thumb|400px|A região clássica da Lídia num mapa de 1903 Lídia () era uma região na porção ocidental da antiga Ásia Menor (Anatólia) cuja origem foi um importante reino neo-hitita que prosperou na Idade do Ferro ali, o Reino da Lídia. Seu território geralmente é localizado a leste da antiga Jônia, onde estão hoje as modernas províncias da Turquia ocidental de Uşak, Manisa e a porção interior de İzmir.
Em sua maior extensão, o Reino da Lídia cobria toda a Anatólia ocidental e a região toda foi chamada de Lídia por toda a Antiguidade Tardia e na Idade Média. A Lídia (conhecida como Esparda pelos persas) era uma satrapia (província) do Império Aquemênida, com capital em Sardes,Rhodes, P.J. A History of the Classical Greek World 478-323 BC. 2nd edition. Chichester: Wiley-Blackwell, 2010, p. 6. com Tábulo, nomeado por Ciro, o Grande, como seu primeiro sátrapa (governador). Durante o período romano, a Lídia foi incorporada pela província da Ásia e depois separada numa província distinta, mas com território muito menor que o antigo.
A Lídia é famosa porque se acredita que o uso de moedas tenha sido inventado ali,"Lydia" in Oxford Dictionary of English. Oxford University Press, 2010. Oxford Reference Online. 14 October 2011. por volta do .
Definindo a Lídia O endônimo Śfard (o nome pelo qual os lídios chamavam-se a si próprios) sobreviveu em éditos bilíngues e trilíngues do Império Aquemênida no nome da satrapia de Sparda (persa antigo; aramaico: Saparda; acádio: Sapardu; elamítico: Išbarda). Todos esses locais são associados na tradição grega com Sardes, a capital do rei Giges, construída no
Os ancestrais culturais dos lídios parecem ter sido próximos ou parte do estado de Arzaua, dos luvitas. Ainda assim, a língua lídia não é parte do subgrupo luvita, como é o caso do cário e do lício.
Uma associação entre lídios e etruscos há muito tem sido objeto de inúmeras conjecturas. O historiador grego Heródoto afirmou que os etruscos eram originários da Lídia, uma afirmação repetida no poema épico Eneida por Virgílio, e uma língua parecida com o etrusco foi encontrada na Estela de Lemnos, originária da ilha egeia de Lemnos. Porém, o recente deciframento da língua lídia e sua classificação no grupo das línguas anatólicas significa que etruscos e lídios não eram sequer parte da mesma família linguística. Seja como for, estudo genético recente elaborado pelo geneticista italiano Alberto Piazza, da Universidade de Turim, de prováveis descendentes dos etruscos na Toscana encontrou fortes similaridades com indivíduos da Anatólia ocidental.
Geografia As fronteiras da Lídia histórica variaram muito com os séculos. Ela era inicialmente cercada pela Mísia, Cária, Frígia e a Jônia na costa. Depois, o poderio militar de Alíates e Creso expandiu as fronteiras do reino, que, a partir de Sardes, passou a controlar toda a Ásia Menor a oeste do rio Hális, com exceção da Lícia. A Lídia nunca mais voltou às suas dimensões iniciais. Depois da conquista persa, o rio Meandro passou a ser considerado como a fronteira sul e, durante o período romano, a Lídia abrangia toda a região entre a Mísia e a Cária de um lado e entre Frígia e Mar Egeu do outro.
