A tartaruga-verde, tartaruga-aruanã ou só aruanã (nome científico: Chelonia mydas) é uma tartaruga marinha da família dos queloniídeos (Cheloniidae). É o único membro do género Chelonia. A espécie está distribuída por todos os oceanos, nas zonas de águas tropicais e subtropicais e de qualquer altitude do mundo, sendo habitualmente encontradas em águas costeiras, ilhas ou baías, e raramente encontradas em alto-mar, com duas populações distintas no Oceano Atlântico e no Oceano Pacífico. O nome tartaruga-verde deve-se à coloração esverdeada da sua gordura corporal.
A tartaruga-verde é uma tartaruga marinha com um corpo achatado coberto por uma grande carapaça que possui quatro pares de placas laterais de queratina de coloração verde ou verde-acinzentadas; marrom com manchas negras e amareladas quando juvenis, bem como dois grandes pares de nadadeiras. Além disso, sua carapaça pode variar os tons em oliva-marrom e preto, no Pacífico Oriental. Ao contrário de outros membros de sua família, como a tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata) e a tartaruga-comum (Caretta caretta), a tartaruga-verde é principalmente herbívora após adentrar sua fase adulta, enquanto filhote é predominantemente onívora com tendências carnívoras. Os adultos geralmente habitam lagoas rasas, alimentando-se principalmente de diversas espécies de ervas marinhas.
Como outras tartarugas marinhas, migram longas distâncias entre as áreas de alimentação e as suas praias de incubação. Muitas ilhas em todo o mundo são conhecidas como ilhas das Tartarugas por causa da nidificação das tartarugas-verdes em suas praias. As tartarugas fêmeas saem às praias e põem ovos em ninhos que escavam durante a noite. Mais tarde, filhotes emergem em direção à água. Aqueles que sobrevivem alcançam a maturidade sexual ao fim de vinte a cinquenta anos e vivem até 80 anos em liberdade.
Como uma espécie classificada como espécie ameaçada pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN / IUCN) e Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies Silvestres Ameaçadas de Extinção (CITES), a tartaruga-verde é protegida contra a exploração, na maioria dos países. É ilegal a coleta, dano ou matá-las. Além disso, muitos países têm leis e decretos para proteger suas áreas de nidificação. No entanto, as populações de tartarugas ainda estão em perigo por causa de diversas práticas humanas. Em alguns países, as tartarugas e seus ovos são caçados para alimento. Poluição indireta prejudica as tartarugas, tanto na população quanto à dimensão individual. Muitas tartarugas morrem em consequência de terminarem nas redes de pescadores. Finalmente, a destruição de habitat é uma grande fonte de perda de praias de nidificação.
Taxonomia A tartaruga-verde é um membro da tribo dos queloníneos (Chelonini). Um estudo de 1993 esclareceu a situação do gênero Chelonia em relação às outras tartarugas marinhas. Os grupos carnívoros tartaruga-de-pente (Eretmochelys), tartaruga-comum (Caretta) e Lepidochelys foram atribuídos à tribo dos caretinos (Carettini). O herbívoro Chelonia garantiu sua posição como gênero, enquanto Natator foi removido de outros gêneros do que se acreditava anteriormente.
A espécie foi originalmente descrita por Carlos Lineu em 1758 na 10.ª edição do Systema Naturae como Testudo mydas. Em 1868, Marie Firmin Bocourt nomeou uma espécie particular de tartaruga marinha como Chelonia agassizii em homenagem ao zoólogo suíço-americano Louis Agassiz. Esta "espécie" foi referida como "tartaruga-do-mar-negro". Pesquisas posteriores determinaram que a "tartaruga-do-mar-megro-negra" de Bocourt não era geneticamente distinta da tartaruga-verde e, taxonomicamente não configurada uma espécie separada. Essas duas "espécies" foram então unidas como Chelonia mydas e as populações receberam o estatuto de subespécie: C. mydas mydas se referia à população originalmente descrita, enquanto C. mydas agassizi se referia apenas à população do Pacífico, conhecida como tartaruga-verde-de-galápagos. Esta subdivisão foi posteriormente determinada como inválida e todos os membros da espécie foram então designados Chelonia mydas.
O nome comum da espécie não deriva de nenhuma coloração externa verde específica. Seu nome vem da cor esverdeada da gordura encontrada em uma camada entre seus órgãos internos e sua carapaça. Como é uma espécie encontrada em todo o mundo, a tartaruga-verde tem muitos nomes locais. Na língua havaiana é chamada de honu, e é conhecido localmente como símbolo de boa sorte e longevidade. No Brasil, seu outro nome vernacular, aruanã, originou-se no tupi *arua'na, que designa um tipo de peixe. Foi registrado a primeira vez em 1887 e tem como parônimo aruaná, já registrado em 1631 como aruana e então 1886 como aruaná.
Descrição miniaturadaimagem|280px|Padrão de placas da carapaça e do plastrão
Sua aparência é a de uma típica Tartaruga-marinha. Tem um corpo achatado dorsoventralmente, uma cabeça pequena, com um único par de escamas pré-frontais e uma mandíbula serrilhada que facilita a alimentação de gramíneas na extremidade de um pescoço curto e braços em forma de remos bem adaptados à natação. Adultos crescem até 1,5 metro de comprimento. O peso médio de indivíduos maduros é de 68 a 190 quilos e o comprimento médio da carapaça é de 78 a 112 centímetros. Espécimes excepcionais podem pesar 315 quilos ou até mais, com o maior conhecido pesando 395 quilos e medido 153 centímetros de comprimento de carapaça.
