Maria Lídia dos Santos Magliani (Pelotas, 1946 - Rio de Janeiro, 2012) foi uma pintora, designer gráfica, gravurista, ilustradora, figurinista e cenógrafa brasileiraMaria Lídia Magliani. Enciclopédia Itaú Cultural das ArtesMorre aos 66 anos a artista plástica pelotense Maria Lídia Magliani. Zero Hora, 21 de dezembro de 2012. Reconhecida como uma das principais artistas brasileiras de sua geração, foi uma das primeiras mulheres negras a se formar em Artes pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em 1966. Sua produção artística é frequentemente associada ao neoexpressionismo, caracterizando-se pela representação de corpos femininos de caráter grotesco, muitas vezes representadas de forma atada ou comprimida, ocupando intensamente o espaço da tela. A artista evitava definições rígidas e associações a rótulos ou modismos, mantendo uma produção marcada pela recusa ao previsível.

Biografia miniaturadaimagem|276x276px|Capa do livro desenvolvido pela Maria Lídia Magliani em 1970. Nascida em uma família de artistas, Magliani decidiu ser pintora. Em 1963, entrou para o curso de Artes Plásticas, graduando-se na Escola de Artes da UFRGS, em 1966. Foi a primeira mulher negra formada pela instituiçãoExposições para todos os olhos. Jornal do Comércio, 18 de junho de 2013. Realizou no mesmo ano a sua primeira exposição individual, na Galeria Espaço. Prosseguiu seus estudos em pós-graduação em pintura com o pintor Ado Malagoli em 1967.

Ainda em 1967, participou do 3º Salão Nacional de Arte Contemporânea de Campinas junto das artistas Anna Maria Maiolino, Alice Brill, Amelia Toledo, Regina Vater e Teresinha Soares.

No início de sua carreira, em 1973, participou da exposição Três pintores negros, organizada por um movimento antirracista em Porto Alegre, em homenagem à memória de Zumbi dos Palmares, símbolo da resistência negra no Brasil.

Em 1974, concluiu o curso de aperfeiçoamento em litografia, no Ateliê Livre da Prefeitura Municipal de Porto Alegre. Produziu ilustrações para jornais de Porto Alegre, também desenvolveu capas de livros entre eles “O inventário do irremediável", do escritor e amigo Caio Fernando Abreu. Seu trabalho se caracteriza por temas influenciados pelo movimento feministaMAGLIANI, Maria Lídia. UFRGSObras de Magliani são expostas em Porto Alegre. Diário Popular, 18 de Junho de 2013 e por utilizar a estética neoexpressionista para refletir sobre a situação política do país e a condição da mulher e do corpo feminino na sociedade. Ainda assim, fazia questão de não se declarar militante. Reconhecida por suas ilustrações em jornais e revistas de caráter revolucionário, bem como por sua atuação no teatro vanguardista, sua arte representa uma forma de crítica e denúncia, especialmente em relação à percepção das mulheres negras na sociedade .

No final da década de 1970, em meio ao contexto político do regime militar brasileiro, Maria Lídia Magliani produziu pinturas que retratavam corpos grandes, frequentemente autorreferenciais. Em suas composições, os corpos aparecem comprimidos, como se estivessem prestes a ultrapassar os limites das vestes e do próprio suporte da tela. Elementos associados ao neoexpressionismo, situados entre a pintura e o desenho, tornaram-se centrais em sua poética e se consolidaram ao longo de sua trajetória artística.

Magliani manteve relações duradouras no meio artístico, entre elas a parceria com a galerista Tina Zappoli, com quem trabalhou desde a década de 1970, antes mesmo da fundação da Galeria Zappoli, em Porto Alegre, quando o espaço ainda se chamava Galeria Tina Presser. Em 1980, deixou o Rio Grande do Sul, estabelecendo-se inicialmente em São Paulo, posteriormente em Minas Gerais e, a partir de 1997, no Rio de Janeiro. Na capital fluminense, viveu em condições precárias, residindo em um quarto de pensão no bairro da Lapa.

Em 1985, participou da 18ª Bienal de São Paulo, integrando a mostra Expressionismo no Brasil: heranças e afinidades. Em 1988, Maria Lídia Magliani esteve entre as poucas artistas negras participantes da exposição A mão afro-brasileira, com curadoria de Emanoel Araújo, artista e fundador do Museu Afro Brasil, em São Paulo.

A autora Fátima Torri, no texto "Maria Lídia Magliani: Uma vida entregue à Arte", enuncia que:

Seu legado permanece por meio de sua obra e de ações de preservação de sua memória. Maria Lídia Magliani dá nome a uma rua em Porto Alegre, e parte de seu acervo integra o Núcleo Magliani, mantido no Estúdio Dezenove, no bairro de Santa Teresa, no Rio de Janeiro, sob a curadoria e cuidado do artista plástico Júlio Castro, seu amigo e colaborador. Somou, ao longo de sua carreira, mais de 100 exposições individuais ou coletivas, e suas obras hoje estão em museus do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Rio de Janeiro e São Paulo. No fim da vida, já invisibilizada pelas instituições, passou por dificuldades financeiras. Morreu em 2012, aos 66 anos, vítima de uma parada cardíaca.

Obras

Exposições

1966 - 1a Exposição Individual, Galeria Espaço, Porto Alegre, Brasil 1967 - 3o Salão Nacional de Arte Contemporânea de Campinas, São Paulo, Brasil 1977 - Exposição Individual, Instituto de Arquitetos do Brasil, Departamento do Rio Grande do Sul 1979 - Artistas Gaúchos, Embaixada do Brasil nos Estados Unidos, Washington, D.C., Estados Unidos 1981 - Desenho e Gravura no Rio Grande do Sul, Museu de Arte do Paraná (MAP), Curitiba, Brasil 1983 - Maria Lídia Magliani, Centro de Estudos Brasileiros, Assunção, Paraguai 1983 - 17a Bienal de São Paulo, Fundação Bienal de São Paulo, São Paulo, Brasil (Curador: Walter Zanini) 1987 - Exposição Retrospectiva, Museu de Arte do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, Brasil 2022 - Individuais no Estúdio Dezenove e na Fundação Iberê Camargo 2022 - É INFINITO AGORA. Estúdio Dezenove, Rio de Janeiro. 2023 - FUNK! Um grito de ousadia e liberdade. ​Museu de Arte do Rio, Rio de Janeiro. 2023/2024 - MAGLIANI GRÁFICA - Itinerâncias: Rio Grande do Sul.; Juiz de Fora, Minas Gerais

Prêmios

1965 - Salão de alunos do Instituto de Artes / UFRGS (Menção Honrosa) 1993 - Panorama da Arte Brasileira, São Paulo, Brasil (Menção Honrosa) 1995 - 46º Salão de Abril, Fortaleza, Ceará, Brasil (homenageada)

Coleções

Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP), São Paulo, Brasil Pinacoteca do Estado de São Paulo, São Paulo, Brasil Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli (MARGS), Porto Alegre, Brasil Pinacoteca Barão de Santo Ângelo, Porto Alegre, Brasil Galeria Espaço Cultural Duque, Porto Alegre, Brasil Museu de Arte do Rio (MAR), Rio de Janeiro, Brasil Museu de Arte de Santa Catarina (MASC), Florianópolis, Brasil Museu Afro Brasil, São Paulo, Brasil Fundação Vera Chaves Barcellos, Porto Alegre, Brasil Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (MACRS), Porto Alegre, Brasil

Ligações externas Obras de Maria Lídia Magliani na Pinacoteca Entre-falas: Artistas. Entrevista ao MARGS

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