O USS Maryland foi um couraçado operado pela Marinha dos Estados Unidos e a segunda embarcação da Classe Colorado, depois do e seguido pelo e . Sua construção começou em abril de 1917 nos estaleiros da Newport News Shipbuilding na Virgínia e foi lançado ao mar em março de 1920, sendo comissionado na frota norte-americana em julho do ano seguinte. Era armado com uma bateria principal composta por oito canhões de 406 milímetros montados em quatro torres de artilharia duplas, tinha um deslocamento carregado de mais de 34 mil toneladas e alcançava uma velocidade máxima de 21 nós (39 quilômetros por hora).

O Maryland teve um início de carreira tranquilo e passou a maior parte do seu período em tempos de paz atuando tanto no Oceano Atlântico quanto no Oceano Pacífico, com suas principais funções consistindo em exercícios de rotina individuais e treinamentos junto com o resto de toda a frota. O navio também realizou algumas viagens diplomáticas para o exterior, incluindo para o Brasil, Austrália e Nova Zelândia. Ele estava atracado em Pearl Harbor na manhã de 7 de dezembro de 1941 quando a base foi atacada pelo Japão, porém foi apenas levemente danificado por duas bombas. Seus danos foram rapidamente consertados e o couraçado foi capaz de voltar ao serviço já em junho de 1942.

O Maryland inicialmente foi colocado em deveres de patrulha e guarda contra quaisquer possíveis incursões japonesas. Em seguida passou a ser usado em funções de bombardeio litorâneo, participando nesta capacidade das campanhas das Ilhas Gilbert e Marshall, Ilhas Mariana e Palau, Filipinas e Ilhas Vulcano e Ryūkyū, incluindo nas batalhas de Tarawa, Kwajalein, Saipã, Golfo de Leyte e Okinawa. Durante estas ações foi atingido em duas ocasiões diferentes por kamikazes. A guerra terminou em 1945 e o navio foi usado para transportar soldados norte-americanos de volta para casa. O Maryland foi descomissionado em abril de 1947 e mantido na reserva até ser desmontado em 1959.

Características

thumb|esquerda|240px|Arranjo e disposição do armamento principal da Classe Colorado Foram finalizados em 1916 os trabalhos de projeto para a próxima classe de couraçados da Marinha dos Estados Unidos que seria construída a partir de 1917. Esses novos navios acabaram sendo cópias quase diretas da predecessora Classe Tennessee, com exceção de sua bateria principal, que aumentou de doze canhões de 356 milímetros para oito de 406 milímetros. A Classe Colorado foi a última classe de couraçados estadunidenses no "tipo padrão" a ter embarcações finalizadas.

O Maryland tinha 190,27 metros de comprimento de fora a fora, uma boca de 29,72 metros e um calado de 9,3 metros. Seu deslocamento projetado era de toneladas, enquanto o deslocamento carregado chegava a toneladas. Seu sistema de propulsão consistia em quatro geradores elétricos alimentados por dois turbogeradores General Electric, com o vapor necessário para os turbogeradores provindo de oito caldeiras Babcock & Wilcox a óleo combustível. Esse maquinário podia levar a embarcação a uma velocidade máxima de 21 nós (39 quilômetros por hora) a partir de uma potência indicada de 29,4 mil cavalos-vapor (21,6 mil quilowatts). Sua autonomia normal era de oito mil milhas náuticas (quinze mil quilômetros) a dez nós (dezenove quilômetros por hora), porém espaços adicionais podiam ser usados em tempos de guerra e ampliavam a autonomia para 21,1 mil milhas náuticas (39,1 mil quilômetros) na mesma velocidade. Sua tripulação era composta por 64 oficiais e 1 241 marinheiros.

