é uma ferramenta de gestão de destinos, focada na percepção do panorama atual em que o destino se encontra nos possíveis panoramas futuros. Construindo metodologicamente um trâmite que possibilite guiar o destino do panorama atual para o futuro desejado utilizando de forma eficiente os recursos disponíveis para este fim.
Percebendo o turismo na localidade constatam-se os seus impactos negativos e positivos. Na tentativa de maximizar os impactos positivos e minimizar os impactos negativos surge o planejamento baseado na sustentabilidade. Utilizando-se do tripé fincado na equidade social, prudência ecológica e na dinamização da economia local.
História do Planejamento do Turismo O planejamento é, inegavelmente, uma importante ferramenta administrativa. Sua principal função é a construção do caminho para alcançar o futuro desejado. Segundo Rattner (1979) “no âmbito do poder público, o planejamento pode ser definido como uma técnica de tomada de decisão que dá importância para a escolha de objetivos bem determinados e indica os meios mais apropriados para atingi-los” e tendo o Estado a função de construir o bem comum torna-se implícito que o bom planejamento tem como finalidade para o Estado desempenhar a sua primordial função.
Planejamento Estatal O Planejamento por parte do Estado teve início quando a sociedade encontrava-se com a necessidade de se reconstruir. Após o fim da primeira guerra mundial, com a crise de 1929, a antiga União Soviética tornou-se a primeira nação a aplicar o planejamento como ferramenta de reconstrução. Segundo Dias (2003) “como instrumento governamental de orientação econômica” o planejamento da URSS teve a sua construção de forma sistemática e centralizada, o que deu ao planejamento um caráter centralizador e demasiadamente controlador dentro da ótica dos países de economia livre.
A Segunda Guerra Mundial e o planejamento Após a Segunda Guerra Mundial a prática do planejamento foi estendida aos países periféricos do bloco comunista e iniciada em países de economias mais abertas chegando, segundo Dias (2003), à França e ao Japão e tendo a sua aplicação em países “subdesenvolvidos” apenas na década de 50 a 60.
As Crises globais e o planejamento O planejamento ganha destaque no cenário internacional, após momentos de crise global, sendo as crises de mercado as principais motivadoras da adoção do planejamento por países de economia de mercado. Tendo com exemplos as crises do México em 1994-1995, dos “Tigres Asiáticos” e outras economias do Sudeste Asiático em 1997-1998, da Rússia e do Brasil em 1998-1999, e a recente crise da Argentina de 2001-2002 que impulsionaram os governos para atuarem orientando as suas economias; segundo Ángel (2003).
Planejamento Formal do Turismo
França O planejamento formal do setor turístico em um Estado representou uma mudança de paradigmas referente ao papel da atividade turística para a economia em uma nação. Tendo sido identificada na França em 1948 identificada à necessidade de profissionalizar a atividade devido a potencial contribuição que o setor pode alcançar, tendo, portanto neste ano a implantação da primeira ação real de planejamento setorial, com o Plano Qüinqüenal do Equipamento Turístico Francês, que durou de 1948 a 1952.
Espanha Em 1952 ocorre na Espanha a experiência com planejamento turístico, com o a elaboração do anteprojeto do Plano Nacional de Turismo em 1952, o que confirma a importância dada à atividade na Europa e serve de sinal de que a atividade precisa construir caminhos para que possa assim beneficiar o lugar em que ela se desenvolve.
Delimitação territorial O turismo é uma atividade de deslocamento em que existem regiões emissoras e receptoras tendo, portanto a necessidade de um planejamento com maior delimitação territorial. Como produto desta percepção, surge em 1955, o primeiro exemplo de planejamento regional com o estudo para a ordenação turística da Costa do Sol na Espanha, embora esta ação tenha uma percepção geográfica regional. Segundo Ángel (2003), “não consideravam a problemática do desenvolvimento turístico integral na região onde se encontravam”.
Planejamento regional na França Em 1961 ocorre a primeira tentativa real de planejamento regional do turismo no sul da França, com a compra de 1.500 hectares de terreno no litoral entre “Lá Camague” e a Espanha. Nesta nova ação percebe-se uma visão mais integral da atividade contado com a presença de ministérios envolvidos, com a atuação de equipes de planejadores urbanos, secretários técnicos, empresas e outras entidades o que permitiu a esta experiência aprofundar-se melhor na problemática do desenvolvimento local.
thumb|150x150px|Côte Aquitain na França
Côte Aquitaine Em 1970, surge o planejamento do desenvolvimento turístico de Côte Aquitaine, região da costa oeste francesa no litoral Atlântico em uma extensão de 250 quilômetros até a fronteira com a Espanha. Este trabalho contemplou uma região extremamente diferente da primeira e por este motivo teve em seu desenvolvimento outro foco. Entretanto, houve segundo Ángel (2003) uma mesma fundamentação. “Na existência de uma série de polos de desenvolvimento hierarquizados ao longo de uma grande extensão territorial”, possibilitado desenvolver a região com suas singularidades em um conjunto identitário construindo assim, uma ideia mais estruturada de um destino.
Continente americano
Plano Turístico do México No caso do continente americano, segundo Molina e Rodrigues (2001), o esforço de planejamento ocorreu “desde os anos 1960, quando foi elaborado o primeiro Plano Nacional de Desenvolvimento Turístico do México”. De acordo com Ángel (2003), este foi “fruto” do acordo presidencial de sete de julho, encarregando o então Departamento de Turismo do México na sua elaboração. Este fato foi logo seguido pelo governo da Argentina, sendo, portanto, o primeiro Estado Nacional sul-americano a produzir um planejamento setorial do turismo ocorrido em 1968.
