A Póvoa de Varzim é uma cidade portuguesa localizada na sub-região da Área Metropolitana do Porto, pertencendo à região do Norte e ao distrito do Porto.
É sede do Município de Póvoa de Varzim que tem uma área total de 82,81 km2,Instituto Geográfico Português, Carta Administrativa Oficial de Portugal (CAOP), versão 2013 (ficheiro Excel zipado) 64 320 habitantes em 2021 e, por isso, uma densidade populacional de 782 habitantes por km2, subdividido em 12 freguesias. O município é limitado a norte por Esposende, a nordeste por Barcelos, a este por Vila Nova de Famalicão, a sul por Vila do Conde (com quem forma uma conurbação) e a oeste com o Oceano Atlântico.
As primeiras populações fixaram-se no seu território entre quatro a seis mil anos atrás. Por volta de 900 a.C., a instabilidade na região levou à fundação de uma cidade muralhada, a Cividade de Terroso, que desenvolveu rotas de comércio marítimo com as civilizações da antiguidade clássica. A Póvoa de Varzim moderna emergiu depois da conquista da cividade pela República Romana por volta de 138 a.C., a pesca e unidades de processamento de peixe desenvolveram-se pouco depois, constituindo as bases da economia local. Pelo século XI, a indústria pesqueira e campos férteis formaram a base de um senhorio feudal e Varzim foi ferozmente disputada entre os senhores locais e dos regionais, os primeiros reis de Portugal, o que levou à criação do município em 1308 e ser submetida ao poder monástico medieval poucos anos depois. A importância da Póvoa de Varzim reemergiu com a Época dos Descobrimentos devido à competência e riqueza dos seus construtores navais e navegantes, que negociavam à volta do mundo em rotas comerciais complexas. Pelo século XVII, a indústria de transformação de pescado tomou novo alento e, algum tempo mais tarde, a Póvoa tornou-se no porto pesqueiro dominante no Norte de Portugal."Póvoa de Varzim." Grande Enciclopédia Universal (2004), vol. 16, pp. 10683-10684, Durclub"Povoa de Varzim." Encyclopædia Britannica 11th edition (1911).
A cidade da Póvoa de Varzim é uma reconhecida cidade balnear desde há três séculos, a mais popular no Norte de Portugal, o que instituiu uma cultura literária influente e patrocínio na música e no teatro. É uma das poucas zonas de jogo legal em Portugal e possui indústrias têxtil e alimentar significativas. A cidade mantém uma identidade cultural própria, uma cozinha piscatória rica e tradições antigas, tais como siglas poveiras, a técnica agrícola das masseiras e festas
História
Etimologia O nome, Póvoa de Varzim, deriva de Póvoa, que significa pequeno povoado, dado que, ali, D. Dinis mandou edificar um pequeno povoado em 1308, a palavra Varzim, deriva Euracini, senhor da totalidade, ou pelo menos parte destas terras, a palavra Euracini, através de vários fenómenos linguísticos acabou por se transformar em Varzim.
Cultura castreja e conquista romana thumb|esquerda|A cividade foi fundada por volta de e os primeiros edifícios em granito apareceram por volta do Achados de ferramentas de pedra acheulenses sugerem que a Póvoa de Varzim é habitada desde o Paleolítico Inferior, por volta de Os primeiros grupos de pastores instalaram-se em todo o litoral da Póvoa de Varzim por volta do IV milénio e os inícios do Uma necrópole do Neolítico-Calcolítico, com sete mamoas conhecidas, pode ainda ser vista à volta do monte de São Félix e do Monte da Cividade.
As pilhagens generalizadas por tribos rivais, levaram a que as populações residentes na planície litoral da Póvoa de Varzim erguessem um povoado fortificado no cume do monte mais próximo do mar. Assim nasceu a Cividade de Terroso que se foi desenvolvendo para se tornar num dos principais povoados da cultura castreja. No seu apogeu, a Cividade teria perto de metros quadrados e nela habitavam várias centenas de pessoas. Esta manteve relações comerciais com as civilizações do Mediterrâneo, principalmente durante o domínio cartaginês do sudeste da Península Ibérica.
