Minas Gerais é uma das 27 unidades federativas do Brasil, sendo o quarto estado com a maior área territorial e o segundo em número de habitantes, com uma população estimada de 21 393 441 em 2025. Localizada na Região Sudeste do país, limita-se ao sul e sudoeste com São Paulo, a oeste com Mato Grosso do Sul, a noroeste com Goiás e Distrito Federal, a norte e nordeste com a Bahia, a leste com o Espírito Santo e a sudeste com o Rio de Janeiro. Seu território é subdividido em 853 municípios, a maior quantidade dentre os estados brasileiros.

A topografia mineira é bastante acidentada, sendo que alguns dos picos mais altos do país encontram-se em seu território. O estado também abriga a nascente de alguns dos principais rios do Brasil, o que o coloca em posição estratégica no que se refere aos recursos hídricos nacionais. Possui clima tropical, que varia de mais frio e úmido no sul até semiárido em sua porção setentrional. Todos esses fatores aliados propiciam a existência de uma rica fauna e flora distribuídas nos biomas que cobrem o estado, especialmente o cerrado e a ameaçada Mata Atlântica.

O território de Minas Gerais era habitado por indígenas quando os portugueses chegaram ao Brasil. Contudo, ocorreu uma grande migração para o estado a partir do momento em que foi anunciada a existência de ouro. A extração do metal trouxe riqueza e desenvolvimento para a então província, proporcionando seu desenvolvimento econômico e cultural. Mas o ouro logo se tornou escasso, provocando a emigração de grande parte da população, até que um novo ciclo (o do café) novamente traria a Minas projeção nacional e cujo fim levou ao processo de industrialização relativamente tardio. Minas Gerais atualmente possui o terceiro maior produto interno bruto do Brasil, sendo que grande parte do total produzido no estado ainda se deve a atividades mineradoras. Tal desenvolvimento também advém de sua notável infraestrutura, como a grande quantidade de usinas hidrelétricas e a maior malha rodoviária do país.

A economia de Minas Gerais é a terceira maior do país e da região Sudeste e representa 9% da economia nacional. Em virtude de suas belezas naturais e de seu patrimônio histórico, o estado é um importante destino turístico brasileiro. O povo mineiro possui uma cultura peculiar, marcada por manifestações religiosas tradicionais e culinária típica do interior, como o pão de queijo e tutu de feijão, além de importância nacional nas produções artísticas contemporâneas e também no cenário esportivo.

Etimologia Minas Gerais se relaciona literalmente por abrigar campos de extração de inúmeros minérios, principalmente ouro, denominadas "minas gerais", em oposição às minas particulares ou por sua variedade de tipos de minério. No início do século XVIII, a região era simplesmente denominada Minas. Em 1710, surge a capitania de São Paulo e Minas de Ouro e, em 1720, desmembra-se dela a capitania de Minas Gerais.

História

Uma parte da história do atual estado de Minas Gerais foi determinada pela exploração da grande riqueza mineral que se encontra em seu território. Seu nome, inclusive, provém da larga quantidade e variedade das minas presentes, que passaram a ser exploradas desde o século XVII e até os dias atuais movimentam uma fração importante da economia do estado.

Pré-história e povos indígenas Em meados do século XIX, o paleontólogo dinamarquês Peter Wilhelm Lund descobriu, na região de Lagoa Santa, fósseis humanos de milhares de anos atrás, pertencentes a uma população que ali viveu há milhares de anos, apelidada de “Povo de Lagoa Santa”, ao qual pertenceu Luzia, crânio pertencente a uma jovem mulher que viveu há 11,3 mil anos, sendo o fóssil humano mais antigo já encontrado na América do Sul, achado em 1974 na Lapa Vermelha, uma gruta entre os municípios de Lagoa Santa e Pedro Leopoldo.Feathers, James; R. Kipnis; L. Piló; M. Arroyo & D. Coblentz (2010) "How old is Luzia? Luminescence dating and stratigraphic integrity at Lapa Vermelha, Lagoa Santa, Brazil"; Geoarchaeology 25 (4): 395–436.miniaturadaimagem|esquerda|Reconstituição da cabeça de Luzia, fóssil de 12 mil anos. Acervo do Museu Nacional.

