Bijin-ga (美人画, literalmente “pintura de belas mulheres”) é um gênero da pintura japonesa e do ukiyo-e dedicado à representação da beleza feminina, seja física ou espiritual. Embora retratos de mulheres existam em diversas culturas, o termo bijin-ga é de origem japonesa e refere-se principalmente a obras do Extremo Oriente. O gênero deriva do ukiyo-e do período Edo, mas o termo consolidou-se apenas no século XX, quando a pintura japonesa moderna passou a distinguir-se da arte ocidentalizada.

Visão geral O conceito não se limita a representar mulheres fisicamente belas. O dicionário Kōjien define o termo como “pintura que enfatiza a beleza da mulher”, enquanto o “Dicionário Mundial da Arte” descreve-o como “pintura que destaca a beleza da aparência feminina”. No livro Gendai Nihon Bijin-ga Zenshū Meisaku-sen I, Seki Chiyo afirma tratar-se de obras que “buscam o belo existente dentro da mulher”. Assim, o termo abrange mais do que o simples retrato de belas mulheres, sendo uma expressão estética de idealização e sentimento.現代日本美人画全集 名作選I, Shueisha, 1979

O termo “bijin-ga” consolidou-se entre as décadas de 1940 e 1950, durante as exposições do Nitten (o Salão de Belas Artes do Ministério da Educação), substituindo designações anteriores como “bijin-e” (pintura de belas mulheres) ou “onna-e” (pintura de mulheres). Este último termo também abrangia representações convencionais de damas aristocráticas como nas ilustrações do Genji Monogatari. thumb|left|300px|Genji Monogatari Emaki, cena “Azumaya”

O surgimento de pintores que propuseram novas imagens femininas — como Uemura Shōen, Kaburaki Kiyokata, Ikeda Shōen e Kitano Tsunetomi — e a mudança na percepção social sobre a mulher contribuíram para o estabelecimento do bijin-ga como categoria distinta. Paralelamente, obras anteriores foram reinterpretadas sob essa designação, incluindo os ukiyo-e e as Shinü (仕女図) chinesas.

Embora a pintura ocidental também retrate mulheres belas, seus temas geralmente se associam a mitologia, religião e história, não sendo equivalentes diretos do bijin-ga. Alguns estudiosos incluem dentro do gênero as representações de jovens masculinos idealizados no shudō e os onnagata do kabuki, como as “pinturas de atores” de Torii Kiyonobu e Torii Kiyomasu.thumb|892x892px|Shijozu (仕女図) “Dǎoliàn tú” (搗練図), atribuída a Zhang Xuan|centro

História Ukiyo-e Representações femininas já aparecem em obras como o Torige Tachime Byōbu (鳥毛立女屏風, “Biombo das mulheres com plumas”, Shōsōin). No final do período Muromachi, as "pinturas de costumes" retratavam figuras femininas, e no período Edo surgem obras como o Kanbun Bijin-zu (寛文美人図). Hishikawa Moronobu inaugurou o gênero com Mikaeri Bijin (見返り美人図, “A beleza que olha para trás”). Suzuki Harunobu idealizou figuras frágeis e juvenis, enquanto Torii Kiyonaga criou mulheres de proporções alongadas e elegantes. Kitagawa Utamaro destacou-se na era Kansei ao representar a sensualidade feminina com naturalismo.小林忠(Kobayashi Tadashi)『江戸浮世絵を読む』(Lendo o Ukiyo-e de Edo), 筑摩書房(Chikuma Shobō), 2002, ISBN 4480059431, pp.187–193.

thumb|180px|right|Kitagawa Utamaro, Kansei San Bijin (As três belezas da era Kansei) No período Bunka-Bunsei (1804–1830), Keisai Eisen e Utagawa Kunisada popularizaram representações mais intensas e eróticas. Em Kyoto, artistas como Yamamoto Soken e Genki da Escola Maruyama–Shijō desenvolveram variantes mais refinadas para patronos aristocráticos. O ideal estético feminino do bijin-ga — olhos alongados e levemente inclinados, rosto oval e nariz arqueado — remonta à tradição do hikime kagibana do período Heian.

