O Terceiro Kryptoniano () é um arco de história publicado entre setembro e novembro de 2007 pela DC Comics, uma empresa ligada ao grupo Time Warner. Escrita por Kurt Busiek e desenhada por Rick Leonardi, a história foi publicada em três partes nas edições 668, 669 e 670 da revista Superman e faz parte de uma série que Busiek produziria ao lado de Geoff Johns entre 2006 e 2008, após o evento Crise Infinita para, ao mesmo tempo que davam continuidade à história de Superman, caracterizando-o como alguém que já atuava como super-herói há mais de uma década, incluíam referências inéditas aos primeiros anos de sua vida, reincorporando ao cânone elementos da mitologia do personagem que haviam sido eliminados por outros escritores anteriormente.

A trama de O Terceiro Kryptoniano dá continuidade a um tema introduzido anteriormente em Back in Action, história também escrita por Busiek e publicada na revista Action Comics o ano anterior: a existência de um "terceiro kryptoniano" no planeta Terra, além de Superman e Supergirl. Dentre o elenco, está o personagem Chris Kent, um kryptoniano que veio ao planeta na história O Último Filho, publicada em Action Comics após Back in Action e escrita por Johns. A presença de Chris e o atraso na publicação da conclusão não apenas de O Último Filho, mas também de A Queda de Camelot - outra história de Busiek em que o personagem também aparecia - fez surgir questionamentos sobre a ordem cronológica dos diferentes eventos narrados pelos autores.

Dentro da continuidade estabelecida, a história se situa durante os eventos de O Último Filho, mas após A Queda de Camelot, antecedendo as demais histórias de Busiek que trouxeram Chris no elenco, A Rainha Inseto e Sombras Prolongadas. Os eventos narrados em O Terceiro Kryptoniano e nessas histórias antecedem ainda outras significativas histórias que foram publicadas em Action Comics entre 2007 e 2008: 3-2-1 Action, escrita por Busiek; Fuga do Mundo Bizarro e Superman e a Legião de Super-Heróis, escritas por Johns.

Antecedentes e contexto

Superman surgiu na década de 1930, mas foi a partir da metade final da década de 1950 que muitos dos elementos mais fantásticos comumente associados ao personagem foram introduzidos em sua mitologia. Naquela época, o editor responsável pelas histórias era Mort Weisinger, e ele tinha como hábito conversar com as crianças que liam as revistas do personagem para perguntá-las o que gostariam de ver nas próximas edições - é desse relacionamento que teriam surgido personagens como a Supergirl e Krypto, o Super-Cão e locais como a cidade engarrafada de Kandor e a Fortaleza da Solidão. Embora populares dentre as crianças, muitos desses conceitos eram vistos como excessivamente infantis por alguns dos leitores mais velhos.DANIELS, p. 99-108

Crise nas Infinitas Terras e John Byrne Seguido a uma expressiva queda nas vendas durante a década de 1970 e a primeira metade da década de 1980, o editor Andrew Helfer recebeu da DC Comics a incumbência de escolher os escritores que trabalhariam nas revistas de Superman após a conclusão do evento Crise nas Infinitas Terras. Para as revistas de Superman, o crossover representaria o término de toda a continuidade estabelecida desde 1938. (trechos arquivados no site "Superman Through the Ages!")

Essa reformulação, promovida a partir de 1986, realizou profundas modificações em toda a mitologia do personagem. O vilão Lex Luthor, por exemplo, deixou de ser caracterizado como um "cientista louco" e passou a ser apresentados nas histórias como um empresário corrupto dono de diversas empresas na cidade de Metrópolis.EURY, p. 185 A heroína Supergirl, por sua vez, foi completamente ignorada pela nova continuidade uma vez que a intenção era determinar que Superman era o único sobrevivente da destruição do planeta Krypton. No processo, uma nova origem e caracterização para Superman foi elaborada a partir da minissérie The Man of Steel e das histórias publicadas entre 1986 e 1988.

