miniaturadaimagem|direita|Satélite Inmarsat-3 miniaturadaimagem|direita|Telefone por satélite da Inmarsat usado em Nias, na Indonésia, depois do terremoto de Nias-Simeulue de 2005. O aparelho foi fabricado pela Thrane & Thrane A/S, da Dinamarca. Fotografia de abril de 2005.

A Inmarsat é uma empresa britânica de telecomunicações por satélite que oferece serviços móveis em quase todo o planeta. Seus serviços de telefonia e dados chegam a terminais portáteis ou móveis que se comunicam com estações terrenas por meio de quinze satélites de telecomunicações em órbita geoestacionária.

A rede da Inmarsat presta serviços de comunicação a governos, organizações de ajuda, veículos de comunicação e empresas, principalmente dos setores marítimo, aéreo e de mineração, que precisam se comunicar em regiões remotas ou sem uma rede terrestre confiável. A empresa teve ações negociadas na Bolsa de Valores de Londres até ser comprada em dezembro de 2019 pela Connect Bidco, um consórcio formado pela Apax Partners, Warburg Pincus, CPP Investment Board e Ontario Teachers' Pension Plan.

Em novembro de 2021, os proprietários da Inmarsat e a Viasat anunciaram a compra da empresa pela Viasat. A aquisição foi concluída em maio de 2023.

História Origens

A empresa nasceu da Organização Internacional de Satélites Marítimos, conhecida pela sigla INMARSAT. Essa organização intergovernamental sem fins lucrativos foi criada em 1979 por iniciativa da Organização Marítima Internacional, a OMI, entidade marítima das Nações Unidas. Sua criação seguiu a Convenção sobre a Organização Internacional de Satélites Marítimos, assinada por 28 países em 1976. A organização deveria instalar e operar uma rede de comunicações por satélite para a comunidade marítima.Jonathan Higgins, Satellite Newsgathering, Focal Press, 2007, p. 204. .

Na década de 1980, em coordenação com a Organização da Aviação Civil Internacional, a convenção que regia a INMARSAT foi alterada para abranger melhorias nas comunicações aeronáuticas, em especial as destinadas à segurança pública. Os Estados membros detinham participações diferentes nas atividades operacionais. A sede ficava inicialmente na Euston Tower, na Euston Road, em Londres.

Privatização Em meados da década de 1990, muitos Estados membros não queriam investir em melhorias na rede da INMARSAT, em especial por causa da concorrência no setor de comunicações por satélite. Muitos deles aceitavam, porém, que os sistemas antigos precisavam ser mantidos e que uma organização intergovernamental deveria supervisionar as questões de segurança pública nas redes de comunicação por satélite. Em 1998, firmou-se um acordo para alterar a missão da INMARSAT como organização intergovernamental e separar e privatizar suas atividades operacionais. A venda ficou sujeita a obrigações de segurança pública.

Em abril de 1999, a Organização Internacional de Satélites Móveis sucedeu à INMARSAT como órgão regulador intergovernamental das comunicações por satélite. A unidade operacional da INMARSAT foi separada e passou a constituir a empresa britânica Inmarsat Ltd.Jonathan Higgins, p. 207. A IMSO e a Inmarsat Ltd. assinaram um acordo que impôs à nova empresa obrigações de segurança pública. A Inmarsat foi a primeira organização internacional de satélites a ser privatizada.

Em 2005, Apax Partners e Permira compraram participações na Inmarsat, que também passou a ter ações negociadas na Bolsa de Valores de Londres naquele ano. Em março de 2008, foi divulgado que o fundo de cobertura Harbinger Capital detinha 28% da empresa. Em 2009, a Inmarsat concluiu a aquisição da empresa de comunicações por satélite Stratos Global Corporation, conhecida como Stratos, e adquiriu 19% da SkyWave Mobile Communications Inc. A SkyWave prestava serviços nas redes Inmarsat D+ e IsatM2M e comprou da TransCore as operações da GlobalWave. A Inmarsat recebeu o Prêmio MacRobert de 2010 pelo serviço Broadband Global Area Network, o BGAN.

