thumb|292px|Ruínas do Templo de Pravareshvara Shiva construído em Mansar pelo rei Vakataka Pravarasena II
thumb|292px|Aspeto das grutas de Ajanta, escavadas e transformadas em locais de culto budistas (viaras e chaityas), a maaior parte delas construídas sob o patrocínio do imperador Vakataka Harixena
A dinastia Vākāṭaka () foi um clã real indiano surgido no Decão em meados do Supõe-se que os seus territórios se estenderam desde os limites meridionais de Malwa e de Guzerate, a norte, até ao a sul, bem como do mar Arábico a oeste até aos limites de Chatisgar a leste. Os Vakatakas foram os sucessores mais importantes dos Satavahanas no planalto do Decão e contemporâneos dos Guptas do norte da Índia.
Os Vākāṭakas, como muitas dinastias coevas do Decão, reclamavam origem budista. Pouco se sabe acerca do fundador, Vindhyaśakti . A expansão territorial começou no reinado do seu filho, Pravarasena I. Geralmente aceita-se que a dinastia se dividiu em quatro ramos depois de Pravarasena I. Dois desses ramos são conhecidos (Pravarpura-Nandivardana e Vatsagulma) e os outros dois deconhecidos. Os primeiros são os ramos Pravarpura-Nandivardana. O imperador Gupta casou a sua filha com um membro da família real Vakataka e com o apoio dos Vakatakas conquistou o Guzarate aos no O poder dos Vakatakas foi substituído pelo dos Chaluquia de Badami no Decão .
Os Vakatakas ficaram conhecidos como patrocinadores das artes, arquitetura e literatura. Vários obras públicas e monumentos por eles construídas conservaram-se até à atualidade. As iharas e chaityas escavadas na rocha das grutas de Ajanta, classificadas pela UNESCO como Património Mundial, foram construídas com o patrocínio do imperador Vakataka Harixena.
Vindhyaśakti O fundador da dinastia foi Vindhyaśakti (ou Vidhyashakti), que reinou entre 250 e O seu nome deriva da deusa Vindhya, que deu nome aos Montes Víndias, onde poderá estar a origem do clã. Quase nada se sabe sobre Vindhyaśakti. Numa inscrição da Gruta XVI de Ajanta, ele é descrito como o estandarte da família Vakataka e um Dvija (membro de uma das três varnas' [castas] superiores), que aumentou o seu poder combatendo em grandes batalhas e que a sua cavalaria era numerosa. No entanto o seu nome não tem qualquer prefixo de realeza nessa inscrição. Segundo os Puranas, ele reinou durante 96 anos.
Conforme os historiadores, ele reinou no sul do Decão, Madia Pradexe ou Malwa. Para , o local de origem dos Vakatakas é Bagat, uma aldeia no distrito de Jhansi, no Utar Pradexe, uma teoria refutada por Vasudev Vishnu Mirashi, que aponta para o facto de que a menção mais antiga ao nome Vakataka se encontra numa inscrição situado num pilar em Amravati (Maarastra), que regista uma oferenda de um Grihapati (dono de uma casa) Vakataka e as suas duas esposas. Este Grihapati foi muito provavelmente o pai de Vindhyaśakti. Nos Puranas, Vindhyaśakti aparece como o governante de Vidisha (no Madia Pradexe), mas tal não é considerado correto.
V. V. Mirashi rejeitou a identificação de Rudra Deva na inscrição no pilar de Allahabad de Samudra Gupta com Rudra Sena I. Também apontou para o facto de não existirem moedas de Vakataka e não inscrições a norte dos montes Víndias. Daqui depreende-se que a hipótese da pátria dos Vakatakas se situar a sul. Contudo, é certo que eles governaram em alguns desses lugares, pois há evidências epigráficas em Madia Pradexe e outros locais.
Pravarasena I O governante seguinte foi , um soberano que deteve um poder considerável e que foi o primeiro monarca Vakataka que se intitulou a si próprio "Samrat" (governante universal) e envolveu-se em guerras com os . Tornou-se imperador por direito próprio, talvez o único imperador da dinastia, com um reino que abarcava uma boa parte do norte da Índia e todo o Decão. Levou as suas tropas até ao rio Narmada, a norte, e anexou o reino de Purika, que era governado por um rei chamado Sisuka. Embora não se saibam os limites exatos dos seus territórios, certamente que se estendiam pelo menos desde , a norte (embora V. V. Mirashi não aceite que ele tenha cruzado o Narmada), até o que é hoje o estado de Andra Pradexe, a sul. Segundo os Puranas, reinou durante 60 anos.
