Mogi das Cruzes, ou simplesmente Mogi, é um município brasileiro do estado de São Paulo, localizado na região do Alto Tietê, na Região Metropolitana de São Paulo.

Sua divisão administrativa é formada pela sede e pelos distritos de Biritiba Ussu, Brás Cubas, César de Sousa, Jundiapeba, Quatinga, Sabaúna, Alto do Parateí, Cocuera, Taboão e Taiaçupeba.

O bandeirante paulista Gaspar Vaz deu início ao povoado, que tornou-se a Vila de Sant'Anna de Mogi Mirim, criada oficialmente em 1 de setembro de 1611 e que viria a se tornar a cidade de Mogi das Cruzes, eventualmente se tornando um ponto de parada entre São Paulo e Rio de Janeiro. Geminação Mogi das Cruzes possui três cidades-irmãs: Seki, Japão. (Desde 1969) Toyama, Japão. (Desde 1979) São Vicente, Brasil. (Desde 2021)

Topônimo

thumb|esquerda|Do tupi: mboîa, cobra, e 'y, rio. Ambos os termos estão em relação genitiva, o que dá a ideia de origem, pertencimento, e enseja a inversão dos termos (conforme indicam as setas). A composição resultante seria mboîy. A semivogal î pode ter som de "gê" em início de sílaba; daí a origem desse som no topônimo.NAVARRO, E. A. Dicionário de tupi antigo: a língua indígena clássica do Brasil. São Paulo. Global. 2013. p. 588. Segundo Eduardo Navarro, em seu Dicionário de Tupi Antigo (2013), mogi é um nome de origem tupi antiga que significa "rio das cobras", através da junção de moîa (ou mboîa), "cobra", e 'y, "rio", referindo-se ao Tietê, o qual, em seu alto curso, cruza o município. Ao longo dos anos, a grafia M'Boijy, que significa rio da cobra, foi alterada para Boigy, depois para Mogy, Moji e finalmente para Mogi.

Segundo as normas ortográficas vigentes da língua portuguesa, este topônimo deveria ser grafado Moji pois prescreve-se o uso da letra "j" para a grafia de palavras de origem tupi-guarani. Assim, tanto o dicionário Houaiss como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística usam a grafia Moji. Historicamente, no entanto, o uso mais comum, apoiado pela administração pública e pela imprensa, é Mogi para o nome da cidade. Dois outros municípios que usam o nome de Mogi são Mogi Guaçu e Mogi Mirim.

Por se tratar de topônimo com tradição histórica secular e uso consagrado pelos brasileiros, a grafia com "g" também é aceita (assim como em "Sergipe"), de acordo com a norma ortográfica vigente em sua Base XI:

Base XI - Nomes Próprios: regras do Formulário para aportuguesamentos e nomes próprios. Ressalva ao direito de manter a grafia original dos nomes próprios de pessoas e empresas. Exceção feita aos topônimos de tradição histórica, tais como "Bahia".

História

thumb|esquerda|Obra de Debret (1768-1848) mostrando soldados oriundos da cidade em combate.

Mogi das Cruzes começou como um povoado, por volta de 1560, servindo como um ponto de repouso aos bandeirantes e exploradores indo e vindo de São Paulo, entre eles Brás Cubas. Em setembro de 1608, o Capitão-Mor da Capitania de São Vicente Gaspar Conqueiro concedeu a Gaspar Vaz Guedes uma Sesmaria naquela localidade. Gaspar Vaz Guedes foi responsável pela abertura da primeira estrada entre a capital e Mogi, iniciando o povoado, posteriormente elevado à "Vila", com o nome "Vila de Sant'Ana de Mogi Mirim". O fato foi oficializado em 1º de setembro de 1611. Em 13 de março de 1865 foi elevada à cidade, e em 14 de abril de 1874 à comarca.

De acordo com o historiador Isaac Grinberg, o bandeirante Gaspar Vaz Guedes além de responsável pela abertura e por desbravar estas terras, após adquirir uma sesmaria na região, o mesmo também foi responsável pelo pedido de elevação do povoado a vila. Fato que se deu em 1611, aos primeiro de Setembro.

Mogi das Cruzes acolhe colônias de todos os cantos do mundo, com destaque especial para a colonização japonesa, com uma grande quantidade de japoneses e seus descendentes (aproximadamente 20% segundo a prefeitura), que já estão em sua terceira geração no município. Além disso, o município possui uma considerável população nordestina, sendo que a maioria veio para a capital estadual e, depois, mudou-se para Mogi das Cruzes em busca de melhor qualidade de vida.

