A colonização alemã no Estado de São Paulo aconteceu durante o século XIX, quando chegaram os primeiros colonos vindos da Alemanha e durante o século XX entre a Primeira e Segunda Guerra Mundial.
Na capital, bairros e distritos tradicionais alemães são: Santo Amaro, Chácara Santo Antônio, Brooklin (onde ocorrem as festas germânicas MaifestBrooklin Fest * Maifest 2010 * Primavera Alemã e o Brooklin Fest Brooklinfest 2010 - O Evento Multicultural de São Paulo todos os anos) e Alto da Boa Vista (onde até a década de 1950 era muito comum ouvir crianças falando em alemão nas ruas de terra do bairro). Moema, Vila Mariana, Saúde e Vila Ema também possuem contingentes de germânicos.
O início da imigração no século XIX A história da imigração alemã para o Brasil começou em 1822, quando o major Jorge Antonio Schaeffer foi enviado por Dom Pedro I para a corte de Viena e outras cortes germânicas, com o objetivo de reunir colonos para o processo migratório de alemães para o Brasil.
Em 13 de dezembro de 1827, São Paulo recebeu a primeira leva de imigrantes, que desembarcaram do navio Galera Holandesa "Maria" no porto de Santos.
Entre 1827 e 1829, eram quase mil colonos, além de alguns técnicos industriais, comerciantes, professores, sacerdotes, pastores e médicos, reunidos no prédio do Departamento de Imigração (na Silva Jardim, perto do Mercado em Santos), antes de seguirem para as fazendas de Santo Amaro.
Das promessas do imperador, algumas não foram cumpridas integralmente, mas o que interessava realmente aos colonos era a posse da terra, ainda que ao custo de grandes sacrifícios. O império cedeu aos colonos terras afastadas no antigo município de Santo Amaro, (atualmente região de Parelheiros, distrito do extremo sul de São Paulo). Alguns foram enganados e quando chegaram a região, viram que eram dominadas por brejos. Muitos partiram a outras regiões mais férteis como interior de São Paulo ou Sul do país, mas boa parte da colônia permaneceu.
As famílias Klein, Reimberg, Guilger, Roschel, Gerstenberger, Stapf e Schunck foram algumas das famílias que fundaram a Colônia Paulista, na época chamada Colônia Alemã, em Parelheiros. Colônia é um assentamento de alemães luteranos, que possui o primeiro cemitério particular e protestante de São Paulo. A princípio, imigrantes alemães luteranos não possuíam igreja própria para congregarem e eram forçados a ouvir missas na igreja matriz de Santo Amaro, sede do então município de Santo Amaro.
Parelheiros recebeu este nome devido às diversas corridas de cavalos (as parelhas) entre os alemães e os brasileiros. Antes o bairro era conhecido como Santa Cruz, por existir uma cruz no local, colocada por um devoto chamado Amaro de Pontes, a qual originou a igreja de Santa Cruz. No bairro também se destaca o fato de no século XIX haver sido aberta pelo colono Henrique Schunck a estrada de Parelheiros. Atual Avenida Sadamu Inoue, que ligava as vilas de Embu-Guaçu e São José, de onde se podia partir para Rio Bonito e Santo Amaro, evitando assim, a passagem pela Colônia Paulista, onde havia a estrada mais antiga chamada Conceição.
Outros imigrantes fixaram-se em Itapecerica da Serra, São Roque e Embu das Artes, ou foram levados para Rio Claro e as plantações de café no interior de São Paulo.DW-world 10 de maio de 2004 As diferentes fases da imigração alemã no Brasil
Colonos e soldados foram trazidos para o Brasil, no período de 1824 a 1830, que compreende o primeiro período da imigração. A imigração ficaria suspensa a partir de 1830 por falta de verba orçamentaria do império para custeá-la.
Em 1847, o senador Nicolau Vergueiro, abolicionista de São Paulo, tomou a iniciativa própria de contratar 177 famílias de colonos suíços e alemães para a Fazenda Ibicaba (então Município de Limeira), para trabalharem no chamado Sistema de Parceria, onde a produção era dividida igualmente entre proprietário e parceiros (colonos). Pelo sistema, os imigrantes comprometiam-se ainda a cuidar de um determinado número de pés de café, em troca de uma porcentagem do que fosse obtido quando da venda dos grãos. Era-lhes permitido o plantio de pequenas culturas de subsistência, partilhando, assim como o café, a produção com o proprietário das terras.
