thumb|direita|240px|Os católicos tradicionalistas celebram a Missa Tridentina Catolicismo tradicionalista é um grupo dentro da Igreja Católica Apostólica Romana formada por membros do clero e do Laicato que acreditam na tese de que o Concílio Vaticano II acarretou sérios danos à fé e ao povo católico com documentos heterodoxos e/ou heréticos, defendo ser parcial ou totalmente excluído dos legítimos concílios ecumênicos juntamente com as posteriores reformas influenciadas por ele, tais como a redução de exigências no processo para causa dos santos, o novo Código de Direito Canônico, a abolição do juramento antimodernista, a alteração da forma dos Sacramentos católicos, etc. As principais críticas são feitas aos documentos do Concílio que dizem respeito à liberdade religiosa, ecumenismo, colegialidade episcopal e, posterior ao Concílio, à Missa do Vaticano II, também chamada de Missa Nova, Missa de Paulo VI ou Novus Ordo Missae, substituindo na prática a Missa tridentina.
Existem diferentes e distintos grupos de católicos com o pensamento tradicionalista. Alguns deles aceitam em termos gerais a legitimidade das mudanças associadas ao Concílio Vaticano II, mas preferem praticar os costumes católicos anteriores às reformas conciliares por variados motivos. Uns consideram também que o Concílio não produziu documentos heterodoxos e o que houve foi uma má interpretação deles, causando o surgimento de abusos de diversos graus contra a liturgia e a doutrina católica.Discurso de Bento XVI, no dia 22 de dezembro de 2005
Diferentes tipos do pensamento tradicionalista thumb|240px|Afresco da "Igreja Principal" de Campos, RJ, Brasil, retratando a história da "Administração São João Maria Vianney", um dos mais notáveis grupos tradicionais do mundo. A direita estão os Bispos tradicionalistas Dom Antônio de Castro Mayer e Dom Licínio Rangel paramentados, pintados no paraíso com outros anjos. Os dois bispos foram protagonistas no conservadorismo católico nos anos 80 e 90. E ao lado o Papa João Paulo II, que regularizou o grupo
Divide-se aqui, por questões exemplificativas, os tradicionalistas em quatro grandes grupos, observando-se que os sedevacantistas e conclavistas não são considerados por muitos como oriundos do pensamento tradicionalista, tendo ido mais além.
Os tradicionais Essas sociedades tradicionais passaram a existir depois do encerramento do Concílio, como uma tentativa de atrair os fiéis da FSSPX para Roma, oferecendo a Missa Tradicional, mas exigindo a aceitação dos documentos do Concílio.
Os católicos tradicionais aceitam alguns dos documentos do Concílio Vaticano II e declaram que as mudanças associadas às decisões do Concílio, como a reforma litúrgica, são legítimas e válidas, ao menos de forma geral, mas preferem as formas de culto e práticas pré-Vaticano II e, com a aprovação da Santa Sé, o uso desses rituais mais antigos (nomeadamente a missa tridentina).Veja, por exemplo, os decretos de ereção da Fraternidade Sacerdotal São Pedro e do Instituto do Bom Pastor
Alguns documentos conciliares são desprezados e dissentidos pelos católicos tradicionais por supostamente entrarem em confronto com a Tradição bi-milenar da Igreja Católica. Argumentam que existe uma diferenciação entre os graus de autoridade e de assentimento do magistério eclesiástico e que os documentos do Concílio Vaticano II, por não apresentarem ‘voluntas definiendi’, compõem Magistério Meramente Autêntico (‘mere authenticum’). Para tal grau magisterial o assentimento é de certeza moral condicionada: não podendo contrariar o magistério anterior e nem a razão natural (dizem os tradicionalistas que este seria o caso dos documentos supostamente contraditórios que versam sobre “liberdade” religiosa, colegialidade, diálogo ecumênico e inter-religioso e outros).
