O Lonchophylla mordax é uma espécie de morcego endêmico da América do Sul.

Etimologia O nome "Lonchophylla" é derivado do grego. "Loncho" significa "lança" e "phylla" significa "folha", podendo ser traduzido como "folha em forma de lança" Williams, T. (2005) A Dictionary of the Roots and combining Forms of Scientific

Words. Squirrox Press, Inglaterra. 253 pp..  Dessa forma, a escolha desse nome pode estar relacionada ao formato da folha nasal dos morcegos do gênero Lonchophylla, já que estes possuem folhas nasais longas e estreitas que se assemelham a lanças . O nome também pode estar relacionado ao primeiro par de incisivos superiores, que é comprido e espatuladoPalmer, T. S. (1904) Index generum mammalium: a list of the genera and families of

mammals. North American Fauna, 23: 1-984.. Já o termo "mordax" vem do latim, e possui o significado "ferroar, morder" Nascimento, Maria Clara do. Caracterização morfométrica de Lonchophylla Thomas, 1903 (Chiroptera, Lonchophyllinae) no Brasil. 2012..

Taxonomia e sistemática Pertencente à família Phyllostomidae, esta espécie integra a tribo Lonchophyllini, que engloba os gêneros Platalina, Lionycteris e Lonchophylla. Os membros desta tribo estão distribuídos pela região Neotropical, desde o sul da Nicarágua, abrangendo a América Central até o sul do Peru e sudeste do Brasil. A tribo Lonchophyllini é atualmente reconhecida como monofilética dentro da subfamília Glossophaginae, no entanto a sistemática da correlação dos três gêneros pertencentes à tribo ainda é um tópico de debates no meio taxonômico. Dávalos, Liliana M.; JANSA, Sharon A. Phylogeny of the lonchophyllini (Chiroptera: Phyllostomidae). Journal of Mammalogy, v. 85, n. 3, p. 404-413, 2004.

A nível de espécie, antigamente era sugerido que Lonchophylla mordax e Lonchophylla concave eram o mesmo táxon, e a nomenclatura "Lonchophylla mordax concave" chegou a ser utilizada para as populações encontradas no Panamá. No entanto, comparações diretas de diversas características morfológicas revelam diferenças significativas entre as espécimes do Noroeste Sul-Americano e aquelas do leste da Bolívia e leste do Brasil. Embora ambas as espécies sejam semelhantes em tamanho e formato, as distinções mais notáveis residem na morfologia do rostro, palato, processo coronoide e último pré-molar superior. Consequentemente, considera-se que a espécie Lonchophylla concave está restrita ao Noroeste Sul-Americano e sudeste da América Central, enquanto as populações encontradas no Brasil e no leste boliviano são classificadas como parte da espécie Lonchophylla mordax. ALBUJA, Luis; GARDNER, Alfred L. A new species of Lonchophylla Thomas (Chiroptera: Phyllostomidae) from Ecuador. Proceedings of the Biological Society of Washington, v. 118, n. 2, p. 442-449, 2005.

Distribuição Geográfica e Habitat A espécie do gênero Lonchophylla, Lonchophylla mordax, exibe uma ampla distribuição geográfica, principalmente centrada no Brasil, na região neotropical. Originalmente descrita a partir de exemplares coletados em Lamarão, estado da Bahia, no leste do Brasil, a distribuição do L. mordax já foi considerada para o leste Bolíviano e Brasileiro. No entanto, a espécie é atualmente reconhecida como endêmica do BrasilGardner, A. L. (2008) Mammals of South America, Volume I: marsupials, xenarthrans, shrews, and bats (A. L. Gardner, ed.). University of Chicago Press, Chicago, 690 pp. Nogueira, M. R., D. Dias & A. L. Peracchi (2006). Subfamília Glossophaginae Pp. 46‑59 In: Morcegos do Brasil (N. R. Reis, A. L. Peracchi, W. A. Pedro & I. P. Lima Eds.). N. R. Reis, Londrina. . esquerda|miniaturadaimagem|L. mordax é atualmente encontrada na América do Sul (região em verde). Tendo maior distribuição no Brasil. A notável adaptação desta espécie a diferentes ecossistemas é evidenciada pelos registros que inicialmente sugeriam sua restrição ao leste da América do Sul. Esses registros abrangem desde a Floresta Amazônica no Norte do Brasil até habitats xéricos no Nordeste, estendendo-se ao sul para a Floresta Atlântica do Sudeste, incluindo áreas de transição entre esses biomas. Griffiths, TA e Gardner, AL 2008. Subfamília Lonchophyllinae Griffiths, 1982. In: AL Gardner (ed.), Mamíferos da América do Sul. Volume 1 , páginas 244-255. Imprensa da Universidade de Chicago, Chicago.