Geografia Mogi das Cruzes situa-se a uma altitude média de 780 metros. Seu ponto mais alto é o Pico do Urubu com 1 160 metros, localizado na Serra do Itapety. O município é cortado por duas serras: a Serra do Mar e a Serra do Itapety e ainda pelo Rio Tietê. Em seu território se encontram duas represas que fazem parte do Sistema Produtor do Alto Tietê, os reservatórios de Taiaçupeba e do rio Jundiaí.

Localização Mogi das Cruzes está situada na região leste da Grande São Paulo, no Alto Tietê. O ponto de referência é o marco zero, um obelisco instalado na Praça Coronel Benedito de Almeida, em frente à Igreja Matriz Catedral Sant'Ana.

Latitude: -23º31'23,7" sul. Longitude: -46º11'31,2" oeste. Altitude: 742 metros acima do nível do mar.

Os limites são Arujá a noroeste, Santa Isabel a noroeste e norte, Guararema a nordeste, Biritiba Mirim a leste, Bertioga e Santos a sul, Santo André a sudoeste, Suzano a sudoeste e oeste e Itaquaquecetuba a oeste.

Depois da capital paulista, Mogi das Cruzes é o maior município em área da Grande São Paulo, com 712,541 quilômetros quadrados.

Rodovias O município é cortado e servido pelas seguintes rodovias: SP-70 - Rodovia Ayrton Senna; SP-98 - Rodovia Dom Paulo Rolim Loureiro (Rodovia Mogi-Bertioga); SP-88 - Rodovia Pedro Eroles (Rodovia Mogi-Dutra) e Rodovia Prof. Alfredo Rolim de Moura (Rodovia Mogi-Salesópolis); SP-66 - Rodovia Henrique Eroles (Antiga Estrada São Paulo-Rio e Rodovia Mogi-Guararema); SP-39 - Rodovia Engenheiro Cândido do Rego Chaves (Estrada das Varinhas e Rodovia Mogi-Quatinga); SP-102 - Rodovia Prefeito Francisco Ribeiro Nogueira (Rodovia Mogi-Taiaçupeba); SP-43 - Estrada Vereadora Mercedes D'Orto.

Ferrovias O município é cortado pelas seguintes ferrovias: Linha 11 do Trem Metropolitano de São Paulo; Variante do Parateí da antiga Estrada de Ferro Central do Brasil; Ramal de São Paulo da antiga Estrada de Ferro Central do Brasil (sendo continuada como a Linha 11 da CPTM).

Demografia

Dados demográficos De acordo com o Censo Demográfico, a população de Mogi das Cruzes em 2022 era de 449.955 pessoas, o que representa um aumento de 16,03% em relação ao último Censo, realizado em 2010.

Mogi das Cruzes apresenta densidade demográfica de 631,48 habitantes por km² e média de 2,84 moradores por residência. É a cidade da região do Alto Tietê com maior população, seguida por Itaquaquecetuba e, posteriormente, Suzano.

População total: 449.955 (2022) Densidade demográfica (hab./km²): 631,48 (2022) População Urbana: 400.435 População Rural: 30.466 Mortalidade infantil: 10,99 óbitos por mil nascidos vivos (dados de 2019) Expectativa de vida: 71,08 anos Taxa de fecundidade (filhos por mulher): 2,15 Taxa de alfabetização: 93,50% Índice de Desenvolvimento Humano (IDH-M): 0,783 IDH-M Renda: 0,762 IDH-M Longevidade: 0,851 IDH-M Educação: 0,740

Etnias RaçaPorcentagemBranca54,94%Preta8,47%Parda32,79%Amarela3,68%Indígena0,12% Fonte: IBGE

Política e administração

O Poder Executivo da cidade de Mogi das Cruzes é representado pelo prefeito e seu gabinete de secretários, seguindo o modelo proposto pela Constituição Federal.

Economia thumb|right|Shopping em Mogi das Cruzes. Mogi das Cruzes tem uma economia diversificada. Possui uma agricultura muito forte: é o maior polo produtor de hortaliças, cogumelos, caqui, orquídeas e nêsperas do Brasil.

