José Álvaro Machado Pacheco Pereira (Bonfim, Porto, 6 de janeiro de 1949) é um professor, cronista e analista político português.

Biografia

Infância e juventude José Pacheco Pereira nasceu no Porto, na Rua de Santos Pousada, cidade onde cresceu.

Por volta de 1965 conheceu Eugénio de Andrade, que veio a influenciar bastante a sua formação, dando-lhe a ler e a discutir muitos livros e poemasVeja-se o texto Adeus, de José Pacheco Pereira..

No Liceu Alexandre Herculano, Pacheco Pereira dirigiu o jornal dos estudantes, chamado PrelúdioExpresso, que havia sido fundado por José Augusto Seabra e Manuel Alegre.

Licenciou-se em Filosofia pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto em 1978.

Já tinha aí obtido o bacharelato em 1971.Ver a biografia de José Pacheco Pereira na página dos antigos estudantes ilustres da Universidade do Porto.

Percurso profissional Findos os estudos superiores, Pacheco Pereira iniciou a sua carreira como professor do ensino secundário, que acumularia com uma intensa colaboração nos meios de comunicação social.

Viria a lecionar também na Universidade Autónoma de Lisboa e no ISCTE — Instituto Universitário de Lisboa.

O professor e colunista destacar-se-ia, igualmente, pela sua atividade na recolha, organização e classificação de documentação sobre a vida política portuguesa.

Desse trabalho, resultou a revista Estudos sobre o comunismo: Boletim de estudos interdisciplinares sobre o comunismo e os movimentos comunistas (inspirada pela revista Communisme, de Annie Kriegel e Stéphane Courtois), que fundou em 1983. Foi diretor dessa publicação, de cujo conselho de redacção faziam parte, para além do próprio Pacheco Pereira, Fernando Rosas, Rogério Rodrigues, Maria Goretti Matias, António Moreira, José Alexandre Magro («Ramiro da Costa») e Manuel Sertório.Veja-se o texto Estudos sobre o Comunismo — Terceira série.

Da sua colaboraçao regular na imprensa assinala-se o facto de se manter há mais de uma década como colunista no jornal "Público" e da revista "Sábado", tendo sido no passado colaborador do "Semanário" e do "Diário de Notícias".

Também colabora na análise política em programas de televisão, nomeadamente na Circulatura do Quadrado na TVI24 (até janeiro de 2019 num programa semelhante, Quadratura do Círculo, na SIC Notícias, programa que por sua vez sucedeu ao Flashback da TSF), tendo na década de 1990 participado no programa Viva a Liberdade! da SIC, juntamente com Miguel Sousa Tavares e António Barreto.

Também concebeu o programa Ponto/Contraponto na SIC Notícias, um programa de comentários sobre comunicação social, media, jornais, rádios, blogues, livros e televisão.

Participou, em 2008, no programa Minuto a minuto, do Rádio Clube.

Na blogosfera, assinou os blogues Abrupto, Estudos sobre o Comunismo e Ephemera.

Ephemera, biblioteca e arquivo

A biblioteca de Pacheco Pereira, instalada desde 2003 na Marmeleira, com cerca de 110 000 títulos, é possivelmente a maior biblioteca privada portuguesa.

Foi criada uma associação entre abril e maio de 2017 com 120 associados. Pacheco Pereira está a estudar a possibilidade de a converter numa fundação.

Em 2017 lançou o site Ephemera, que pretende ajudar a difundir o seu arquivo — no site aparece uma história do arquivo, as suas raízes na biblioteca da família Pacheco Pereira, uma descrição dos principais fundos e colecções, eventos, trabalhos de investigação, exposições e publicações.

Exemplos de materiais recebidos: Papéis de Francisco Sá-Carneiro, deixados à sua secretária; Mobília de Vítor Crespo, antigo presidente da Assembleia da República.

Uma da mais recentes conquistas é um armazém no Parque Empresarial Baía do Tejo, no Barreiro, com espaço para organizar o arquivo.

Associado ao arquivo e biblioteca são dinamizados exposições, conferências e livros.

Atividade política e pública José Pacheco Pereira iniciou na juventude a sua actividade política, na oposição ao Estado Novo.

