Terrorismo nuclear indica a utilização ou a ameaça de utilização de material radioativo, armas radiológicas ou mesmo armas nucleares, em atos de terrorismo, incluindo ataques a locais onde estejam presentes esses materiais. Algumas definições de terrorismo nuclear incluem a sabotagem de uma instalação nuclear e/ou a detonação de um dispositivo radiológico, coloquialmente chamado de "bomba suja", mas ainda não há consenso. Em termos legais, o terrorismo nuclear é uma crime cometido quando um grupo ou pessoa sem permissão intencionalmente "usa de qualquer tipo de material radioativo ... com a intenção de causar a morte ou ferimentos graves; ou com a intenção de causar danos substanciais à propriedade ou ao meio ambiente; ou com a intenção de obrigar uma pessoa singular ou uma coletividade, uma organização internacional ou um Estado a fazer ou deixar de fazer um ato", de acordo com a Convenção Internacional para a Supressão de Atos de Terrorismo Nuclear, feita em 2005 pelas Nações Unidas.
A possibilidade de que organizações terroristas usem armas nucleares (especialmente as muito pequenas) tem sido uma ameaça retórica e cultura norte-americana. É considerado plausível que terroristas possam adquirir uma arma nuclear.
Em 2011, a agência de notícias britânica, a Telegraph, recebeu documentos vazados pelo WikiLeaks sobre os interrogatórios feitos na Base Naval da Baía de Guantánamo em Khalid Sheikh Mohammed. Os documentos possuem citações de Khalid que diziam que, se Osama bin Laden for capturado ou morto pela Coalizão da Boa-Vontade, uma célula adormecida da al-Qaeda iria detonar uma "arma de destruição em massa" em um "local secreto" na Europa, e prometeu que seria ser "uma catástrofe nuclear".
No entanto, apesar de alguns relatos de roubos e tráfico de pequenas quantidades de material físsil (todos de baixa preocupação, inferior a categoria III de material nuclear especial), mas não há provas credíveis de que qualquer grupo terrorista jamais tenha conseguido obter a massa crítica necessária de plutônio de material físsil de categoria I necessária para produzir uma arma nuclear.Matthew Bunn. Preventing a Nuclear 9/11 Issues in Science and Technology, Winter 2005, p. v.Ajay Singh. Nuclear terrorism — Is it real or the stuff of 9/11 nightmares? UCLA Today, 11 de fevereiro de 2009.
Durante as escaramuças armênio-azerbaijana de 2020, o Azerbaijão ameaçou lançar ataques com mísseis à usina Central nuclear de ArmeniaAzerbaijani MoD: Our army’s missile systems allows to hit Metsamor nuclear power plant with high accuracyAzerbaijani Defence Ministry: Azerbaijan able to deliver a precise strike on Metsamor Nuclear Power Plant"Modern missile systems of Azerbaijan enable us to blast Metsamor NPP".
Aquisição Em 2018, José Furtado realizou uma avaliação da ameaça sobre a intenção e a capacidade de um grupo terrorista adquirir uma arma nuclear e utilizá-la contra uma cidade americana ou europeia e, mais em concreto, contra Lisboa. Concluiu que o uso de armas nucleares é uma consequência natural da escalada ilimitada que ocorre sempre que se trava uma luta existencial entre o bem absoluto (nós) e o mal absoluto (eles), uma mentalidade típica dos grupos terroristas religiosos/escatológicos. Esta escalada ilimitada já foi prevista e planeada por três grupos terroristas religiosos/apocalípticos nos últimos anos: Aum Shinrikyo, Al-Qaeda e o «Estado» Islâmico. Relativamente à capacidade de um grupo terrorista construir uma arma nuclear, concluiu que o cenário de fornecimento de combustível nuclear Urânio 235 (235U) ou Plutónio 239 (239Pu) por uma nação nuclear é possível sob certas condições de segurança e estratégicas, enquanto o roubo de uma arma nuclear completa é também possível em países como o Paquistão, com um elevado grau de fanatismo fundamentalista enraizado em toda a sociedade e, por isso, capaz de infiltrar e subverter qualquer sistema de segurança, em todos os níveis.
Impacto físico e humano O impacto da detonação de uma arma nuclear numa cidade seria catastrófico, provocando a morte e ferimentos de milhares de pessoas e a destruição das infra-estruturas urbanas. Num artigo publicado em 2021, José Furtado examinou mais detalhadamente qual seria o impacto físico e humano de um ataque terrorista nuclear contra a cidade de Lisboa. A abordagem passou pela análise dos resultados quantitativos obtidos com o programa NUKEMAP, simulando a realidade física de uma detonação nuclear, aplicada à zona de Lisboa.
Ver também Atentado terrorista
Ligações externas Nuclear Terrorism publications from Harvard Kennedy School faculty and fellows What if the terrorists go nuclear?, Center for Defense Information Preventing Catastrophic Nuclear Terrorism, Council on Foreign Relations
Categoria:Armas nucleares Categoria:Terrorismo