thumb|400px|direita|Torre de Santo Estevão, a única porção remanescente da abadia medieval. Abadia de Nossa Senhora de Bec (), conhecida simplesmente por Abadia de Bec, na região de Le Bec Hellouin, no passado uma das mais influentes abadias do Reino Anglo-Normando do século XII,C. Warren Hollister, Henry I (Yale English Monarchs) 2001:16. é uma fundação monástica beneditina no departamento Eure a meio caminho entre Ruão e Bernay.

Como todas as abadias, Bec preservou seus anais históricos, mas, num caso único, seus primeiros abades foram agraciados com biografias individuais pelo monge Milo Crispin. Por causa da influência da abadia nos dois lados do canal, estas "vitae" por vezes revelam informações históricas de grande importância.

Primeira fundação A abadia foi fundada em 1034 por Herluin, um cavaleiro normando que, por quatro anos antes, havia deixado a corte de Gilberto, conde de Brionne, para se dedicar à vida consagrada: a comuna de Le Bec Hellouin preserva até hoje seu nome. Cento e trinta e seis monges viveram ali enquanto Herluin estava no comando.Adolphe-André Porée, Histoire de l'abbaye du Bec, Vol. 1, p. 131, note 1 & Appendix no 1.

Com a chegada de Lanfranco de Pavia, Bec tornou-se um centro da vida intelectual do século XI. Já famoso por suas aulas em Avranches, Lanfranco veio para lecionar como prior e mestre da escola monástica, mas partiu em 1062 para se tornar abade na Abadia de Santo Estêvão, Caen, e depois arcebispo de Cantuária. O abade seguinte foi Anselmo, que também assumiria a sé de Cantuária; o mesmo se repetiria com o quinto abade, Teobaldo de Bec. Muitos distintos membros do clero, provavelmente incluindo o futuro papa Alexandre II e Santo Ivo de Chartres, estudaram em Bec.

A "Vita" do fundador ("Vida Herluini") foi escrita por Gilberto Crispin, abade de Westminster. Lanfranco também escreveu uma biografia de Herluin e de outros quatro abades em sua "Chronicon Beccense", publicada pela primeira vez em Paris em 1648.

Os seguidores de Guilherme, o Conquistador, apoiavam a abadia, enriquecendo-a com enormes propriedades na recém-conquistada Inglaterra. Bec também possuía e administrava o Priorado de São Neots e diversas outras fundações inglesas, incluindo o Priorado de Goldcliff, em Monmouthshire, fundado em 1113 por Roberto de Chandos. A vila de "Tooting Bec", hoje um subúrbio de Londres, tem este nome por ter se desenvolvido em terras da abadia.

A Abadia de Bec foi danificada durante as Guerras Religiosas e se arruinou completamente durante a Revolução Francesa, com apenas a Tour Saint-Nicolas ("Torre de São Nicolau"), construída no século XV, sobrevivendo do mosteiro medieval.

Segunda fundação Em 1948, a abadia foi refundada com o nome de Abbaye de Notre-Dame du Bec ("Abadia de Nossa Senhora de Bec") por monges olivetanos liderados por Dom Grammont, que liderou algumas reformas no local. Ela é atualmente conhecida por suas ligações com o anglicanismo e tem sido visitada por sucessivos arcebispos de Cantuária. A biblioteca abriga a coleção de John Graham Bishop com mais de obras sobre o anglicanismo. Ali também se produz uma cerâmica muito famosa na região.

Lista de abades A lista a seguir contém todos os abades de 1034 até o final do século XVIII:

1034–1078: Herluin (ou Hellouin) 1078–1093: Anselmo (futuro arcebispo de Cantuária) 1093–1124: Guillaume de Montfort-sur-Risle 1124–1136: Boson 1136–1138: Teobaldo (futuro arcebispo de Cantuária) 1139–1149: Létard 1149–1179: Rogério de Bailleul (Roger; eleito arcebispo de Cantuária, mas recusou o posto) 1179–1187: Osbern 1187–1194: Rogério II 1195–1197: Gauthier 1197–1198: Hugo de Cauquainvilliers (Hughes) 1198–1211: Guillaume Le Petit 1211–1223: Ricardo de Saint-Léger (Richard), dito de Bellevue (futuro bispo de Évreux) 1223–1247: Henri de Saint-Léger 1247–1265: Roberto de Clairbec 1265–1272: Jean de Guineville 1272–1281: Pierre de la Cambe 1281–1304: Ymer de Saint-Ymer 1304–1327: Gilbert de Saint-Étienne 1327–1335: Geoffroy Faé (afterwards Bishop of Évreux) 1335–1351: Jean des Granges 1351–1361: Robert de Rotes alias Couraye 1361–1388: Guillaume de Beuzeville alias Popeline 1388–1391: Estout d’Estouteville 1391–1399: Geoffroy Harenc 1399–1418: Guillaume d’Auvillars 1418–1430: Robert Vallée 1430–1446: Thomas Frique 1446–1452: Jean de La Motte 1452–1476: Geoffroy d’Épaignes 1476–1484: Jean Boucard 1484–1491: Robert d’Évreux 1491–1515: Guillaume Guérin 1515–1515: Jean Ribault 1515–1520: Adrien Gouffier de Boissy (cardeal em 1515, também bispo de Coutances e administrador da diocese de Albi) 1520–1533: Jean d'Orléans-Longueville (também arcebispo de Toulouse e bispo de Orléans; cardeal em 1533) 1534–1543: Jean Le Veneur (também bispo de Lisieux) 1544–1557: Jacques d'Annebaut (cardeal em 1544; também Bishop of Lisieux) 1558–1572: Luís de Lorraine (cardeal em 1553, também sucessivamente bispo de Troyes, arcebispo de Sens e bispo de Metz) 1572–1591: Claude de Lorraine 1591–1597: Emeric de Vic 1597–1661: Dominique de Vic (também bispo de Auch) 1761–1764: vacante 1664–1707: Jacques-Nicolas Colbert (também arcebispo de Ruão) 1707–1717: Roger de La Rochefoucauld 1717–1771: Louis de Bourbon-Condé 1771–1782: vacante 1782–1790: Yves-Alexandre de Marbeuf (também bispo de Autun, em seguida arcebispo de Lyon)

Notas

Ligações externas

"Bec". New International Encyclopedia (1905).

Categoria:Edifícios monásticos beneditinos da França Categoria:1034 Categoria:Eure Categoria:Século XI na França