300px|thumb|Tintoretto. Ecce Homo, 1546-1547 (MASP, São Paulo). Uma das obras integrantes da mostra Arte italiana em coleções brasileiras Esta é uma lista de obras expostas na mostra Arte italiana em coleções brasileiras, organizada e sediada pelo Museu de Arte de São Paulo (MASP) entre 13 de novembro de 1996 e 26 de janeiro de 1997. Com público visitante de 45 mil pessoas e premiada como Melhor Exposição de 1996 pela Associação Paulista de Críticos de Arte, a mostra reuniu mais de 500 obras, entre pinturas, esculturas, desenhos e maiólicas, produzidas na Itália entre a Alta Idade Média e o século XX e atualmente conservadas em museus e coleções particulares do Brasil. Na lista a seguir, as obras são divididas por técnica e, em seguida, agrupadas em núcleos cronológicos/artísticos e subdivididas em escolas regionais.

Pinturas

Arte Tardo-Medieval e Renascentista (c. 1250 - c. 1510)

Esse núcleo da exposição, composto por trinta pinturas, se inicia em meados do século XIII, atestando desde as influências bizantinas e da civilização do gótico francês sobre a cultura tardo-medieval italiana até à eclosão do Renascimento em Florença, já em meados do século XV, e sua repercussão imediata nas escolas regionais, ao norte e ao sul da península. O conjunto permite entrever a consolidação de uma tradição estética imbuída de um novo ideal de cultura, que se nutre da arte da Antiguidade Clássica, e que passa a conceber a pintura como uma forma plástica, incorporando, por exemplo, a sensação de volume, a representação do movimento e a concepção do espaço em três dimensões.Instituto de História da Arte do MASP, 1997, pp. 7-17.

ItáliaImagem !! Autor !!Título !! Datação !! Técnica e suporte !! Dimensões !! Acervo !! Localização !! Outras informações |- |150px || Mestre do Bigallo (ativo em Florença em meados do ) ||Virgem em Majestade com o Menino Jesus e dois anjos|| c. 1275 || Têmpera sobre madeira || 130 x 56 cm || Museu de Arte de São Paulo || São Paulo, SP || Doada ao MASP por seu fundador, Pietro Maria Bardi, essa Maestà foi atribuída ao Mestre do Bigallo por Garrison, em 1962. A composição remonta a um protótipo do , de origem síria, denominado Teótoco ou Santa Maria, caracterizado pela superposição das figuras em frontalidade absoluta, um modelo bizantino bastante popular em Florença entre 1220 e 1270. O lenço na mão da Virgem, por sua vez, é uma referência ao traje cerimonial da imperatriz bizantina, recorrente em várias insígnias antigas de Roma. O formato do painel, retangular com coroamento em arco, além de conferir proeminência à cabeça da Virgem, também sugere a associação da obra ao motivo arquitetônico do lintel.Instituto de História da Arte do MASP, 1997, pp. 8. |- |150px || Mestre de San Martino alla Palma (ativo em Florença no primeiro terço do século XIV) ||Virgem com o Menino Jesus|| 1310-1320 || Têmpera sobre madeira || 45 x 37 cm || Museu de Arte de São Paulo || São Paulo, SP || Anteriormente atribuída a Bernardo Daddi, a obra deveria ser originalmente mais larga e com terminação superior em cúspide. Trata-se de uma imagem de altar, talvez a parte central de um retábulo destinado à devoção privada. A intensa contemplação recíproca entre as duas figuras sagradas é característica da produção de uma variedade de artistas da época e tributária das doutrinas do filósofo Alberto Magno sobre a natureza energética e "psicológica" da visão (De motibus animalium,I, ii, cap. 4-7).Instituto de História da Arte do MASP, 1997, pp. 9. |- |150px || Pintor anônimo úmbrio (ativo no início do