foi um navegador, explorador, cartógrafo e almirante responsável por liderar a frota que alcançou o continente americano em 12 de outubro de 1492, sob o comando dos Reis Católicos da Espanha, no que ficou conhecido como o descobrimento da América. Empreendeu a sua viagem através do Oceano Atlântico supostamente com o objetivo de atingir a Índia, tendo na realidade descoberto as ilhas das Caraíbas (Antilhas) e, mais tarde, a costa do Golfo do México na América Central.

O seu nome em italiano é Cristoforo Colombo, em latim Christophorus Columbus e em espanhol, Cristóbal Colón. Este antropónimo inspirou o nome de um país, a Colômbia, e de duas regiões da América do Norte: a Colúmbia Britânica, no Canadá, e o Distrito de Colúmbia, nos Estados Unidos. Entretanto, o Papa Alexandre VI escrevendo em latim sempre chamou ao navegador pelo nome de Christophorum Colon, com significado de membro, nunca pelo latim Columbus, com significado de Pombo.Manuel Rosa "Colón. La Historia Nunca Contada", ISBN 978-989-8092-66-3 Está enterrado na catedral de Sevilha, na Espanha.

Colombo é creditado como o primeiro explorador europeu a estabelecer e documentar rotas comerciais para as Américas, apesar dele ter sido precedido por uma expedição viking liderada por Leif Erikson no . Além disso, Colombo explorou o tráfico de indígenas e defendeu um projeto de escravidão dos povos ameríndios.ESTEBAN, Mira Caballos. Indios y mestizos americanos en la Espanã del siglo XVI. Madrid: Iberoamericana; Frankfurt am Main: Vervuert, 2000, 174 p.

As viagens de Cristóvão Colombo abriram caminho para um período de contato, expansão, exploração, conquista e colonização do continente americano pelos europeus pelos próximos séculos. Essas viagens e expedições trouxeram várias mudanças e desenvolvimentos na história moderna do mundo ocidental.

Antecedentes familiares miniatura|250px|left|Bairro de Quinto al Mare, Génova Segundo a documentação existente, Colombo era natural de Génova, tendo provavelmente nascido no bairro de Quinto, onde o seu pai residia já em 1429. Era filho de Domenico Colombo e de Susana Fontanarubea, e neto de Giovanni Colombo, morador em Quinto, e já defunto a 20 de Abril de 1448. Tinha ainda um tio chamado António Colombo e uma tia Battistina, casada com Giovanni Frittalo, a qual foi dotada no referido ano de 1448.Archivio di Stato di Genova - Notário Antonio Fazio seniore, filza 11, nº 127. A 21 de Fevereiro de 1429 o pai de Colombo, Domenico, foi enviado pelo seu pai Giovanni, avô de Colombo, para casa de um tecelão alemão, como aprendiz dessa arte, por um prazo de seis anos. Giovanni, originário de Moconesi, era então habitante em Quinto.Archivio di Stato di Genova - Notário Quilico Albenga, filza unica, nº 68.

Domenico tornou-se assim tecedor de panos, mas de carácter inquieto, e procurando melhorar a sua precária situação económica, estabeleceu-se alternadamente entre Génova e Savona, trabalhando como taberneiro, dedicando-se a pequenos negócios, comprando e vendendo quintas, e tendo até conseguido a guarda de uma das portas de Génova.

Domenico Colombo e Susana Fontanarossa tiveram pelo menos quatro filhos, Bartolomeu, Cristóvão, Giacomo e João Peregrino, e uma filha, Blanchinetta, a qual em 1489 estava já casada com o queijeiro Jacobo Bavarelli. Tanto João peregrino como Blanchinetta morreram jovens, tendo esta deixado um filho, por nome Pantaleão. Cristóvão e Bartolomeo terão tido desde cedo vocação marítima, enquanto Giacomo aprendeu o ofício de tecedor.ARRANZ MÁRQUEZ, Luis Pág. 106.

