thumb|Catedral de São Jorge em Lviv foi a sede da Igreja Católica Ucraniana durante os séculos XIX e XX.
A Igreja Greco-Católica Ucraniana ou Igreja Arcebispal Maior Ucraniana (em ucraniano: Українська греко-католицька церква; ) é uma igreja particular sui iuris da Igreja Católica, de rito Bizantino. Esta Igreja oriental católica, de rito litúrgico bizantino, conta atualmente com cerca de 10 milhões de fiéis, sendo que cerca de metade ainda vivem na Ucrânia, a sua sede principal. É considerada a maior Igreja Oriental em comunhão com o Bispo de Roma, Papa Leão XIV. Foi governada até 2011 pelo Arcebispo maior Lubomyr Husar, juntamente com o seu Sínodo. Cardeal Husar renunciou em fevereiro de 2011, por motivos de saúde. Em 25 de março de 2011, o Sínodo Extraordinário, em Kiev, escolheu Dom Sviatoslav Shevchuk como novo Arcebispo-Mor.
Definição O nome "Igreja Greco-Católica" foi introduzido pela Imperatriz da Áustria Maria-Teresa em 1774 para distinguir esta Igreja das Igreja Católica Latina e Igreja Católica Armênia.
Os documentos oficiais da igreja usavam o termo latino "Ecclesia Ruthena Unita". Em 1960 o nome Igreja Católica Ucraniana começou a ser utilizado em documentos oficiais para referir-se aos católicos ucranianos da diáspora e à igreja das catacumbas da Ucrânia Soviética. O almanaque estatístico do Vaticano, o Anuário Pontifício, usa o nome de "Igreja Católica Ucraniana do Rito Bizantino". O Sínodo da Igreja Greco-Católica Ucraniana de setembro de 1999 propôs o nome "Igreja Católica de Kyiv", para enfatizar a identidade desta Igreja. Com freqüência o termo "uniata" vem utilizado. Esse termo é usado comumente num sentido político pejorativo, denotando agressão contrária à "eclesiologia da comunhão" da parte da Igreja Greco-Católica Ucraniana. Por conseguinte, os Católicos Ucranianos consideram esse termo ofensivo.
Introdução A Igreja Greco-Católica Ucraniana, também denominada simplesmente de Igreja Católica Ucraniana, é uma das Igrejas sucessoras da aceitação do Cristianismo pelo Grão-Príncipe Vladimir, o Grande, (em Ucraniano Volodymyr) de Quieve, em 988. A Igreja Greco-Católica Ucraniana é a maior Igreja particular sui iuris do Rito Oriental em plena comunhão com a Santa Sé, e está diretamente sujeita ao Papa. O Primaz desta Igreja, em união com o Papa, ocupa o cargo de Arcebispo Maior de Kyiv-Halych, apesar de que os hierarcas da igreja já aclamaram o seu primaz como "Patriarca" e a criação de um Patriarcado próprio está pendente. Hoje esta igreja está presente em muitos países e conta com aproximadamente 40 hierarcas em quatro continentes, além de quatro metropolitas na Polônia, Estados Unidos, Canadá e Brasil.
Na Ucrânia, a Igreja Greco-Católica Ucraniana representa somente pouco mais de 10% da população religiosa do país, ocupando um distante segundo lugar depois da maioria de fé Ortodoxa. Contudo, como a Ortodoxia Ucraniana foi dividida em ao menos três denominações a partir da independência na década de 1990, a Igreja Greco-Católica tornou-se acidentalmente a segunda maior organização religiosa da Ucrânia em termos de número de comunidades. Em termos de número de fiéis, a Igreja Greco-Católica Ucraniana ocupa o terceiro lugar, colocando-se atrás da Igreja Ortodoxa Ucraniana - Patriarcado de Quieve e da Igreja Ortodoxa Ucraniana - Patriarcado de Moscou. Atualmente, a Igreja Greco-Católica Ucraniana predomina em vários oblasts do oeste da Ucrânia e, apesar de presente em todo o país, é uma minoria em todas outras regiões. Ao unir-se a Roma, à Igreja Ucraniana foi permitido manter o seu rito litúrgico e diversos costumes próprios - que causaram conflito entre grupos desinformados repetidas vezes através da história. Entre tais costumes, por exemplo, o clero pode ser casado, sob arbítrio do eparca de cada jurisdição. Na realidade, sacerdotes casados não apresentam empecilho à unidade com a Igreja Universal ao considerar-se que o celibato obrigatório é questão disciplinar, não de doutrina ou de dogma.