Como parte dessa reformulação, toda a linha de revistas foi reformulada a partir de setembro de 1986: uma nova revista intitulada Superman foi lançada, com roteiros e desenhos de Byrne, e as duas outras revistas do personagem foram alteradas: a revista Superman original, mantendo sua numeração, teve seu título alterado para Adventures of Superman e passou a ser escrita por Marv Wolfman, enquanto Action Comics, também mantendo sua numeração original, passou a partir da edição 584 a ser uma revista dedicada à histórias do gênero team-up.MILLER, p.35-44COOKE, p. 45-55

As três revistas manteriam uma média de 200 mil exemplares por mês nos anos seguintes e seriam consideradas um sucesso, particularmente em reacender o interesse do público pelo personagem. Embora o trabalho de Wolfman se encerrasse em 1987 e o de Byrne, no ano seguinte, os conceitos por eles estabelecidos continuariam sendo uma forte influência nas histórias do personagem por mais de uma década. Alguns historiadores e jornalistas, entretanto, defendem que desde a reformulação promovida em 1986 Superman não era mais costumeiramente caracterizado como um herói inspirador.

Supergirl e os outros sobreviventes de Krypton

thumb|Como parte das comemorações dos 50 anos de Superman, a DC promoveu A Saga da Supergirl, escrita e desenhada por John Byrne.

Byrne afirma ter apresentado à editora o que chamou de "Lista de Exigências Indispensáveis" antes de começar a escrever The Man of Steel, apontando quais características do personagem ele entendia que precisavam ser alteradas - por exemplo, abandonar a existência de outros personagens que também teriam sobrevivido à explosão de Krypton, como Supergirl e Krypto, e elementos excessivamente fantásticos, como a Fortaleza da Solidão e a cidade engarrafada de Kandor.

Entre 1987 e 1988 a DC Comics adotou uma série de medidas para promover o aniversário de cinquenta anos da criação de Superman. Uma delas foi tomada após a revista Action Comics atingir a histórica marca de 600 edições publicadas: Byrne deixou o cargo de roteirista e desenhista e a publicação retomou o formato de antologia, adotando uma periodicidade semanal com diferentes histórias curtas toda semana. A mudança duraria apenas até o ano seguinte, e compreenderia as edições 601 à #642. Em Adventures of Superman e Superman, Byrne, o desenhista Jerry Ordway e o editor Mike Carlin elaboram uma história que apresentasse novas versões da Supergirl e do vilão General Zod, vindos de um universo alternativo.COOKE, p. 45-55

Após a Saga da Supergirl, Byrne decidiria que não mais atuaria como roteirista. Roger Stern foi contratado para substituí-lo em Superman, enquanto Ordway acumularia a função de roteirista em Adventures of Superman e o artista George Pérez assumiria Action Comics. Na primeira reunião de planejamento da equipe, enquanto Ordway e Stern discutiam a trama de Superman in Exile, Pérez sugeriria que as tramas começassem a explorar o lado kryptoniano de Superman, e a partir daí foi criado "o artefato", um aparelho que teria sobrevivido à destruição do planeta Krypton. Ganhando o nome de "Erradicador", o artefato surgiria em Action Comics Annual #2, e seria a fonte para uma série de problemas narrados em diferentes histórias do personagem, inclusive assumindo uma forma humanoide após a morte de Superman, durante a trama The Return of Superman. Em The Adventures of Superman #500, publicada em 1993, surgiria essa nova versão,MANNING, p. 259 então denominada "O Último Filho de Krypton". O Erradicador foi o responsável por resgatar o corpo de Superman e revivê-lo usando tecnologia kryptoniana,"Reign of the Supermen" e "The Return of Superman" in WALLACE (2013), p. 120-123 mas seria quase destruído pelo Superciborgue na conclusão da saga. A partir de Action Comics #693 surgiria uma nova versão do personagem, com a forma humanoide se fundindo com um cientista humano, David Connor"Eradicator" in WALLACE (2008), p. 116 e se associando com os Renegados."Eradicator" in WALLACE (2013), p. 62