Com registros que se estendem do nordeste ao sudeste do Brasil, Lonchophylla mordax foi documentada em diversos estados, incluindo Alagoas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Pernambuco e São Paulo. Seu limite norte é registrado em Boa Vista, Paraíba (UFPB 1359) a 6.71S, 35.27W, com relatos sugerindo uma distribuição até Fortaleza, Ceará .Machado, D. A. N., Otoch, R. & Bezerra, C. L. F. (1998) Preliminary survey of the bat fauna in the ecological context of the University Campus of Pici - UFC (Ceará State Federal University), Fortaleza, Ceará, Brazil. Bat Research News 3, 39: 47- 48. O ponto mais meridional conhecido da distribuição é o município de Ribeirão Preto, São Paulo, conforme registrado por Pereira-Barreto e colaboradores (1968). Pereira-Barreto, M., Siqueira, A. F., Filho, F. F., Carvalheiro, J. R., Albuquerque, R. D. R. & Funayama, G. K. (1968) Estudos sobre reservatórios e vectores silvestres do “Trypanosoma cruzi”. XXVII: Infecção Natural de quirópteros pelo “Trypanosoma vespertilionis”Bataglia, 1904. Revista Brasileira de Biologia, 28: 147-144. Destaca-se que Espírito Santo é a localidade mais ao sul com registro de exemplar de L. mordax.

Esta espécie demonstra notável adaptabilidade a diferentes ambientes, sendo documentada em ecossistemas variados, como a Caatinga, Cerrado, Mata Seca e Mata Atlântica. Preferindo florestas, cavernas e habitats subterrâneos não aquáticos como locais de abrigo, L. mordax é frequentemente encontrado em florestas altas e úmidas. Sua presença é marcante em habitats específicos, como planaltos elevados que sustentam florestas úmidas em regiões semiáridas.Moratelli, R. e Dias, D. 2015. Uma nova espécie de morcego alimentador de néctar, gênero Lonchophylla , da Caatinga do Brasil (Chiroptera, Phyllostomidae). ZooKeys 214: 73-91.

Área de ocorrência segundo a literatura L. mordax é atualmente reconhecida como endêmica do Brasil, ocorrendo do nordeste ao sudeste do país, com registro em literatura para os estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Pernambuco e São Paulo. NASCIMENTO, Maria Clara do. Caracterização morfométrica de Lonchophylla Thomas, 1903 (Chiroptera, Lonchophyllinae) no Brasil. 2012.

Biologia e História Natural Lonchophylla mordax é uma espécie de morcego encontrada em diversas regiões, apresentando variações em suas dimensões físicas. O crânio deste morcego pode medir entre 45 a 60 mm, enquanto sua cauda varia de 8 a 14 mm, e o antebraço entre 33,5 a 37,8 mm. Notavelmente, o antebraço destes morcegos é desprovido de pelos, assemelhando-se a outras espécies como L. dekeyseri, L. thomasi e Xeronycteris, as quais já foram confundidas anteriormente com Lonchophylla mordax.Nascimento, F. O., Nogueira, M. R., & Peracchi, A. L. (2015). Insights into the Natural History of the Nectar-Feeding Bat Lonchophylla mordax (Chiroptera: Phyllostomidae) in Southeastern Brazil. Acta Chiropterologica, 17(2), 367–374. miniaturadaimagem|Comparação de crânios: L. mordax L. inexpectata L. dekeyseri (respectivamente) A pelagem ventral deste gênero de morcegos pode variar dependendo da espécie, sendo que a L. mordax apresenta uma coloração marrom clara nessa região. Sua estrutura física guarda semelhanças com a Lonchophylla dekeyseri, diferindo principalmente nas medidas do antebraço, que é menor em L. mordax, e no crânio, que é mais robusto, maior e possui um rosto mais alongado.