V. V. Mirashi considera que é improvável que ele tenha feito quaisquer conquistas no norte de Maarastra, em Guzerate ou no Concão, mas pode ter conquistado parte do norte de Kuntala, incluindo o que são hoje os distritos de , e , em Maarastra. A oriente pode ter chegado com o seu exército até Dakshina Côssala, Calinga e Andhra.
Pravarasena era seguidor da religião védica e ofereceu vários yajnas (sacrifícios), que incluíram Agnishtoma, Aptoryama, Ukthya, Shodasin, , Vajapeya, Brihaspatisava, Sadyaskra e quatro . Segundo os Puranas, fez doações avultadas aos brâmanes durante o sacrifício Vajapeya. Tomou também o título de Dharmamaharaja, além do de Samrat. Chamou-se a si próprio Haritiputra.
O seu primeiro-ministro Deva era um brâmane muito devoto e erudito. Os Puranas dizem que Pravarasena I teve quatro filhos. O filho Gautamiputra foi casado com uma filha do rei Bavanaga da poderosa família Baraxiva, o que pode ter sido útil. Porém, Gautamiputra morreu antes do pai e Pravarasena foi sucedido pelo neto Rudrasena I, filho de Gautamiputra. O segundo filho, Sarvasena estabeleceu a sua capital em Vatsagulma (atualmente Washim, no distrito homónimo). Nada se sabe sobre as dinastias fundadas pelos outros dois filhos.
Ramos da dinastia Supõe-se que a família de governantes Vakataka se dividiu em quatro ramos após a morte de Pravarsena I. Dois dos ramos são conhecidos — o ramo Pravarpura-Nandivardana e o ramo Vatsagulma, — mas nada se sabe sobre os outros dois.
Ramo Pravarapura-Nandivardana thumb|292px|Sítio arqueológico de Mansar, uma das cidades do reino Vakataka de Pravarapura-Nandivardana
Este ramo dos Vakataka governou vários sítios como Pravarapura (Paunar), no , Mansar e Nandivardhan (Nagardhan), no . Este ramo manteve relações matrimoniais com o Império Gupta.
Rudrasena I Sabe-se pouco acerca deste monarca, fundador do ramo Pravarapura-Nandivardana. Era filho de Gautamiputra, e reinou desde Nandivardana, perto do monte Ramtek, a cerca de 30 km de Nagpur. Há uma menção a um Rudradeva na inscrição do pilar de Allahabad, juntamente com outros governantes de . Vários académicos, como Anant Sadashiv Altekar, discordam que esse Rudradeva seja Rudrasena I, pois tendo este sido morto por Samudragupta, é muito improvável que o seu filho Prthivisena I aceitasse uma princesa gupta (Prabavatigupta) como sua nora. Além disso, não foi encontrada qualquer inscrição de Rudrasena I a norte do rio Narmada. A única inscrição em pedra do reinado de Rudrasena I conhecida foi encontrada em Deotek, no , pelo que não pode ser identificado com Rudradeva da inscrição no pilar de Allahabad, que pertencia a Āryāvarta.
Prithvisena I Rudrasena I foi sucedido pelo filho Prithvisena I, que reinou entre 355 e 380.
Rudrasena II, Divakarasena e Pravarasena II Rudrasena II sucedeu ao seu pai Prithvisena I e reinou entre 380 e 385. Alegadamente terá casado com Prabavatigupta, a filha do imperador gupta . Rudrasena II morreu fortuitamente em 385 depois de um curto reinado, após o que a sua esposa Prabavatigupta governou até 405 como regente, em nome dos dois filhos Divakarasena e Damodarasena (Pravarsena II). Durante este período o reino Vakataka, na prática, fazia parte do Império Gupta. Muitos historiadores referem-se a este período como a era Vakataka-Gupta.
Embora esta versão da história tenha sido aceite desde os anos 1980, de facto não há evidências que a suportem. As inscrições de Prabhavati Gupta mencionam um "Deva Gupta" que era o seu pai, que os historiadores identificam com Chandragupta II. Contudo, não há outras fontes que provem que Deva Gupta seja realmente Chandra Gupta II.
