thumb |upright=1.3 |A panspermia propõe que organismos como bactérias, completos com seu DNA, poderiam ser transportados por meios como cometas através do espaço para planetas, incluindo a Terra. Panspermia (do grego antigo πᾶν (pan), "tudo", e σπέρμα (sperma), "semente") é a hipótese de que a vida existe em todo o universo, distribuída por poeira cósmica, meteoroides, asteroides, cometas, e planetoides, bem como por espaçonaves carregando contaminação não intencional por microrganismos,Contaminação planetária direta como o Tersicoccus phoenicis, que mostrou resistência aos métodos geralmente usados em salas limpas de montagem de espaçonaves: conhecido como panspermia dirigida. A teoria argumenta que a vida não se originou na Terra, mas evoluiu em outro lugar e semeou a vida como a conhecemos.

A panspermia apresenta-se de muitas formas, como radiopanspermia, litopanspermia e panspermia dirigida. Independentemente de sua forma, as teorias geralmente propõem que micróbios capazes de sobreviver no espaço sideral (como certos tipos de bactérias ou esporos de plantas) podem ficar presos em detritos ejetados no espaço após colisões entre planetas e pequenos corpos do Sistema Solar que abrigam vida. Esses detritos contendo as formas de vida são então transportados por meteoros entre corpos de um sistema planetário, ou mesmo através de sistemas planetários dentro de uma galáxia. Desta forma, os estudos da panspermia não se concentram em como a vida começou, mas nos métodos que podem distribuí-la dentro do Universo.Uma variação da hipótese da panspermia é a necropanspermia, que o astrônomo Paul Wesson descreve da seguinte forma: "A grande maioria dos organismos chega a um novo lar na Via Láctea em um estado tecnicamente morto... A ressurreição pode, no entanto, ser possível." Hoyle, F. e Wickramasinghe, N.C. (1981). Evolution from Space. Simon & Schuster, Nova Iorque, e J.M. Dent and Son, Londres (1981), cap. 3 pp. 35–49.Wickramasinghe, J., Wickramasinghe, C. e Napier, W. (2010). Comets and the Origin of Life. World Scientific, Singapura. cap. 6 pp. 137–154. Este ponto é frequentemente usado como uma crítica à teoria.

A panspermia é uma teoria marginal com pouco apoio entre os cientistas da corrente principal (mainstream). Os críticos argumentam que ela não responde à questão da origem da vida, mas meramente a coloca em outro corpo celeste. É criticada também porque não pode ser testada experimentalmente. Historicamente, as disputas sobre o mérito desta teoria centraram-se em saber se a vida é ubíqua ou emergente em todo o Universo. A teoria mantém algum apoio hoje, com trabalhos sendo feitos para desenvolver tratamentos matemáticos de como a vida poderia migrar naturalmente pelo Universo. Sua longa história se presta a extensas especulações e fraudes que surgiram de eventos meteoríticos.

Em contraste, a pseudopanspermia é a hipótese bem fundamentada de que muitas das pequenas moléculas orgânicas usadas para a vida se originaram no espaço e foram distribuídas pelas superfícies planetárias.

História

A panspermia tem uma história que remonta ao século V a.C. e ao filósofo natural Anaxágoras. Os classicistas chegaram a concordar que Anaxágoras sustentava que o Universo (ou Cosmos) estava cheio de vida, e que a vida na Terra começou com a queda dessas sementes extraterrestres. A panspermia como é conhecida hoje, no entanto, não é idêntica a essa teoria original. O nome, tal como aplicado a esta teoria, foi cunhado apenas em 1908 por Svante Arrhenius, um cientista sueco. Antes disso, desde a década de 1860, muitos cientistas proeminentes começaram a se interessar pela teoria. Defensores mais recentes incluem Sir Fred Hoyle e Chandra Wickramasinghe.

Na década de 1860, houve três desenvolvimentos científicos que começaram a trazer o foco da comunidade científica para o problema da origem da vida. Em primeiro lugar, a teoria nebular de Kant-Laplace da formação do sistema solar e dos planetas estava ganhando apoio, e implicava que quando a Terra se formou, as condições da superfície teriam sido inóspitas para a vida como a conhecemos. Isso significava que a vida deve ter surgido na Terra em uma data posterior, sem precursores biológicos. Em segundo lugar, a famosa teoria da evolução de Charles Darwin implicava alguma origem elusiva, porque para que algo evolua, deve começar em algum lugar. Em sua obra A Origem das Espécies, Darwin não pôde ou não quis tocar neste assunto. Terceiro e último, Louis Pasteur e John Tyndall refutaram experimentalmente a teoria (agora obsoleta) da geração espontânea, que sugeria que a vida surgia constantemente da matéria não viva e não tinha um ancestral comum, como sugerido pela teoria da evolução de Darwin.

No geral, esses três desenvolvimentos na ciência apresentaram à comunidade científica em geral uma situação aparentemente paradoxal a respeito da origem da vida: a vida deve ter surgido de precursores não biológicos após a formação da Terra, e, no entanto, a geração espontânea como teoria havia sido refutada experimentalmente. A partir daqui é que o estudo da origem da vida se ramificou. Aqueles que aceitaram a rejeição de Pasteur à geração espontânea começaram a desenvolver a teoria de que sob condições (desconhecidas) em uma Terra primitiva, a vida deve ter surgido de material não vivo. Essa teoria ficou conhecida como abiogênese e é a aceita atualmente. Por outro lado, há os cientistas da época que rejeitaram os resultados de Pasteur e, em vez disso, apoiaram a ideia de que a vida na Terra veio de vida preexistente. Isso requer necessariamente que a vida sempre tenha existido em algum lugar, em algum planeta, e que ela tenha um mecanismo de transferência entre os planetas. Assim, o tratamento moderno da panspermia começou para valer.