Planejamento do Turismo na Argentina
Quando a Secretaria de Difusão do Turismo da Argentina, as Organizações das Nações Unidas (ONU) e o Centro de Pesquisa da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Buenos Aires implementam em parceria a primeira tentativa sul-americana de planejamento do turismo, refletindo uma união entre a comunidade científica e o setor público, baseando-se em um modelo mais participativo possibilitando uma visão mais integral o que o aproxima do planejamento de Côte Aquitaine, onde ocorre a primeira tentativa de planejamento do turismo com a participação de outros atores do setor.
Planejamento Estatal no Brasil
No Brasil, como em outros países da América Latina, o planejamento teve como principal foco, à tentativa de mudança na estrutura de divisão internacional do trabalho, na tentativa de substituir as importações e proteger o mercado interno, tendo ainda a sua execução como pré-requisito para a obtenção de empréstimos internacionais junto a organismos como o Banco Interamericano de Desenvolvimento.
Planejando efetivamente
No Brasil, o planejamento por parte do Estado só foi efetivamente empregado a partir de 1956, com o Plano de Metas, no governo de Juscelino Kubitschek, “fruto” do trabalho da comissão mista Brasil e Estados Unidos. Considerando cinco setores da economia, este trabalho, segundo Dias (2003), produziu “um plano setorial, pois incorporou somente 25% do PIB brasileiro”. Este plano teve, grande importância devido ao sucesso obtido e seu valor está presente na percepção econômica, sendo o mais bem estruturado planejamento brasileiro em sua época segundo (1987 apud Dias (2003), “o Plano de Metas foi um caso bastante bem-sucedido na formulação e implementação do planejamento”.
Plano Trienal A segunda contribuição refere-se ao Plano Trienal de 1963 a 1965, que, segundo Dias (2003), “embora malsucedido […] trouxe uma concepção de desenvolvimento” contribuindo significativamente quanto à ideia de divisão de renda, tendo na distribuição de renda entre as diferentes regiões, a sua maior contribuição. Segundo Dias (2003) “as experiências obtidas com o Plano Trienal foram fundamentais na elaboração dos planos posteriores” tendo, portanto, a sua importância na contribuição teórica.
Programa de Ação Econômica No ano de 1964, surge o Programa de Ação Econômica do Governo de 1964 a 1966. Tendo pouco contribuído para o desenvolvimento do planejamento, pois segundo Dias (2003) a sua construção ocorreu na cúpula do governo, refletindo a pressa, a centralização e a ação de tecnocratas. Outra experiência ocorre entre 1968 e 1970 com a elaboração do Plano Estratégico de Desenvolvimento. Um plano fragmentado que propunha a aceleração econômica, contenção inflacionária, progresso social e ampliação de empregos a partir do estímulo ao setor privado e a ampliação das responsabilidades do governo. O programa de Metas e Bases para a Ação do Governo surge no ano de 1970 a 1973 tendo sido o mais ambicioso segundo Mendes (1978), pois pretendia “transformar a nação brasileira em uma grande potência mundial”. Embora não tenha a estrutura de um plano, sendo, portanto um programa parcial dependente dos planos seguintes, este contribuiu com um norteamento para os planos que o sucederam.
Plano Nacional de Desenvolvimento Outra importante contribuição para a cultura do planejamento no Brasil foi dada em 1972, com o Plano Nacional de Desenvolvimento, pois este foi construído a partir de uma visão mais ampla, tendo uma maior integração dos setores. Incluiu setores produtivos da economia, indicadores econômicos e investimento social, o que permitiu uma percepção mais clara e gerou melhores resultados. No segundo Plano Nacional de Desenvolvimento aplicado entre 1975 a 1979, os panoramas de crescimento e de equilíbrio na balança comercial influíram no plano durante o governo Geisel, propondo a manutenção dos indicadores positivos. Tendo a sua maior contribuição ocorrida na questão ambiental, este plano teve, portanto, na inclusão desta temática de grande relevância, uma contribuição para o início do pensamento sustentável na política do Brasil, embora por pressão internacional devido aos reflexos da acelerada industrialização ocorrida no período anterior, tendo esta contribuição influenciado a elaboração do terceiro Plano Nacional de Desenvolvimento para os anos de 1980 a 1985. Este novo trabalho tem como maior contribuição à percepção de que o problema ambiental se constitui como uma tarefa intersetorial, segundo Dias (2003), aparecendo “juntamente com Ciência e Tecnologia”.
Plano Real
Com o fim do período de regime militar, tivemos como Presidente um civil a governar o país. Tendo pouco êxito socioeconômico o governo civil passou por um período de intensa crise e o planejamento aplicado não produziu reflexos positivos. A primeira contribuição relevante no âmbito do planejamento ocorreu no governo do Presidente Itamar Franco com o Plano Real em 1994 idealizado pelo Ministro e posterior Presidente Fernando Henrique Cardoso. O Plano Real possibilitou um controle inflacionário, permitindo construir um cenário econômico menos turbulento o que permitiu maiores investimentos externos e facilitou na administração financeira empresarial.
Planejamento no setor turístico no Brasil
Plano Nacional do Turismo No ano de 1991 cria-se o primeiro Plano de Desenvolvimento do Turismo, que por conta da deposição do Presidente Fernando Collor de Mello não chega a ser implantada neste governo. No governo seguinte aplica-se o Plano de Desenvolvimento do Turismo em 1992, sem grandes efeitos.
O Plano de Ecoturismo
O Plano Nacional de Ecoturismo surge em 1994 como um planejamento setorial de um importante segmento turístico.
Programa Nacional de Municipalização do Turismo