A intervenção russa na Guerra Civil Síria foi uma operação militar que começou em setembro de 2015 e perdurou até dezembro de 2024. Consistiu de uma série de ataques aéreos e navais feitos pelas forças armadas da Rússia contra o grupo extremista autoproclamado Estado Islâmico (EI) na Síria. Operações terrestres feitas por forças especiais russas, unidades de elite do exército russo e grupos mercenários como o ChVk Wagner também foram reportadas. Os bombardeios e missões atingiram outras organizações não jihadistas que lutavam contra o regime do ditador sírio Bashar al-Assad. Antes da intervenção militar direta, os russos haviam se limitado a apoiar, monetariamente e em termos de armas, o exército sírio durante sua luta contra a oposição síria e outros grupos.
Segundo autoridades russas, sua campanha militar na Síria começou após um pedido formal feito pelo governo sírio em Damasco. O propósito destas ações seria ajudar o regime de Assad a lutar contra terroristas. O governo sírio estava perdendo terreno em todas as frentes para os rebeldes ou para as milícias fundamentalistas, como o Estado Islâmico. No final de 2017, a intervenção produziu ganhos significativos para o governo sírio, incluindo a reconquista de Palmira das mãos do Estado Islâmico em março de 2016, a retomada da cidade de Aleppo em dezembro de 2016 e o rompimento do longo cerco de Deir ez-Zor e a retomada da cidade como um todo em novembro de 2017. Em janeiro de 2017, o Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas da Federação Russa, Valery Gerasimov, disse que, no geral, a força aérea russa lançou pelo menos 19 160 missões de combate e fez mais de 71 000 ataques contra o que definiram como "infraestrutura dos terroristas".Американский Б-52 разбомбил сирийскую деревню Rossiyskaya Gazeta, 10 de janeiro de 2017. No final de dezembro de 2017, o ministro da Defesa russo disse que os militares do seu país eliminaram vários milhares de terroristas, enquanto 48 000 membros das forças armadas russas "ganharam experiência de combate" durante a operação na Síria.Расширенное заседание коллегии Министерства обороны kremlin.ru, 22 de dezembro de 2017.Более 48 тысяч российских военных получили опыт в Сирии Rossiyskaya Gazeta, 23 de dezembro de 2017. A campanha foi criticada por vários órgãos internacionais por bombardeios aéreos russos indiscriminados em toda a Síria que visavam escolas e infraestruturas civis, bombardeio de cidades como Aleppo e várias táticas de terra arrasada, como contra instalações subterrâneas.
Segundo o governo dos Estados Unidos, que defende a saída de Bashar al-Assad do poder, os ataques aéreos russos não atingiram só os extremistas muçulmanos, mas também outros rebeldes que lutavam contra o regime sírio, como o grupo chamado Exército Livre. A intervenção polarizou os governos ao longo de linhas previsíveis. Países com estreitos laços diplomáticos e econômicos com a Rússia, incluindo China, Egito, Iraque e Bielorrússia, geralmente apoiaram a intervenção, enquanto as reações de governos próximos aos Estados Unidos foram geralmente críticos, com muitos governos denunciando a Rússia por seu papel na guerra e destacando sua cumplicidade nos crimes de guerra relatados pelo regime sírio. A Human Rights Watch e a Amnesty International afirmaram que os militares russos estavam cometendo crimes de guerra e deliberadamente visando civis, especialmente via bombardeios indiscriminados. O governo dos Estados Unidos condenou a intervenção e impôs sanções econômicas contra a Rússia por apoiar o governo sírio. Funcionários das Nações Unidas condenaram a intervenção russa e disseram que o país estava cometendo crimes de guerra de forma desenfreada. As autoridades russas rejeitaram esta denúncia, incluindo acusações de "barbárie", como falsas e politicamente motivadas, provocando assim uma condenação ainda mais forte dos governos que apoiam os grupos rebeldes.
