thumb|Trabalhadores recolhem peixe de uma exploração no Mississippi. Aquacultura ou aquicultura é o ramo da Zootecnia que estuda a produção racional de organismos aquáticos, como peixes, moluscos, crustáceos, anfíbios, répteis e plantas aquáticas para uso das sociedades. Os peixes de aquacultura são alimentados de ração. As primeiras atividades de aquacultura realizaram-se há muito tempo, existindo registros de que os chineses já a conheciam vários séculos antes de nossa era e de que os egípcios já criavam a tilápia-do-nilo (Sarotherodon niloticus) há 4000 anos.
De acordo com estudos, a produção de peixes através de aquicultura triplicou entre 1995 e 2007. Até o final da primeira década do século XXI, a aquacultura era responsável pela produção da metade do peixe consumido pela população mundial. Atualmente, dos 160 milhões de toneladas de produtos do mar que acabam sendo consumidos a cada ano, 50% vem da aquicultura.
Tipos Piscicultura: criação de peixes, em água doce, água salobra ou água marinha; Carcinicultura: criação de camarões e lagostas; Maricultura: aquacultura em água salgada; Malacocultura: criação de moluscos (caramujos, chocos, lulas e polvos); Mitilicultura: criação de mexilhão; Ostreicultura: criação de ostras; Pectinicultura : criação de vieiras; Algicultura: cultivo de algas; Ranicultura: criação de rãs;
Vantagens e benefícios De acordo com a FAO (Food and Agricultural Organization), órgão das Nações Unidas responsável pelo estudo dos problemas de alimentação no mundo, um hectare cultivado com peixes produz mais do que com qualquer outro animal. Enquanto os mamíferos dependem das características do ar para a sua respiração e manutenção da temperatura corporal, o peixe flutua, se locomove e regula sua temperatura interna com muito mais facilidade em virtude da densidade do seu corpo ser praticamente igual à da água. Dessa forma, os peixes despendem muito pouca energia para a flutuação, locomoção e manutenção de sua temperatura interna, o que lhes garante uma maior conversão da energia contida nos alimentos que consomem em carne, alcançando uma altíssima produtividade. Por isso, a aquacultura assume importância cada vez maior no panorama do abastecimento alimentar mundial.
A aquacultura também oferece vantagens sociais às populações de inúmeros países onde o pescado marinho não pode chegar em boas condições sanitárias e a preços razoáveis.
Surge de uma forma ainda bastante pioneira um pouco por todo o mundo, a aquacultura em mar aberto ou offshore. Para os peixes o cultivo é realizado através de jaulas flutuantes, que podem ser de superfície ou submersíveis, dependendo do hidrodinamismo do local. Relativamente aos moluscos bivalves o cultivo é feito através de long-lines. Em Portugal Continental, foi delimitada em 2009 a primeira Área de Produção Aquícola (APA), denominada de Área Piloto de Produção Aquícola da Armona (APPAA), situada em Olhão, no Algarve, ao largo da ilha da Armona. Portugal devido ao seu contexto geográfico, histórico e económico revela grandes potencialidades para a expansão da aquacultura em mar aberto.
Aquicultura no Brasil No Brasil, a maior parte das atividades aquícolas é praticada em propriedades rurais comuns.
Na grande maioria, essas fazendas são dotadas de açudes ou represas. A atividade agropecuária normal de uma fazenda produz uma série e quantidades variáveis de subprodutos que de maneira geral não são aproveitados, principalmente quanto à sua possível transformação em proteínas para consumo humano: capins, frutos passados, palhas diversas, varreduas de depósitos de rações, camas de estábulos e galinheiros, águas servidas de estábulos, pocilgas, pequenos matadouros, resíduos de biodigestores, etc, que os peixes em cativeiro aproveitam integralmente. Além disso, pode acrescentar-se água servida em laticínios e o bagaço ou torta de filtragem da cana-de-açúcar, entre outros subprodutos de usinas de açúcar e álcool.