História Período pré-cisma Os fundamentos da Igreja Católica Ucraniana foram estabelecidos através da co-participação do Patriarca de Constantinopla com os Papas de Roma através da maior parte do primeiro milênio (até ao ano de 1054) e da co-participação intermitente após o primeiro milênio. Alguns dos primeiros contatos da Igreja Católica Apostólica na região ocorreram através da evangelização de Santo André, o "primeiro apóstolo a ser chamado" no Século I d.C. e da presença de representantes de colônias gregas ao longo das costas do Mar Negro no Primeiro Concílio de Niceia em 325. Aproximadamente 300 anos mais tarde, o Papa São Martinho de Roma foi exilado no atual território da Ucrânia pelo imperador grego em Constantinopla (654-655 d.C.).
Dois séculos mais tarde, as relíquias do Papa São Martinho foram recuperadas pelos irmãos greco-eslovenos São Cirilo e São Metódio da Macedônia, enquanto passavam pelo atual território da Ucrânia rumo à missão aos Czares que habitavam o território da moderna Rússia. Mais tarde estes irmãos criaram os fundamentos do cristianismo no atual centro da Igreja Católica Ucraniana, no oeste da Ucrânia. Os santos Cirílio e Metódio partiram de Constantinopla a convite do monarca da Grã-Morávia, um império que incluía regiões do extremo oeste da Ucrânia moderna. Em Vel'ka Morava (Grã-Morávia), estes irmãos criaram o alfabeto "cirílico" (muito provavelmente o alfabeto glagolítico), permitindo à população local venerar Deus em esloveno.
Reagindo a disputas locais com clérigos da Igreja Latina, os santos Cirilo e Metódio decidiram buscar o Bispo de Roma em 867, levando consigo as relíquias do Papa São Martinho. Suas obras e pedidos foram bem recebidos pelo Bispo de Roma e os seus esforços contínuos conseguiram implantar a fé cristã. Posteriormente, seus esforços e o trabalho dos seus apóstolos induziram ao desenvolvimento do Alfabeto cirílico e à tradução das escrituras cristãs e serviços (liturgias) da Igreja Grega para o "Paleoeslavo" (também conhecido como "Antigo Macedônio") na nação da Bulgária. Hoje a maioria das igrejas católicas ucranianas abandonaram o paleoeslavo e usam o ucraniano. Muitas igrejas também oferecem liturgias no idioma oficial do país onde a igreja está estabelecida. Por exemplo, alemão na Alemanha ou inglês no Canadá; contudo, algumas eparquias continuam recitando o paleoeslavo ainda nos dias de hoje.
Período Rutênio Antigo Estes acontecimentos no Império Romano, Grã-Morávia e Bulgária prepararam os fundamentos para a concepção e nascimento da Igreja Ortodoxa Russa pela ocasião do Batismo de Kyiv, por ordem de São Volodimir no rio Dnipro (Dnieper) em 988. Desde o princípio, os metropolitas desta igreja de Kyiv residiam em Pereyaslav na Ucrânia, e depois em Kyiv (1037). A identidade e o progresso desta Igreja Ucraniana ocorreram através da eleição de metropolitas, nativos e/ou não confirmados pelo Patriarca de Constantinopla (Ilarion, 1051-1054; Klem Smolyatich 1147-1154; e, Hrehoriy Tsamblak 1415-1419).
Após a aniquilação mongólica de Kyiv no século XIII, o Metropolita de Kyiv mudou-se para a cidade de Vladimir em 1299. Em 1326 o metropolita já estava estabelecido em Moscou e em 1328 o seu título mudou de Metropolita de Kyiv para Metropolita de Moscou. A tradição legal separada da Igreja da Rússia, diferenciada da igreja do Grão-Ducado da Lituânia, foi codificada na decisão do primeiro concílio oficial da Igreja Russa, o Concílio dos Cem Capítulos ('Stoglav') em 1448, seguido pela divisão formal da Igreja de Rus' entre as metropolias Russa (Moscovita) e Rutênia (Kyiv) em 1453.