Zita Seabra afirma que Pacheco Pereira a terá contactado com vista à sua eventual adesão ao Partido Comunista.No seu livro Foi Assim (p. 27), Zita Seabra descreve os encontros que tiveram (em 1966) nos seguintes termos: «Só conheci um caso de alguém que entrou na vida política dessa altura depois de ter optado por ler os clássicos e considerar que estava teoricamente preparado para o fazer: foi o José Pacheco Pereira. O meu liceu era a Carolina Michaëlis e todo o movimento associativo existente nos liceus se encontrava lá e no D. Manuel II, pois não tínhamos, para nosso desespero, contactos com os liceus do outro lado da cidade, o Rainha Santa Isabel e o Alexandre Herculano. O José Pacheco Pereira queria entrar para o movimento associativo e ser comunista e procurou-me com esse objectivo. Para poder entrar tinha feito uma enorme preparação teórica e já tinha lido uma série de obras dos clássicos do marxismo-leninismo. Primeiro, encontrámo-nos no Café de São Lázaro e tivemos posteriormente vários outros encontros. Achei aquilo muito estranho e disse-o ao controleiro […], que concordou comigo: ou ele era um génio para ler tanto e preparar-se daquela forma, ou era suspeito. O José Pacheco Pereira, já com uma enorme capacidade de leitura e preocupação intelectual, falava com à vontade d' O Capital de Marx, ou do Materialismo e Empiriocriticismo de Lenine. Nós achámos melhor pô-lo de quarentena, para termos a certeza de que tão estranho comportamento não seria o de um provocador. Nunca chegou a entrar para o PCP: eu deixei de acompanhar o caso, passei nessa altura à clandestinidade e ele não gostou do tempo de espera. Impaciente, criou o seu próprio partido marxista-leninista. Foi caso único.» Esta informação é, no entanto, negada por Pacheco Pereira:Veja-se também a entrevista dada ao jornal i

Viria a aderir ao PCP (m-l) em 1972, de inspiração maoísta, fundando a Secção Norte desse mesmo partido.

Já publicara então o seu primeiro livro, As lutas operárias contra a carestia de vida em Portugal: a greve geral de Novembro de 1918, editado em 1971. Este livro seria apreendido e proibido de circular pela PIDE, a qual, pouco depois, instaurou um processo ao autor, sob a direção do inspetor António Rosa Casaco.Ver o prefácio da 2ª edição do livro As lutas operárias contra a carestia de vida em Portugal: a greve geral de Novembro de 1918.

Após uma rusga da PIDE à sua casa, a 30 de abril de 1973, viveu na clandestinidade, da qual só sairia completamente após o golpe de 11 de março de 1975.Ver a entrevista por Maria João Avillez, bem como o Dicionário de Personalidades Portuenses do Século 20.

Com João Carlos Espada e Manuel Villaverde Cabral, fundou em 1984 o Clube da Esquerda Liberal.

Em 1986 apoiou ativamente a primeira eleição presidencial de Mário Soares.Ver o cap. XXII de Soares — Democracia.

Pouco depois aproximava-se do Partido Social Democrata, liderado por Aníbal Cavaco Silva.

Eleito deputado (1987) pelos social-democratas (da primeira vez ainda como independente, pois só se filiaria no partido em 1988) cumpriria mandato durante quatro legislaturas consecutivas (1987–1991, 1991–1995, 1995–1999 e 2009–2011)Ver Dicionário de Personalidades Portuenses do Século 20..

Acabaria também por ser líder parlamentarVeja-se o capítulo Tempo de partir do segundo colume da Autobiografia Política de Cavaco Silva. e presidente da comissão política distrital de Lisboa do mesmo partido.Fez dois mandatos consecutivos de um ano cada, em 1996–1998.

Foi também membro da Delegação da Assembleia da República à Assembleia da NATO e Presidente do Subcomité da Europa de Leste e da ex-URSS da Comissão Política da Assembleia do Atlântico Norte.

Foi Vice-Presidente do Instituto Luso-Árabe para a Cooperação.

Em 1995 foi o cabeça de lista do PSD pelo círculo eleitoral de Aveiro, nas eleições legislativas que culminaram na vitória do Partido Socialista, então dirigido por António Guterres. Pacheco Pereira enfrentou nessa eleição, entre outros, Paulo Portas e Carlos Candal.

