thumb|direita|190px|"Cristo Pantocrator", na semicúpula da abside da Catedral de Monreale, na Sicília, com o halo cruciforme à volta da cabeça thumb|direita|190px|"Buda de pé de Gandara" ( ou II) no Museu Nacional de Tóquio. Halo (do grego .), conhecido também como nimbo, auréola ou glória, é um anel de luz que circunda uma pessoa na arte. Ele tem sido utilizado na iconografia de muitas religiões para indicar pessoas sagradas ou santas e, uma honraria estendida, em períodos diversos, também a monarcas ou heróis. Na arte sacra da Grécia Antiga, Roma Antiga, hinduísmo, budismo, islamismo e cristianismo, entre outras religiões, pessoas sagradas podem ser representadas com um halo na forma de um brilho circular ou, na arte asiática, na forma de labaredas, ou ainda à volta do corpo todo, este último tipo sendo geralmente chamado de mandorla. Os halos aparecem em praticamente todas as cores, mas, como representam luz ou chamas, aparecem muito mais frequentemente em dourado, amarelo, branco ou, no caso das chamas, vermelho.
Grécia Antiga Homero descreve uma luz sobrenatural à volta da cabeça dos heróis em batalha.Ilíada, v.4 ss, xviii.203 ss. Representações de Perseu no ato de assassinar Medusa, com linhas irradiando de sua cabeça, aparece num fundo branco na decoração de uma caixa de toalete exibida no Louvre e num vaso de figuras vermelhas, ligeiramente posterior, no estilo de Polignoto ( 450-30), no Metropolitan Museum of Art.Marjorie J. Milne, "Perseus and Medusa on an Attic Vase" The Metropolitan Museum of Art Bulletin New Series, 4.5 (January 1946, pp. 126-130) 126.p.) Em utensílios pintados do sul da Itália, linhas radiantes ou halos simples aparecem nas representações de diversas figuras míticas: Lissa, uma personificação da loucura; uma esfinge; um demônio marítimo; e Tétis, a nereida que era mãe de Aquiles.<ref>L. Stephani, Nimbus und Strahlenkranz in den Werken der Alten Kunst" in Mémoires de l'Académie des Sciences de Saint-Petersbourg, series vi, vol. vol ix, noted in Milne 1946:130.</ref>
Indo mais longe, a literatura religiosa suméria fala frequentemente de um "melan" (emprestado pelo acadiano como melammu), um "fulgor visível, brilhante, que é exalado pelos deuses, heróis, às vezes pelos reis e também pelos templos mais sagrados e emblemas e símbolos dos deuses".J. Black and A. Green, Gods, Demons and Symbols of Ancient Mesopotmia (Austin, 1992) p. 130.
Arte asiática
O halo e a auréola sempre foram amplamente utilizados na arte indiana, particularmente na iconografia budista,Metropolitan Museum of Art: Art of South Asia na qual sua presença remonta pelo ao — o cuchanos|cuchano "Relicário Bimaram", no Museu Britânico, é de 640 (ou, entre e ). Os monarcas do Império Cuchana foram talvez os primeiros a se representarem com halos em suas moedas e o nimbo () na arte pode ter sua origem na Ásia central, de onde se espalhou tanto para o ocidente quanto para o oriente. Na arte budista chinesa e japonesa, o halo também tem sido utilizado desde os períodos mais remotos nas representações da imagem do Buda Amitaba e outras. O budismo tibetano usa halos e auréolas de muitos tipos, inspirados nas tradições chinesa e indiana, principalmente nas estátuas e nas pinturas thangka para representar santos, como Milarepa e Padmasambhava, e divindades budistas. Halos de diferentes cores revelam significados específicos: laranja para monges, verde para Buda e outros seres mais elevados (incluindo o imperador Qianlong)Rhie, Marylin and Thurman, Robert (eds):Wisdom And Compassion: The Sacred Art of Tibet, p. 99, & passim, 2000, 1991, ISBN 0-8109-2526-5 e é comum que as imagens tenham tanto o halo na cabeça e outro, circular, para o corpo, os dois geralmente se cruzando perto do pescoço ou da cabeça. Finas linhas de ouro geralmente irradiam, para dentro ou para fora, da borda do halo e, às vezes, um novo halo é formado por estas irradiações.Rhie and Thurman, pp 77, 176, 197 etc.