Língua A língua lídia era uma língua indo-europeia da família das línguas anatólicas, aparentada ao luvita e ao hitita. Ela fazia uso de muitos prefixos e partículas gramaticais.Lydia O lídio finalmente se tornou uma língua extinta no
História
Reino da Lídia thumb|300px|thumb|Reino da Lídia A Lídia se desenvolveu como um reino neo-hitita depois do colapso do Império Hitita no Durante o período hitita, o nome da região era Arzaua. O nome original do Reino da Lídia era Meônia ( - Maionia ou Maeonia) e HomeroIlíada ii. 865; v. 43, xi. 431. chama os habitantes da Lídia de maiones ().Para as etimologias de Lydia e Maionia, veja H. Craig Melchert "Greek mólybdos as a Loanword from Lydian", University of North Carolina at Chapel Hill, pp. 3, 4, 11 (fn. 5). Ele descreve a capital do reino não como sendo Sardias, mas Hyde,Ilíada xx. 385 que pode ter sido o nome do distrito ou da região na qual ela se localizava.Veja Estrabão xiii.626. Posteriormente, HeródotoHistórias i. 7 acrescenta que os meones foram rebatizados de "lídios" em homenagem ao rei Lido ( - Lydus), filho de Átis (Atys), durante a época mítica que precedeu a dinastia heráclida e este epônimo etiológico serviu para explicar o nome étnico grego lidos (lydoi) (). O termo hebreu para os lídios, ludim (לודים), que pode ser visto no Livro de Jeremias, também foi considerado como uma possível origem do termo e, já no tempo de Flávio Josefo, propunha-se que ele fosse derivado de Lud, filho de Sem. Hipólito de Roma () oferece uma opinião alternativa, mas similar: a de que os lídios seriam descendentes de Ludim, filho de Mizraim.
Alguns meônios ainda existiam no período histórico nas terras altas da região perto do rio Hermo, onde uma cidade chamada "Meônia" (Maeonia) ainda existia segundo Plínio, o Velho"História Natural (Plínio, o Velho)|História Natural]], v.30M e Hierócles (autor do Sinecdemo).
Lídia na mitologia grega A mitologia lídia é virtualmente desconhecida e sua literatura e rituais se perderam. Na falta de quaisquer monumentos ou achados arqueológicos com inscrições epigráficas extensas, os mitos que envolvem a Lídia chegaram até nossos dias através da mitologia grega.
Para os gregos, Tântalo foi um monarca primordial da mítica Lídia e Niobe, sua orgulhosa filha. Através do marido dela, Anfião, a Lídia estava ligada à Tebas, na Grécia, e através de Pélope, a linhagem de Tântalo era parte dos mitos fundadores da segunda dinastia de Micenas.
Ainda segundo a mitologia grega, a Lícia era também o lugar onde se originou o machado duplo chamado lábrisFontes citadas por Karl Kerenyi, The Heroes of the Greeks 1959, p. 192. Ônfale, a filha do rio Jardano, era uma monarca da Lídia a quem Hércules teve que servir por um tempo. Suas aventuras na região são as de um herói grego numa terra periférica e estranha: durante sua estadia, Hércules escravizou os itones, matou Sileu, que forçava os viajantes a capinarem seus vinhedos, assassinou a serpente do rio Sangarios (que aparece ainda hoje no céu na forma da constelação de OfiúcoHigino, Astronômica ii.14. e capturou os trapaceiros símios, os cercopes. Relatos afirmam que houve pelo menos um filho de Hércules e Ônfale: Diodoro SículoBiblioteca Histórica 4.31.8 e OvídioHeroides 9.54 mencionam Lamos, Pseudo-ApolodoroBibliotheke 2.7.8 afirma que foi Agelau e PausâniasDescrição da Grécia 2.21.3 traz o nome de Tirseno, que seria filho de Hércules com "a lídia".
Os três casos indicam uma dinastia lídia reivindicando Hércules como ancestral. Heródoto (1.7) faz referência a uma dinastia heráclida de reis que governaram a Lídia, ainda que não fossem descendentes de Ônfale. Ele também menciona (1.94) a lenda recorrente de que a civilização etrusca teria sido fundada por colonos da Lídia liderados por Tirreno, irmão de Lido. Porém, Dionísio de Halicarnasso duvidava da história, indicando que era sabido que a língua e os costumes etruscos eram completamente diferente dos lídios. Cronologistas posteriores também ignoraram a afirmação de Heródoto de que Agrão seria o primeiro rei lídio e incluíram Alceu, Belo e Nino em suas listas de reis da Lídia. EstrabãoGeografia 5.2.2 faz de Átis, pai de Lido e Tirreno, um descendente de Hércules e Ônfale. Todos os demais relatos nomeiam Átis, Lido e Tirreno como sendo reis pré-heráclidas da Lídia.