Durante as guerras púnicas, os Romanos tomaram conhecimento da riqueza da região castreja em depósitos de ouro e estanho. Viriato, que liderava as hostes lusitanas, impediu o crescimento da República Romana para o Norte do rio Douro. No entanto, o seu assassinato em abriu caminho para as legiões romanas. Durante os dois anos seguintes, Décimo Júnio Bruto Galaico avançou pela região castreja, esmagou os exércitos castrejos e tomou a Cividade de Terroso deixando-a em ruínas.
A região foi pacificada durante o domínio de César Augusto. O povo castrejo regressou à vida na planície costeira, onde foi criada Vila de Euracino e fábricas de peixe romanas. Com a anexação pela República Romana, o comércio apoiava o desenvolvimento económico regional, com os mercadores romanos organizados em verdadeiras empresas comerciais que procuravam o monopólio nas relações comerciais.Autarcia e Comércio em Bracara Augusta no período Alto-Imperial
Feudalismo e municipalismo thumb|Barcos Poveiros no Porto da Póvoa de Varzim. A disputa entre os senhores do feudo e os reis portugueses levaram à criação do município em 1308. Com a queda do Império Romano, povoações de origem sueva fixaram-se na zona envolvente. A primeira referência escrita conhecida aparece em 26 de Março de 953 durante o domínio de Mumadona Dias, Condessa de Portugal. A região foi atacada pelos viquingues (normandos) na década de 960, pelos Mouros em 997 e novamente por piratas normandos em 1015-1016. Várias pistas indicam a colonização viquingue em Vila de Euracino após essas invasões. Durante a Idade Média, o nome Euracino (Euracini) modificou-se para Uracini, Vracini, Veracini, Verazini, Verazim, Varazim e, eventualmente, Varzim.
No , Guterre Pelayo, um dos principais capitães da reconquista para o Condado Portucalense, tornou-se o Senhor de Varzim. D. Henrique, conde de Portugal, atribuiu-lhe o Porto de Varzim e outras possessões limítrofes. Os senhores de Varzim obtiveram poder significativo. Quando Portugal era já um reino estável, Sancho I de Portugal acreditava que conspiravam contra o rei e decide atacar o feudo. Conquistou o porto, destruiu a maioria das propriedades e expulsou os agricultores. A parte norte tornou-se conhecida como Varzim dos Cavaleiros e pertencia aos Cavaleiros Hospitalários, que herdaram a riqueza dos senhores locais. A parte sul de Varzim, terra do rei, era a localização do porto e campos agrícolas limítrofes.
De acordo com uma crónica de 1258, enquanto o rei D. Sancho II disputava o trono com o seu irmão D. Afonso, que foi convidado pelos cavaleiros para tomar o trono português, Gavião de Varzim usou a oportunidade para destruir as possessões do rei em Varzim. O cronista refere que o cavaleiro entrou violentamente nas terras do rei, destruiu-as de tal forma, que não se conseguia semear pão, nem carros poderiam atravessar aquele local quando antes o faziam. Sancho II perdeu o trono, Afonso tornou-se rei e ordenou o repovoamento das terras reais em Varzim. O rei apenas conseguiu povoadores para 15 das 20 propriedades agrícolas, pois estes temiam a fúria dos cavaleiros. O cronista do rei escreveu explicitamente que todo o porto era propriedade do rei.
Gomes Lourenço, da Honra de Varzim, era um cavaleiro muito influente e padrinho de D. Dinis. Ele tirou vantagem de relações que tinha com personalidades importantes no reino para assim ver reconhecido o porto como sua honra. D. Gomes tentou convencer D. Dinis, que o pai do rei, D. Afonso III, tirou-lhe de forma injusta. Justificando a atitude com a Honra de Varzim, D. Gomes e seus descendentes vão ao porto e obtêm o tributo dos pescadores. - Instituto Camões
Em 1308, o rei D. Dinis passou uma carta de foral, doando o reguengo a 54 famílias de Varzim; estes teriam que fundar uma Póvoa nova em redor da Praça, ao lado de Vila Velha, controlada pelos cavaleiros. Em 1312, D. Dinis doou a Póvoa ao seu filho bastardo Afonso Sanches, senhor de Albuquerque, e este incluiu-a no património do Mosteiro de Santa Clara, que acabara de fundar em Vila do Conde. Em 1367, o rei D. Fernando I confirmou os forais, privilégios e usos da Póvoa de Varzim. Estes foram novamente confirmados por D. João I em 1387.