Seu exemplo foi seguido por vários outros cafeicultores, e de 1850 em diante muitos colonos alemães trabalhavam nas grandes fazendas. Na década de 1850, mais de 2.100 alemães e suíços trabalhavam em 34 fazendas paulistas.http://www.dw.de/s%C3%A3o-paulo-celebra-180-anos-da-imigra%C3%A7%C3%A3o-alem%C3%A3/a-4411676 Em 1850, Amparo recebeu imigrantes suíço-alemães para trabalharem nas fazendas de café.
Calcula-se que em 1860, a cidade de São Paulo teria 30 mil habitantes, dos quais 10% seriam alemães.http://www.dw.de/alem%C3%A3es-ajudaram-a-formar-a-classe-m%C3%A9dia-paulistana/a-1213337
Porém, por essa época começaram a chegar à Europa os protestos de vários imigrantes, principalmente os alemães e suíços, que escreviam aos parentes e até às autoridades de seus países, denunciando que os fazendeiros paulistas tratavam os lavradores ainda como escravos. As acusações eram tão graves, que muitos governos proibiram a emigração para o Brasil. Na Alemanha, essa proibição foi feita pelo famoso Ato Heydt, que só foi revogado em 1896 - assim mesmo fazendo restrições ao Estado de São Paulo, e permitindo a imigração apenas para os estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.http://www.novomilenio.inf.br/santos/h0150h2.htm
Na própria Fazenda Ibicaba, os colonos, liderados por Thomas Davatz, questionaram os valores de pesagem das sacas de café pelo Senador Vergueiro, bem como os critérios para a divisão dos lotes de terra. O forte descontentamento resultou num levante armado na fazenda, conhecido como Revolta dos Parceiros, que necessitou da intervenção de forças policiais para estabilizar a situação.
Com isso, muitos acabaram saindo e procurando as grandes cidades ou o litoral, onde se aventuraram em outros setores, como agências marítimas, exploração de trapiches e exportação. Muitos foram trabalhar na construção de estradas de ferro e nas primeiras indústrias que surgiam pelo Estado.
Muitos prosperaram, como é o caso de Theodor Wille e Francisco Schmidt (Franz Schmidt).Theodor Wille chegou a Santos em 1838 como marinheiro de uma galera, da qual desertou, para começar a vida cortando lenha no mangue. Em março de 1844, fundou a tradicional Theodor Wille & Cia, ficando conhecida por exportar a primeira saca de café da província de São Paulo para a Europa.http://www.novomilenio.inf.br/santos/h0090d.htm Foi a Theodor Wille & Cia uma das responsáveis por tornar o porto santista a mais importante via de exportação do café brasileiro e existiu durante mais de um século até o seu fechamento, nos anos 80.http://www.novomilenio.inf.br/santos/h0150h.htm Ainda hoje é possível ver o edifício com o nome "Theodor Wille & Cia" no centro de Santos.
O nome de Theodor Wille também está ligada a fundação da cidade de Votuporanga a partir da divisão da Fazenda Marinheiro de Cima. Essas antigas terras que deram origem a esta cidade paulista pertencia ao Sr. Francisco Schmidt (Franz Schmidt), outro alemão que era conhecido como o terceiro "rei do Café", que as entregou à empresa Theodor Wille & Cia, em virtude de uma dívida. Esse mesmo Sr. Francisco Schmidt foi dono da Fazenda Monte Alegre (Ribeirão Preto), e ao morrer em 1924, durante a divisão entre seus herdeiros, parte de seus bens foram para a Theodor Wille & Cia que era a firma que financiava seus investimentos e com quem tinha alguns débitos.
A Theodor Wille & Cia além de exportadora de café (com filiais em Santos, São Paulo e Rio de Janeiro), também era proprietária de oito fazendas e representante de duas empresas de navegação. Um dos navios pertencentes à companhia Theodor Wille foi o navio Willinck, que trouxe famílias alemãs para o Brasil e muitas delas pagaram as passagens prestando serviços à companhia.
