Queen foi uma banda britânica de rock, fundada em 1970 e ativa, sob sua formação clássica, até 1991. O grupo, formado por Brian May (guitarra e vocais), Freddie Mercury (vocais e piano), John Deacon (baixo) e Roger Taylor (bateria e vocais), é frequentemente citado como um dos expoentes do seu estilo, também sendo um dos recordistas de vendas de discos a nível mundial. A música da banda também é conhecida por ser altamente eclética, variando entre várias vertentes do rock.

Originalmente, a banda surgiu a partir do trio Smile, formado por Brian May, Roger Taylor e o baixista Tim Staffell. Com o fim do conjunto, Freddie Mercury e John Deacon, juntamente com May e Roger, estabeleceram a formação de um novo grupo em meados de 1970. Os seus dois primeiros álbuns alcançaram pouco sucesso, até que ganhou popularidade internacional por meio de Sheer Heart Attack (1974) e, principalmente, por A Night at the Opera (1975), cujos singles "Bohemian Rhapsody" e "You're My Best Friend" alcançaram bons desempenhos. Mais tarde, a popularidade do quarteto estendeu-se com News of the World, em 1977, devido aos hits "We Will Rock You" e "We Are the Champions", bem como com "Crazy Little Thing Called Love" e "Another One Bites the Dust", de The Game, lançado em 1980.

Durante a década de 1980, o Queen passou a adotar sintetizadores nas suas músicas, e apesar de alguns sucessos como "Under Pressure", a banda recebeu fortes críticas da mídia especializada, perdeu grande parte de sua popularidade em território norte-americano, e passou por crises internas. Em meio às críticas, a banda ainda lançou sucessos: O álbum The Works (1984) conteve os singles "Radio Ga Ga" e "I Want to Break Free", que alcançaram notoriedade no Reino Unido e em países da América do Sul, como o Brasil e Argentina. Em 1985, o conjunto realizou uma das suas performances mais memoráveis no evento Live Aid, e em 1986 a última turnê. Em 1987, o vocalista Freddie Mercury contraiu o vírus do HIV. Com isso, a banda continuou produzindo trabalhos que se tornaram os últimos registros em vida de seu cantor. The Miracle (1989) e Innuendo (1991) foram melhor recebidos que os anteriores, e também ganharam avaliações mais positivas após a morte de Freddie. Brian, Roger e John trabalharam em algumas faixas arquivadas durante dois anos e, com isso, foi lançado o último trabalho inédito do quarteto, Made in Heaven (1995). Em 1997, o baixista John Deacon aposentou-se do mundo musical.

Nos anos seguintes, Brian May e Roger Taylor seguiram carreiras a solo, tocaram com vários músicos convidados e, com o repertório do Queen, chegaram a se apresentar com artistas como Elton John. Como shows com o nome da banda, destacam-se as parcerias feitas com Paul Rodgers e Adam Lambert, com quem formaram, respectivamente, os supergrupos Queen + Paul Rodgers (entre 2004 a 2009) e Queen + Adam Lambert (de 2011 aos dias atuais). A banda já vendeu mais de trezentos milhões de discos ao redor do mundo, tendo lançado quinze álbuns inéditos, várias coletâneas e trabalhos em vídeo. O grupo foi incluído no Rock and Roll Hall of Fame em 2001 e todos os seus integrantes foram introduzidos ao Songwriters Hall of Fame em 2003. Além disso, ganhou uma estrela no Passeio da Fama em Hollywood em 2005 e é apontado como influência para vários artistas do cenário rock e pop, bem como foi tema do musical We Will Rock You e do filme Bohemian Rhapsody, de 2018.

