Fons Vitae (em português: Fonte da Vida) é uma pintura anónima da escola flamenga realizada entre 1515 e 1517. Este painel monumental pertenceu anteriormente ao retábulo da capela da confraria da Misericórdia na Sé Catedral do Porto e encontra-se hoje no Museu da Misericórdia do Porto.
Esta pintura a óleo sobre madeira é frequentemente considerada uma obra-prima da pintura flamenga e é a mais importante peça deste museu portuense.
Autoria e encomenda
É provável que o painel tenha sido encomendado na Flandres pelo rei D. Manuel ou por alguém da sua corte ligado à Misericórdia. Este rei foi de facto o grande impulsionador da fundação da confraria e nessa altura a cidade do Porto começava a ter grandes trocas comerciais com o norte da Europa.
A identidade do pintor não é conhecida. Não obstante, os peritos atribuem-na a Colijn de Coter ou a Bernaert van Orley.
Iconografia
A pintura segue a iconografia de uma Fons vitae que representa uma alegoria da Eucaristia. A figura central é o corpo de Jesus morto cujas chagas escorrem sangue que se acumula numa fonte. É ladeado por Maria e pelo apóstolo João que choram a sua morte. Em redor da fonte ajoelham-se em oração várias personagens das quais se destacam, em primeiro plano, o rei D. Manuel I, a sua segunda esposa Maria de Aragão e Castela e os infantes e infantas nascidos desse casamento.
Esta peculiar representação encontra paralelos no Tríptico do Banho Místico do pintor flamengo Jean Bellegambe conservado no Palais des Beaux-Arts de Lille mas principalmente noutra pintura do século XVII, anónima, na capela das Santas Chagas da Igreja da Cividade em Braga. Nesta última a base da fonte apresenta uma inscrição retirada do Livro de Isaías: «haurietis aquas in gaudio de fontibus salvatoris» (E vós tirareis com alegria águas das fontes da salvação).
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