Lord Kelvin, em uma apresentação à Associação Britânica para o Avanço da Ciência em 1871, propôs a ideia de que, da mesma forma que as sementes podem ser transferidas pelo ar através dos ventos, a vida pode ser trazida à Terra pela queda de um meteorito portador de vida. Ele ainda propôs a ideia de que a vida só pode vir da vida, e que esse princípio é invariante sob o uniformitarismo filosófico, semelhante a como a matéria não pode ser criada nem destruída. Sempre teriam existido planetas espalhando vida por todo o universo porque, segundo ele, "todos nós acreditamos com confiança que existem no presente, e têm existido desde tempos imemoriais, muitos mundos de vida além do nosso." Esse argumento foi fortemente criticado devido à sua audácia e, adicionalmente, devido a objeções técnicas da comunidade em geral. Em particular, Johann Zöllner, da Alemanha, argumentou contra Kelvin dizendo que organismos carregados em meteoritos para a Terra não sobreviveriam à descida através da atmosfera devido ao aquecimento por atrito.

Os argumentos foram e voltaram até que Svante Arrhenius deu à teoria seu tratamento e designação modernos. Arrhenius argumentou contra a abiogênese com base no fato de que não tinha base experimental na época, e acreditava que a vida sempre existiu em algum lugar do Universo, argumentando que "podemos nos acostumar com a ideia de que a vida é eterna e, portanto, é inútil investigar a sua origem". Ele concentrou os seus esforços no desenvolvimento do(s) mecanismo(s) pelo(s) qual(is) essa vida onipresente pode ser transferida através do Universo. Naquela época, havia sido descoberto recentemente que a radiação solar pode exercer pressão e, portanto, força sobre a matéria. Arrhenius assim concluiu que é possível que organismos muito pequenos, como esporos bacterianos, pudessem ser movidos devido a essa pressão de radiação.

Neste ponto, a panspermia como uma teoria agora tinha um mecanismo de transporte potencialmente viável, bem como um veículo para transportar vida de planeta em planeta. A teoria ainda enfrentava críticas, principalmente devido a dúvidas sobre quanto tempo os esporos realmente sobreviveriam sob as condições de seu transporte de um planeta, através do espaço, para outro. Apesar de toda a ênfase colocada em tentar estabelecer a legitimidade científica desta teoria, ainda faltava testabilidade; esse era e ainda é um problema sério que a teoria ainda não superou. Além disso, como Dennis Danielson e Christopher M. Graney apontaram, a teoria é essencialmente baseada na ideia de um universo eterno e imutável, sem começo, e no qual a vida é eterna, e não um universo em evolução a partir de um "Big Bang".

O apoio à teoria persistiu, no entanto, com Fred Hoyle (famoso por sua oposição à Teoria do Big Bang e por promover a sua teoria de um universo imutável de "estado estacionário") e Chandra Wickramasinghe usando duas razões para que uma origem extraterrestre da vida pudesse ser preferida. A primeira é que as condições necessárias para a origem da vida podem ter sido mais favoráveis em outro lugar que não a Terra, e a segunda é que a vida na Terra exibe propriedades que não são explicadas ao assumir uma origem endogênica. Hoyle estudou os espectros da poeira interestelar e chegou à conclusão de que o espaço continha grandes quantidades de compostos orgânicos, que ele sugeriu serem os blocos de construção de estruturas químicas mais complexas. Fundamentalmente, Hoyle argumentou que essa evolução química dificilmente teria ocorrido em uma Terra prebiótica e, em vez disso, o candidato mais provável seria um cometa. Além disso, Hoyle e Wickramasinghe concluíram que a evolução da vida requer um grande aumento na informação e diversidade genéticas, o que poderia ter resultado do influxo de material viral do espaço através de cometas. Hoyle relatou (em uma palestra em Oxford em 16 de janeiro de 1978) um padrão de coincidência entre a chegada de grandes epidemias e as ocasiões de encontros próximos com cometas, o que levou Hoyle a sugerir que as epidemias eram um resultado direto do material chovendo desses cometas. Essa afirmação, em particular, atraiu críticas de biólogos.

Desde a década de 1970, uma nova era de exploração planetária significou que os dados poderiam ser usados para testar a panspermia e potencialmente transformá-la de conjectura em uma teoria testável. Embora ainda não tenha sido testada, a panspermia ainda é explorada hoje em alguns tratamentos matemáticos, e, como a sua longa história sugere, o apelo da teoria resistiu ao teste do tempo.

Visão geral

Requisitos principais

A panspermia requer:

que moléculas orgânicas tenham se originado no espaço (talvez para serem distribuídas para a Terra); que a vida tenha se originado dessas moléculas, de forma extraterrestre; que esta vida extraterrestre tenha sido transportada para a Terra.

A criação e distribuição de moléculas orgânicas a partir do espaço é agora incontroversa; é conhecida como pseudopanspermia. O salto dos materiais orgânicos para a vida originada no espaço, no entanto, é hipotético e atualmente não testável.

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