Utilizando pouca mão-de-obra, a piscicultura nos açudes e represas não conflita com as demais atividades desenvolvidas numa fazenda. Pelo contrário, é um complemento muito proveitoso, dado que tem a característica básica de reciclar subprodutos e resíduos, transformando-os em proteína animal.
No Brasil, as espécies indígenas de valor comercial, o pacuguaçu (Colossoma mitrei), o dourado (Salminus maxillosus), o tambaqui (Colossoma macropomum), o pintado (Pseudoplatystoma corruscans), entre outros, não se reproduzem em tanques. São as chamadas espécies de piracema, que dependem da injeção de hormônios naturais e sintéticos para a reprodução. Essa técnica tem se popularizado rapidamente.
O desenvolvimento da piscicultura brasileira teve por base as espécies exóticas que se reproduzem em tanques e permitem o cultivo controlado. É o caso da tilápia comum, tilápia-do-nilo, entre outros. Só em 2020, o Brasil produziu 486.155 toneladas de peixes da espécie. A migração da base de produção para as espécies de piracema é relativamente recente, sendo posterior à Década de 1970. Bem como o tambaqui, espécie amplamente cultivada no estado de Roraima.
As tilápias e as carpas são as espécies mais adequadas para criação em represas e açudes das propriedades rurais, devido à sua rusticidade. As espécies carnívoras, como o trairão e o tucunaré devem ser utilizadas apenas como auxiliares no controle do excesso de reprodução das tilápias, não se recomendando sua criação isolada. A inserção de espécies carnívoras é benéfica para melhorar a qualidade do peixe obtido, que cresce mais em menos tempo. No entanto, a inserção deve ser feita com muito cuidado, pois pode causar sérios problemas ecológicos caso haja fugas das espécies carnívoras para os rios locais.
A adubação das águas é um dos aspectos mais importantes da criação de peixes em cativeiro, representando o enriquecimento das águas. Pode ser feito de várias maneiras. Se for possível, as águas usadas para lavar estábulos e pocilgas devem ser levadas para os açudes, desde que não causem poluição do meio aquático por excesso de volume. Sua presença em pequenas quantidades propiciará o incremento da produção natural de plâncton. Além de fertilizarem a água, os estercos são também diretamente ingeridos pelos peixes. De uma maneira geral, pode usar-se o esterco de curral na proporção de duas toneladas por hectare, duas vezes ao ano.
Os adubos químicos também podem ser utilizados, embora não apresentem resultados tão bons quanto os orgânicos, preferencialmente associados ao esterco para a obtenção de melhores resultados.
Na região de Campos do Jordão, há grande produção de trutas. A truta brasileira ganha mais peso que as correspondentes americanas e japonesas, além de sabor característico.
Portanto, as propriedades agrícolas providas de açudes apresentam um potencial bastante grande para a produção perene de peixe de alta qualidade e a custos baixos.
Produção aquícola em Portugal e a sua evolução Em Portugal a aquacultura é uma atividade primária e relativamente recente. O peso da aquacultura nacional no fornecimento de pescado ao mercado português é ainda muito baixo. Em 2011 a produção nacional atingiu as 9166 toneladas.INE I.P. - Estatísticas da Pesca 2012 - 2013, Lisboa - Portugal Cerca de 8051 toneladas foram produzidas em águas marinhas ou salobras. Deste total foram produzidas 4056 toneladas de peixe e 3545 toneladas de moluscos. As águas interiores completam a restante produção com 1115 toneladas produzidas.