Eles são servidos por padres diocesanos ou religiosos que estão dispostos e capazes de oferecer os ritos tradicionais e a missa tridentina, sem deixar de celebrar a Missa Nova. Muitos católicos simpatizantes do catolicismo tradicional que não conseguem participar regularmente da liturgia tradicional, porque não é celebrada frequentemente na sua área, atendem com alguma hesitação à Missa do Vaticano II, que é a forma do rito romano aprovado na sequência da reforma litúrgica pós-Vaticano II, e que em 2007 o notu proprio Summorum Pontificum chamou a forma "ordinária" do rito romano,Motu Proprio Summorum Pontificum, do Papa Bento XVI (2007) mas que desde julho de 2021 é declarada a única forma lex orandi do rito romano, as ainda sendo permitida a celebração da Missa "extraordinária".Motu Proprio Traditionis custodes do 16 de julho de 2021
Os tradicionalistas thumb|direita|240px|Sacerdote da FSSPX na Igreja de São Judas, Filadélfia, que está com barrete e pluvial
A Fraternidade Sacerdotal São Pio X (Fraternitas Sacerdotalis Sancti Pii X em latim - FSSPX) é uma sociedade de vida apostólica internacional católica tradicionalista, fundada em 1970 pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre. O atual superior geral da sociedade é o sacerdote italiano Davide Pagliarani.
A Fraternidade é conhecida como a maior sociedade apostólica crítica do Concílio Vaticano II e defensora da Missa Tridentina, juntamente com práticas de piedade, crenças, costumes e da disciplina religiosa associada com o período anterior ao do Concílio, que a sociedade acredita ter promovido ensinamentos errôneos e heréticos sobre questões como a revisão litúrgica, o ecumenismo, a liberdade religiosa e a relação da Igreja Católica com as outras religiões.
Ela foi a primeira sociedade apostólica com autorização a ter fórmulas e rituais pré-Vaticano II após o Concílio, advindo depois a Fraternidade São Pedro. O Vaticano decidiu criar sociedades apostólicas em comunhão com Roma abertas à celebração da Missa Tridentina e ao estilo de vida pré-Vaticano II com objetivo de trazer os tradicionalistas da FSSPX e seus aliados à submissão da hierarquia conciliar, entendendo-se essa como a hierarquia católica de bispos e cardeais que aceitam a licitude do Concílio.1. Fraternidade Sacerdotal São Pedro (FSSP).
2. Os Beneditinos de Dom Augustin, em Flavigny, França.
3. Os Beneditinos de Fontgombault, França.
4. O Seminário Mater Ecclesiae.
5. O Instituto Cristo-Rei.
6. O Instituto do Verbo Encarnado, Argentina.
7. A Administração Apostólica São João Maria Vianney. Em todas essas sociedades é obrigatório o ensino da Missa do Vaticano II e/ou a aceitação da licitude do Concílio.Embora celebrem a Missa Tradicional, não têm permissão para criticar aberta e livremente os erros do Concílio. Enchia-se-lhes de ilusões, achando que poderiam celebrar a Missa dita de São Pio V sem nenhum problema e poderiam criticar livremente o Vaticano II, mas pouco a pouco foi-se suprimindo essas liberdades e suas promessas foram pouco a pouco expostas como mentiras. Algumas dessas viraram birritualistas e todas perderam a possibilidade de criticar os erro do Concílio, trocando essa possibilidade por uma crítica "Educativa e Construtiva". Livro Tradição vs Vaticano: Questão sobre as comunidades Ecclesia Dei A Fraternidade vê na criação de sociedades apostólicas tradicionais em comunhão com Roma, chamadas Ecclesia Dei, uma armadilha para os católicos tradicionalistas, dando-lhes jurisdição, mas exigindo a aceitação dos documentos conciliares, fazendo-a não buscar esse reconhecimento canônico se a condição de aceitação do Concílio é necessária.http://sspx.org/en/news-events/news/question-principles-sspx-vs-fssp-3062; Livro Tradição vs Vaticano: Questão sobre as comunidades Ecclesia Deihttp://www.catholicnewsagency.com/news/traditionalists-announce-definitive-break-with-catholic-church/
https://akacatholic.com/bishop-fellay-clarifies-relations-with-rome/
http://www.catholicnewsagency.com/news/sspx-clarifies-canonical-recognition-not-its-primary-concern-71840/
A Fraternidade alega que não é possível manter a fé verdadeira participando de sociedades que aceitam a licitude dos documentos Conciliares e da Missa Nova ainda que elas celebrem a Missa Tradicional.