Vários documentos notariais genoveses atestam a presença em Espanha dos três filhos de Domenico, Bartolomeu, Cristóvão e Giacomo. Em 1489, após um processo entre Domenico e o pai do seu genro, Giacomo Bavarello, queijeiro, este, já viúvo, assina na qualidade de legítimo administrador da parte dos seus três filhos. A 11 de Outubro de 1496, um acordo é assinado entre Giovanni Colombo de Quinto e Matteo e Amighetto, seus irmãos, todos filhos de Antonio Colombo já defunto, segundo o qual o primeiro deles se deveria dirigir a Espanha, a expensas comuns, para visitar «Cristóvão Colombo, seu primo, Almirante do Rei de Espanha». Em 1501, alguns cidadãos de Savona juraram que Cristóvão, Bartolomeu e Giacomo Colombo, filhos e herdeiros do defunto Domenico são «há muito tempo afastados da cidade e território de Savona, para lá de Pisa e de Nice em Provença, e que vivem em Espanha, como toda a gente sabe e o sabia já.»

A origem genovesa de Cristóvão Colombo é a posição predominante na historiografia. No entanto, foram propostas hipóteses alternativas sobre a sua origem, incluindo a hipótese portuguesa, defendida por alguns autores com base em elementos linguísticos, documentais e interpretativos. Ver também: Teorias sobre a origem de Cristóvão Colombo.

Primeiros anos miniatura|esquerda|upright=0.6|Colombo infante, de Giulio Monteverde (Museo delle Culture del Mondo, Castell d'Albertis, Génova)

A data do nascimento de Colombo pode ser determinada com alguma precisão, uma vez que num documento datado de 31 de Outubro de 1470 afirma-se que Cristóvão Colombo, filho de Domenico é já maior de dezenove anos.Archivio di Stato di Genova - Notário Nicola Raggio, filza 2, ano 1470, nº 805. Esta informação, juntamente com o documento Assereto, onde ele próprio afirma ter "cerca de 27 anos","Documento Assereto" - Archivio di Stato di Genova - Notário Gerolamo Ventimiglia, filza 2, nº 266. permite precisar o ano do seu nascimento como sendo o de 1451, entre 25 de agosto e 31 de outubro.

Colombo começou por seguir o ofício de tecelão, mas interessou-se desde cedo pela navegação. Os estudos que teve devem ter sido muito elementares, e talvez tenha aprendido matemática e a sua bela caligrafia em alguma modesta escola da região. Segundo o seu filho Fernando, aos catorze anos começou a navegar. Em 1492 Colombo afirmou que havia vinte e três anos que navegava, o que leva a 1469 e aos dezenove anos. De qualquer modo, num documento de 1472 ainda se intitula lanerio, e a partir do ano seguinte não surge mais como vivendo na região. É possível que alternasse entre os dois ofícios, começando a navegar como grumete e dedicando-se depois ao comércio, trabalhando à comissão, segundo se vê da documentação notarial.

Nestas primeiras viagens esteve na ilha de Quios, no mar Egeu, à época uma colónia genovesa, cuja produção de mástique recordou muitas vezes. Lembrava também de um feito militar que teria feito ao serviço de Renato de Anjou, aliado de Génova e proclamado rei de Aragão pelos catalães revoltados (1466), uma tentativa de captura em Tunes de uma galeaça de João II de Aragão, ou do sobrinho deste — o rei de Nápoles —, com os quais esteve em guerra; este feito, que poderia ter acontecido por volta de 1472, apresenta, no entanto, aspectos duvidosos.

Numa vaga afirmação do seu filho Fernando, recolhida por Las Casas, Colombo teria navegado com o pirata "Colombo, o novo", o grego Jorge Bissypat. No entanto, dada a cronologia, caso tenha realmente acontecido, apenas poderia ter acontecido com Coulon ou Colombo, o velho, um terrível corsário de nome Guilherme de Casenove. Presença em Portugal Não se conhece qualquer documento dos arquivos portugueses que mencione o navegador. O único documento em português que o refere é um suposto salvo-conduto de D. João II datado de 1488, guardado no Arquivo Geral das Índias, cuja autenticidade é, no entanto, duvidosa. O registro da presença de Colombo em Portugal é estabelecido a partir das biografias escritas pelo seu filho, Fernando, e por Las Casas, assim como o Documento Assereto, que assinala a sua presença em Lisboa e na Madeira no verão de 1478, indicando sua intenção de se deslocar para Lisboa em agosto de 1479.