Em novembro de 2024, a retomada dos ataques aéreos russos em larga escala não conseguiram deter a ofensivas da oposição síria, a Rússia começou a retirar suas tropas da região após a queda do regime de Bashar al-Assad em dezembro. Naquela altura, as forças russas na Síria consistiam em forças especiais, segurança de base e uma unidade de aviação.
Operações esquerda|miniaturadaimagem|Um caça russo Su-34 bombardeando alvos na Síria. Nas primeiras 24 horas de operações (30 de setembro-1 de outubro), a força aérea russa lançou mais de vinte surtidas aéreas em território sírio. Dezenas de militantes anti-Assad teriam sido mortos, mas vários civis também perderam suas vidas. Os ataques iniciais russos se focaram nas províncias de Lataquia, Homs, Hama e Idlib. Autoridades ocidentais afirmaram que o Estado Islâmico não foi o principal alvo dos bombardeios, com cidades sob controle de grupos ditos como "moderados" da oposição síria (apoiado pelos Estados do Golfo e pelo Ocidente) também sendo atingidas.
Os bombardeios prosseguiram nos dias seguintes, se expandindo para os distritos de Raqqa, Deir ez-Zor, Quneitra e Al-Hasakah. Operações conjuntas com a força aérea síria contra a Frente al-Nusra, um grupo jihadista inimigo do Estado Islâmico, foram conduzidas em Homs."Russian Air Force Begins Massive Aerial Campaign Against ISIS in East Syria". Página acessada em 7 de outubro de 2015. Raqqa, uma das principais bases de poder do EIIL na Síria, foi intensamente bombardeada por aviões russos. Pela região, depósitos de munição, linhas de suprimento e bases de comando e controle de grupos anti-Assad foram destruídas."ISIS Rocked in Al-Raqqa: Russian Air Force Strikes Tabaqa Airport". Página acessada em 7 de outubro de 2015.
Entre 5 e 7 de outubro, novos ataques aéreos russos foram reportados contra bases do Estado Islâmico pela Síria. Instalações do EI foram bombardeadas, atingindo paióis de munição e vários blindados que estavam em mãos dos extremistas muçulmanos, incluindo tanques T-55."Base with T-55 tanks among 9 ISIS facilities Russia hit in last 24 hours". Página acessada em 6 de outubro de 2015. Grupos rebeldes sírios no norte, que afirmam não ter ligações com organizações jihadistas, também foram alvos dos bombardeios russos e foram forçados, em várias localidades, a recuar de suas posições. Foi reportado também que aeronaves da Rússia teriam violado o espaço aéreo turco."Syrian rebels are bracing for a new reality, more violence amid Russian air campaign". Página acessada em 7 de outubro de 2015.
No dia 6 de outubro, foi reportado também que forças navais russas haviam assumido posições perto da Síria. No dia seguinte, os navios russos teriam abrido fogo, por meio de mísseis de longo alcance, contra alvos do Estado Islâmico, segundo o ministro da defesa Sergei Shoigu. Esta notícia, somada a informações de que tropas terrestres russas estavam se deslocando para a região, sugeria que a Rússia estaria se preparando para escalar ainda mais sua participação na guerra, algo negado pelo Kremlin."Russian warships launch rockets on Islamic State in Syria". Página acessada em 7 de outubro de 2015. Com a expansão da campanha militar russa na Síria, o Ocidente e nações do Oriente Médio, como a Turquia, condenaram o governo russo afirmando que boa parte dos seus ataques em solo sírio miravam grupos rebeldes e não os extremistas do Estado Islâmico. Grupos treinados e armados pelos Estados Unidos, como o Exército Livre da Síria, tiveram várias de suas bases atingidas. Autoridades russas se defendem afirmando que seu principal alvo são os "terroristas", termo que o regime Assad usa não apenas para descrever os extremistas mas também todos os grupos de oposição."Just two of 57 Russian airstrikes in Syria have hit Isil, says Turkey". Página acessada em 7 de outubro de 