Com base na análise da morfologia craniana de Luzia e de seu povo, foi formulada a teoria de que tinham traços australoides, tendo pertencido a uma população que chegou às Américas antes dos ancestrais dos ameríndios. No entanto, com a análise do material genético dos restos humanos do Povo de Lagoa Santa, constatou-se que essa população pré-histórica tinha o DNA totalmente ameríndio, sendo, portanto, descartada qualquer relação com populações da Australásia e a teoria de que o povoamento das Américas se deu por uma onda de indivíduos de traços australoides e outra de indivíduos mongoloides.

Na região dos municípios de Januária, Montalvânia, Itacarambi e Juvenília, no norte do estado, escavações arqueológicas levaram a estimativas de que a ocupação inicial teria ocorrido na época de Luzia. Desse período, herdaram-se características culturais como o uso de peças de pedra ou osso, fogueiras extintas, criação de cemitérios, pequenos silos com sementes e pinturas rupestres. Mais tarde, há cerca de 4 mil anos, especula-se que tenha ocorrido o cultivo de vegetais, em especial do milho, e há dois mil anos já existia importante manufatura de produtos cerâmicos. miniaturadaimagem|esquerda|Pataxós no Rio Pardo. Gravura da viagem de Maximilian zu Wied-Neuwied em 1821.

Mais de cem grupos indígenas habitavam o atual território de Minas Gerais na época da chegada dos portugueses. Nos vales dos rios Doce, Jequitinhonha e Mucuri, habitavam os povos genericamente conhecidos como "botocudos”, como os maxacalis, maconis, naquenuques, aranãs, crenaques e pataxós. O Norte de Minas era dominado pelos cariris e xacriabás. O centro, oeste e sul de Minas eram habitados pelos cataguás, que eram o grupo indígena mais numeroso do território mineiro na época colonial, tanto que a região era conhecida como “Campos Gerais dos Cataguases” na época dos bandeirantes. As regiões do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba eram habitadas pelos caiapós e araxás, enquanto que a Zona da Mata Mineira era povoada pelos puris.

A região de Minas Gerais próxima à divisa com São Paulo, Mato Grosso do Sul e Goiás era ocupada pelos bororós. Entretanto, durante os primeiros séculos de colonização do Brasil, os indígenas dessa região foram capturados pelos bandeirantes para serem escravizados e os grupos que se revoltaram eram exterminados, o que provocou uma grande redução na população indígena, restando atualmente cinco grupos: xacriabás, crenaques, maxacalis, pataxós e pankararus, este último sendo oriundo do interior de Pernambuco.

A corrida do ouro thumb|direita|Pintura retratando a lavra do ouro em primeiro plano e Vila Rica ao fundo (Rugendas, 1820-1825). A primeira penetração europeia no território mineiro foi com a expedição dos espanhóis Francisco Bruza Espinosa e João de Azpilcueta Navarro entre 1553 e 1555, que partiu do litoral da Bahia e percorreu o Norte de Minas. Nas décadas seguintes, outras expedições conhecidas como “entradas”, vindas do litoral nordestino, percorreram essa mesma região, como a de Sebastião Fernandes Tourinho em 1573.

A partir do final do século XVI, os bandeirantes percorreram o território de Minas Gerais à procura de ouro e pedras preciosas. Muitas de suas expedições foram apoiadas pela Coroa Portuguesa, dentre as quais se destacam a de Fernão Dias e de seu genro Borba Gato, que partiu da vila de São Paulo em 1674.

No século XVII, iniciou-se a colonização do Norte de Minas, com a fixação de vaqueiros sertanejos, devido à expansão da pecuária do Sertão nordestino, e de bandeirantes, à procura de pedras preciosas e indígenas para escravizar.

