BlackRock, Inc. é uma empresa multinacional estadunidense de gestão de investimentos. Fundada em 1988, começou como uma gestora institucional de ativos de renda fixa, com ênfase em gestão de riscos. É a maior gestora de ativos do mundo, com US$ 15,3 trilhões em ativos sob gestão em 2026. Sua sede fica em Nova Iorque. A empresa mantém 70 escritórios em 30 países e atende clientes em 100 países.

A BlackRock administra a família iShares de fundos negociados em bolsa. Junto com Fidelity, Vanguard e State Street, integra o grupo das quatro maiores administradoras de fundos de índice. Seu sistema Aladdin acompanha carteiras de investimentos de grandes instituições financeiras, enquanto a divisão BlackRock Solutions presta serviços de gestão de riscos financeiros. A BlackRock ocupa a 210.ª posição na lista Fortune 500.

A empresa adotou critérios de governança ambiental, social e corporativa (ESG) em parte de sua política de investimentos. Virgínia Ocidental, Flórida e Luisiana retiraram recursos administrados pela BlackRock ou restringiram negócios com a empresa em reação a essas políticas. A BlackRock também recebeu críticas por investimentos em empresas ligadas a combustíveis fósseis, à indústria de armamentos, ao Exército de Libertação Popular e a violações de direitos humanos na China.

História 1988–1999 A BlackRock foi fundada em 1988 por Larry Fink, Robert S. Kapito, Susan Wagner, Barbara Novick, Bennett Golub, Hugh Frater, Ralph Schlosstein e Keith Anderson. O grupo pretendia oferecer gestão de ativos a clientes institucionais com uma abordagem centrada em risco. Fink, Kapito, Golub e Novick haviam trabalhado juntos no First Boston, onde Fink e sua equipe estiveram entre os primeiros participantes do mercado estadunidense de títulos lastreados em hipotecas. Fink perdeu US$ 90 milhões enquanto era codiretor da divisão de renda fixa do First Boston. A experiência o levou, junto com os demais fundadores, a desenvolver práticas de controle de risco e dever fiduciário que consideravam mais rigorosas. Para obter o capital inicial, Fink procurou Peter Peterson, da Blackstone Group, que apoiou a ideia de uma empresa dedicada à gestão de riscos. Peterson chamou o negócio de Blackstone Financial Management. Em troca de 50% da operação de títulos, a Blackstone concedeu inicialmente a Fink e sua equipe uma linha de crédito de US$ 5 milhões. O negócio passou a dar lucro em poucos meses. Em 1989, seus ativos haviam quadruplicado, chegando a US$ 2,7 bilhões, e a participação da Blackstone havia caído para 40%.

Em 1992, a Blackstone detinha cerca de 36% da empresa, e Stephen A. Schwarzman e Fink discutiam a possibilidade de vender ações ao público. A empresa adotou o nome BlackRock e encerrou o ano com US$ 17 bilhões sob gestão. No fim de 1994, o total era de US$ 53 bilhões. Em 1994, Schwarzman e Fink divergiram sobre remuneração e participação acionária. Fink queria conceder participação a novas contratações para atrair profissionais dos bancos, enquanto Schwarzman não queria diluir ainda mais a fatia da Blackstone. Os dois decidiram separar os negócios, e Schwarzman vendeu a BlackRock. Anos depois, chamou a decisão de "erro heroico".

Em junho de 1994, a Blackstone vendeu ao PNC Financial Services, por US$ 240 milhões, uma unidade de títulos hipotecários com US$ 23 bilhões em ativos. A unidade negociava hipotecas e outros ativos de renda fixa. No processo de venda, o nome Blackstone Financial Management foi alterado para BlackRock Financial Management. Schwarzman permaneceu na Blackstone, enquanto Fink se tornou presidente do conselho e diretor executivo da BlackRock.

1999–2009 Em 1 de outubro de 1999, a BlackRock abriu seu capital e vendeu ações a US$ 14 cada em uma oferta pública inicial na Bolsa de Valores de Nova Iorque. Ao fim daquele ano, administrava US$ 165 bilhões. A empresa cresceu de forma orgânica e por aquisições. Em 2000, criou a BlackRock Solutions para oferecer gestão de riscos e análise de investimentos a investidores institucionais e outras grandes gestoras. A plataforma reúne serviços de consultoria e tecnologia e é baseada no sistema Aladdin, nome formado por Asset Liability and Debt and Derivative Investment Network.