Em termos históricos, antes da entrada na CEE/UE o sector caracterizava-se pela produção de truta, em regime intensivo nas águas interiores, dourada, robalo e bivalves, em regime extensivo nas zonas estuarinas. Na década de 60 surgiu a primeira piscicultura industrial nas margens do rio Coura. Após entrada na CEE/UE em 1986 dá-se início à instalação de novas unidades aquícolas, de pequena dimensão, em regime semi-intensivo de dourada e robalo, levando ao aumento da produção até às 7000 toneladas. No entanto, a produção fica estagnada, devido às dificuldades de Licenciamento, falta de apoios tecnológicos, falta de “know-how” dos empresários aquícolas, deficientes estratégias comerciais, falhas estruturais dos métodos de produção e falta de critérios na aplicação dos Fundos Comunitários, culminando na inviabilidade económica de muitas das novas unidades. A elevada concorrência com outros países produtores, implicou uma redução da produção nacional de dourada e robalo no período 2007 - 2011. Nesse mesmo período surgiu a produção de peixes planos, iniciando-se igualmente a promoção da aquacultura Offshore.
Localização dos estabelecimentos aquícolas Em 2011 o número de estabelecimentos licenciados foi de 1570 (cerca de 91% correspondendo ao sistema de produção extensivo de bivalves). No entanto, o número de estabelecimentos ativos foi ligeiramente inferior (1475). A maioria dos estabelecimentos encontra-se localizada na faixa litoral, desde a Póvoa de Varzim até Castro Marim, pois são as espécies marinhas que mais contribuem para a produção nacional (cerca de 88%). As pisciculturas de água doce localizam-se nos cursos de água e albufeiras da região Centro/Norte e Norte do País.
Espécies produzidas De acordo com a última publicação do Instituto Nacional de Estatística, o pregado contribuiu com cerca de 35% da produção total aquícola em 2011 (3197 toneladas). Seguiu-se a amêijoa-fina com 26% (2339 toneladas), a truta arco íris com 12%, ostra e dourada com 9% e o robalo com 5%. O linguado, a corvina (Argyrosomus regius), o mexilhão e a camarinha (Palaemonetes varians) são outras espécies produzidas em Portugal, embora em menores quantidades. É esperado um aumento significativo na produção de mexilhão e linguado durante os próximos anos.
Sistemas de produção em Portugal Portugal assume-se como um país onde pontifica a diversidade. Assim, praticamente todos os sistemas de produção existentes estão representados em Portugal: intensivo em estruturas flutuantes; extensivo de bivalves inshore e offshore; extensivo, semi-intensivo e intensivo de peixes inshore. O sistema de produção extensivo é o que conta com o maior número de estabelecimentos em Portugal, uma vez que existem muitos micro produtores de bivalves na Ria Formosa e Ria de Aveiro. A produção semi-intensiva é quase exclusiva para a produção de dourada e robalo, enquanto que a produção intensiva aplica-se, principalmente, na produção de peixes achatados (linguado e pregado) e de truta arco íris (águas interiores).
Águas interiores A aquacultura em águas interiores é feita exclusivamente no sistema intensivo, quer em tanques quer em estruturas flutuantes. Os ovos ou juvenis são adquiridos em maternidades e os peixes criados até atingirem um tamanho comercial. Na produção em tanques, existem duas técnicas: o escoamento contínuo (os tanques são alimentados pela água do rio a montante e restituem-lha a jusante) e a recirculação (a água mantém-se em circuito fechado e é reciclada a fim de poder «recircular» nos tanques). Os sistemas em recirculação são mais onerosos (energia), mas permitem um melhor controlo das condições de criação (temperatura, oxigénio) e da qualidade da água.A Pesca e a Aquicultura na Europa, nº56 Junho 2012 - Comissão Europeia Em Portugal ainda não está implementado qualquer sistema de recirculação em água doce. As principais zonas de produção e com maior potencial são as albufeiras de barragens e troços de rio com água frias em quantidade e qualidade. A área geográfica de localização compreende o Centro/Norte e Norte do País. Atualmente, a principal espécie produzida é a truta arco íris, existindo um potencial para o achigã e enguia.
Aquacultura em esteiro