Sua bateria principal consistia em oito canhões Marco 1 calibre 45 de 406 milímetros montados em quatro torres de artilharia duplas, duas na proa e duas na popa, em ambos os casos com uma torre sobreposta a outra. A bateria secundária tinha dezesseis canhões calibre 51 de 127 milímetros montados em casamatas individuais espalhadas a meia-nau na superestrutura. A bateria antiaérea era composta por oito canhões calibre 50 de 76 milímetros em montagens individuais. Como era costume para navios capitais do período, o couraçado também foi armado com dois tubos de torpedo de 533 milímetros abaixo da linha d'água, um em cada lateral. O cinturão de blindagem principal tinha entre 203 e 343 milímetros de espessura, enquanto o convés blindado principal tinha uma espessura de 89 milímetros. As torres de artilharia eram protegidas por uma frente de 457 milímetros de espessura, ficando em cima de barbetas com 330 milímetros de espessura. A torre de comando era protegida por placas laterais de 406 milímetros.

História Tempos de paz thumb|240px|O Maryland durante exercícios de artilharia na década de 1920 O batimento de quilha do Maryland ocorreu em 24 de abril de 1917 nos estaleiros da Newport News Shipbuilding em Newport News, na Virgínia. Foi lançado ao mar em 20 de março de 1920 e batizado por Elizabeth Lee, a esposa de E. Brooke Lee, o Corregedor de Maryland. A embarcação foi comissionada na frota em 21 de julho de 1921. Foi o terceiro navio da Marinha dos Estados Unidos nomeado em homenagem ao estado de Maryland, depois de uma chalupa de guerra de 1799 e um cruzador blindado de 1905.

O navio embarcou em uma viagem pela Costa Leste para seu cruzeiro de testes. Foi pouco depois nomeado como a capitânia do almirante Hilary P. Jones. Passou boa parte de 1922 em funções cerimoniais, indo primeiro para Annapolis, em seu estado homônimo, participar da formatura de estudantes da Academia Naval, e depois para Boston, em Massachusetts, para as celebrações do aniversário da Batalha de Bunker Hill e do Dia da Independência. Fez sua primeira viagem internacional de 18 de agosto a 25 de setembro, quando transportou Charles Evans Hughes, o Secretário de Estado, até o Rio de Janeiro, no Brasil, para a Exposição Internacional do Centenário da Independência. Participou de exercícios de frota no início do ano seguinte e então atravessou o Canal do Panamá, juntando-se à frota da Costa Oeste. Continuou como a capitânia até esta ser transferida em 1923 para o .

Fez outra viagem internacional em 1925, desta vez visitando portos da Austrália e Nova Zelândia. O Maryland transportou o presidente Herbert Hoover em 1928 durante a parte do Pacífico de sua viagem pela América do Sul. A embarcação passou por reformas entre 1928 e 1929, com as alterações incluindo a remoção de seus canhões antiaéreos de 76 milímetros e substituição por oito canhões antiaéreos calibre 25 de 127 milímetros. Pelas décadas de 1920 e 1930 o couraçado participou de uma série de exercícios de treinamento chamados Problemas de Frota, além de outras operações de prontidão. Também realizou várias patrulhas pela década de 1930. O Maryland e os outros couraçados da Frota de Batalha foram transferidos para atuarem a partir de Pearl Harbor, no Havaí, em 1940 devido à ameaça cada vez maior do Japão.

Segunda Guerra Mundial Pearl Harbor

thumb|esquerda|240px|O Maryland ao lado do emborcado Oklahoma em 7 de dezembro de 1941 após o Ataque a Pearl Harbor; o West Virginia está ao fundo em chamas O Maryland estava ancorado ao lado da Ilha Ford em Pearl Harbor na manhã de 7 de dezembro de 1941. A seu bombordo estava o couraçado , com ambos conectados por cordas e um passadiço. À proa estava o e à ré estavam o e . Mais à ré ainda estavam o e o . Os sete navios tinham voltado recentemente de manobras. Muitos dos tripulantes do Maryland estavam se preparando para uma licença que começaria às 9h00min ou ainda estavam comendo seu café da manhã quando as primeiras aeronaves japonesas começaram a atacar às 7h55min. O corneteiro do Maryland soou o alarme de posições de batalha assim que as aeronaves foram avistadas e os primeiras ataques ocorreram.