Na arte asiática, o nimbo é geralmente imaginado como consistindo não apenas de luz, mas também de chamas. Este tipo parece ter aparecido pela primeira vez em bronzes chineses cujos exemplares mais antigos são de 450. A representação destas chamas pode ser bastante formalizada, como nas pequenas chamas regulares da auréola anelar que circunda muitos bronzes chola e outras esculturas clássicas hindus de divindades, ou muito proeminentes, na forma de chamas mais realistas e, às vezes, acompanhadas de fumaça, como as que aparecem subindo atrás de representações budistas tibetanas do "aspecto raivoso" das divindades e as miniaturas persas do período clássico. Este tipo é muito raramente encontrado — e geralmente em escala bem menor — na arte cristã medieval.Veja Didron. Às vezes, uma linha fina de chamas se ergue das bordas de um halo circular nos exemplares budistas, geralmente nas pinturas das grutas de Mogao.Anne Farrer (ed), "Caves of the Thousand Buddhas" , 1990, British Museum publications, nos 42, 53, 54 etc, ISBN 0-7141-1447-2 Nas pinturas tibetanas, as chamas são geralmente representadas sopradas pelo vento, na maior parte das vezes da esquerda para a direita.Rhie and Thurman, p.161
Halos são encontrados também na arte islâmica de vários lugares e períodos, especialmente nas miniaturas persas e na arte mogol e otomana, influenciadas pelos persas. Halos em chamas derivados da arte budista circundam anjos e halos similares aparecem geralmente nas representações de Maomé e outras figuras humanas sagradas. Do início do em diante, halos circulares mais simples aparecem nos retratos dos imperadores mogóis e, depois, dos monarcas de Rajput e Siquim; apesar de muitos precedentes locais mais próximos, historiadores da arte acreditam que os mogóis se inspiraram no motivo da arte religiosa europeia e o utilizaram para expressar a ideia persa do carisma de direito divino, muito mais antiga.Crill & Jariwala, 29 and note
Galeria - Egito e Ásia
Arte romana
Na arte romana, o halo representa uma aura ou brilho de santidade que era convencionalmente desenhado circundando a cabeça. Ele apareceu pela primeira vez na Grécia e Roma provavelmente relacionado ao "hvarena" — "glória" ou "lustre" divino — zoroástrico que marcava os reis persas e podem ter sido importados juntamente com o mitraísmo. Embora a grande maioria das pinturas romanas tenha desaparecido (com exceção de alguns afrescos), algumas figuras com halo aparecem em mosaicos romanos. Em um pavimento em mosaico romano do , preservado em Bardo,Illustrated. a figura de Posidão com seu halo aparecem em sua carruagem puxada por cavalos-marinhos. Nesta imagem, os tritões e nereidas que o acompanham não receberam a mesma honraria.
Num outro pavimento do final do , de Tisdro, El Djem, Apolo Hélio é identificado por seu fulgurante halo. Outro mosaico de Apolo com um halo, de Hadrumeto, está em exibição num museu em Sousse, na Tunísia. As convenções desta representação, a cabeça inclinada, os lábios abertos, olhos grandes, cabelos cacheados caindo pelo pescoço, foram desenvolvidas no para retratar Alexandre, o Grande.Bieber 1964; Yalouris 1980 Algum tempo depois que este mosaico foi realizado, o imperador começou a ser representado com um halo, inicialmente somente depois de mortos — e portanto deificados — e, depois, os vivos, um hábito que foi depois abandonado quando o cristianismo tornou-se a religião oficial de Roma. Nesta época, Cristo só aparecia com um halo quando estava no seu trono, como nas imagens de Cristo em Majestade.
Arte cristã thumb|upright=1|Um mosaico do início do do Sol Invicto no "Mausoleu M" da necrópole anterior ao embaixo da Basílica de São Pedro, interpretado por muitos como representando Jesus Cristo. thumb|upright=1|Santíssima Trindade com halos, inclusive o triangular em Deus Pai. Afresco na Basílica Seckau, em Murtal, na Áustria. thumb|upright=1|La Esperanza Macarena, na Catedral de Sevilha, com um halo radiante.