século XIV) ||A Crucificação e a Virgem com o Menino entre Anjos, Santos e os Símbolos dos Evangelistas|| 1290-1305 || Têmpera sobre madeira || 66 x 39 cm || Museu de Arte de São Paulo || São Paulo, SP || Já atribuída a Deodato Orlandi por Roberto Longhi. Ignora-se a função deste painel, talvez destinado a um altar de devoção privada, talvez à decoração de mobília eclesiástica. Na parte superior, há uma Crucificação entre a Virgem e São João e, em dimensões menores, Santo Agostinho e São Nicolau de Bari, conforme inscrições na base das imagens. Na parte inferior, no interior de um arco, encontra-se uma representação da Virgem sobre o trono com o Menino de pé, entre quatro anjos (?) e, nas laterais, estão as figuras de São Pedro, São Paulo e os quatro símbolos dos evangelistas. |- | || Luca di Tommè (Siena, c. 1330–1389) ||Virgem com o Menino Jesus|| segunda metade do século XIV || Têmpera e ouro sobre madeira || 94 x 47 cm || Coleção particular || São Paulo, SP || Destacada pelo preciosismo linear do desenho, essa madona de Luca di Tommè é representativa do fenômeno de "reação conservadora" observável entre os mestres de Siena à cultura mais "moderna", de inspiração florentina, que emergiu na região na primeira metade do século XIV. |- |150px || Simone dei Crocifissi (ativo em Bolonha entre 1355 e 1399) ||Santo|| segunda metade do século XIV || Têmpera sobre madeira || 94 x 30 cm || Fundação Crespi-Prado / Museu da Casa Brasileira || São Paulo, SP || Obra típica do estilo de Simone dei Crocifissi, aliando a graça expressiva de Vitale da Bologna a uma sensibilidade mais rústica, naturalista, própria de algumas tendências "expressionistas" da cultura visual da Emília e da Úmbria desde o século XIII. Não há consenso quanto à identidade do santo representado, já identificado como Santiago Maior. A obra é o painel direito de um díptico desmembrado. A ala esquerda, igualmente conservada na Coleção Crespi-Prado, representa outro santo, talvez São João Batista.Instituto de História da Arte do MASP, 1997, pp. 10. |- |150px || Atribuído a Paolo Serafini da Modena (ativo em Módena na segunda metade do século XIV) ||Adoração dos Reis Magos|| penúltimo quartel do século XIV || Têmpera sobre madeira || 25 x 32 cm || Museu de Arte de São Paulo || São Paulo, SP || Anteriormente atribuída ao Mestre de Bambino Vispo, pintor hoje identificado pela maioria da crítica especializada como Gherardo Starnina. A atribuição a Paolo Serafini foi feita com ressalvas por Miklos Boskovits, em 1975. Esse pequeno painel provavelmente integrava originalmente uma predela, isso é, a frisa compartimentada em pequenos retângulos que decoram com cenas secundárias a base de um retábulo. |- |150px || Mestre de 1416 (ativo em Florença entre o fim do século XIV e a segunda década do século XV) ||Madona com o Menino no Trono e Quatro Santos|| 1410-1415 || Têmpera sobre madeira || 106 x 57 cm || Museu de Arte de São Paulo || São Paulo, SP || Anteriormente atribuída a Rossello di Jacopo Franchi. Obra exemplar do chamado "estilo gótico internacional" em sua acepção florentina, como atestado pelo modelado cromático e ritmo divagante da cena. Estão representados, ao lado da Virgem com o Menino, São João Batista, Santo Antônio Abade, Santiago Maior e um quarto santo, talvez Juliano. O vaso de lírios ao centro simboliza a imaculabilidade de Maria, a quem o Menino Jesus entrega o pergaminho com os dizeres "qui tolis, ou "que tirais", prefigurando o próprio sacrifício ("Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo"). Há um altar