thumb|320px|direita|Em Pernambuco surgiram o primeiro folguedo e o primeiro ritmo afro-brasileiros: a Congada e o Maracatu. Na foto, cortejo de Maracatu Nação em Olinda. A cultura de Pernambuco é uma das culturas mais ativas, ricas e diversificadas do Brasil. Sua base é luso-brasileira, com influências africana, indígena, judaica e holandesa. Trata-se de uma cultura bastante particular e típica, mas extremamente variada, constituindo um dos pilares da cultura brasileira. Primeiro núcleo econômico do país, Pernambuco é uma área de povoamento muito antigo.

Para além do frevo, do maracatu, da roda de coco e da congada, está em Pernambuco a origem remota ou recente de diversos símbolos culturais do Brasil: os primeiros registros da palavra "samba" ocorreram no Recife; os mais antigos relatos de carnaval no Brasil são de Pernambuco; a cachaça tem provável origem nos engenhos de açúcar pernambucanos, nos primórdios do Brasil Colônia; e são de Pernambuco os registros mais antigos da feijoada à brasileira, considerada o prato nacional do país.

Além disso, personalidades pernambucanas, individualmente, influenciaram de diversos modos a cultura nacional: o jornalista Mário Filho, irmão de Nelson Rodrigues, organizou o primeiro desfile competitivo das escolas de samba do Rio de Janeiro, revolucionando o carnaval carioca assim como fez, anos depois, o médico e político Pedro Ernesto, ao tornar-se o maior benfeitor do Carnaval do Rio; e dois sertanejos, Luiz Gonzaga e Lampião, difundiram com grande êxito a cultura do semiárido brasileiro.

Literatura thumb|direita|Frontispício do Historia Naturalis Brasiliae, primeiro tratado de história natural do Brasil. Em Pernambuco surgiu o primeiro poema da literatura brasileira, Prosopopeia, de Bento Teixeira, que conta em estilo épico, inspirado em Camões, as façanhas da família Albuquerque, tendo sido dedicado ao então governador de Pernambuco, Jorge de Albuquerque Coelho. Prosopopeia foi publicado no ano de 1601.MONTEIRO, Clóvis - Esboços de história literária - Livraria Acadêmica - 1961 - Rio de Janeiro - pgs.55-57

Outro marco na literatura pernambucana é o livro Historia Naturalis Brasiliae, primeiro tratado de história natural do Brasil, de autoria do médico e naturalista holandês Guilherme Piso, que o concebeu através da observação do jardim zoobotânico do Palácio de Friburgo, residência de Maurício de Nassau durante o domínio holandês.

Já em fins do século XIX, duzentos e cinquenta anos depois de Historia Naturalis Brasiliae, o abolicionista pernambucano Joaquim Nabuco estava concluindo Minha Formação, obra clássica da literatura brasileira. Anos mais tarde é lido, na Semana de Arte Moderna (1922), o poema Os Sapos do recifense Manuel Bandeira, considerado o abre-alas do movimento. São também do século XX obras reverenciadas internacionalmente como Pedagogia do Oprimido (Paulo Freire), Casa-Grande & Senzala (Gilberto Freyre) e Morte e Vida Severina (João Cabral de Melo Neto).

Os literatos de Pernambuco são muitos. Alguns deles: João Cabral de Melo Neto, Nelson Rodrigues, Paulo Freire, Manuel Bandeira, Clarice Lispector, Gilberto Freyre, Joaquim Nabuco, Ariano Suassuna, Joaquim Cardozo, Josué de Castro, Manuel de Oliveira Lima, Barbosa Lima Sobrinho, Osman Lins, Austregésilo de Athayde, Olegário Mariano, Adelmar Tavares, Álvaro Lins, Marcos Vilaça, Martins Júnior, Mauro Mota, Dantas Barreto, Geraldo Holanda Cavalcanti, Evaldo Cabral de Mello, Evanildo Bechara, João Carneiro de Sousa Bandeira, dentre diversos outros, muitos dos quais egressos da centenária Faculdade de Direito do Recife, primeira faculdade de Direito do Brasil. Clarice Lispector, ucraniana naturalizada brasileira e um dos maiores nomes da literatura nacional, se declarava pernambucana por ter vivido a maior parte de sua infância e adolescência no Recife.