Segundo o seu filho Fernando, Colombo chega a Portugal num episódio relacionado com este pirata Colombo. Conta Fernando que indo Colombo nuns navios mercantes genoveses em direcção a Inglaterra, estes foram atacados pelo pirata Colombo o Novo por alturas do Cabo de São Vicente, havendo feroz combate, pois os navios iam armados, tendo ardido vários. Conta Fernando que Colombo salvou-se agarrado a um remo, chegando a terra muito extenuado. Recolhido pela população e recomposto, Colombo passou a Lisboa, onde sabia se encontrarem muitos seus compatriotas da colónia genovesa daquela cidade. Há neste relato manifesto erro, pois este combate com Colombo o Novo ocorreu somente em 1486, quando Colombo já se encontrava em Espanha. O episódio parece corresponder a um outro combate com o pirata Coulon o Velho em 1476. Logicamente que, caso Colombo realmente tenha chegado desta forma a Portugal, teria estado a bordo das naus genovesas, e não acompanhando o pirata, como já se supôs.

Em todo o caso, supõe-se que Colombo tenha vivido cerca de nove anos em terras portuguesas, entre 1476 e 1485, para onde teria vindo aos vinte e cinco anos, ao atingir a maioridade. Este período da sua vida resume-se às suas viagens, ao casamento, e ao grande projeto que começou a desenvolver.

Nesta época, teria realizado algumas viagens de grande alcance. De Lisboa, teria seguido com o resto da frota genovesa que se salvara do confronto com o pirata, após esta se reagrupar e reforçar, até Inglaterra, e ao que parece mais além, pois ele mesmo diz que, estando em Galway, no oeste da Irlanda, viu um homem e uma mulher chegarem num tronco vindos de "Catai". Afirmou também ter chegado a Tule em 1477, comprovando que o seu extremo sul estava a 73ºN e não a 63º (sendo que, este último, é que é o valor correcto) e que, apesar de ser devereiro, o mar não estava gelado, permitindo que navegasse cem léguas para lá da ilha. Tem sido discutido se de fato chegou à Islândia, e parece ainda mais improvável tal prolongamento da viagem, cuja finalidade não se percebe. É possível que a Tule de Colombo fossem as Shetland, ou as Ilhas Feroe, muito mais meridionais. Por outro lado, a latitude da Tule de Colombo aproxima-se mais da Islândia, e há provas de que, nesse ano, o inverno na Islândia foi muito mais suave que o habitual.

miniatura|A casa em que se pensa que Colombo possa ter residido, na ilha do Porto Santo, na Madeira

Em julho de 1478, encontra-se nesta cidade, ao serviço da casa comercial de Ludivico Centurione e Paolo di Negro, mercadores genoveses cujos herdeiros são citados nos testamentos de Colombo (1506) e do seu filho Diogo (1523).Taviani, Paolo Emilio : "Cristobal Colon : genesis del gran descubrimiento / Paolo Emilio Taviani"; Barcelona : Instituto geografico de Agostini : Teide - IT\ICCU\UBO\1205760 Por esta data, Colombo desloca-se de Lisboa à Ilha da Madeira, encarregado de comprar 2 400 arrobas de açúcar, que deveriam ser carregadas no navio do capitão português Fernando de Palência. Para o efeito, Di Negro havia-lhe fornecido parte do dinheiro, sendo que o restante deveria chegar ao Funchal a tempo da transacção ser concretizada e da chegada do navio que deveria carregar o açúcar, o que não aconteceu, tendo os vendedores se recusado a concretizar a transacção.

Embora se suponha geralmente que Colombo teria vivido no Porto Santo por esta época, cerca de 1478, segundo Pereira da Costa não é crível que tal tenha ocorrido, dadas as condições muito precárias da ilha nessa época. Do mesmo modo, não se sabe ao certo se a viagem de 1478 à Madeira teria sido ou não a sua primeira visita àquele arquipélago.

O caso da transacção de açúcar falhada acabou nos tribunais de Génova, onde Colombo, então com 27 anos, se encontrava a 25 de agosto de 1479, tendo prestado declarações na qualidade de testemunha e cidadão genovês. No dia seguinte, 26 de agosto de 1479, Colombo embarcaria novamente com destino a Lisboa.