História 1968–71: Formação miniatura|direita|Placa comemorativa no local do primeiro show da banda, Prince Consort Road, Londres Em 1968, os amigos de escola Brian May, um guitarrista, e Tim Staffell, baixista e cantor, decidiram formar uma banda e colocaram um anúncio no Imperial College, em Londres, à procura de um baterista ao estilo de Ginger Baker e Mitch Mitchell, e o estudante de odontologia Roger Taylor respondeu, embora seu perfil estivesse mais próximo de Keith Moon. Mesmo assim, o instrumentista impressionou May e Staffell, que o integraram ao conjunto. O trio foi batizado de Smile.Hodkinson, Mark (2009). "Queen: The Early Years". p.118

Enquanto frequentava a Ealing Art College, Tim tornou-se amigo de Farrokh Bulsara, que tinha como apelido Freddie. Bulsara sentia que seus gostos eram compatíveis com os da Smile e tornou-se um grande fã da banda, apesar de que a sua vontade de tornar-se o vocalista daquele grupo era cada vez mais crescente. Nesta época, o músico saíra de outros grupos. Em 1969, por exemplo, fundou a Ibex, depois nomeada Wreckage, mas que não durou muito tempo, depois integrando o Sour Milk Sea. Em todos os conjuntos dos quais fazia parte, era exigência cantar blues, todavia as influências do vocalista eram bem mais ecléticas. Ainda em 1969, Bulsara foi apresentado por Tim a Roger e Brian. O estilo glam foi considerado peculiar pelos instrumentistas, e embora o considerassem um pouco afeminado por pintar as unhas, sua personalidade imperativa era tida como cativante. Mais tarde, o cantor estava morando próximo aos dois, fato que fez os demais conhecerem-no melhor, principalmente em relação às suas habilidades de canto e piano.

Em abril de 1970, após Staffell ter deixado o conjunto para se integrar à Humpy Bong, Farrokh foi efetivado como vocalista substituto da Smile. No entanto, incentivou os remanescentes a mudar o nome do grupo para Queen, embora May e Taylor tinham The Rich Kids e The Grand Dance como opções e não tinham muita simpatia em relação à sugestão feita pelo vocalista. Quando questionado a respeito do nome, Bulsara afirmou: "É um nome muito forte, universal e imediato", além de seu teor aristocrático. A ideia do cantor acabou sendo a definitiva.

Como Freddie era pianista, o Queen precisava de um baixista. Roger Taylor sugeriu que fosse Mike Grose, que era ex-integrante da Reaction e, além de ser um bom músico, tinha tocado com a Smile anteriormente. Mike trabalhava num clube chamado PJ em Truro na época em que Roger o convidou para ensaiar com o grupo. Grose mudou-se para Londres com uma van, e após certo tempo foi convidado a se tornar membro. Durante este tempo, o baixista testemunhou muitos atritos entre Taylor e Mercury; segundo ele algo semelhante acontecia anteriormente entre Staffell e o baterista, porém com Freddie as discussões eram mais fortes. Os quatro dividiam um quarto, e duas mulheres moravam ali também. Naqueles dias, os principais temas de debate consistiam na liderança do quarteto, e embora Roger e Freddie fossem mais incisivos neste aspecto, Mercury se sobressaía. No entanto, após dois shows, Mike não fez mais parte da formação. Mesmo acreditando que o Queen tinha potencial para se tornar um sucesso e com o pedido dos demais para que não saísse, o baixista estava cansado e impaciente e decidiu sair.

Após isso, o trio tocou brevemente com um grande número de baixistas, mas nenhum se encaixava com a química do Queen. Um deles foi Barry Mitchell, que, mesmo tendo uma boa relação com os demais integrantes, não se identificava muito com o som do grupo, querendo tocar algo mais melancólico. A namorada de Mercury e amiga de Barry, Mary Austin, tentou convencê-lo a ficar, sem sucesso. Mais tarde, Douglas Bogie, um jovem de 17 anos tentou a vaga, mas sua performance explosiva no palco no primeiro show como membro foi considerada horrível e traumatizante para Freddie. Frustrado, o jovem se demitiu, como forma de esnobar o vocalista. Sua personalidade altiva também era um dos principais empecilhos; o choque de egos era fácil. Para o trio, o ideal era um músico que encaixasse perfeitamente no estereótipo que cerca os baixistas: quieto, reservado e anônimo.