O domínio da abadessa do mosteiro tornou-se cada vez mais forte sobre a Póvoa de Varzim, através de aumento de impostos e ingerência na eleição do Juiz da Câmara Municipal, aumentando o descontentamento da câmara, o que levou o povo a pedir ao rei D. Manuel I que terminasse com a situação. Em 1514, D. Manuel concedeu um novo foral à Póvoa de Varzim. Por pedido do rei, o mosteiro foi reformado através de bula papal em 1515. A abadessa Joana de Meneses resistiu, tendo sido obrigada a mudar de convento. Ganhou pelourinho, autonomia significativa e envolveu-se nos descobrimentos portugueses.
Construtores navais, navegadores e pescadores thumb|direita|"Americano", por volta de 1880 thumb|esquerda|380px|Vista do centro da Póvoa de Varzim em Meados do século XIX thumb|direita|A Praça Marquês de Pombal em 1909. O mercado da Póvoa surgiu na Idade Média na Praça Velha e passou pela Praça do Almada. thumb|Jardins da Praça do Almada em 1919. A praça é o centro cívico criado em 1791. No século XVI os pescadores começaram a trabalhar em atividades marítimas, como pilotos ou mareantes, na tripulação das naus portuguesas, devido aos seus altos conhecimentos náuticos. Os pescadores da região pescam na Terra Nova desde, pelo menos, 1506. Durante o reinado de D. João III a arte de construção naval poveira era já famosa, e os carpinteiros poveiros eram procurados pelos estaleiros da Ribeira das Naus em Lisboa devido aos seus altos conhecimentos técnicos. A paisagem urbana era dominada por casas térreas, mas existem indicações de habitações com vários pisos e de arquitectura rica. A classe abastada dos mercadores está associada a este rico casario em volta da Praça Velha. As rotas dos mercadores poveiros incluíam as Índias Ocidentais, São Tomé, Angola, Brasil, Índia, Peru, Flandres e Sevilha.
No século XVII, a indústria naval teve um incremento significativo na Ribeira, estaleiros navais junto ao Castelo da Póvoa na enseada, e um terço da população tinha alguma relação com esta atividade, construir navios para a navegação mercante. Durante este período existe uma expansão urbana significativa: o centro cívico da Praça com a Câmara Municipal e a Capela de Madre Deus, a área da Vila Velha com a igreja matriz e o bairro dos pescadores da Junqueira, com o desenvolvimento do negócio de salga de peixe, estava a começar a se afirmar como um novo centro urbano.
No início do século XVIII, há um declínio no funcionamento dos estaleiros da Ribeira, devido ao assoreamento da costa portuguesa e os estaleiros poveiros começaram a se dedicar à construção de barcos de pesca. Há um aumento significativo da comunidade piscatório em meados do século, tornando-se a principal atividade, e durante o reinado de D. José I com o país no meio de uma crise económica, a Póvoa começou um desenvolvimento acelerado. A Academia Real das Ciências verificou a notoriedade expressiva da comunidade na costa minhota e considerou que os poveiros eram os pescadores mais hábeis desde o Cabo de São Vicente a Caminha, com um número considerável de pescadores, navios e pesca de alto-mar. O resultado era captura de peixe bastante significativa.
A comunidade floresceu, levando a que seja feita uma provisão régia de 1791 por D. Maria I, encarregando o Corregedor Francisco de Almada e Mendonça de reestruturar a urbanização da urbe, criou um novo centro cívico com uma câmara municipal monumental, ruas e infraestruturas foram criadas, ajudando ao desenvolvimento de um novo negócio, os banhos de mar.
Os banhos da Póvoa e a cidade moderna thumb|esquerda|Avenida dos Banhos em 1921.