No início, a Inmarsat prestava seus serviços com os satélites Marisat, lançados pela Marinha dos Estados Unidos, e MARECS, lançados pela Agência Espacial Europeia. No começo da década de 1990, a empresa lançou sua primeira constelação de satélites própria, a Inmarsat-2. Esses satélites prestavam o serviço Inmarsat-A para uso marítimo. Entre 1996 e 1998 foi lançada a segunda constelação da empresa, a Inmarsat-3. Seus cinco satélites geoestacionários de banda L prestavam os serviços Inmarsat-B e Inmarsat-C, usados sobretudo para comunicações de baixa largura de banda e serviços de segurança na navegação mundial. Depois da privatização de 1999, a Inmarsat criou e lançou o BGAN, primeiro sistema de comunicação por satélite com cobertura mundial. O serviço usava inicialmente três satélites Inmarsat-4 lançados entre 2005 e 2008. O Alphasat ampliou o sistema em 2013.

Na década de 2010, a Inmarsat começou a desenvolver a constelação de satélites de alto rendimento Global Xpress, que opera na banda Ka. Lançada em 2015, ela oferece capacidade mundial de comunicação por satélite a mercados como os de navegação e aviação. O Global Xpress ampliou as operações comerciais da Inmarsat no mercado aeronáutico. Em 2017, a empresa lançou seu primeiro satélite de banda S, destinado a oferecer acesso à internet em voos pela Europa em conjunto com uma rede terrestre LTE. Em março de 2018, a Inmarsat e a Isotropic Systems firmaram uma parceria para desenvolver uma antena avançada de varredura totalmente eletrônica para uso com a rede Global Xpress.

Em 20 de setembro de 2018, a Inmarsat anunciou uma colaboração estratégica de dez anos com a Panasonic Avionics Corporation para oferecer banda larga a companhias aéreas comerciais. A empresa seria a fornecedora exclusiva da Panasonic para conexões pelo sinal de satélite em banda Ka. A Inmarsat também passaria a oferecer o portfólio de serviços da Panasonic a seus clientes da aviação comercial.

Compra pela Connect Bidco e nova privatização Em março de 2019, o conselho de administração da Inmarsat decidiu recomendar uma oferta de compra de US$ 3,4 bilhões feita pela Connect Bidco, consórcio formado pela Apax Partners, Warburg Pincus, CPP Investment Board e Ontario Teachers' Pension Plan. Em 9 de outubro, a Bloomberg informou que o governo britânico se preparava para aprovar a compra e que a consulta final sobre o negócio terminaria em 24 de outubro de 2019.

Em novembro de 2019, a Inmarsat rejeitou uma tentativa de última hora de impedir a venda por US$ 6 bilhões, depois de ser acusada de ignorar uma possível valorização da empresa. A Oaktree sustentava que a oferta recomendada pela Inmarsat não levava em conta o valor potencial dos ativos de espectro usados pela Ligado, parceira da Inmarsat nos Estados Unidos. Os fundos de private equity assumiram o controle da empresa em 5 de dezembro de 2019, quando suas ações deixaram de ser negociadas na Bolsa de Valores de Londres. A Inmarsat operava então 14 satélites de comunicações geoestacionários.

Aquisição pela Viasat Em 8 de novembro de 2021, os proprietários da Inmarsat, liderados por Apax e Warburg Pincus, anunciaram um acordo de US$ 7,3 bilhões com a Viasat. A Viasat pagaria US$ 850 milhões em dinheiro, emitiria cerca de 46 milhões de ações e assumiria US$ 3,4 bilhões em dívidas. A Viasat prometeu cumprir o compromisso assumido pelos proprietários anteriores, quando a Inmarsat passou ao controle privado em 2019, de que a empresa permaneceria sediada no Reino Unido. A promessa também abrangia outros investimentos planejados.