Pravarasena II compôs o Setubanda em . São-lhe também atribuídos alguns versos do Gaha Sattasai, outra coleção de poemas em prácrito maarastri. Durante o seu reinado, a capital mudou de Nandivardana para Pravarapura, uma nova cidade fundada por ele, na qual edificou um templo dedicado a Rama.
A maior parte das inscrições em placas de cobre encontradas sobre a dinastia Vakataka (17 no total), pertence a Pravarasena II. Ele é, provavelmente, o governante indiano da Antiguidade sobre quem há mais registos a seguir a Asoca .
Narendrasena e Prithvisena II Pravarsena II foi sucedido por Narendrasena , durante cujo reinado a influência Vakataka se espalhou para algumas regiões do centro da Índia. Prithvisena II, filho de Narendrasena, foi o último rei conhecido do ramo Pravarapura-Nandivardana da dinastia, sucedeu ao seu pai . Depois da sua morte em 480, é provável que o seu reino tenha sido anexado por Harixena, do ramo Vatsagulma.
Ramo Vatsagulma thumb|292px|Vista exterior da gruta XIX de Ajanta numa gravura de James Fergusson no livro de 1845 “The Rock-cut Temples of India”
Este ramo foi fundado por Sarvasena, o segundo filho de Pravarasena I, depois da morte deste. O rei Sarvasena estabeleceu a capital do seu reino em Vatsagulma (atualmente Washim). O território dos Vakatakas de Vatsagulma estendia-se entre a cordilheira de (parte norte dos Gates Ocidentais) e o rio Godavari. os eus monarcas patrociaram algumas das obras budistas nas grutas de Ajanta.
Sarvasena Sarvasena reinou entre ca. 330 e 355, tendo tomado o título de dharmamaharaja. É também conhecido como o autor do Harivijaya, escrito em prácrito e baseado numa estória de Krishna, que traz do céu a árvore parijata (ou pariyata ou parjat; Nyctanthes arbor-tristis). Esta obra perdeu-se, mas é elogiada por autores posteriores. Sarvasena foi também o autor de muitos versos do Gaha Sattasai. Um dos seus ministros chamava-se Ravi. Sarvasena foi sucedido pelo seu filho Vindhyasena.
Vindhysena Vindhysena, também conhecido como Vindhyashakti II, reinou entre e 400, tendo também ostentado o título de dharmamaharaja. É conhecido pelas placas de Washim, onde está registada a concessão de uma aldeia situada na marga (subdivisão administrativa) do norte de Nandikata (atualmente Nanded), no 37º ano do seu reinado. A secção genealógica da concessão está escrita em sânscrito e a parte formal em prácrito. Esta é a primeira concessão de terras conhecida de um governante Vakataka. Vindhyasena derrotou o soberano de Kuntala, seu vizinho a sul. Um dos seus ministros chamava-se Pravara. Foi sucedido pelo seu filho Pravarasena II.
Pravarsena II thumb|292px|Panorâmica das grutas de Ajanta
Pravarasena II reinou entre e 415. O pouco que se sabe acerca dele é proveniente de uma inscrição na gruta XVI de Ajanta, que relata que ele foi elogiado pelo seu excelente governo, liberal e poderoso. Foi sucedido pelo seu filho menor, que tinha oito anos quando o pai morrei. O nome deste rei é desconhecido, pois desapareceu da inscrição antes referida.
Devasena Ao filho de Pravarasena II com nome desconhecido sucedeu o seu filho Devasena, reinou entre e 475. O governo foi exercido, na prática, pelo seu ministro Hastibhoja. Durante o seu reinado, o seu servo Svaminadeva escavou um tanque chamado Sudarshana perto de Washim .
Harixena
Harixena (ou Harisena) sucedeu ao seu pai Devasena e reinou entre e 500. Foi um grande patrocinador de arquitetura. arte e cultura budistas. As grutas de Ajanta é um exemplo das obras por ele promovidas. A inscrição da cela XVI de Ajanta relata que ele conquistou Avanti (Malwa) no norte, Kosala (Chhattisgarh), Calinga e Andhra no oriente, Lata (Guzerate central e do sul) e Trikuta () no ocidente e Cuntala (sul de Maarastra) no sul.