Dizia-se que as reservas de ouro no rio Pactolo, a fonte da proverbial riqueza de Creso (o último rei da Lídia) se originaram quando o lendário rei Midas da Frígia acabou com seu "toque de Midas" lavando as mãos em suas águas. Na tragédia de Eurípides "As Bacantes", Dionísio declara ser originário da Lídia.The Complete Greek Tragedies Vol IV., Ed by Grene and Lattimore, line 463
O filho de Alíates era Creso, que se tornou sinônimo de grande riqueza e Sardes era famosa por sua beleza. Por volta de , no início de seu reinado, Creso financiou a construção do Templo de Ártemis em Éfeso, que tornar-se-ia uma das sete maravilhas da Antiguidade.
Primeiras moedas De acordo com Heródoto, os lídios foram os primeiros a usar moedas de ouro e prata e os primeiros a estabelecer lojas de varejo em locais permanentes.Herodotus. Histories, I, 94 Não se sabe, entretanto, se Heródoto quis dizer que os lídios foram os primeiros a usar moedas de ouro puro e prata pura ou as primeiras moedas de metal precioso em geral. Apesar dessa ambigüidade, esta declaração de Heródoto é uma das evidências mais frequentemente citadas em nome do argumento de que os lídios inventaram a cunhagem, pelo menos no Ocidente, embora as primeiras moedas (sob Alíates I, reinaram c.591-c. 560 aC) não eram nem ouro nem prata, mas uma liga dos dois chamados electrum.Carradice and Price, Coinage in the Greek World, Seaby, London, 1988, p. 24
Satrapia persa thumb|300px|Reino da Lídia (amarelo) pouco antes da conquista pelo Império Aquemênida
Em , o rei lídio Creso cercou e capturou a cidade persa de Ptéria, na Capadócia, e escravizou seus habitantes. O rei persa, Ciro, o Grande, marchou com seu exército contra os lídios e enfrentou-os na Batalha de Ptéria, que terminou empatada, mas forçou o recuo das forças de Creso até Sardes. Meses depois, os reis da Pérsia e da Lídia se encontraram novamente na Batalha de Timbra, mas, desta vez, Ciro venceu e capturou a Sardes.
Satrapia selêucida A Lídia permaneceu como uma satrapia depois da conquista da Pérsia pelo rei macedônio Alexandre III ("o Grande") da Macedônia, mas, quando o breve império de Alexandre chegou ao fim depois de sua morte prematura, a Lídia passou para o controle do mais poderoso das dinastias sucessoras (diádocos) na Ásia, os selêucidas. Depois que Antíoco III foi derrotado no final do na Guerra sírio-romana, a Lídia foi entregue pelos romanos aos atálidas do Reino de Pérgamo. Seu último rei, , evitou a destruição de uma conquista romana deixando seu reino como herança ao Império Romano quando morreu em
Província romana da Ásia Quando os romanos entraram em Sardes em , a Lídia, como as demais regiões ocidentais da herança atálida, foram organizadas na província da Ásia, uma província romana muito rica e cujo governador tinha o alto posto de procônsul. Todo o oeste da Ásia Menor tinha colônias judaicas desde muito cedo e o cristianismo rapidamente se espalhou pela região. Os Atos dos Apóstolos mencionam o batismo de uma comerciante chamada "Lídia", de Tiatira, na região onde antes estava a satrapia da Lídia.
A Lídia tinha diversas comunidades cristãs e, depois que o cristianismo tornou-se a religião oficial do Império Romano no , tornou-se uma das províncias da diocese eclesiástica da Ásia, subordinadas ao patriarca de Constantinopla. A província eclesiástica da Lídia tinha como sé metropolitana Sardes. Os bispos das várias dioceses da Lídia estavam bem representados no Concílio de Niceia em 325 e também nos concílios ecumênicos seguintes.Le Quien, Oriens Christianus, i. 859–98
Província romana da Lídia