Rock (ou roque)Dicionário escolar da língua portuguesa: Academia Brasileira de Letras. 2ª edição. São Paulo. Companhia Editora Nacional. . 2008. p. 1 142. é um termo abrangente que define um gênero musical de música popular que se desenvolveu durante e após a década de 1950. Suas raízes remontam ao rock and roll clássico, um estilo que se inspirou nos gêneros musicais afro-americanos do blues e do rhythm and blues, bem como na música country. O rock também foi fortemente influenciado por gêneros como o blues elétrico e o folk, e incorporou influências do jazz e de outros outros estilos que emergiram e se definiram nos Estados Unidos no final dos anos 1940 e início dos anos 1950. Todas estas influências foram combinadas em uma estrutura musical simples baseada no blues que era "rápida, dançável e pegajosa".
No final da década de 1960 e início dos anos setenta, o rock desenvolveu diferentes subgêneros. Quando foi misturado com a folk music ou com o blues ou com o jazz, nasceram o folk rock, o blues-rock e o jazz-rock, respectivamente. Na década de 1970, o rock incorporou influências de gêneros como a soul music, o funk e de diversos ritmos de países latino-americanos. Ainda naquela década, o rock gerou uma série de outros subgêneros, tais como o soft rock, o glam rock, o heavy metal, o hard rock, o rock progressivo e o punk rock. Já nos anos oitenta, os subgêneros que surgiram foram a new wave, o punk hardcore e rock alternativo. E, na década de 1990, os subgêneros criados foram o grunge, o britpop, o indie rock e o nu metal.
O som do rock, muitas vezes, gira em torno da guitarra elétrica ou do violão e utiliza um forte backbeat (contratempo) estabelecido pelo ritmo do baixo elétrico, da bateria, do teclado, e outros instrumentos como órgão, piano, ou, desde a década de 1970, sintetizadores digitais. Junto com a guitarra ou teclado, o saxofone e a gaita, são por vezes utilizados como instrumentos solo. Em sua "forma pura", o rock "tem três acordes, um forte e insistente contratempo e uma melodia cativante".
A maioria dos grupos de rock é constituída por um vocalista, um guitarrista, um baixista e um baterista, formando um quarteto. Alguns grupos omitem uma ou mais destas funções e/ou utilizam um vocalista que toca um instrumento enquanto canta, às vezes formando um trio ou duo; outros ainda adicionam outros músicos, como um ou dois guitarristas e/ou tecladista. Mais raramente, os grupos também utilizam saxofonistas ou trompetistas e até instrumentos como violinos com cordas ou violoncelos.
Estilos do rock Início dos 1950 até 1960 Rock and roll
O rock and roll surgiu nos subúrbios dos Estados Unidos no final dos anos 1940 e início da década de 1950 e rapidamente se espalhou para o resto do mundo. No começo, o novo estilo rock sofreu várias críticas negativas e algumas positivas, mas sempre atrapalhando seus trabalhos. Muitos diziam que o "novo" rock incentivava o satanismo. Suas origens imediatas remontam a uma mistura entre blues e country, mas com influência de vários gêneros musicais com o rhythm and blues. Em 1951, na cidade de Cleveland (no Estado do Ohio), o discotecário Alan Freed começou a tocar a mistura de blues, country e rhythm and blues para uma plateia multirracial e a ele é creditado a primeira utilização da expressão "rock and roll" para descrever a música.150px|thumb|esquerda|Chuck Berry
thumb|150px|Elvis, o "Rei do Rock", em Jailhouse Rock (1957)
Há muita discussão sobre qual deveria ser considerada a primeira gravação rock & roll. Big Joe Turner teria sido um dos precursores em um álbum fr 1939, Roll 'Em Pete, que é muito próximo ao do rock and roll dos anos cinquenta, bem como Sister Rosetta Tharpe, que obteve sucessos nas paradas pop em 1938 com suas canções gospel como This Train e Rock Me, e em 1940 com Strange Things Happenin' Every Day, Up Above My Head, e Down by the Riverside.M. Campbell, ed., Popular Music in America: And the Beat Goes on (Cengage Learning, 3rd edn., 2008), p. 99.G. F. Wald, Shout, Sister, Shout!: The Untold Story of Rock-and-Roll Trailblazer Sister Rosetta Tharpe (Beacon Press, 2008). Outros registros importantes da década de 1940 e da década de 1950 foram Good Rocking Tonight de Roy Brown (1947), Move It On Over de Hank Williams (1947), Chicken Shack Boogie de Amos Milburn (1947), Rock the Joint de Jimmy Preston (1947), Boogie Woogie Dream de Albert Ammons, The Fat Man de Fats Domino (1949) e How High the Moon de Les Paul e Mary Ford (1951).M. Dean, Rock N Roll Gold Rush: A Singles Un-Cyclopedia (Algora Publishing, 2003), pp. 38, 237-8.A. F. Moore, The Cambridge companion to blues and gospel music (Cambridge: Cambridge University Press, 2002), pp. 71-2.R. Coleman, Blue Monday: Fats Domino and the Lost Dawn of Rock 'n' Roll (Da Capo Press, 2007), p. 61.D. Tyler, Music of the postwar era (Greenwood Publishing Group, 2008), pp. 38-9.