A Competition and Markets Authority do Reino Unido deu aprovação provisória à fusão em março de 2023, e marcou 25 de maio de 2023 como data da decisão formal. A aquisição foi concluída em 31 de maio de 2023.

Operações A sede da Inmarsat fica perto da Old Street Roundabout, no distrito londrino de Islington. A Inmarsat também oferece gratuitamente o Sistema Global de Socorro e Segurança Marítima, o GMDSS, a navios e aeronaves como serviço público.

Os serviços abrangem chamadas de voz tradicionais, sistemas de rastreamento de dados de baixa velocidade, internet de alta velocidade, outros serviços de dados, socorro e segurança. A rede BGAN presta serviços semelhantes aos de GPRS, com velocidades de até 800 kbit/s e latência de 900 a 1.100 ms, por meio de um modem de satélite com IP do tamanho de um computador portátil. A rede Global Xpress oferece até 50 Mbit/s, com latência de 700 ms, usando antenas com apenas 60 cm. Outros serviços oferecem a RDSI móvel, usada por veículos de comunicação em transmissões ao vivo por videofone, e acesso à internet em voos pela European Aviation Network.

O preço de uma chamada pela Inmarsat caiu a um nível comparável, e em muitos casos inferior, ao do roaming internacional ou das chamadas telefônicas feitas em hotéis. A tarifa de voz é a mesma em qualquer lugar atendido pelo serviço. As tarifas das chamadas para os códigos de país da Inmarsat dependem do país de origem. A empresa usa principalmente o código 870. Os serviços mais recentes usam uma tecnologia IP com conexão permanente, na qual os usuários pagam pelo volume de dados enviado e recebido, e não pelo tempo de conexão. A Inmarsat também mantém um acordo de colaboração com a ACeS para serviços de voz em aparelhos portáteis.

Cobertura miniaturadaimagem|direita|Sede mundial da Inmarsat, no número 99 da City Road, em Londres. Fotografia de janeiro de 2006.

Cada satélite Inmarsat-4 oferece três tipos de cobertura.

Cobertura por feixe global Cada satélite dispõe de um único feixe que cobre até um terço da superfície terrestre, com exceção dos polos. A cobertura dos feixes globais se estende das latitudes 82° sul a 82° norte, sem depender da longitude.

Cobertura por feixe pontual regional Cada feixe regional cobre uma fração da área atendida por um feixe global. Juntos, porém, todos os feixes regionais cobrem quase a mesma área que os feixes globais. O uso de feixes regionais permite que os terminais do usuário, também chamados de estações terrestres móveis, operem com antenas muito menores. Esses feixes foram introduzidos com os satélites I-3. Cada I-3 oferece de quatro a seis feixes pontuais, e cada I-4 oferece 19 feixes regionais.

Cobertura por feixe pontual estreito Os três satélites Inmarsat-4 oferecem feixes estreitos, que permitem o uso de antenas ainda menores e taxas de dados muito mais altas. Eles sustentam os serviços portáteis GSPS e de banda larga BGAN da Inmarsat. Essa cobertura foi introduzida com os satélites I-4, e cada um deles oferece cerca de 200 feixes pontuais estreitos.

Global Xpress, I-5 Os satélites Inmarsat I-5 cobrem a maior parte das regiões habitadas do planeta por meio de quatro satélites geoestacionários. Cada satélite comporta 89 feixes e cobre aproximadamente um terço da superfície terrestre. Há ainda seis feixes direcionáveis por satélite, que podem ser movidos para aumentar a capacidade em locais escolhidos.

Em 26 de novembro de 2019, um Ariane 5 lançou do Centro Espacial da Guiana o primeiro satélite destinado a ampliar a constelação Global Xpress original, formada por quatro satélites de primeira geração.

Satélites miniaturadaimagem|direita|Satélite GX5