Theodor Wille foi também proprietário da Central Elétrica de Rio Claro e acionista da Brahma.
A imigração durante o século XX thumb|left|250px|Antiga subestação de energia no alto do Jaguaré
Foi no século XX que chegou a maior parte dos imigrantes alemães ao Brasil. Só na década de 1920 desembarcaram 75 mil alemães no país. A maior parte desses imigrantes não iam mais para as colônias rurais, pois rumavam para os centros urbanos: eram operários, artífices e outros trabalhadores urbanos, professores, refugiados políticos. A cidade de São Paulo recebeu a maior parte dessa nova onda de emigração alemã: em 1918 viviam na cidade cerca de 20 mil alemães.A Colonização Alemã no Brasil: Etni-Cidade e Conflito, <http://www.etni-cidade.net/colonizacao_alema.htm>. Acesso em: 20 de outubro de 2007 Outros rumaram para Curitiba, Porto Alegre e Rio de Janeiro.
Mesmo com essa inversão do fluxo de imigração alemã para os espaços urbanos, houve ainda algumas tentativas de fixação do colono no campo através dos núcleos coloniais oficiais, embora a maioria dessas colônias fosse composta por brasileiros ou imigrantes não-alemães (italianos, portugueses, espanhóis etc.). Apesar disso, alguns núcleos foram, em certos momentos, verdadeiras colônias alemãs, como é o caso do Núcleo Colonial Bandeirantes, em São José do Barreiro, formado em 1908 por famílias alemãs e austríacas. Já no começo da década de 20, o núcleo apresentava um decréscimo acentuado no número de colonos estrangeiros, que rumavam para as cidades vizinhas ou outras colônias. Porém, os alemães (assim como os austríacos) foram de grande representação até 1918, atingindo um ápice em 1913.http://www.seade.gov.br/produtos/bibliotecadigital/view/singlepage/index.php?pubcod=10011062&parte=1
Outro importante núcleo colonial com forte presença alemã foi o de Nova Europa, na Região Administrativa Central. Formado em 1907, contava com 357 colonos alemães em 1913, sendo estes, ao lados dos russos, as principais nacionalidades presentes.http://www.seade.gov.br/produtos/bibliotecadigital/view/singlepage/index.php?pubcod=10011062&parte=1 p. 24 Tal núcleo viria a formar o distrito (1920) e, futuramente, município (1953) de Nova Europa, no qual o fugitivo e criminoso de guerra nazista Josef Mengele se escondeu durante o início de sua estadia no Brasil.
O distrito de Jaguaré foi uma das muitas áreas rurais situadas além dos rios Tietê e Pinheiros cuja ocupação e exploração só se iniciou após o expressivo crescimento do parque industrial paulistano e da explosão demográfica a que a cidade assistiu a partir das primeiras décadas do século XX. Por volta de 1925, alguns imigrantes europeus, boa parte deles alemães, encontram-se instalados nos arredores do futuro distrito, ocupados por fazendas, sítios e chácaras. A região que compreende o Jaguaré propriamente dito era uma grande fazenda de 165 alqueires, pertencente à Companhia Suburbana Paulista, empresa responsável pelo loteamento de terras, fundada por Ramos de Azevedo.
Na década de 1930, por exemplo na cidade de Santos, o desenvolvimento da colônia era bem caracterizado, acabando por formar uma espécie de micro-sociedade, composta inclusive por nobres - barões e condes ligados a bancos germânicos e ao comércio do café. Na década de 1940, estima-se que 2,5% do estado de São Paulo era formado por alemães ou seus descendentes.
Tais imigrantes do século XX, constituíram um contingente muito diversificado. Havia oficiais do exército, profissionais liberais e acadêmicos, burgueses arruinados, camponeses, artífices e operários urbanos. Como também militantes políticos, tanto de direita como social-democratas, anarquistas e comunistas. Não faltaram professores, comerciantes e até ex-funcionários das antigas colônias alemãs na África.
thumb|right|170px|Um dos pioneiros do futebol brasileiro, Hermann Friese