Uma forte candidata é "Rocket 88", de Jackie Brenston e os Delta Cats (na verdade, Ike Turner e sua banda The Kings of Rhythm), gravada e lançada pela Sun Records de Sam Philips em 1951. Quatro anos depois, em 1955, "Rock Around the Clock" de Bill Haley se tornou a primeira canção de rock and roll a chegar ao topo da parada de vendas e execuções da revista Billboard e abriu caminho mundialmente para esta nova onda da cultura popular. Mas uma edição da revista Rolling Stone de 2004 argumentou que "That's All Right", de 1954, o primeiro single de Elvis Presley (com Scotty Moore na guitarra e Bill Black no baixo) para a Sun Records em Memphis foi o primeiro registro de rock and roll na história e a criação do som rockabilly" característico da Sun Records. Mas, àquela altura, "Shake, Rattle and Roll" de Big Joe Turner, posteriormente regravada por Haley, já estava no topo da parada R&B da Billboard. Outros artistas que lançaram os primeiros sucessos do rock and roll foram Chuck Berry, Bo Diddley, Fats Domino, Little Richard, Jerry Lee Lewis e Gene Vincent.M. Campbell, ed., Popular Music in America: And the Beat Goes on (Cengage Learning, 3rd edn., 2008), pp. 157-8.
A década de 1950 assistiu ao crescimento da popularidade da guitarra elétrica e o desenvolvimento de um estilo de rock and roll especificamente tocado por expoentes tais como Berry, Link Wray e Scotty Moore.J. M. Curtis, Rock Eras: Interpretations of Music and Society, 1954–1984 (Madison, WI: Popular Press, 1987), ISBN 0-87972-369-6, p. 73.
Também viu grandes avanços na tecnologia de gravação, como a gravação multi-faixas desenvolvida por Les Paul e o tratamento eletrônico de sons por produtores musicais inovadores como Joe Meek. Todos estes avanços foram fundamentais para a influência do rock posteriormente.
Os efeitos sociais do rock and roll foram massivos e mundiais. Muito além de um simples estilo musical, o rock and roll influenciou estilos de vida, moda, atitudes e linguagem. Alguns acreditam que o novo gênero pôde ter ajudado a causa do movimento dos direitos civis nos EUA, porque tanto jovens brancos quanto negros apreciavam a nova música. No entanto, até o início da década de 1960, grande parte do impulso inicial musical e do radicalismo social do rock and roll tinha se dissipado, com o crescimento de ídolos teen, uma ênfase nas danças frenéticas e o desenvolvimento de uma leve música pop adolescente. Nos anos 1960 surgiu o som da Motown. De 1961 a 1971, havia 110 músicas da gravadora na listas das 10 mais tocadas, e artistas como Stevie Wonder, Marvin Gaye, The Supremes, The Four Tops, e The Jackson 5, todos gravaram na Motown. Todos os cinco artistas da Motown foram introduzidos no Rock and Roll Hall of Fame.