A disputa desse círculo foi uma das mais polémicas, sendo a razão dessa polémica o Breve manifesto anti-Portas em português suave, da autoria de Carlos Candal. Em 2002, foi cabeça de lista pelo círculo eleitoral do Porto, nas eleições legislativas que culminaram com a vitória do Partido Social Democrata, então dirigido por Durão Barroso.

Contudo, por ser na altura deputado europeu, não assumiu o cargo de deputado na Assembleia da República. Foi Vice-Presidente do Parlamento Europeu entre 1999 e 2004.

Em 2004 foi nomeado embaixador de Portugal na UNESCO. Um mês após a divulgação de que iria ocupar este cargo, quando se soube que Santana Lopes iria substituir Durão Barroso como primeiro-ministro, demitiu-se por não querer ficar na dependência funcional de um governo que pretendia criticar. Voltou a ser eleito deputado (pelo PSD, como cabeça de lista por Santarém) nas eleições legislativas de 2009.

Foi um dos principais signatários do Manifesto em Defesa da Língua Portuguesa Contra o Acordo Ortográfico de 1990, petição on-line que, entre Maio de 2008 (data do início) e Maio de 2009 (data da apreciação pelo Parlamento), recolheu mais de 115 mil assinaturas válidas.

A 9 de junho de 2005, foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade pelo então Presidente da República Jorge Sampaio.

Desde 2013, é sócio correspondente da Classe de Letras da Academia das Ciências de Lisboa (3.ª Secção - Filosofia, Psicologia e Ciências da Educação).Site da Academia das Ciências de Lisboa

A 30 de outubro de 2025, foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem de Camões.

Reside na Marmeleira, em Rio Maior.

Posições políticas

Eleições presidenciais 2026 Após a primeira volta das eleições presidenciais de 2026, anunciou que votaria — “sem nenhuma espécie de entusiasmo” — em António José Seguro, candidato apoiado pelo PS e ex-secretário-geral do partido, na segunda volta frente a André Ventura, líder do Chega. Defendeu que “o voto contra o Chega e contra André Ventura é um dos elementos fundamentais hoje da interpretação política que se possa fazer em Portugal”. Na sua perspetiva, Ventura e o seu partido representam uma ameaça às liberdades, em particular às relacionadas com as mulheres, os comportamentos sociais, as formas de vestir e os modos de vida. Acrescentou ainda que João Cotrim de Figueiredo, enquanto candidato liberal, não deveria hesitar em apoiar Seguro, em oposição ao antiliberalismo que Pacheco Pereira atribui ao Chega e ao seu líder.

Não-Socialistas por Seguro Também foi um dos 250 signatários originais da carta aberta "Não-Socialistas por Seguro", em apoio a António José Seguro na segunda volta das eleições contra André Ventura.

Serviço militar obrigatório Em maio de 2026 Pacheco Pereira assinou no Público uma crónica em que defendia a adoção do serviço militar obrigatório. Nele argumentava que "Os tempos de hoje são demasiados perigosos para a complacência e o facilitismo, e qualquer guerra é um risco não só para a nossa soberania como também para a democracia".

Obras Obras de Pacheco Pereira As lutas operárias contra a carestia de vida em Portugal: a greve geral de Novembro de 1918 (Portucalense Editora, 1971);Foi re-editado pela Editora Nova Crítica em 1976. Conflitos sociais nos campos do sul de Portugal (Publicações Europa-América, 1983); 1984: a esquerda face ao totalitarismo, com João Carlos Espada (Moraes, 1984); A sombra: estudo sobre a clandestinidade comunista (Gradiva, 1993); O nome e a coisa: textos dos anos 1980 e 90 (Editorial Notícias, 1997); Desesperada Esperança e outros textos (Editorial Notícias, 1999); Álvaro Cunhal, Uma Biografia Política. Vol. I: Daniel, O Jovem Revolucionário (1913–1941) (Círculo de Leitores, 1999); Álvaro Cunhal, Uma Biografia Política. Vol. II: Duarte, O Dirigente Clandestino (1941–1949) (Círculo de Leitores, 2001); Vai pensamento: ensaios e outros textos (Quetzal, 2002); Álvaro Cunhal, Uma Biografia Política. Vol. III: O Prisioneiro (1949–1960) (Círculo de Leitores, 2005);