Não somente isso, afirma também que os tradicionalistas que saem da Fraternidade São Pio X e vão para as sociedades apostólicas com reconhecimento canônico crendo que poderão seguir com a tradição sem necessidade de se relacionar com as reformas conciliares estão sendo enganados pelas devidas autoridades eclesiásticas, como com relação ao Seminário Mater Ecclesiae e à Fraternidade São Pedro, que no início não precisavam adequar-se às reformas conciliares.Mgr. Decourtray, arcebispo de Lyon, França, para a revista France Catholique
A Fraternidade afirma que a falta de reconhecimento canônico pleno dela não tem base real e que a suspensão à divinis de seus sacerdotes é nula.
Afirma que alegar a falta de comunhão plena dela com Roma não passa de um golpe midiático para difamar a Fraternidade, podendo estar doutrinalmente mais unidos à Igreja e ao Papa do que qualquer outro.
Alega ainda que o Magistério do Papa e dos bispos é nada mais do que o órgão da Tradição. A Tradição, bem como a Escritura Santa, está acima da pessoa do Papa. Este não pode portanto contradizer a doutrina de todos os Papas anteriores. A partir do momento que a pessoa do Papa se afasta da Tradição, impondo ensinamentos novos contrários ao Magistério Perene da Igreja, a Fraternidade é obrigada a resistir pela fé.
A Fraternidade Sacerdotal São Pio X realiza suas cerimônias e missas em estruturas oficiais da Igreja, como seus priorados e capelas abençoadas com fórmula católicas válidas, porém sem jurisdição de Roma. A Fraternidade alega fidelidade à Igreja e ao Papa no que não contraria a doutrina, não sendo sedevacantistas. É a maior sociedade sacerdotal que congrega este tipo de tradicionalistas, fundada em 1970 pelo arcebispo Marcel Lefebvre com aprovação de Roma pelo Mons. Charriere, bispo de Friburgo, Suíça.
Dom Marcel Lefebvre é conhecido por ser um dos precursores do pensamento tradicionalista, embora seja dito que tenha assinado todos os documentos conciliares. Esse argumento é usado por católicos discordantes da conduta do Arcebispo e do que eles afirmam ter sido uma contradição. O Arcebispo afirmou posteriormente que os documentos que foram passados de mão em mão entre os Padres Conciliares os quais todos assinaram não tinham o caráter de aprovação ou reprovação, mas meramente de presença no evento. Críticos afirmam, porém, que havia diferença entre os documentos de presença e os documentos conciliares de fato dados aos Padres Conciliares, o que teria sido afirmado no evento, e que a assinatura do Arcebispo constava nestes, embora Dom Lefebvre os tenha repudiado posteriormente. Em uma entrevista, o Arcebispo afirmou não ter assinado os documentos relativos à "Religião e Liberdade" e "A Igreja no Mundo Moderno", que falou pessoalmente com o Papa Paulo VI sobre seu protesto em relação a esses documentos e que realizou três intervenções públicas na ocasião.
Segundo seus contemporâneos Abade R. de PazananCorrespondence of the Rhone-Alpes newspaper, Sábado, 28 de Outubro, Msg.Lefebvre’s masses. e padre Guerard des Lauriers, ele mesmo celebrou a Missa Nova, embora alegações nesse sentido tenham sido impugnadas e discutidas na época.
Os ensinamentos do Segundo Concílio do Vaticano são danosos à fé de acordo com a Fraternidade. O Arcebispo Marcel Lefebvre juntamente com o bispo brasileiro Dom Antônio de Castro Mayer sagraram 4 bispos, alegando estado de necessidade para que a doutrina católica tivesse seguimento sem a interferência do Vaticano II.