Bibliotecas miniaturadaimagem|Gabinete Português de Leitura de Pernambuco. No estado há a rede de bibliotecas públicas do Sistema Estadual de Bibliotecas, integrado ao Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas.Decreto presidencial nº 520/1992 Entre as principais bibliotecas estão a Biblioteca Pública do Estado de Pernambuco e a Biblioteca Pública de Olinda, esta última criada por lei assinada pelo imperador Pedro I em 1830.CUNHA, Murilo Bastos da; CAVALCANTI, Cordélia Robalinho de Oliveira. Dicionário de Biblioteconomia e Arquivologia. Brasília, Briquet de Lemos, 2008. ISBN 9788585637354George Ermakoff. Bibliotecas Brasileiras, tradução de Luis Brown. Rio de Janeiro: George Ermakoff Casa Editorial, 2015. ISBN 978-85-98815-33-6

Ciência e tecnologia Em 1895 foi criada a Escola de Engenharia de Pernambuco, primeira escola de engenharia fora da região Sudeste. Nela, que logo se tornou uma das principais instituições científicas do país, surgiu uma leva de grandes cientistas brasileiros, como Mário Schenberg, José Leite Lopes e Leopoldo Nachbin, graças à ação catalisadora do professor Luís Freire, conhecido por participar ativamente de movimentos em favor da criação de escolas aptas a formar pesquisadores em matemática e física. Reconhecido como berço de cientistas destacados e nomes notórios das ciências exatas, Pernambuco deu origem ainda a nomes como Paulo Ribenboim, Aron Simis, Samuel MacDowell, Joaquim Cardozo, Gauss Moutinho Cordeiro, Ruy de Queiroz, Israel Vainsencher, Sóstenes Lins, Josué de Castro, Norberto Odebrecht, Cristovam Buarque, Fernando de Souza Barros, Ricardo Ferreira, Leandro do Santíssimo Sacramento, José Tibúrcio Pereira Magalhães, Edson Mororó Moura, Fernando Cardoso, Antônio de Queiroz Galvão, dentre muitos.

Música e dança thumb|direita|Frevo, manifestação pernambucana declarada Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO. thumb|direita|Os pernambucanos Luiz Gonzaga e Lampião são figuras antológicas do sertão nordestino. O "Rei do Baião" foi um dos artistas mais influentes da música brasileira; e o "Rei do Cangaço" difundiu a dança do Xaxado, além de ter composto a célebre canção Mulher Rendeira segundo estudiosos.

Vários gêneros musicais e danças surgiram no estado de Pernambuco desde o período colonial.

O Maracatu Nação, também conhecido como "Maracatu de Baque Virado", é uma manifestação folclórica pernambucana, tida como o primeiro ritmo afro-brasileiro. É formado por um conjunto musical percussivo que acompanha um cortejo real. Os grupos apresentam um espetáculo repleto de simbologias e marcado pela riqueza estética e pela musicalidade. O momento de maior destaque consiste na saída às ruas para desfiles e apresentações no período carnavalesco. O registro mais antigo que se tem sobre o Maracatu Nação data de 1711, mas o ano de sua origem é incerto. O que se sabe é que ele surgiu em Pernambuco e vem se transformando desde então. Um dos maracatus mais antigos é o Maracatu Elefante, fundado em 15 de novembro de 1800 no Recife pelo escravo Manuel Santiago após sua insurreição contra a direção do Maracatu Brilhante.

O Maracatu Rural, também referido como "Maracatu de Baque Solto", é outra manifestação cultural de Pernambuco, na qual figuram os conhecidos "caboclos de lança". Distingue-se do Maracatu Nação em organização, personagens e ritmo. O Maracatu "Cambinda Brasileira" é o mais antigo em atividade no país. O Maracatu Rural significa para seus integrantes algo a mais que uma brincadeira: é uma herança secular, motivo de muito orgulho e admiração. O cortejo do Maracatu Rural diferencia-se dos outros maracatus por suas características musicais próprias e pela essência de sua origem refletida no sincretismo de seus personagens.

O Coco, dança de roda e ritmo de origem remota, surgiu nos engenhos de açúcar da antiga Capitania de Pernambuco, com influências dos batuques africanos e dos bailados indígenas. A primeira referência que se tem sobre o Coco data da segunda metade do século XVIII.