Por outro lado, é uma cidade que vive uma expansão industrial forte, com 3.034 indústrias (2023), entre elas, temos a General Motors (GM), gigante multinacional com sede em Detroit, especializada em fabricação automotiva; JSL (antiga Júlio Simões Logística), multinacional brasileira com sede em Mogi mesmo, atua no ramo logístico, transporte rodoviário de cargas e fretamento; Valtra, multinacional finlandesa controlada pela AGCO Corporation, é a maior fabricante de tratores e equipamentos agrícolas do país, a Imerys do Brasil, especializada na produção e processamento de minerais industriais e químicos; Kimberly Clark, multinacional americana líder em produtos de cuidados pessoais, higiene, saúde e bem-estar; Höganäs Brasil Ltda, multinacional sueca, com foco na fabricação de pós metálicos em materiais usados nas indústrias automotiva, aeroespacial e energética; Gerdau, multinacional brasileira produtora de aço e uma das principais fornecedoras de aços longos e aços especiais em todo Continente Americano.

O setor industrial emprega cerca de 24 mil pessoas. No setor de serviços, há 21 mil pessoas empregadas e uma das maiores empresas de telemarketing do país, a Neobpo, que emprega mais de 3 mil pessoas. No comércio, há aproximadamente 57.330 estabelecimentos ativos (2024) e mais de 20 mil pessoas empregadas. Sendo esse, um crescimento de 20.669 novas empresas no município desde 2021, um aumento de 56%.

No espaço de 15 milhões de metros quadrados, a prefeitura oferece incentivos fiscais, que variam de acordo com o faturamento e geração de empregos do empreendimento e já abriga 35 indústrias, entre elas a GM Motors e a Kimberly Clark.

Infraestrutura Segurança Pública Ocorrências por 100 mil habitantes Os dados referente ao número de ocorrências por 100 mil habitantes, no ano de 2016: Homicídio Doloso : 7,23 Furto: 416,20 Roubo: 217,51 Furto e Roubo de Veículos: 226,93

Ocorrências absolutas em 2016: Homicídio Doloso: 30 ( 0,08 por dia) Furto: 2.973 (8,14 por dia) Roubo: 1.318 (3,60 por dia) Furto e roubo de veículos: 942 (2,6 por dia)

Gráfico de Roubo e Furto de Veículos: Abaixo está o gráfico que mostra a evolução do número de roubo e furto de veículos a partir de 2001 até 2016:

Gráfico de homicídios dolosos: Abaixo está o gráfico que mostra a evolução do número de homicídios dolosos a partir de 2001 até 2016:

CDP Mogi das Cruzes Mogi das Cruzes conta também com um Centro de Detenção Provisória (CDP), que foi inaugurado em 15 de Outubro de 2002 e que é administrado pela SAP (Secretaria de Administração Penitenciária) e está localizado na Estrada do Taboão. Segundo a SAP a capacidade do CPD Mogi das Cruzes é de 584 detentos. Em 2016, a realidade é que o CDP lidava com superlotação de mais de 2.000 pessoas. Em 2020, o CDP ainda tinha uma superlotação de 1.573 para um CDP equipado para apenas 844 detentos.

Transportes Ferroviário thumb|Estação Mogi das Cruzes. O município é servido pelos trens da Linha 11 do Trem Metropolitano de São Paulo e conta com quatro estações:

Estação Jundiapeba (distrito de Jundiapeba); Estação Braz Cubas (distrito de Brás Cubas); Estação Mogi das Cruzes (centro, acesso ao Terminal Central de ônibus); Estação Estudantes (acesso às universidades UMC e Braz Cubas, ao Mogi Shopping, ao Terminal Rodoviário Geraldo Scavone e ao Terminal Estudantes de ônibus).

Também no município situa-se a antiga Estação Sabaúna, atualmente utilizada como espaço cultural e ocasionalmente usada como destino do Expresso Turístico, principalmente na época do Natal.

Rodoviário miniaturadaimagem|Terminal Estudantes de ônibus municipais e intermunicipais. Duas empresas são responsáveis por operar os ônibus municipais: CS Brasil e Princesa do Norte. Os ônibus são integrados pelo Sistema Integrado Mogiano (SIM), que separa a cidade em oito regiões diferentes. É possível realizar a integração com linhas diferentes com o cartão eletrônico.

Há dois terminais de ônibus na cidade: o Terminal Central, que se interliga a Estação Mogi das Cruzes da CPTM e o Terminal Estudantes, que fica próximo da estação de mesmo nome.

O município também é servido por linhas de ônibus intermunicipais da EMTU-SP, através do Consórcio Unileste, que ligam Mogi das Cruzes às cidades de Arujá, Biritiba Mirim, Ferraz de Vasconcelos, Guararema, Guarulhos, Itaquaquecetuba, Poá, Salesópolis, Santa Isabel, São Paulo e Suzano.