Uma nova versão kryptoniana da Supergirl surgiria em 2004, durante uma trama publicada na revista Superman/Batman. O escritor Jeph Loeb e o desenhista Michael Turner apresentariam uma nova versão da personagem anteriormente introduzida na Era de Prata, Kara Zor-El, prima adolescente de Superman, que também teria sobrevivido à destruição do planeta Krypton

Histórico Produção e primeiras publicações

thumb|left|Dan DiDio, o editor-chefe da DC Comics. DiDio entendia à época de que Superman não precisava de inúmeras revistas e, cancelando Superman, manteve apenas duas revistas para o personagem: a antiga Adventures of Superman, cujo título foi reduzido para Superman, e Action Comics.

Em novembro de 2005 o editor-chefe da DC Comics, Dan DiDio, já havia anunciado que uma das três revistas de Superman seria cancelada após a conclusão de Crise Infinita. A intenção de DiDio era fazer com que a revista Adventures of Superman retomasse o seu título original e voltasse a se chamar apenas Superman. Disse: "Meu conceito é de que Batman e Superman não precisam ter inúmeras séries cada um, porque pode acabar existindo problemas entre elas. Então, cheguei ao ponto de deixar as duas mais antigas de cada um: Action Comics, Superman, Detective Comics e Batman". O cancelamento da revista chegou a ser caracterizado como "o fim de uma era" e "um evidente sinal de mudança", pois representava o fim de uma publicação iniciada pelo escritor John Byrne quando ele havia reformulado o personagem.

Em 2006 Geoff Johns, o responsável por Crise Infinita, foi anunciado como o escritor que assumiria o cargo de roteirista da revista Action Comics. Ao seu lado, inicialmente, estaria Kurt Busiek, que havia assinado um contrato de exclusividade com a editora no final de 2005, e fazer parte da nova equipe criativa responsável pelas histórias de Superman foi uma das razões que o fez aceitar a proposta. Em entrevista, Busiek declarou acreditar que "as coisas estão realmente estourando na DC, e há uma ênfase bem-vinda não só em fazer histórias que chamem a atenção, mas tornar claro que há algo importante e valoroso nas revistas que deixe o leitor fisgado por um longo período".

É a partir de Up, Up and Away! que foi apresentado aos leitores como Superman se integraria ao Universo DC após a conclusão de Crise Infinita. De acordo com a história A Queda de Camelot, publicada a partir de Superman #654, após a conclusão de Up, Up and Away!, Clark Kent já atuava como super-herói há mais de doze anos.BUSIEK, Kurt; PACHECO, Carlos; MERINO, Jesus. Superman #654. DC Comics. Publicado originalmente em julho de 2006

Busiek e Johns tinham por objetivo, em sua tramas, dar continuidade à história de Superman, mas ao mesmo tempo incluir referências inéditas aos primeiros anos de sua vida. Todo esse trabalho culminaria, em 2009, na produção de Superman: Secret Origin, uma minissérie em seis partes produzida com o intuito de contar a "história definitiva" dos primeiros anos de Superman, incorporando elementos não apenas da mitologia construída desde que John Byrne reformulara o personagem em 1986, mas também das histórias produzidas antes disso.

Além de A Queda de Camelot, Busiek seria o responsável pela produção de Back in Action, elaborada como uma continuação imediata à Up, Up and Away!. Ele havia se voluntariado para produzir a trama, com o objetivo de suprir o vácuo de três meses até o início da nova trama escrita por Johns e Richard Donner para Action Comics. Ao invés de elaborar uma trama "filler", Busiek buscou, ao lado do escritor Fabian Nicieza, apresentar uma trama que desse continuidade aos temas apresentados anteriormente em Up, Up and Away! e apresentasse alguns dos temas que seriam abordados nas histórias futuras.

A Queda de Camelot, atrasos e Chris Kent