As feições das modelos raramente correspondiam às mulheres reais: muitas gravuras repetiam o mesmo “tipo ideal” com nomes distintos. O público valorizava mais o estilo do artista do que a fidelidade individual. Assim, consolidaram-se arquétipos como “Utamaro-bijin”, “Kunisada-bijin” e “Harunobu-bijin”. O gênero evoluiu tanto pela idealização da beleza quanto pela busca crescente de realismo técnico e refinamento cromático.畑江麻里(Hatae Mari)「錦絵美人画の発展 ― 春信・歌麿から芳年・周延までを軸として ―」『美人画名品選 ― 春信・歌麿から芳年・周延まで ―』展図録、足立区立郷土博物館、2017年, pp.2–5.

Meiji e Taishō Durante o período Meiji, o bijin-ga incorporou influências ocidentais e a modernização social da mulher. Yōshū Chikanobu e Toshikata Mizuno representaram figuras femininas em novos contextos urbanos e domésticos. No período Taishō, Takehisa Yumeji criou o estilo “Yumeji-shiki bijin”, combinando o sentimentalismo do Taishō Roman e traços do art nouveau.

thumb|100px|right|Takehisa Yumeji, Kurofuneya (1919)

Nihonga Na pintura japonesa moderna, Uemura Shōen (上村松園) e Kaburaki Kiyokata (鏑木清方) definiram o padrão do bijin-ga do século XX, conhecidos como “Shōen do Oeste e Kiyokata do Leste”. Shinsui Itō (伊東深水) também se destacou nesse campo, criando imagens de serenidade e espiritualidade feminina. thumb|150px|Uemura Shōen, Honō (“Chama”, 1918)

Bijin-ga e publicidade Entre o final do período Meiji e o período Taishō, o bijin-ga tornou-se um elemento de propaganda e design gráfico moderno, aparecendo em cartazes de companhias marítimas, cervejarias e lojas de departamento.

Era contemporânea Embora a arte contemporânea japonesa apresente abundância de imagens femininas (incluindo o bishōjo e o moe), poucas seguem a tradição estética do bijin-ga. Entre os artistas contemporâneos que a retomam estão Hayashi Seiichi e Nakamura Yūsuke. No campo da pintura nihonga, o sucesso de Ikenaga Yasunari (池永康晟) reacendeu o interesse pelo bijin-ga no século XXI.

Referências

Fontes YOSHIDA, Toshihide. 郷土の・美人画・考 (Estudos sobre Bijin-ga da Minha Região) [em japonês]. In: Catálogo da Exposição Kyōdo no Bijin-ga-kō (郷土の美人画考). Nagoya: Nagoya City Art Museum, 1997. (Posteriormente incluído em: Owari no Kaigashi Kenkyū (尾張の絵画史研究). Seibundo, 2008. ISBN 978-4-7924-0663-9). YAMATANE MUSEUM OF ART (Org.). Catálogo da Exposição Especial Bijin-ga no Tanjō (特別展 美人画の誕生) [em japonês]. Tóquio: Yamagane Museum of Art, 1997. HATAE, Mari. 錦絵美人画の発展―春信・歌麿から芳年・周延までを軸として― (O Desenvolvimento do Nishiki-e Bijin-ga — Focando de Harunobu/Utamaro a Yoshitoshi/Chikanobu) [em japonês]. In: Catálogo da Exposição Bijin-ga Meihinsen: Harunobu/Utamaro kara Yoshitoshi/Chikanobu made (美人画名品選―春信・歌麿から芳年・周延まで―). Tóquio: Adachi City Local Museum, 2017. NAKANO, Shinshi. 美人画室再考―美人画家の評価と表現 (Repensando o Bijin-ga-shitsu — Avaliação e Expressão dos Pintores de Bijin-ga) [em japonês]. Kindai Gasetsu (近代画説), n. 27, p. 117-133, 2018.

Ver também Ukiyo-e Nihonga Pintura do Japão

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