Estética (do grego aisthésis: percepção, sensação, sensibilidade) é um ramo da filosofia que tem por objetivo o estudo da natureza, da beleza e dos fundamentos da arte. Ela estuda o julgamento e a percepção do que é considerado beleza, a produção das emoções pelos fenômenos estéticos, bem como: as diferentes formas de arte e da técnica artística; as ideias de obra, de arte e de criação; a relação entre matérias e formas nas artes. Por outro lado, a estética também pode ocupar-se do sublime, ou da privação da beleza, ou seja, o que pode ser considerado feio, ou até mesmo ridículo.

É o ramo da filosofia que preocupa-se com a natureza da beleza e a natureza do gosto (preferência); e funciona como a filosofia da arte. A estética examina a filosofia do valor estético, que é determinado por julgamentos críticos do gosto artístico; assim, a função da estética é a “reflexão crítica sobre a arte, a cultura e a natureza”. A estética estuda fontes naturais e artificiais de experiências e como as pessoas formam um julgamento sobre essas fontes de experiência. Considera o que acontece em nossas mentes quando nos envolvemos com objetos ou ambientes, como ver artes visuais, ouvir música, ler poesia, assistir a uma peça, assistir a um desfile de moda, filme, esportes ou explorar vários aspectos da natureza. A filosofia da arte estuda especificamente como os artistas imaginam, criam e executam obras de arte, bem como de que maneira as pessoas usam, apreciam e criticam a arte. A estética considera os motivo pelos quais as pessoas gostam de algumas obras de arte e não de outras, bem como de que forma a arte pode afetar nosso humor e nossas crenças. Tanto a estética como a filosofia da arte tentam encontrar respostas para o que é exatamente arte e o que constitui boa arte."Aesthetics ", Internet Encyclopedia of Philosophy, Barry Hartley Slater. Retrieved 28-02-2021.Zangwill, Nick. "Aesthetic Judgment ", Stanford Encyclopedia of Philosophy, 02-28-2003/10-22-2007. Retrieved 07-24-2008.Kelly (1998) p. ixThomas Munro, "Aesthetics", The World Book Encyclopedia, Vol. 1, ed. A. Richard Harmet, et al., (Chicago: Merchandise Mart Plaza, 1986), p. 80

Etimologia A palavra estética é derivada do grego antigo "sensível, pertencente à percepção sensorial"), que por sua vez vem de "percebo, sinto, aprendo" e está relacionado a "percepção, sensação"). Diz-se que a estética neste sentido central começou com a série de artigos sobre "Os Prazeres da Imaginação", que o jornalista Joseph Addison escreveu nas primeiras edições da revista "The Spectator" em 1712. O termo estética foi apropriado e cunhado com novo significado pelo filósofo alemão Alexander Baumgarten em sua dissertação "Meditationes philosophicae de nonnullis ad poema pertinentibus" (em inglês: "Considerações filosóficas de alguns assuntos relativos ao poema") em 1735Guyer, Paul (2005). Values of Beauty: Historical Essays in Aesthetics. [S.l.]: Cambridge University Press. ISBN 978-0521606691; Baumgarten escolheu a “estética” porque desejava enfatizar a experiência da arte como meio de conhecimento. A definição de estética de Baumgarten no fragmento Aesthetica (1750) é ocasionalmente considerada a primeira definição da estética moderna.. O termo foi introduzido na língua inglesa por Thomas Carlyle em sua Vida de Friedrich Schiller (1825).