É importante ressaltar que não há dimorfismo sexual entre os membros desta espécieRuschi, A. 1953. Morcegos do Estado do Espírito Santo. XVII. Família Phyllostomidae. Descrição das espécies: Lonchophylla mordax e Hemiderma perspicillatum, com algumas observações biológicas a respeito. Bol. Mus. Biol. Prof. Mello Leitão 19:1-7.. Devido à sua dieta nectarívora, a dentição é reduzida e o focinho é alongado para facilitar a alimentação. Além disso, possuem uma língua extensa, adaptada para a coleta de néctar.

No que diz respeito ao ciclo de vida e reprodução, observa-se que as fêmeas tendem a engravidar entre os meses de julho e fevereiro, enquanto os jovens são mais frequentemente encontrados nos meses de julho e agosto. O período principal de nascimento destes morcegos costuma ocorrer entre o final do período seco e o início do período chuvoso. Santos, H. M., Fagundes, A. I., Goulart, F. V. B., Albernaz, A. L., Ditchfield, A. D., Machado, R. B., et al. (2015). Current understanding of the natural history of Lonchophylla dekeyseri (Chiroptera: Phyllostomidae) from the Brazilian Cerrado. PLOS ONE, 10(7), e0134399.

Como as outras 13 espécies descritas do gênero Lonchophylla, o L. mordax é um morcego nectarívoro, portanto apesar de se alimentar de frutos e insetos, há uma preferência pelo néctar das flores. Alguns estudos mostram que sua dieta de néctar é generalista, sugerindo uma adaptação evolutiva relevante para a sobrevivência da espécie, enquanto outros pesquisadores acreditam que ele deva ser categorizado como um cactófilo oportunista.Cordero-Schmidt, E., Maruyama, P. K., Vargas-Mena, J. C., Pereira Oliveira, P., de Assis R. Santos, F., Medellín, R. A., Rodriguez-Herrera, B., & Venticinque, E. M. (2021). Bat–flower interaction networks in Caatinga reveal generalized associations and temporal stability. Biotropica, 53, 1546–1557. https://doi.org/10.1111/btp.13007SCHMIDT, Eugênia de Jesus Cordero. Interações, mecanismos de persistência e coexistência de morcegos nectarívoros e das plantas das quais se alimentam em uma floresta tropical sazonal seca no Nordeste brasileiro. 2020. 158f. Tese (Doutorado em Ecologia) - Centro de Biociências, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, 2020. miniaturadaimagem|L. mordax se alimentado do néctar de uma cactacea.|esquerda Devido aos seus hábitos alimentares, esse morcego desempenha um papel ecológico muito importante como polinizador noturno, como por exemplo para o Xiquexique tuberculatus, um cacto de antese noturna endêmico da caatinga nordestina.Emerson Antônio Rocha, Isabel Cristina Machado, and Daniela Cristina Zappi "Floral biology of Pilosocereus tuberculatus (Werderm.) Byles & Rowley: a bat pollinated cactus endemic from the “Caatinga” in northeastern Brazil," Bradleya 2007(25), 129-144, (1 December 2007). Outras espécies de cactos como Micranthocereus purpureus, Pilosocereus chrysostele, P. catingicola e P. pachycladus também servem de alimento ao L. mordax e consequentemente são polinizadas por ele.Aona LYS, Machado M, Panarin ER, Castro CC, Zappi D, Amaral MCE. 2006. Pollination biology of three Brazilian species of Micranthocereus Backeb. (Cereeae, Cactoideae) endemic to the “campos rupestres”. Bradleya 24: 39-52.Rocha EA (2007a) Fenologia, biologia da polinização e da reprodução de Pilosocereus Byles & Rowles (Cactaceaee) no Nordeste do Brasil. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Biologia Vegetal, Universidade Federal de Pernambuco, Recife, Brasil

Rocha EA, Machado ICS, Zappi DC (2007b) Floral biology of Pilosocereus tuberculatus (Wederm.) Byles & Rowley: a bat pollinated cactus endemic from the “Caatinga” in northeastern Brazil. Bradleya 25:129–144Rocha, E.A., Domingos-Melo, A., Zappi, D.C. et al. Reproductive biology of columnar cacti: are bats the only protagonists in the pollination of Pilosocereus, a typical chiropterophilous genus?. Folia Geobot 54, 239–256 (2019).

Além disso, é comprovado que a disponibilidade de recursos florais de Cactaceae, afetam positivamente a probabilidade de ocorrência de lactação nos indivíduos, reforçando a relação entre essa espécie e a família dos cactos.

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