O Frevo, um dos principais gêneros musicais e danças do estado e símbolo do Carnaval Recife–Olinda, se caracteriza pelo ritmo acelerado e pelos passos que lembram a capoeira. Esse gênero já revelou e influenciou grandes músicos brasileiros. Antes da criação da axé music na década de 1980 o Frevo era utilizado também no Carnaval de Salvador. Em cerimônia realizada na cidade de Paris, França, no ano de 2012, a UNESCO anuncia que, aprovado com unanimidade pelos votantes, o Frevo foi eleito Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.

Nos anos 1990 surgiu em Pernambuco o Manguebeat, movimento da contracultura que mistura ritmos regionais, como o maracatu, com rock, hip hop, funk e música eletrônica. Tem como principais críticas o abandono econômico-social do mangue e a desigualdade do Recife. Apesar de ter bases já na década de 1970 com o guitarrista Robertinho do Recife e seus álbuns "Jardim da Infância" (1977), "Robertinho no Passo" (1978) e "E Agora pra Vocês... Suingues Tropicais" (1979), o manguebeat tem como ícone o músico Chico Science, ex-vocalista, já falecido, da banda Chico Science e Nação Zumbi, que foi o idealizador do rótulo mangue e principal divulgador das ideias, ritmos e contestações do movimento. Outro grande responsável pelo crescimento do gênero foi Fred Zero Quatro, vocalista da banda Mundo Livre S/A e autor do primeiro manifesto do Mangue de 1992, intitulado "Caranguejos com cérebro".

O Baião, gênero de música e dança, teve como maior expoente o pernambucano Luiz Gonzaga. O ritmo, ao lado de outros como o Xote, faz parte do chamado Forró. Já o Xaxado, dança típica originária do sertão pernambucano, é exclusivamente masculina e foi divulgada numa vasta área do interior nordestino pelo cangaceiro Lampião e pelos integrantes do seu bando. Também são muito comuns em Pernambuco as Bandas de Pífanos, além de outras músicas e danças oriundas do estado, como a Ciranda, o Afoxé, o Cavalo-Marinho, os Caboclinhos, o Pastoril, a Embolada, dentre outras manifestações.

Teatro e televisão thumb|direita|Nova Jerusalém, localizada no município de Brejo da Madre de Deus, Agreste de Pernambuco, é o maior teatro a céu aberto do mundo. Todos os anos, nas semanas que antecedem a Páscoa, realiza-se o espetáculo da Paixão de Cristo de Nova Jerusalém no distrito de Fazenda Nova, na cidade de Brejo da Madre de Deus, agreste pernambucano. O evento, que é encenado naquele local, é reconhecido como o maior teatro ao ar livre do mundo. A cidade-teatro de Nova Jerusalém impressiona pela arquitetura: a construção é uma réplica da Judeia sagrada, com lagos artificiais, nove palcos, uma muralha de 3.500 m e 70 torres. Vários atores e atrizes de sucesso da Rede Globo já atuaram em Nova Jerusalém. A Paixão de Cristo existe desde 1951, como espetáculo teatral.

Pernambuco deu origem ao Mamulengo, nome dado ao teatro de bonecos brasileiro, tido como um dos mais ricos espetáculos populares do país. É uma representação de dramas através de bonecos, em pequeno palco elevado coberto por uma empanada, atrás do qual ficam as pessoas que dão vida e voz aos personagens. Glória do Goitá, município da Zona da Mata pernambucana, detém o título de "berço do mamulengo".

Em Pernambuco há diversas emissoras de televisão. A TV Globo Pernambuco, pertencente ao Grupo Globo, tem sede no Recife. Diretores, produtores, roteiristas e dramaturgos pernambucanos como Aguinaldo Silva, Guel Arraes, João Falcão, George Moura e Flávia Lacerda realizaram diversas novelas, séries, minisséries e programas de auditório televisivos, como Senhora do Destino, Sexo Frágil, Cinquentinha, Amorteamo, entre muitas outras produções. George Moura, criador de sucessos como a minissérie Amores Roubados, foi seis vezes indicado ao Emmy International pelo roteiro de episódios do especial Por Toda a Minha Vida da Rede Globo.

Artes visuais

thumb|esquerda|A produção cinematográfica de Pernambuco é muito respeitada pela crítica, e recordista de premiações em diversos festivais de cinema. thumb|esquerda|Caruaru é o maior centro de arte figurativa das Américas segundo a UNESCO.