História da Estética A história da filosofia da arte como estética que abrange as artes visuais, as artes musicais e outras formas de expressão artística pode ser datada pelo menos desde Aristóteles e dos antigos gregos. Aristóteles, escrevendo sobre literatura em sua Poética, afirmou que a poesia épica, a tragédia, a comédia, a poesia ditirâmbica, a pintura, a escultura, a música e a dança são todos fundamentalmente atos de mimesis ("imitação"), cada um variando em imitação por meio, objeto, e maneira. Ele aplica o termo mimese tanto como propriedade de uma obra de arte quanto como produto da intenção do artista e afirma que a compreensão da mimese pelo público é vital para a compreensão da própria obra. Aristóteles afirma que a mimese é um instinto natural da humanidade que separa os humanos dos animais e que toda arte humana “segue o padrão da natureza”. Por causa disso, Aristóteles acreditava que cada uma das artes miméticas possuía o que Stephen Halliwell chama de “procedimentos altamente estruturados para a realização de seus propósitos”. Por exemplo, a música imita com os meios de ritmo e harmonia, enquanto a dança imita apenas com o ritmo e a poesia com a linguagem. As formas também diferem no objeto de imitação. A comédia, por exemplo, é uma imitação dramática de homens piores que a média; enquanto a tragédia imita os homens um pouco melhor que a média. Por último, as formas diferem na sua forma de imitação – através de narrativa ou personagem, através de mudança ou não mudança, e através de drama ou não drama. Eric Auerbach ampliou a discussão da história da estética em seu livro intitulado Mimesis.

Estética e a Filosofia da Arte Alguns distinguem a estética da filosofia da arte, alegando que a primeira é o estudo da beleza e do gosto, enquanto a segunda é o estudo das obras de arte. Mas a estética normalmente considera questões de beleza e também de arte. Ele examina tópicos como obras de arte, experiência estética e julgamentos estéticos. A experiência estética refere-se à contemplação sensorial ou apreciação de um objeto (não necessariamente uma obra de arte), enquanto o julgamento artístico refere-se ao reconhecimento, apreciação ou crítica da arte em geral ou de uma obra de arte específica. Nas palavras de um filósofo: "A filosofia da arte tem a ver com arte. A estética tem a ver com muitas coisas – incluindo a arte. Mas também tem a ver com a nossa experiência de paisagens deslumbrantes ou com o padrão de sombras na parede oposta ao seu escritório. Os filósofos da arte pesam uma concepção de arte culturalmente contingente versus uma concepção puramente teórica. Eles estudam as variedades de arte em relação aos seus ambientes físicos, sociais e culturais. Os filósofos estéticos às vezes também se referem a estudos psicológicos para ajudar a entender como as pessoas veem, ouvem, imaginam, pensam, aprendem e agem em relação aos materiais e problemas da arte. A psicologia estética estuda o processo criativo e a experiência estética.Nanay, Bence. (2019) Aesthetics: A Very Short Introduction. Oxford University Press. p.4Thomas Munro, "aesthetics", The World Book Encyclopedia, Vol. 1, ed. A. Richard Harmet, et al., (Chicago: Merchandise Mart Plaza, 1986), p. 81.

Na antiguidade alt=|miniaturadaimagem|230x230px|Vênus ao espelho, de Velázquez, 1647-51 Para Aristóteles e Platão, a estética era estudada e fundida com a lógica e a ética. O belo, o agradável e o verdadeiro formavam uma unidade com a obra. A essência do belo seria alcançada identificando-o com o bom, tendo em conta os valores morais. Na Idade Média surgiu a intenção de estudar a estética independente de outros ramos filosóficos. No âmbito do Belo, dois aspectos fundamentais podem ser particularmente destacados: A estética iniciou-se como teoria que se tornava ciência normativa às custas da lógica e da moral - os valores humanos fundamentais: o verdadeiro, o bom, o belo. Centrava em certo tipo de julgamento de valor que enunciaria as normas gerais do belo (ver cânone estético); A estética assumiu características também de uma metafísica do belo, que se esforçava para desvendar a fonte original de todas as belezas sensíveis: reflexo do inteligível na matéria (Platão), manifestação sensível da ideia (Hegel), o belo natural e o belo arbitrário (humano), etc.

Mas este caráter metafísico e consequentemente dogmático da estética transformou-se posteriormente em uma filosofia da arte, onde se procura descobrir as regras da arte na própria ação criadora (Poética) e em sua recepção, sob o risco de impor construções a priori sobre o que é o belo. Neste caso, a filosofia da arte se tornou uma reflexão sobre os procedimentos técnicos elaborados pelo homem, e sobre as condições sociais que fazem um certo tipo de ação ser considerada artística.