Surf music
O rockabilly influenciou um som selvagem e principalmente instrumental chamado surf music - apesar da cultura surf ser concorrente do pop rock. Este estilo, que tem, como grandes exemplos, Dick Dale e os The Surfaris nos EUA e os Shadows, caracterizou-se por tempos musicais rápidos, percussão inovadora e sons de guitarra com reverbs e ecos. Grupos da Costa Oeste norte-americana como The Beach Boys e Jan and Dean reduziram a velocidade dos tempos musicais e adicionaram harmonias vocais que criaram aquilo que ficaria conhecido como o "California Sound".J. Blair, The Illustrated Discography of Surf Music, 1961–1965 (Ypsilanti, MI: Pierian Press, 2nd edn., 1985), ISBN 0-87650-174-9
Era de Ouro (1963-1974)
thumb|190px|The Beatles
No Reino Unido, o movimento trad jazz levou muitos artistas do blues a visitar o país. Enquanto estava desenvolvendo o Concorde, o sucesso "Rock Island Line", de Lonnie Donegan, em 1955, foi a principal influência e ajudou a desenvolver uma nova tendência de grupos musicais de skiffle em todo a Grã-Bretanha, incluindo os Beatles. Foi em solo britânico que se desenvolveu uma grande cena rock and roll, sem as barreiras raciais que mantiveram a "gravações de raça" ou rhythm and blues separados nos Estados Unidos.
Cliff Richard emplacou o primeiro sucesso britânico de rock 'n' roll com "Move It", que efetivamente inaugurou o rock britânico. No início da década de 1960, o seu grupo de apoio The Shadows foi um dos vários grupos a obter sucessos instrumentais. Enquanto o rock 'n' roll caminhava em direção a um pop leve e a baladas fora de moda, grupos de rock britânicos, fortemente influenciados por pioneiros do blues-rock como Alexis Körner, tocavam cada vez mais em clubes e bailes locais e se distanciava do rock and roll norte-americano.
Até o final de 1962, a cena do rock britânico tinha ganhado grupos como The Beatles debruçados sobre um vasto leque de influências que incluíam a soul music, o rhythm and blues e a surf music. Inicialmente, eles reinterpretaram sucessos-padrão norte-americanos, tocados para dançarinos de twist, por exemplo. Esses grupos acabaram introduzindo em suas composições originalidade, som distinto e conceitos musicais cada vez mais complexos. Em meados de 1962, os Rolling Stones foram um dos numerosos grupos surgidos e que mostravam uma influência blues cada vez maior, juntamente com os Animals e os Yardbirds. No fim de 1964, as bandas The Kinks, The Who e The Pretty Things. Perto do final da década, grupos de rock britânico com influencia das subculturas Mod e Hippie, começaram a explorar estilos musicais psicodélicos.
Garage rock
A Invasão Britânica gerou uma onda de imitadores que tocavam principalmente para audiências locais e fizeram gravações baratas, que mais tarde seria chamado de "garage rock" (rock de garagem). Algumas canções desta tendência foram incluídas na coletânea musical Nuggets. Dentre algumas das bandas mais conhecidas deste subgênero, estão The Sonics, Question Mark & the Mysterians e The Standells.
Power pop
A Invasão Britânica também gerou uma outra onda de imitadores no início dos anos 1970, porém desprovidos da violência e do descontrole da maioria das bandas de garagem. Da união entre as harmonias de algumas músicas dos Beatles e Beach Boys e o peso do The Who surgiu o power pop. Como não diferiam muito dos artistas que imitavam, raramente chegaram às grandes plateias, que estavam mais interessadas no experimentalismo da época. Dentre as primeiras bandas e artistas citam-se Badfinger, Raspberries, Big Star e Emitt Rhodes.
Movimentos contraculturais No final da década de 1950, o movimento beatnik foi associado ao movimento antiguerra surgido contra a nuclearização do planeta, especialmente o britânico Campaign for Nuclear Disarmament. Ambos foram associados à cena jazz e ao crescimento do movimento da música folk.
Folk rock
thumb|200px|Bob Dylan e Joan Baez
A cena folk foi feita de amantes da folk music que gostavam de instrumentos acústicos, de canções tradicionais e de blues com uma mensagem socialmente progressista. O cantor Woody Guthrie é considerado o pioneiro deste subgênero. Bob Dylan encabeçou o movimento musical e levou a um grande público canções como "Blowin' in the Wind" e "Masters of War", chamadas de "canções de protesto".