O Templo Shin Budista Terra Pura, também conhecido como Templo Honpa Hongwanji, Otera do Plano Piloto ou Templo Budista de Brasília, é um templo budista no Plano Piloto, Distrito Federal.Templo Budista de Brasília. Portal Nippo Brasília Inaugurado no dia 6 de outubro de 1973, desde 2014 é tombado como patrimônio histórico do Distrito Federal. O templo foi edificado por imigrantes japoneses que trabalharam na construção da capital nacional.

Atualmente, o santuário é gerido pelo monge Ademar Kyotoshi Sato, posto que passou a ocupar em 1998, logo após concluir estágio na área nos mosteiros de São Paulo e Kyoto. Além do monge, o templo conta com o apoio de muitos profissionais e voluntários das famílias nipo-brasileiras de Brasília, os quais realizam diversas atividades como palestras e sessões de meditação, oficinas de origami e ikebana, artes marciais, yoga e tai chi e língua japonesa e eventos em datas comemorativas.

História A história do templo Honpa Hongwanji de Brasília começou no dia 16 de junho de 1958, quando a comunidade nissei solicitou ao então presidente da República, Juscelino Kubitschek, que fosse reservado um local para a construção de um templo budista. Cinco anos depois, a Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap), órgão federal que distribuía os terrenos públicos de Brasília, cedeu o terreno, localizado entre as quadras 315 e 316 da Asa Sul, uma das áreas mais nobres da cidade.Templo budista de Brasília é tombado. R7, 27 de dezembro de 2014

Ao receber a notícia da cedência do terreno, o gomonshu (patriarca) Kosho Otani, autoridade máxima do Honpa Hongwanji no Japão, entusiasmou-se e saiu do Japão no dia 3 de junho de 1964 com destino a Brasília a fim de lançar a pedra fundamental.

Após lançada a pedra fundamental do templo, uma comissão iniciou a construção, que passou por enormes dificuldades, mesmo recebendo total apoio da comunidade budista do Japão. A obra sofreu muitos atrasos e, por isso, os construtores eram constantemente cobrados pelo governo do Distrito Federal. Para piorar, em 1966 ocorreu um grave acidente de automóvel com os integrantes da comissão construtora do templo, levando membros importantes dela a óbito.

Mesmo com tantas dificuldades, a construção do templo foi finalizada nove anos após o lançamento da pedra fundamental. Na inauguração, no dia 6 de outubro de 1973, realizou-se uma grande festividade, que contou com a presença de mais de duas mil pessoas de todo o Brasil e também de uma comitiva especial vinda do Japão especificamente para a data, incluindo até o patriarca Kosho Otani. Na ocasião, foi apresentado um desfile que transferia a imagem do Buda Amida da cidade de Taguatinga para o Plano Piloto de Brasília, a fim de ser consagrado como o patrono do templo.

A manutenção do templo, que incluía a limpeza, a preparação de culinária típica e a arrecadação de doações, foi realizada por muitos anos, desde sua inauguração, pela Associação das Senhoras Budistas, grupo de mulheres de ascendência japonesa que moravam em Brasília e nessa cidade fundaram sua associação no dia 5 de março de 1966. Naquela época, o templo dava assistência religiosa às famílias de imigrantes japoneses por meio da realização dos cultos de agradecimento aos antepassados, comemorações das datas budistas tradicionais e cerimônias de casamento.

Arquitetura e infraestrutura O templo budista de Brasília é grandioso e possui arquitetura oriental, que mescla leveza e imponência, remetendo às casas japonesas, de telhados altos e curvilíneos. Os bambus presentes nos jardins dão ainda mais suavidade ao local, que, apesar da proximidade com o comércio da quadra, é calmo e silencioso, pois fica escondido em uma paisagem bucólica.

Patrimônio Histórico Em 22 de dezembro de 2014, o Templo Budista Terra Pura de Brasília foi tombado como Patrimônio Histórico da Capital Federal, publicado no Diário Oficial. De acordo com o Memorial Descritivo que serve de base para o tombamento, o terreno situado no final da Asa Sul tem área total de 7.200 m2 . Segundo o Memorial Descritivo, o projeto arquitetônico foi elaborado no Japão, entre o final da década de 1950 e início dos anos 1960, mas teve que ser adaptado às normas locais pelo arquiteto brasileiro de ascendência japonesa, Jihei Noda.

O conjunto arquitetônico é formado por dois portais, o pórtico da entrada, a casa do sino, e o edifício principal. A referência é o templo Shin Budista Reisenji na província de Fukui, no Japão, construído entre 1336 e 1573. Os dois portais simbolizam purificação para quem os cruza. Em um dos portais, está escrito Serenidade, e no outro, Pureza. Eles são metálicos circulares e pintados na cor terra, como nos templos xintoístas japoneses.

O templo religioso propriamente dito foi construído de tal modo que o telhado pode ser visto de outras quadras comerciais que ficam abaixo dele. O prédio tem dois pavimentos, o térreo e o andar superior. A parte inferior é formadas pelas varandas laterais, administração, sala de reuniões, sala de massagem oriental, salão social, cozinha industrial para aulas de culinária e preparo de pratos japoneses. As varandas laterais do térreo foram anexadas ao corpo principal em uma reforma de 2008. No pavimento superior, estão o Templo, as varandas, a nave ou moya e a residência dos monges budistas. Ao ultrapassar o pórtico de entrada, uma escadaria de 20 degraus dá acesso ao Templo. Na parte interna há três altares. O principal, ao centro, com a imagem em pé do Buda Amida ou Amitaba, que é reverenciado nessa linha do budismo. Os dois altares laterais trazem as representações dos dois patriarcas japoneses e fundadores da escola Shin. Os telhados do Templo Budista Terra Pura de Brasília têm como conceito um estilo raro de arquitetura xintoísta, caracterizado por um telhado reto e pontas na base.

Os sinos, o altar, e a principal imagem do Buda foram doados por budistas japoneses. O sino localiza-se em uma espécie de coreto, casa ou torre, inaugurada em 1990. O projeto é do arquiteto de origem japonesa radicado em Brasília, Jun Ito. Já o projeto paisagístico dos jardins foi concluído com a reforma de 2008. Ele é dividido em três partes: Jardim da Integração Brasil-Japão, Jardim de Meditação e Jardim do Som Interior.

Obon Matsuri

O Obon Matsuri é uma quermesse japonesa que ocorre todos no templo os anos, durante o mês de agosto, com a preparação de comidas típicas e apresentação de Bom Odori, uma dança folclórica japonesa em que cerca de cinquenta dançarinos imitam movimentos de plantio e colheita em agradecimento à natureza ao som do taiko, tambor japonês. A festividade ocorre desde 1970, sendo um dos mais tradicionais eventos de cultura japonesa em Brasília, reunindo mais de de dez mil espectadores todo ano.

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