2015. miniaturadaimagem|esquerda|Tropas russas em Alepo. No meio tempo dos ataques aéreos russos, o governo do Irã e lideranças da milícia Hezbollah anunciaram que enviariam mais combatentes para a Síria, com o propósito de apoiar as operações russas e o regime de Bashar al-Assad. Já ao fim do dia 7 de outubro, pela primeira vez, uma ofensiva terrestre encabeçada pelo exército sírio foi conduzida com cobertura coordenada da força aérea russa, na região central da Síria. Os bombardeios da Rússia passariam a se intensificavam com passar do tempo, atingindo mais cidades e causando mais danos."Russia launches missiles at 'Isil targets' from Caspian warships as Assad forces start ground offensive". Página acessada em 7 de outubro de 2015. Em meados de outubro, segundo dados do governo, a força aérea russa afirmava que seus aviões estavam voando pelo menos 60 surtidas por dia, matando centenas de integrantes do Estado Islâmico e membros de diversas organizações rebeldes. No dia 13 deste mês, militares russos afirmaram ter conduzido pelo menos 88 bombardeios pela Síria em um espaço de 24 horas, atingindo diversas bases de grupos jihadistas. Ao fim de outubro, após um mês de operações, o governo da Rússia afirmou ter atingido 1 623 alvos de "grupos terroristas" na Síria, incluindo 51 campos de treinamento, 131 depósitos de mantimentos, 249 postos de comunicação e controle, 35 fábricas de carros bomba, 371 posições fortificadas e 786 bases avançadas e campos. Autoridades ocidentais, contudo, continuam a afirmar que o Estado Islâmico não é a prioridade dos russos, com suas bombas atingindo majoritariamente áreas controladas por grupos rebeldes da oposição e não islamitas."Russia says hit 1,623 targets in Syria since start of bombing campaign". Página acessada em 30 de outubro de 2015. esquerda|miniaturadaimagem |Navios de guerra russo em ação no mar mediterrâneo para dar apoio as operações militares na Síria. Em 24 de novembro de 2015, durante uma missão de bombardeio no norte da Síria, um caça russo Sukhoi Su-24 foi abatido pela aviação militar turca. O governo da Turquia afirmou que o avião russo havia violado seu espaço aéreo, o que a Rússia negou dizendo que sua aeronave foi derrubada enquanto voava sobre solo sírio. No mesmo dia, uma missão de resgate (encabeçada pelo corpo de fuzileiros navais russo) foi lançada para tentar reaver os pilotos do avião abatido. Contudo, quando chegaram, os militares russos foram atacados por rebeldes sírios, com o helicóptero de resgate Mi-8 sendo destruído por disparos de morteiro. Um fuzileiro russo foi morto na operação. Esses incidentes acabaram por abalar ainda mais as relações já tumultuadas entre a Rússia e os países da região, apoiados pelo Ocidente."O que a derrubada do avião russo diz sobre a investida de Putin na Síria". Página acessada em 24 de novembro de 2015."Rússia diz que soldado morreu na Síria em tentativa de resgatar pilotos". Página acessada em 24 de novembro de 2015.
Em 14 de março, o presidente Vladimir Putin anunciou que boa parte das tropas e equipamentos das forças armadas russas que participavam da intervenção na Síria estavam sendo enviados de volta para casa. A desmobilização começou no dia seguinte ao anúncio. A retirada foi autorizada logo após uma reunião bem sucedida feita na cidade de Genebra entre as partes envolvidas no conflito. Putin afirmou que o desempenho dos seus militares na intervenção foi o que tornou as conversações para um cessar-fogo na Síria possíveis. O presidente russo, contudo, afirmou que o país poderia voltar a realizar ataques em território sírio, caso fosse necessário. De fato, foi reportado que aviões russos ainda voavam pela região, mesmo após a desmobilização."Putin diz que militares russos podem voltar à Síria em horas se necessário". Página acessada em 18 de março de 2016.