Rebel Heart Tour foi a décima turnê da cantora estadunidense Madonna, feita em suporte ao seu décimo terceiro álbum de estúdio Rebel Heart (2015). A excursão teve início em 9 de setembro de 2015 no Bell Centre em Montreal, Canadá, e terminou em 20 de março de 2016 na Allphones Arena em Sydney, Austrália, percorrendo a América do Norte, Ásia, Europa e Oceania ao longo de 82 concertos. Rumores de uma possível digressão em divulgação ao disco começaram a circular em janeiro de 2015, antes mesmo de seu lançamento, que viria a ser oficialmente anunciada em 1.º de março daquele ano na página oficial da artista. Em colaboração com a divisão global da Live Nation Entertainment, Madonna levou a Rebel Heart Tour a regiões que ainda não havia se apresentado, como Taiwan, Tailândia, Hong Kong, Macau, Filipinas, Singapura e Nova Zelândia, foi também a segunda vez que se apresentou na Austrália e em Porto Rico desde a The Girlie Show em 1993.

Subsequentemente ao anúncio, iniciaram-se os ensaios da turnê, que se estendiam por 10 a 12 horas diárias e contavam com a presença da equipe criativa de Madonna, bem como produtores, estilistas e coreógrafos. Inspirada em espetáculos como o Cirque du Soleil e nas celebrações do Ano-Novo Chinês, como também nos filmes 300 (2006) e Grease (1978), a produção foi dirigida criativamente por Jamie King, enquanto Megan Lawson e Jason Yong ficaram responsáveis pela coreografia. Os figurinos utilizados foram desenvolvidos pelas grifes Moschino, Prada, Miu Miu e Gucci, complementados por adereços da Swarovski. Os elementos multimídia foram produzidos pela Moment Factory, com quem Madonna havia trabalhado anteriormente no show do intervalo do Super Bowl XLVI e na The MDNA Tour (2012), enquanto o som e a iluminação ficaram a cargo das empresas Clay Paky e DiGiCo, respectivamente. O espetáculo teve como tema central o amor e o romance, sendo estruturado em quatro segmentos temáticos: Joan of Arc/Samurai, Rockabilly Meets Tokyo, Latin/Gypsy e Party/Flapper. Com mais de 20 canções, o repertório foi composto por faixas de toda a carreira da artista, decisão tomada para "satisfazer seus fãs", segundo declarou a própria.

Apesar das controvérsias, a Rebel Heart Tour foi recebida com análises positivas de críticos de música e entretenimento, que destacaram a expressividade cênica da cantora, além de seus vocais e seu visual. Com mais de 1,04 milhões de espectadores e uma receita total superior a 169 milhões de dólares, o resultado estendeu o recorde de Madonna como a artista solo de maior arrecadação em turnês, com mais de 1,31 bilhão de dólares desde a Blond Ambition World Tour (1990), consolidando-a como o terceiro ato mais bem-sucedido da Billboard Boxscore, apenas atrás dos Rolling Stones e U2. Os dois últimos concertos realizados na Allphones Arena, foram gravados sob direção de Danny Tull e Nathan Rissman e, em seguida, foi transmitido pelo canal a cabo Showtime com o título Madonna: Rebel Heart Tour, sendo disponibilizado em 15 de setembro de 2017 em CD/DVD e Blu-ray.

Antecedentes

Em março de 2015, Madonna lançou seu décimo terceiro álbum de estúdio, Rebel Heart, após seu conteúdo ter sido divulgado de forma não autorizada antes do lançamento oficial. Diversos meios de comunicação começaram a divulgar informações sobre a turnê em suporte ao disco, oficialmente anunciada em 1.º de março de 2015 por meio da página oficial de Madonna. A então, intitulada Rebel Heart Tour, estava inicialmente prevista para começar em 29 de agosto de 2015, em Miami, seguida de apresentações na Europa e encerrando-se em 20 de dezembro de 2015, em Glasgow, na Escócia. A digressão esteve sob responsabilidade da divisão global da Live Nation Entertainment, com Arthur Fogel à frente de suas operações, em sua quinta colaboração com a cantora. Fogel considerou que o vazamento despertou maior interesse pela música de Madonna, o que acabou favorecendo a excursão. Acrescentando: "É um pouco estranho como tudo isso aconteceu, mas certamente não teve um impacto negativo sobre o interesse do público pelo novo material. Qualquer coisa que ajude a divulgá-lo acaba sendo benéfica, mesmo que aconteça de forma incomum".