O marinheiro Leslie Short, que estava próximo de sua arma respondendo a cartões postais de natal enviados por familiares, foi o primeiro artilheiro do couraçado a abrir fogo, conseguindo abater um de dois torpedeiros Nakajima B5N que tinham acabado de lançar seu ataque contra o Oklahoma. Este acabou protegendo o Maryland dos ataques de torpedos iniciais e permitiu que ele abrisse fogo com todas as suas baterias antiaéreas. O ataque inicial foi devastador e afundou o Oklahoma, que emborcou rapidamente, mas muitos de seus sobreviventes conseguiram nadar até o Maryland e subir a bordo para ajudar nas suas defesas antiaéreas.

A embarcação foi acertada por dois projéteis de 410 milímetros que foram adaptados pelos japoneses para atuarem como bombas, mas não causaram danos sérios. O primeiro acertou o castelo da proa e criou um buraco de 3,7 por 6,1 metros no convés, já o segundo explodiu 6,7 metros dentro do navio. Este último causou inundações e fez o calado do Maryland aumentar em 1,5 metro. A embarcação continuou a disparar suas armas antiaéreas e também enviou equipes de bombeiros para os outros couraçados, tentando especialmente resgatar os sobreviventes do emborcado Oklahoma. Os artilheiros continuaram a manejar suas armas mesmo depois da partida dos japoneses caso estes voltassem para mais. No total, dois oficiais e dois marinheiros foram mortos.

Os japoneses erroneamente anunciaram que o Maryland tinha sido afundado, porém ele foi libertado apenas alguns depois do ataque e no dia 30 entrou em uma doca seca do Estaleiro Naval de Puget Sound em Washington para passar por reparos, logo depois do Tennessee. Dois de seus canhões calibre 51 de 127 milímetros foram removidos e as armas antiaéreas calibre 25 de 127 milímetros foram substituídas por um número igual de canhões deduplo-propósito calibre 38 de 127 milímetros. A embarcação foi consertada e reformada pelos dois meses seguintes, recebendo novos equipamentos de controle de disparo. Os reparos terminaram em 26 de fevereiro de 1942. O Maryland então realizou cruzeiros de testes em portos da Costa Oeste. Voltou para a ação em junho de 1942, o segundo couraçado danificado em Pearl Harbor a voltar ao serviço.

Patrulhas thumb|240px|O Maryland no Estaleiro Naval de Puget Sound em 9 de fevereiro de 1942 depois de passar por reparos O Maryland desempenhou um papel de suporte durante a operação da Batalha de Midway no início de junho. Ele, assim como os outros couraçados norte-americanos mais antigos, não era rápido o suficiente para acompanhar os porta-aviões, assim operou junto com uma frota de reserva que deveria proteger a Costa Oeste. O navio permaneceu de prontidão esperando ser chamado caso sua presença fosse necessária, o que nunca aconteceu. Ele foi enviado para São Francisco, na Califórnia, depois do fim da batalha.

Depois disso o navio ocupou-se com exercícios de treinamentos quase constantes com as Divisões de Couraçados 2, 3 e 4 até 1º de agosto, quando voltou para Pearl Harbor para passar por mais reparos, a primeira vez que voltou para o local desde o ataque japonês em dezembro. Deixou o Havaí no início de novembro junto com seu irmão , seguindo mais para o centro do Oceano Pacífico. As embarcações seguiram para Fiji, onde patrulharam contra alguma possível incursão japonesa. Os dois couraçados atuaram como sentinelas contra avanços japoneses e para impedir quaisquer forças inimigas que pudessem ameaçar a Austrália.

As forças Aliadas partiram para a ofensiva no início de 1943, com o Maryland e Colorado indo em fevereiro para Éfaté, nas Novas Hébridas. Entretanto, o calor intenso mostrou-se ser muito difícil e incômodo para a tripulação. O navio depois foi enviado para Espírito Santo a fim de resguardar qualquer incursão japonesa, mas as chuvas pesadas atrapalharam seu serviço. Os dois couraçados ficaram na Ilha Aore em agosto e então o Maryland voltou para Pearl Harbor a fim de passar por reformas, em que vários canhões antiaéreos Bofors de 40 milímetros foram instalados nos conveses superiores e mastro principal em antecipação para ataques aéreos japoneses em operações futuras.

Ilhas Gilbert e Marshall

Tarawa