Para além da obra de Baumgarten, Estética, são importantes as obras Hípias Maior, O Banquete e Fedro, de Platão, a Poética, de Aristóteles, a Crítica da Faculdade do Juízo, de Kant e Cursos de Estética de Hegel.

Estéticas na história e na filosofia

Embora os pensadores tenham ponderado a beleza e a arte por milhares de anos, o assunto da estética não foi totalmente separado da disciplina filosófica até o século XVIII.

Grécia Antiga 150px|direita|thumb|Sócrates, filósofo da Grécia AntigaSócrates, um dos mais notórios pensadores gregos, foi um dos primeiros a refletir sobre as questões da estética. Nos diálogos de Sócrates com Hípias, há uma refutação dos conceitos tradicionalmente atribuídos ao belo, na qual o filósofo não define o que é belo julgando-se incapaz de explicar o belo em si.

Platão entendeu que os objetos incorporavam uma determinada proporção, harmonia e união e buscou entender estes critérios. O belo para Platão estava no plano do ideal, mais propriamente a ideia do belo em si era colocada por ele como absoluto e eterno, não dependeria dos objetos, ou seja, da materialidade, era a própria ideia de perfeição, estava plenamente completo, restando ao mundo sensível apenas a imitação ou a cópia desta beleza perfeita. Platão dissociava o belo do mundo sensível, sua existência ficava confinada ao mundo das ideias, associando-se ao bem, a verdade, ao imutável e a perfeição.

Para Platão, somente a partir do ideal de beleza suprema é que seria possível emitir um juízo estético e portanto definir o que era ou não belo, ou o que conteria maior ou menor beleza. Por estar fora do mundo sensível, o belo platônico está separado também da intromissão do julgamento humano cujo estado é passivo diante do belo. Ele estabelecia uma união inseparável entre o belo, a beleza, o amor e o saber. O belo, em Platão, serviria para conduzir o homem à perfeição, ao qual restaria a cópia fiel e a simulação, estas concepções filosóficas vão permear a arte grega e ocidental por um longo período, até o século XVIII, com momentos históricos de maior ou menor ênfase no fazer artístico.

150px|esquerda|thumb|Aristóteles - O estagiritaAristóteles, discípulo de Platão, ao contrário de seu mestre, concebeu o belo a partir da realidade sensível, deixando este de ser algo abstrato para se tornar concreto, o belo materializa-se, a beleza no pensamento aristotélico já não era imutável, nem eterna, podendo evoluir. Aristóteles dará o primeiro passo para a ruptura do belo associado à ideia de perfeição, trará o belo para a esfera mundana, colocará a criação artística sob a égide humana, já não mais separado do homem mas intrínseco a ele.

Com Aristóteles abrem-se às perspectivas dos critérios de julgamento do fazer artístico, conferindo ao artista a possibilidade de individuação. O belo aristotélico seguirá critérios de simetria, composição, ordenação, proposição, equilíbrio. As concepções do belo de Aristóteles ficam por um longo período esquecidas, sendo somente retomadas ao final da Idade Média. Modernidade Filosofia do belo na arte é a designação aplicada a partir do século XVIII, por Baumgarten, à ciência filosófica que compreendeu o estudo das obras de arte e o conhecimento dos aspectos da realidade sensorial classificáveis em termos de belo ou feio.

Os conceitos do belo seguem o rumo da apreciação, da fruição e da busca pelo juízo universal, pela verdade última de sua definição. A revolução francesa traz novos ares ao mundo, e o engatinhar da revolução industrial traz novas luzes ao pensamento humano. Vários filósofos se preocuparam com o belo durante este período, entre eles cita-se Hume e Burke, que deixaram, cada um contribuições valiosas na tentativa de definição dos conceitos e parâmetros do belo, mas nenhum foi tão importante quanto Kant, cuja contribuição foi decisiva nas tentativas de explicação do belo.