O halo foi incorporado à arte paleocristã em algum momento do . Nas primeiras imagens icônicas de Cristo, apenas ele era identificado com um (juntamente com seu símbolo, o Cordeiro de Deus). Inicialmente, o halo era considerado por muitos como uma representação do Logos de Cristo, sua natureza divina, e, portanto, nas primeiras representações (antes de 500) de Cristo, as cenas anteriores ao seu Batismo por João Batista, ele tende a aparecer sem o halo, sendo um tema de debate teológico se seu Logos já estava consigo desde o nascimento (a visão ortodoxa) ou se foi adquirido apenas no Batismo (a visão da heresia adocionista). Nesta época, Jesus aparece também como uma criança ou um jovem nas cenas de batismo, embora estas sejam possivelmente representações hieráticas e não relacionadas à idade.G Schiller, Iconography of Christian Art, Vol. I,1971 (English trans from German), Lund Humphries, London, p 135, figs 150-53, 346-54. ISBN 0-85331-270-2
Halo cruciforme Um halo cruciforme, ou seja, o que apresenta uma cruz circunscrita ou se estendendo para fora da borda, é utilizado para representar uma das pessoas da Trindade, especialmente Jesus na arte medieval. Nas imagens bizantinas ou ortodoxas, dentro de cada um dos três braços visíveis da cruz no halo de Cristo está uma letra grega, "Ο", "Ω" e "Ν", que formam a palavra "" ("ho ōn"), que significa literalmente "O Que Existe", uma indicação da divindade de Jesus. Pelo menos imagens ortodoxas posteriores, cada um dos braços desta cruz é composto por três linhas, que simbolizam os dogmas da Trindade, a unicidade de Deus e as duas naturezas de Cristo. Nos mosaicos em Santa Maria Maggiore (432–40), o jovem Cristo traz uma cruz de quatro braços ou no alto da cabeça, ainda dentro do nimbo, ou acima deste, mas esta é uma representação rara. Nestes mesmos mosaicos, os anjos que o acompanham tem halos (assim como o rei Herodes, uma continuação da tradição imperial), mas não Maria e nem José. Ocasionalmente, outras figuras também aparecem com halos cruciformes, como as sete pombas que representam os sete dons do Espírito Santo na "Árvore de Jessé" do Codex Vyssegradensis (séc. XI), uma imagem na qual Jessé e Isaías também tem halos, assim como os ancestrais de Cristo em outras iluminuras.G Schiller, Iconography of Christian Art, Vol. I,1971 (English trans from German), Lund Humphries, London, figs 20-22, ISBN 0-85331-270-2
Halo triangular Posteriormente, o halo triangular passou a ser dado para Deus Pai, uma representação da Trindade. Os relevos do de Jacopo della Quercia no portal de San Petronio, em Bolonha, são excelentes exemplos antigos deste tipo de halo, que é muito raro na França, mas bastante comum na Itália e na Grécia.Didron, Adolphe Napoléon: Christian Iconography: Or, The History of Christian Art in the Middle Ages, London, 1851, Vol 2, p30 Quando Deus Pai aparece apenas na forma de uma mão emergindo das nuvens, ela ocasionalmente recebe também um halo.
Halo redondo Halos redondos simples são tipicamente utilizados para os santos, a Virgem Maria, os profetas do Antigo Testamento, anjos, os símbolos dos quatro Evangelistas e algumas outras figuras. Imperadores e imperatrizes bizantinos geralmente aparecem com um halo em composições juntamente com santos ou Cristo, mas os seus são apenas delineados. Este costume foi depois copiado pelos otonianos e pelos imperadores russos. Figuras do Antigo Testamento foram perdendo seus halos no ocidente conforme avançava a Idade Média.Didron, Vol 2, pp.68-71 Podem ser em formato de disco, flutuando sobre a cabeça; simples, como um círculo cheio à volta da cabeça; ou de anel, transparente com apenas uma linha demarcando a borda do halo.
Halo radiante