Em agosto de 2004, a BlackRock fez sua primeira aquisição de grande porte ao comprar da MetLife a SSRM Holdings, controladora da State Street Research & Management, por US$ 325 milhões em dinheiro e US$ 50 milhões em ações. A operação elevou os ativos sob gestão de US$ 314 bilhões para US$ 325 bilhões. O negócio também incorporou, em 2005, a atividade de fundos mútuos da State Street Research & Management.

Em 2006, a BlackRock se fundiu com a divisão Merrill Lynch Investment Managers (MLIM). A participação da PNC foi reduzida pela metade, e a Merrill passou a deter 49,5% da empresa. Em outubro de 2007, a BlackRock adquiriu a operação de fundos de fundos da Quellos Capital Management. Em abril de 2009, comprou a R3 Capital Management, LLC e assumiu a gestão de seu fundo de US$ 1,5 bilhão. Em maio daquele ano, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos contratou a BlackRock Solutions para analisar, desfazer e precificar ativos problemáticos pertencentes ao Bear Stearns, American International Group, Freddie Mac, Morgan Stanley e outras instituições afetadas pela crise financeira de 2008. O Federal Reserve também encarregou a BlackRock de supervisionar a liquidação de US$ 130 bilhões em dívidas do Bear Stearns e da American International Group.

2010–2019 Em fevereiro de 2010, após precisar levantar capital por causa da crise financeira de 2008, o Barclays vendeu à BlackRock a unidade Barclays Global Investors (BGI), que incluía a iShares, por US$ 13,5 bilhões. O Barclays recebeu uma participação próxima de 20% na BlackRock. Em 1 de abril de 2011, a empresa passou a integrar o índice S&P 500. Em 2013, a Fortune incluiu a BlackRock em sua lista anual World's 50 Most Admired Companies. Em 2014, os US$ 4 trilhões sob gestão fizeram dela a maior gestora de ativos do mundo. No fim de 2014, o Sovereign Wealth Fund Institute informou que investidores institucionais respondiam por 65% dos ativos administrados pela BlackRock.

Em 30 de junho de 2015, a BlackRock tinha US$ 4,721 trilhões sob gestão. Em 26 de agosto, firmou acordo definitivo para adquirir a FutureAdvisor, uma empresa de gestão patrimonial digital que administrava cerca de US$ 600 milhões. A FutureAdvisor passaria a operar dentro da BlackRock Solutions. Em novembro de 2015, a BlackRock anunciou o encerramento do fundo de cobertura BlackRock Global Ascent após perdas. O Global Ascent era seu único fundo dedicado à estratégia macro global, enquanto a empresa concentrava sua atividade em fundos mútuos e fundos negociados em bolsa. A BlackRock administrava então US$ 51 bilhões em fundos de cobertura, dos quais US$ 20 bilhões estavam em fundos de fundos.

Em março de 2017, depois de uma revisão de seis meses liderada por Mark Wiseman, a BlackRock reorganizou sua operação de US$ 8 bilhões em fundos de gestão ativa. Sete gestores de carteira deixaram a empresa, foi reconhecido um encargo de US$ 25 milhões no segundo trimestre e alguns fundos foram substituídos por estratégias quantitativas. Em abril, a iShares respondia por US$ 1,41 trilhão, ou 26% dos ativos sob gestão da BlackRock, e por 37% da receita proveniente de taxas básicas. No mesmo mês, a empresa apoiou pela primeira vez a inclusão de ações da China continental em um índice global da MSCI.

2020–presente Em maio de 2020, o PNC Financial Services vendeu sua participação na BlackRock por US$ 14,4 bilhões. Em março, o Federal Reserve havia escolhido a BlackRock para administrar dois programas de compra de títulos corporativos criados em resposta à pandemia de COVID-19. O trabalho abrangia o Primary Market Corporate Credit Facility, de US$ 500 bilhões, e o Secondary Market Corporate Credit Facility. Também incluía compras, pelo Federal Reserve, de títulos lastreados em hipotecas comerciais garantidos pela Government National Mortgage Association, Fannie Mae ou Freddie Mac. Em agosto de 2020, a BlackRock recebeu autorização da China Securities Regulatory Commission para criar uma operação de fundos mútuos no país. Foi a primeira gestora global a obter permissão do governo chinês para iniciar esse tipo de negócio.