Entre 1692 e 1693, o bandeirante Antônio Rodrigues Arzão descobriu as primeiras jazidas de ouro no território de Minas Gerais. Nos anos seguintes, bandeirantes vindos das vilas de São Paulo e Taubaté percorreram a região do Rio das Velhas à procura de ouro. Em 1696, Salvador Fernandes Furtado descobriu ouro nas margens do Rio do Carmo e ali ergueu o seu acampamento, que originou a Vila de Nossa Senhora do Carmo (atual Mariana). Dois anos depois, Antônio Dias de Oliveira descobriu o metal amarelo no sopé do Pico do Itacolomi e ali funda seu assentamento, embrião de Vila Rica (atual Ouro Preto). Em 1702, João de Siqueira Afonso descobriu essas pedras preciosas no vale do Rio das Mortes. Inicialmente, o ouro era extraído do leito dos rios, o que obrigava os garimpeiros a se mudar conforme o esgotamento do metal. Após algum tempo, a exploração passou a ser feita também nas encostas de montanhas, o que obrigava o assentamento permanente dos mineradores, proporcionando o surgimento dos primeiros povoados. miniaturadaimagem|esquerda|Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas (MG), com os 12 profetas esculpidos por Aleijadinho.

A notícia descoberta de ouro logo se espalhou e, nas décadas seguintes, centenas de milhares de pessoas ávidas por riqueza, sobretudo portugueses (o que inclui cristãos novos), mas também brasileiros oriundos de São Paulo, Bahia, Pernambuco e do Rio de Janeiro, se fixaram em Minas Gerais. A chegada de um grande número de pessoas em pouco tempo levou a epidemias e falta de alimentos. Os paulistas se julgavam proprietários do ouro retirado das minas, alegando direito de descoberta e conquista, e não queriam que outros se apossassem dessa riqueza. Com isso, em 1707, entraram em conflito com os portugueses e brasileiros não-paulistas (apelidados de "emboabas", termo da língua geral paulista que carrega o significado de "invasor" ou "traidor"), ocasionando a Guerra dos Emboabas, encerrada em 1709. Os paulistas foram derrotados e muitos deles tiveram que abandonar as jazidas de ouro de Minas Gerais, muitos voltaram ao planalto ou assentaram-se no atual sul do estado, outros, entretanto, tornaram à busca pelo metal na Região Centro-Oeste do Brasil, descobrindo-o novamente anos depois em Goiás e Mato Grosso. A imposição da autoridade da Coroa Portuguesa também contribuiu para o fim do conflito, a partir da criação da Capitania de São Paulo e Minas de Ouro em 1709.

Em 1711, as primeiras vilas foram criadas em Minas Gerais, sendo elas Sabará, Vila Rica e Vila do Nossa Senhora do Carmo. Em 1720, ocorreu a Revolta de Vila Rica contra as taxações sobre o ouro e, com isso, nesse mesmo ano foi criada a Capitania de Minas Gerais. miniaturadaimagem|Mineração de diamantes na Comarca do Serro Frio, por Carlos Julião. c. 1770

A Coroa Portuguesa, então, passou a controlar com rigor a exploração de ouro nas minas, recolhendo 20% de tudo o que era produzido, o que ficou conhecido como quinto. A população da capitania continuava a crescer, mas existiam até então somente pequenos cultivos agropecuários de subsistência, o que demandava a importação de produtos de outras regiões da colônia. Novos acessos a região passaram a ser criados e o fluxo de pessoas e mercadorias aumentou intensamente surgindo, assim, o primeiro grande mercado consumidor do Brasil. Ao longo desses acessos apareciam povoados, tendo, portanto, papel fundamental no povoamento da capitania. Dentre esses trajetos destaca-se o Caminho Novo, que ligava as regiões mineradoras ao Rio de Janeiro. A intensa mistura de pessoas associada a riqueza oriunda do ouro e a vida urbana proporcionaram a formação de uma nova sociedade culturalmente diversa, com vários músicos, artistas, escultores e artesãos. Dentre os movimentos culturais destacam-se o trabalho de Aleijadinho e Mestre Ataíde, dentre outros, que permitiram o florescimento do Barroco Mineiro.