António Casimiro Arronches Junqueiro (Setúbal, 13 de janeiro de 1868 - 28 de setembro de 1940) foi um jornalista, poeta, autor teatral, arqueólogo e zoólogo.
O naturalista Desde jovem que Arronches Junqueiro se dedicou ao estudo da fauna e flora da região em que vivia.
Fruto desse trabalho científico constitui, na sua residência da Quinta da Lage, nos arredores de SetúbalNa Estrada das Machadas, ao fundo da azinhaga de Santo António, no caminho para o antigo Convento de São Paulo., um verdadeiro museu, integrando, designadamente, um herbário, uma coleção geológica e uma coleção zoológica.
Em 1921, doou as suas coleções de história natural e arqueológica ao Liceu BocageHoje Escola Secundária de Bocage. CÂNDIDO, Maria João; NETO, José Luís. « A arqueologia no Museu de Setúbal/Convento de Jesus» in Revista da Faculdade de Letras: Ciências e Técnicas do Património, Porto, 2008-2009, I Série, Volume VII-VIII, pp. 115-125.
O arqueólogo Arronches Junqueiro colaborou ativamente nas investigações arqueológicas na cidade de Setúbal e nos seus arredores.
A sua coleção arqueológica, que doou ao Município, foi integrada no Museu de Setúbal/Convento de Jesus quando da sua criação em 1961História da Ciência ..
O etnólogo Na linha de homens como Leite de Vasconcelos, seu contemporâneo, Arronches Junqueiro estou os usos e costumes locais com especial incidência nas superstições, tendo publicado alguns artigos e uma obra sobre esta temáticaCf. Obras..
O bibliotecário Admitido na Biblioteca Municipal de Setúbal, em 1916, como bibliotecário efetivo, Arronches Junqueiro dirigiu-a até à aposentação por limite de idade, em 1928.
Em 1921 legou à biblioteca os manuscritos da sua obra literária e os seus livros de estudoCf. MARTINS, Idília das Mercês Sousa. «A Biblioteca Municipal: Um pouco da sua história», in QUINTAS, Maria da Conceição (coord.). Monografia da Freguesia de S. Julião. Setúbal: Junta de Freguesia de S. Julião, 1993, pp. 197-205..
Opiniões Fran Paxeco considerou Arronches Junqueiro «uma das mais maleáveis e vigorosas inteligências do nosso tempo» PAXECO, Fran. Setúbal e as Suas Celebridades. Lisboa: Sociedade Nacional de Tipografia, 1930, pg. 237..
Toponímia O seu nome foi atribuído à antiga Rua de São Sebastião, em Setúbal.
Obras Júlia: peça em 4 actos. Setúbal: 1894. Flores d'Alma. Setúbal, 1894. À sorte: comédia em 2 atos. Setúbal: 1895. Últimos dias de Pompeia: drama em 4 atos em verso. Setúbal: 1895. Urzes. Lisboa: M. Gomes Ed., 1896. O asceta: poesia. Setúbal: 1896. A barcarola: romance em 4 actos. Lisboa: Manoel Gomes, 1897. «Setúbal: Crenças, superstições e usos tradicionais: lobisomens e bruxas I», in A Tradição: Serpa, ano 2, n.º 2, Vol. 2 (Fev. 1900), p. 21-22. «Setúbal: crenças, superstições e usos tradicionais II: sonhos e agouros», in A Tradição: Serpa, ano 2, n.º 4, vol. 2 (Abr. 1900), p. 54-56. «Setúbal: crenças, superstições e usos tradicionais III: amuletos», in A Tradição: Serpa, ano 2, n.º 8, vol. 2 (Ago. 1900), p. 124-125. «Questionário sobre as crenças relativas aos animais: respostas II», in A Tradição: Serpa, ano 2, n.º 11, vol. 2 (Nov. 1900), p. 175. Superstições e usos tradicionais em Setubal. Setúbal: Tipografia Mascarenhas, 1906. Teatro infantil. Setúbal: 1907. Ligeira nuvem: episódio infantil em verso. Setúbal: Tipografia Mascarenhas, 1908. Laura: poema em cinco cantos. Setúbal: 1914. Tumulares: sonetos. Setúbal: . Abelha e malmequer: diálogo infantil em verso. Setúbal: Typ. Mascarenhas, 1916. 8 p. Paz!. Setúbal: 1918. Autos do Natal: estudos setubalenses. Setúbal: 1920. Pedaços d'alma. Setúbal: 1920. Poesias, sonetos, a-propósitos. [1920?]. Campos da minha terra: poemeto. Setúbal: 1920. O original manuscrito encontra-se na Biblioteca Municipal de Setúbal. Do estaleiro. [Setúbal, 1930]. Setúbal no meado século XIX: através das minhas recordações. Setúbal: 1936Manuscrito existente na Biblioteca Municipal de Setúbal..
Algumas notas arqueológicas publicadas no O Arqueólogo Português « Antiguidades dos arredores de Setúbal: povoação romana de Alferrar», in O Archeologo Português, Lisboa: Museu Ethnographico Português, S. 1, vol. 7, n.º 6 (Junho de 1902), p. 146. «Estudos sobre Tróia, de Setúbal», in O Archeologo Português, Lisboa: Museu Ethnographico Português, S. 1, vol. 7, n.º 7 (Julho de 1902), p. 176-179. «Estudos sobre Tróia de Setúbal», in O Archeologo Português, Lisboa: Museu Ethnographico Português, S. 1, vol. 5, n.º 1 (1899-1900), p. 7-9.
Fontes A fonte utilizada para inventariar as suas obras foi o catálogo online da Biblioteca Municipal de Setúbal. Entre as fontes utilizadas para a biografia destaca-se: CÂNDIDO, Maria João; NETO, José Luís. « A arqueologia no Museu de Setúbal/Convento de Jesus» in Revista da Faculdade de Letras: Ciências e Técnicas do Património, Porto, 2008-2009, I Série, Volume VII-VIII, pp. 115-125. CLARO, Rogério Peres. Um Século de Ensino Técnico Profissional em Setúbal: Da Escola de Desenho Industrial Princesa D. Amélia à Escola Seundária Sebastião da Gama: 1888-1988. Setúbal : Câmara Municipal de Setúbal, 2000, pgs. 372-373. GONÇALVES, Vítor dos Santos. «Arronches Junqueiro e Tróia de Setúbal» in Arquivo de Beja, S. 1, vol. 22 (1963-64),pg. 167-184. MOURO, Carlos. «Arronches Junqueiro (1868-1940): A propósito do 140.º centenário de nascimento, in O Setubalense, 25 de março de 2008, pg. 4. SEROMENHO, Luzia Ruivo. «Arronches Junqueiro, o Poeta Arqueólogo»», in Subsídios para o Estudo da História Local, vol. II, anos 2002 e 2003. Setúbal : Câmara Municipal de Setúbal, 2006, pp. 17-70. Contém bibliografia e ilustrações.
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