Em outubro de 2021, a BlackRock lançou o programa Voting Choice, que permite a clientes institucionais investidos em fundos de índice participar de votações de acionistas. Os clientes habilitados podem votar em todas as matérias, somente em algumas, escolher entre 14 políticas de voto ou deixar a decisão com a equipe de stewardship de investimentos da BlackRock. A BlackRock Investment Stewardship conta com cerca de 70 analistas que mantêm contato com conselhos e equipes de administração das empresas e votam ações em nome dos clientes que não exercem o voto.

Em maio de 2021, a BlackRock informou ter sido a principal provedora de dívida para a aquisição, pela heylo housing, de uma carteira de 3.000 imóveis residenciais em regime de propriedade compartilhada no programa Home Reach. A operação foi avaliada em £ 362,5 milhões.

Em novembro de 2021, a BlackRock reduziu investimentos na Índia e ampliou sua exposição à China. A empresa mantém um India Fund, pelo qual investe em empresas indianas como Byju's, Paytm e Pine Labs. Em 28 de dezembro de 2022, foi anunciado que a BlackRock e Volodymyr Zelensky haviam coordenado uma função para a empresa na reconstrução da Ucrânia. Larry Fink e Zelensky haviam se reunido por videoconferência em setembro de 2022. Em julho de 2025, a Bloomberg informou que a BlackRock havia interrompido no começo daquele ano os esforços para reunir investidores para um fundo destinado à recuperação da Ucrânia, em meio ao aumento da incerteza. A empresa afirmou que concluiu em 2024 seu trabalho de consultoria pro bono e já não tinha mandato ativo. Em abril de 2023, a BlackRock foi contratada para vender US$ 114 bilhões em ativos do Signature Bank e do Silicon Valley Bank após a crise bancária nos Estados Unidos em 2023. Em junho de 2023, protocolou na Securities and Exchange Commission dos Estados Unidos um pedido para lançar um fundo negociado em bolsa de Bitcoin à vista. Em novembro, fez pedido semelhante para um ETF de Ethereum. O ETF de Bitcoin e outros dez pedidos foram aprovados em 10 de janeiro de 2024. Em 19 de janeiro, o iShares Bitcoin Trust ETF (IBIT) tornou-se o primeiro ETF de Bitcoin à vista a alcançar US$ 1 bilhão em volume.

Em julho de 2023, a BlackRock nomeou Amin H. Nasser para seu conselho de administração. Nasser, diretor executivo da Saudi Aramco, ocuparia em 2024 a vaga deixada por Bader Alsaad. Também em julho, a Jio Financial Services entrou no mercado de gestão de ativos por meio de uma joint venture paritária com a BlackRock, chamada Jio BlackRock. Em agosto, a BlackRock firmou acordo com a Nova Zelândia para criar um fundo de NZ$ 2 bilhões destinado a projetos de energia solar, eólica, hidrogênio verde, armazenamento em baterias e recarga de veículos elétricos, dentro da meta do país de alcançar eletricidade 100% renovável até 2030. Em janeiro de 2024, a BlackRock anunciou a compra da Global Infrastructure Partners por US$ 12,5 bilhões. A empresa concordou em pagar US$ 3 bilhões em dinheiro e 12 milhões de suas próprias ações. Em março, lançou na rede Ethereum seu primeiro fundo tokenizado, o BlackRock USD Institutional Digital Liquidity Fund (BUIDL), com investimentos em títulos do Tesouro dos Estados Unidos e operações compromissadas. O fundo reuniu US$ 245 milhões em ativos na primeira semana. Em 15 de julho de 2024, a BlackRock retirou de circulação um anúncio filmado em 2022 no qual aparecia brevemente Thomas Matthew Crooks, autor da tentativa de assassinato de Donald Trump na Pensilvânia. A empresa ampliou sua sede no 50 Hudson Yards em meados de 2024.