Ao contrário de seu parente próximo, a tartaruga-de-pente, o focinho da tartaruga-verde é curto, com um bico sem gancho. O pescoço não pode ser puxado para dentro da carapaça. A mandíbula superior da tartaruga possui uma borda denticulada, enquanto a mandíbula inferior possui uma denticulação mais forte, serrilhada e mais definida. A superfície dorsal da cabeça da tartaruga tem um único par de escamas pré-frontais. Sua carapaça é composta por cinco escudos centrais, com quatro pares de escudos laterais. Por baixo, a tartaruga-verde tem quatro pares de escudos inframarginais cobrindo a área entre o plastrão e o casco. Os apêndices frontais maduros têm apenas uma única garra (em oposição às duas da tartaruga-de-pente), embora uma segunda garra às vezes seja proeminente em espécimes jovens.
A carapaça da tartaruga tem vários padrões de cores que mudam com o tempo. Filhotes, como os de outras tartarugas marinhas, têm principalmente carapaças pretas e plastrões de cor clara. As carapaças dos juvenis se tornam marrom-escuras a verde-oliva, enquanto as dos adultos maduros são inteiramente marrons com raios variegados. Por baixo, o plastrão é amarelo. As patas são de cor escura com linhas amarelas, e geralmente são marcadas com uma grande mancha marrom escura no centro de cada apêndice.
Distribuição
esquerda|miniaturadaimagem| Carapaça taxidermizada
A distribuição natural da tartaruga-verde se estende por todos os oceanos tropicais e subtropicais do planeta. As duas principais subpopulações são as subpopulações do Atlântico e do Pacífico oriental. Cada população é geneticamente distinta, com seu próprio conjunto de áreas de nidificação e alimentação dentro do alcance conhecido da população. Uma das diferenças genéticas entre as duas subpopulações é o DNA mitocondrial encontrado nas células. Indivíduos de colônias no Oceano Atlântico e no Mar Mediterrâneo têm semelhanças no DNA mitocondrial, enquanto indivíduos dos oceanos Pacífico e Índico têm outro tipo de DNA mitocondrial. Sua faixa nativa inclui águas tropicais a subtropicais ao longo das costas continentais e ilhas entre 30°N e 30°S. Como as tartarugas-verdes são uma espécie migratória, sua distribuição se estende ao oceano aberto. As diferenças no DNA mitocondrial provavelmente decorrem das populações isoladas umas das outras pelas pontas sul da América do Sul e da África, sem águas quentes às tartarugas-verdes migrarem. Estima-se que a tartaruga-verde habite áreas costeiras de mais de 140 países, com locais de nidificação em mais de 80 países em todo o mundo ao longo do ano. Na costa atlântica dos Estados Unidos, podem ser encontradas do Texas e do norte até Massachussetes. Na costa do Pacífico dos Estados Unidos, foram encontradas do sul da Califórnia ao norte até a ponta mais ao sul do Alasca. As maiores populações de tartarugas-verdes no litoral dos Estados Unidos estão nas ilhas havaianas e na Flórida. Globalmente, as maiores populações estão na Grande Barreira de Coral na Austrália e no Mar do Caribe.
Subpopulação atlântica
esquerda|miniaturadaimagem|Fêmea retornando ao mar após nidificação na , Malásia
A tartaruga-verde pode ser encontrada geralmente em todo o Oceano Atlântico. Embora a espécie seja mais abundante em climas tropicais, também pode ser encontrada em clima temperado, e indivíduos foram observados até o norte do Canadá no Atlântico Ocidental. e nas Ilhas Britânicas no leste. No Caribe, os principais locais de nidificação identificados são na ilha das Aves, nas Ilhas Virgens Americanas, em Porto Rico, na República Dominicana e na Costa Rica. Nos últimos anos, há sinais de aumento de nidificação nas Ilhas Caimã. Um dos locais de nidificação mais importantes da região está em Tortuguero, na Costa Rica. A maioria da população de da região do Caribe vem de algumas praias em Tortuguero. Nas águas dos Estados Unidos, pequenos locais de nidificação foram observados nos estados da Geórgia, Carolina do Norte, Carolina do Sul e ao longo da costa leste da Flórida. Locais notáveis na América do Sul incluem praias isoladas no Suriname e na Guiana Francesa. No Oceano Atlântico Sul, um dos locais de nidificação mais notáveis é a ilha de Ascensão, que hospeda de seis a 13 mil ninhos. Em contraste com a distribuição esparsa dos locais de nidificação, as áreas de alimentação são muito mais amplamente distribuídas por toda a região. Importantes áreas de alimentação na Flórida incluem a laguna de Indian River, Florida Keys, a baía da Flórida, Homosassa, rio Crystal e Cedar Key.
Subpopulação do Indo-Pacífico miniaturadaimagem| Prestes a ir a superfície para respirar em Cona, Havaí miniaturadaimagem|Imaturo havaiano
No Pacífico, sua distribuição chega ao norte até a costa sul do Alasca e ao sul até o Chile no leste. A distribuição no Pacífico ocidental atinge o norte do Japão e partes do sul da costa do Pacífico da Rússia, e até o extremo sul da Nova Zelândia e algumas ilhas ao sul da Tasmânia. As áreas de nidificação significativas estão espalhadas por toda a região do Pacífico, incluindo o México, as ilhas havaianas, o Pacífico Sul, a costa norte da Austrália e o Sudeste Asiático. As principais colônias de nidificação do Oceano Índico incluem Índia, Paquistão, Seri Lanca e outros países costeiros. As tartarugas também podem ser encontradas em todo o Oceano Índico; a costa leste do continente africano abriga alguns locais de nidificação, incluindo ilhas nas águas ao redor de Madagascar.
Áreas de nidificação específicas