois reinos (do Norte e do Sul) e em torno de 3200 a.C. foram todos agrupados pelo faraó Menés em um único reino. Como ele, iniciaram-se as grandes dinastias (famílias reais que administraram o Egito por quase três mil anos).

A História do Egito é habitualmente dividida na periodização de quatro grandes etapas:

Antigo Império (entre 3200 a.C. e 2200 a.C.) Médio Império (entre 2200 a.C. e 1750 a.C.) Novo Império (entre 1580 a.C. e 1085 a.C.) Época Baixa (entre 653 a.C. e 332 a.C.)

No fim do Médio Império, ocorreu uma enorme imigração pacífica de hebreus ao Egito, que acabaram perdendo a liberdade e foram finalmente libertados para que retornassem à sua pátria de procedência. Após os hebreus, os hicsos dominaram o Egito, ali se domiciliando por duzentos anos. Implantaram os carros de guerra, ignorados pelos egípcios, e seu desalojamento caracterizou o início do Reino Novo.

No fim do Reino Novo, aconteceu um desmantelamento do Egito e seu declínio favoreceu para o domínio e a invasão por parte de diversas outras civilizações, como persas, gregos, romanos e muçulmanos. Nos tempos modernos, o Egito foi conquistado administrativamente pelos franceses e ingleses, até se fazer independente em 1962, como Estado moderno.

Sociedade egípcia No Egito, a sociedade se subdividia em certos níveis, cada um com suas funções bem determinadas. Nesta sociedade, a mulher possuía enorme influência e poder. miniaturadaimagem|O faraó significava a própria vida que passava no Egito. Era monarca e deus vivo. Fruto de adoração, reverência. Seu direito era o de ter uma grande variedade de esposas, a maior parte delas sendo familiares, para que o sangue real em família fosse garantido. Mas, apenas uma utilizava o título de rainha e dela ocorria o nascimento do herdeiro|alt=|esquerda No ponto mais alto da pirâmide encontrava-se o faraó, sem limites de poderes, porque o faraó era considerado uma santidade, divindade e admitido como um herdeiro de deus ou como o verdadeiro deus. Constitui o que se denomina teocracia, ou seja, governo em favor de deus.

O faraó era um monarca todo-poderoso, dono de todo o país. Os campos, os desertos, as minas, os rios, os canais, os homens, as mulheres, o gado e os animais — tudo se encontrava sob seu domínio. Ele era, simultaneamente, rei, juiz, sacerdote, tesoureiro, general. Era ele quem determinava e liderava tudo, porém, não podendo se encontrar em todos os locais, entregava funções a mais de cem servidores que o ajudavam na governança do Egito. Os egípcios consideravam no faraó sua mera existência e a certeza de sua alegria.

Os sacerdotes possuíam grande importância e autoridade, tanto religiosa como financeira, porque controlavam os produtos e as fortunas dos vastos e abundantes templos. Eram ainda os eruditos do Egito, guardiães dos segredos espirituais relativos aos seus numerosos deuses.

A nobreza era constituída por familiares do faraó, funcionários de primeiro escalão e abastados fazendeiros.

Os escribas, oriundos das famílias abastadas e influentes, eram alfabetizados e se ocupavam do registro, da documentação e da contabilidade de documentos e atividades da vida do Egito.

Os artesãos e os comerciantes. Os artesanatos se dedicavam principalmente aos monarcas, à nobreza e aos templos. Fabricavam lindas peças de adorno, utensílios, máscaras funerárias. Lidavam melhor com madeira, cobre, bronze, ferro, ouro e marfim. Já os comerciantes se ocupavam do comércio em favor dos reis ou em benefício próprio, adquirindo, comercializando ou permutando produtos com as demais civilizações, como cretenses, fenícios, povos da Somália, da Núbia, etc. O comércio encorajou a montagem dos imensos barcos de carga.

Os camponeses constituíam a maioria da população. Os servidores do faraó organizavam e controlavam os trabalhos agrícolas, porque todas as terras pertenciam ao governo, então os agricultores não tinham o direito de propriedade. As enchentes do Nilo, a irrigação, semeadura, colheita e armazenamento dos grãos forçavam os camponeses a trabalhar arduamente e receber pouco dinheiro. Em geral, o crédito era realizado com uma pequena parte dos produtos cultivados e somente o necessário para a sua subsistência. Moravam em cabanas precárias e trajavam-se modestamente. Os camponeses trabalhavam também nas terras dos fidalgos e nos templos. A principal atividade econômica do Egito era a agricultura, devido à falta de terreno e da escassez de vegetação para a criação de mais rebanhos. Em virtude da miséria dos camponeses, eram plantados cevada, trigo, lentilhas, árvores frutíferas e videiras. Fabricavam pão, cerveja e vinho. O Nilo trazia muitos peixes.

Os escravos eram, na maior parte, perseguidos dentre os derrotados nas guerras. Erroneamente associados as construções das pirâmides do Egito.

A importância de alguns faraós

O Egito foi governado por numerosos faraós em seu longo passado. Poucos merecem algum destaque., p. 33-34

Menés (ou Narmer), em 3000 a.C., unificou os reinos do norte e do sul num único reino.

Djoser (Zozer), reino no qual surgiu a primeira edificação monumental com pedras no Egito, a pirâmide de Djoser, em degraus.

Quéops, Quéfren e Miquerinos ficaram conhecidos como os faraós que ergueram as três maiores pirâmides do Egito, na planície de Gizé. A mais extensa pirâmide constitui a de Quéops. Seu herdeiro, Quéfren, substituiu-o no poder e edificou igualmente a sua pirâmide a poucos metros distante da do pai. Após Quéfren, administrou Miquerinos, quem mandou erguer sua pirâmide próxima das demais, mas um pouco menor.

Amenófis IV, denominado igualmente de "sacerdote do deus Sol", ficou famoso como o faraó que unificou a religião egípcia, obrigando o louvor a um único deus, o Sol, designado de Aton. Alterou sua denominação de Amenófis (que quer dizer "Amon é feliz") para Aquenaton (que tem o significado de "funcionário de Aton"). Conquistou o ódio dos sacerdotes, p. 32-33. e do fanatismo do povo e este, após seu falecimento, retornou aos velhos cultos.