Em 21 de maio de 2015, Madonna anunciou o reagendamento das cinco primeiras apresentações para janeiro de 2016. Segundo a cantora, a decisão foi motivada por questões logísticas da produção, e anunciou que a turnê teria início em 9 de setembro de 2015, no Bell Centre, em Montreal, Canadá. De acordo com a Billboard, a Rebel Heart Tour seria realizada exclusivamente em arenas e incluiria cidades onde Madonna ainda não havia se apresentado. No início de 2016, a artista retornou à Austrália após mais de duas décadas, desde a The Girlie Show, em 1993, e apresentou-se pela primeira vez na Nova Zelândia. As Filipinas também passaram a integrar a etapa asiática, com dois concertos no SM Mall of Asia, em fevereiro de 2016. Após o seu início, Madonna anunciou outras 16 apresentações na Ásia e na América do Norte, que incluíram suas primeiras passagens por Taipé, Bangcoc, Louisville, San Antonio, Tulsa e Nashville, além de seu retorno a Tóquio após uma década e de datas adicionais na Cidade do México e em Houston. Um espetáculo em Singapura foi confirmado para 28 de fevereiro de 2016, classificado como "apenas para adultos" pela Media Development Authority (MDA). Antes de desembarcar na Austrália, a musicista anunciou uma apresentação especial para 10 de março de 2016, no Forum Theatre, em Melbourne, que definiu como "intimista" e estruturada como uma fusão de música, arte e comédia. Intitulado Madonna: Tears of a Clown, o evento foi criado especificamente para o público australiano.

Desenvolvimento Concepção e ensaios

Madonna disse para a Rolling Stone que, durante o processo de composição de Rebel Heart, teve "momentos fugazes de ideias" do que gostaria de incluir na turnê. A definição dos conceitos, no entanto, só se consolidou com o início das apresentações em divulgação do disco. Segundo a artista, a intenção era "criar personalidades que evoluem e se transformam", e, naquela fase, tratava-se apenas do início dessa construção. Os ensaios da excursão chegaram a durar entre dez e doze horas por dia. A rotina exaustiva levou Madonna a ter um assistente responsável por sua alimentação e cuidados nutricionais. "Quando estou em turnê, gosto dos ensaios e da criação de tudo. Gosto de vestir minhas roupas de ensaio, suar e não me preocupar com a aparência, apenas me concentrar no que quero expressar e fazer", afirmou. Ao contrário da The MDNA Tour (2012), a cantora afirmou que o filho, Rocco, não participaria das apresentações, optando por trabalhar nos bastidores.

Em julho de 2015, Madonna seguia desenvolvendo o repertório com sua equipe de diretores criativos, produtores, estilistas e coreógrafos. Segundo a mesma, a turnê teria um caráter "teatral" e abrangeria canções de toda a sua carreira. Entretanto, Madonna enfrentou dificuldades na seleção do repertório, pois queria apresentar canções de Rebel Heart e, ao mesmo tempo, incluir clássicos de seu catálogo. Comentando ainda que "as canções, antigas e novas, precisam se encaixar tanto tematicamente quanto sonoramente". O concerto foi dividido em quatro segmentos temáticos, formato recorrente nas turnês da cantora: Joan of Arc/Samurai, Rockabilly Meets Tokyo, Latin/Gypsy e Party/Flapper. A atmosfera festiva e romântica do espetáculo foi associada ao título do disco, refletindo uma jornada pelas ideias e percepções de Madonna sobre "ser um coração rebelde. Viver em nome do amor. Sabe, elas todas são meio que interligadas. Crescer cada vez mais, acreditar em seus sonhos, seguir em frente, coisas do tipo... Sabe, as coisas simples da vida". O amor e o romance serviram como eixo central da apresentação, concebida para inspirar o público. Além disso, o contraste entre sexualidade e religião foi um dos temas que mais despertaram seu interesse, já que Madonna afirmou estar "bastante imersa" em como esses dois elementos, apesar de parecerem incompatíveis, se unem em seu universo artístico. Em entrevista ao The Oakland Press, a musicista explicou:

A Rebel Heart Tour teve como inspirações espetáculos do Cirque du Soleil, o Ano-Novo Chinês e filmes como 300 (2007) e Grease (1978). Jamie King atuou como diretor criativo da turnê, enquanto Megan Lawson e Jason Young coreografaram os 20 dançarinos com movimentos acrobáticos e precisos. Madonna explicou que, por ter começado a carreira como dançarina, procurou selecionar "dançarinos únicos e originais" para a digressão e desenvolver coreografias capazes de inspirar os espectadores. "É um grande objetivo", afirmou, "mas é o que devemos ter, grandes objetivos". O coreógrafo francês Sébastien Ramirez passou a integrar a equipe após um processo seletivo que reuniu mais de cinco mil candidatos, com audições em Paris, Nova Iorque e Los Angeles. Madonna gostou de seu trabalho e o selecionou para coreografar duas canções do espetáculo. Ramirez surpreendeu-se com o ritmo acelerado de criação e troca de ideias entre a artista e sua equipe. Encarregada do espetáculo como um todo, a artista descrevia a emoção por trás de cada faixa e confiava em Ramirez e nos demais coreógrafos para materializar essas ideias no palco.

Dois clipes foram divulgados no perfil do Instagram da cantora, apresentando partes dos ensaios. Ao som de "Devil Pray" e "Iconic", ambas de Rebel Heart, as gravações mostravam coreografias de inspiração flamenca, freiras dançando em poles e um cenário detalhado, com dançarinos carregando grandes adereços. A artista seguiu publicando fotos e vídeos relacionados à turnê, bem como conteúdos referentes aos workshops de preparação coreográfica. Madonna escolheu a comediante Amy Schumer como ato de abertura para abrir os concertos em Nova Iorque, em vez de contratar uma banda ou um DJ, como era habitual. A decisão surgiu do desejo de tentar algo novo e da visão de Schumer como uma referência para jovens mulheres. Diplo, um dos produtores de Rebel Heart, foi escolhido para abrir as apresentações em Montreal.

Palco e montagem miniatura|direita|220px|O palco era composto por uma longa passarela em forma de cruz, que se estendia a partir de sua área central até uma plataforma secundária em formato de coração. Para a concepção do palco, Madonna contratou a Stufish, empresa especializada em design criativo e logístico. O projeto começou a ser desenvolvido em janeiro de 2015, com Madonna e King envolvidos no processo após a definição de um repertório com 25 canções. O tema central de Rebel Heart foi reproduzido na passarela, cujo formato remetia a uma flecha ou cruz, com um coração na extremidade. A Stufish, responsável pelas estruturas cênicas da The MDNA Tour, foi novamente contratada para a Rebel Heart Tour. As extensões laterais da passarela se projetavam a partir do centro, o que permitia que Madonna e seus dançarinos circulassem mais próximos do público. Em tom bem-humorado, Ric Lipson, arquiteto da Stufish, disse que o palco se assemelhava a um pênis e recordou que Madonna dizia que "corações e pênis têm claramente uma forte conexão, e essa é a maneira de Deus de pôr [minha] vida em movimento". De grandes dimensões, o palco principal era elevado e ficava posicionado no fundo das arenas, com uma longa passarela projetando-se a partir de sua área central. A extensão contava com uma plataforma circular na parte intermediária e dava acesso a uma estrutura secundária em formato de coração. Com o objetivo de facilitar a entrada e a saída de Madonna e de seus dançarinos, foram criadas aberturas ao longo de toda a estrutura, além de corredores internos na parte inferior. Atrás da montagem principal, três grandes telões compunham o cenário, diante dos quais ficavam a banda e as duas vocalistas de apoio de Madonna. A área cênica foi separada do público e dos espaços de produção na parte frontal por barreiras e estruturas de isolamento da Mojo Barriers, todas em alumínio preto.