Após audições malsucedidas, Brian e Roger conheceram John Deacon numa discoteca, um instrumentista estudioso que cursava eletrônica no Imperial College. Deacon ficou sabendo que o grupo precisava de um baixista, e por meio de um amigo pôde conhecer os integrantes do Queen. Numa audição, a banda solicitou que John tocasse "Son and Daughter", uma música recentemente criada. A performance perfeccionista do instrumentista surpreendeu a todos, no entanto sua postura foi considerada muito quieta pelos demais colegas. Nesta época, o baixista testemunhava discussões entre os três, e quando era questionado, preferia manter-se quieto, o que, de certa forma neutralizava o choque dos demais.

1971–74: Primeiras gravações Mesmo com a formação oficial completa, a banda passou a desanimar, sobretudo por questões financeiras. No outono de 1971, Roger se matriculou no curso de biologia animal e vegetal em uma escola politécnica localizada no norte de Londres. Brian May passou a lecionar. May procurou magnatas da música, patrocínios e outras formas de divulgar seu trabalho, mas ninguém se mostrou interessado. Por meio de um amigo chamado Terry Yeadon, que trabalhava em um novo estúdio em Wembley de nome De Lane Lea, a banda encontrou a oportunidade de gravar seu primeiro trabalho. As instalações ainda precisavam de testes acerca do isolamento de som, e era necessário que um conjunto de rock fizesse experimentos no local. O Queen foi escolhido, e naquele espaço, gravou uma fita demo com cinco canções: "Liar", "Keep Yourself Alive", "The Night Comes Down", "Great King Rat" e "Jesus", mais tarde enviando o material para várias gravadoras, que majoritariamente não se interessaram, com comparações pejorativas ao Led Zeppelin. No entanto, um selo, chamado Charisma Records (que trabalhava com o Genesis) fez uma proposta, que foi recusada pelo grupo. Foi também nessa época em que Freddie mudou seu sobrenome para Mercury, inspirado no verso "Mother Mercury, look what they've done to me", da canção "My Fairy King" e também em referência a Mercúrio, mensageiro dos deuses na mitologia grega. Além disso, o cantor desenhou o logotipo do Queen, que combina os signos do zodíaco dos quatro membros.

Nos últimos meses daquele ano, a banda estava satisfeita por ainda ter permissão de utilizar as instalações do estúdio, e nessa época o quarteto pôde conhecer Roy Thomas Baker, engenheiro de áudio e futuro produtor musical de alguns discos do Queen. Mais tarde, o empresário Norman Sheffield, então coproprietário do Trident Studios, ouviu a fita demo gravada e, embora inicialmente não tenha mostrado interesse, contratou o grupo para seu selo após ter assistido a uma apresentação do conjunto. Assim, passou a gerenciar a gravação, produção, gestão e direitos autorais das músicas. Com a produção de Thomas e John Anthony, o álbum de estreia foi gravado durante madrugadas caóticas pela falta de horários livres. Um dia, o cantor David Bowie (que estava gravando um projeto ali) terminou seu trabalho mais cedo, fazendo com que o Queen tivesse mais tempo para sua obra. Durante as sessões, Anthony ficou doente, e se ausentou, com Roy assumindo por completo a produção. Era consenso entre todos os membros de que o disco ficou pronto tarde demais. Para eles, as faixas já soavam ultrapassadas. Nesta mesma época, John Deacon e Roger Taylor terminaram seus estudos no ensino superior. No entanto, Deacon continuou estudando, resolvendo ingressar no mestrado.

Apesar do controle da Trident, John Anthony prosseguia procurando gravadoras que se interessassem pelo material do Queen antes de lançar o disco. Apesar de várias recusas e audições fracassadas, Anthony conseguiu, por meio de um executivo, uma audição da fita demo na EMI Records, que estava em busca de novidades no mercado musical. No entanto, a Trident considerou a proposta muito baixa, fazendo com que após várias negociações a banda fosse contratada num valor próximo a 300–400 000 libras esterlinas. Em 6 de julho de 1973, foi lançado o primeiro single do Queen, "Keep Yourself Alive". Apesar do potencial visto pelos produtores e o próprio grupo, a música passou despercebida pelo público, não estando em nenhuma parada. O álbum passou a ser distribuído dias depois, contendo a frase "sem sintetizadores!", que apareceria também nos próximos trabalhos.