Período Rutênio Médio Nesse ínterim, para a Igreja Católica de Kyiv, a perda da Metropolia de Kyiv em 1299 foi rapidamente compensada pela criação da Metropolia de Halych para o Sul de Rus em 1303. Em 1352, a Metropolita de Halych para a Ucrânia começou a voltar para Kyiv; a partir daqui, a Igreja de Kyiv passou a ser presidida pelo Metropolita de Kyiv-Halych e de Toda Rus. O Metropolita de Moscou se opôs à criação desta Metropolia em Halych/Kyiv. Esta igreja governava a maioria das terras do Grão-Ducado da Lituânia, com freqüência a partir da cidade de Navahrudak no atual território da Bielorrússia. Entre 1054 e 1448, esta Igreja Rutena continuou enviando representantes para os concílios ecumênicos organizados pelo Papa de Roma, mas também sucumbiu à crescente pressão da igreja mãe entre os gregos de Constantinopla de terminar a comunhão com o Bispo de Roma. A união ratificada no Concílio de Florença recebeu apoio parcial nas terras da Igreja Rutena da Ucrânia e Bielorrússia, mas nenhum representante foi enviado ao Concílio de Trento católico em 1545.
O Período de Rivalidade e Separação entre os Católicos e Ortodoxos A memória do Concílio de Florença nas terras da Ucrânia e Belarus, que passaram a ser controladas pelos estados da Lituânia e Polônia após o declínio do império de Rus, cujo centro era a Ucrânia, produziu frutos na União de Brest (Berest) em 1596, uniu a Igreja Rutena das terras ucranianas e bielorrussas do Reino Polonês-Lituano com o Papa de Roma, ou seja, houve o reconhecimento da autoridade eclesiástica do Bispo de Roma, que, por consequência, fez esta deixar a jurisdição do Patriarcado de Constantinopla. Foram redigidos diversos artigos definido as condições em que a Igreja compromete a tomar a comunhão com a Sé Romana. A maioria desses artigos foram destinados a preservar a identidade teológica, litúrgica e canônica, como por exemplo, a utilização de três tipos de celebração da Divina Liturgia: Divina Liturgia de São João Crisóstomo, Divina Liturgia de São Basílio Magno e Divina Liturgia de São Gregório Nazianzeno dos Dons Pré-Santificados. Esta união não foi aceita por todos os membros da Igreja Grega destas terras e marcou o início da criação de duas distintas Igrejas Ucranianas, a Católica e a Ortodoxa nas terras da Ucrânia e Bielorrússia. Fugindo da violência, o Metropolita da Igreja Greco-Católica abandonou Kyiv no início dos anos 1600 e estabeleceu-se em Novahrudak, em Belarus e Wilno (Vilnius).
Período Ucraniano A etapa final da caracterização total da Igreja Católica Ucraniana ocorreu através do desenvolvimento da língua rutena que resultou nas línguas ucraniana e bielorrussa entre 1600 e 1800. Esta igreja local foi mais tarde oprimida através da absorção da porção ortodoxa da igrejas ucraniana e bielorrussa pela Igreja Ortodoxa Russa em 1686, e pela repressão violenta e destruição da Igreja Católica Ucraniana em quatro ondas sucessivas em (1772, 1795, 1831 e 1865).
O nome da Igreja Católica Ucraniana foi firmado na segunda metade do século XIX. Também nesse período, Nikolay Kostomarov e outros intelectuais de Kyiv propuseram que o nome do país fosse mudado de "Malorossiya" Pequena Rússia para "Ukrayina," Ucrânia, nome que já estava bastante difundido desde o início do século XVII. Esta mudança do nome nacional foi então adotado pela maioria dos rusyns/ucranianos através das próximas décadas (1850-1920).
Século XIX: Período da Ucrânia Ocidental As perseguições dos Tsares russos não demoraram a resultar na erradicação total dos católicos rutênios/ucranianos do território do Império Russo durante o século XIX e na aceitação do Papa de Roma da transferência da primazia do arcebispado-mor de Kyiev-Halych e de Toda Rus para a Metropolia de Lviv no Império Austro-Húngaro vizinho em 1803. Sedes sufragâneas incluíam Ivano-Frankivsk (cidade que na época levava o nome polonês de Stanisławów) e Przemysl (Polônia de hoje). No final do século os fiéis desta igreja começaram a imigrar para os E.U.A., Canadá e Brasil.
Século XX: Perseguição e Internacionalização