quase idêntico à obra em pauta, também atribuído ao Mestre de 1416 e atualmente conservado nas Galerias de Florença. |- |150px || Ottaviano Nelli (Gubbio, c. 1375-1444) ||Madona com o Menino entre Santa Madalena e Santo Estevão Protomártir|| 1400-1410 || Afresco transferido para tela || 218 x 229 cm || Museu de Arte de São Paulo || São Paulo, SP || Afresco destacado das paredes do antigo Oratorio dell'Arte dei Mercanti della Lana, em Gubbio, conforme depreendido da nota de Egidio Calzini de 1898, informando sobre a venda de "aproximadamente vinte metros quadrados de afrescos" de Ottaviano Nelli, divididos em cinco seções (ou riquadri), sendo uma delas uma "Madonna della Misericordia, corteggiata da due santi". Embora executado já no século XV, o afresco, de composição arcaica e isento de empostações cenográficas, é fortemente influenciado pela estética trecentista. |- |150px || Andrea Mantegna (Isola, c. 1431 - Mântua, 1506) ||São Jerônimo penitente no deserto|| 1448-1451 || Têmpera sobre madeira || 48 x 36 cm || Museu de Arte de São Paulo || São Paulo, SP || Uma das primeiras obras conhecidas de Andrea Mantegna, São Jerônimo penitente no deserto diferencia-se da iconografia tradicional de São Jerônimo, privilegiando uma interpretação humanista no lugar da religiosa - e evidenciando de forma exemplar o espírito do Renascimento. Se na tradição pictórica dos Quattrocento o santo era mostrado golpeando o próprio peito com uma pedra em penitência, na obra do MASP seus atributos são o livro e o rosário, indicando a necessidade de concordância entre a fé e a razão. A coruja, símbolo da sabedoria filosófica, substitui a pomba da revelação cristã, reforçando a assimilação da figura do ermitão à do filósofo. Um possível desenho preparatório para esta obra encontra-se conservado no Museu de Berlim. A atribuição da pintura a Mantegna é atribulada desde a primeira publicação da obra, em 1936, mas tende a ser majoritariamente aceita pela literatura contemporânea.Instituto de História da Arte do MASP, 1997, pp. 11. |- |150px || Niccolò Alunno (Foligno, c. 1430 - 1502) ||Ecce Homo (Cristo morto no sarcófago como "Vir Dolorum")|| 1480-1500 || Têmpera sobre madeira || 73 x 39 cm || Museu de Arte de São Paulo || São Paulo, SP || Trata-se, provavelmente, de uma porta de um tabernáculo ou de um relicário, como atesta a fechadura à esquerda. A iconografia do Cristo como Homem das Dores é frequentemente associada a das Arma Christi e a da Missa de São Gregório - durante a qual a imagem de Cristo em um sarcófago teria aparecido ao santo, enquanto celebrava uma missa na Igreja de Santa Cruz em Jerusalém. Nesta mesma igreja, encontra-se um pequeno ícone do século XIV, alegadamente uma cópia de um protótipo muito mais antigo, dos século VII-VIII, que ofereceria, portanto, um registro coevo da aparição milagrosa. Dentre as inúmeras representações quinhentistas do tema, destacam-se dois painéis muito similares à obra do MASP e também estilisticamente tributários de Niccolò Alunno, um na Galleria Nazionale dell'Umbria, em Perúgia, e o outro no Wallraf-Richartz-Museum de Colônia. |- | || Piermatteo d'Amelia (Amelia, 1445/1448–c. 1508) ||Virgem com o Menino Jesus Instituto de História da Arte do MASP, 1997, pp. 12.|| segunda metade do século XV || Óleo sobre madeira || 39 x 28 cm || Casa Museu Eva Klabin || Rio de Janeiro, RJ || |- |150px || Marino d'Agnolo (documentado na Úmbria entre o fim do século XV e o início do século XVI) ||Virgem com o Menino Jesus|| fim do século XV - início do século XVI || Óleo e ouro sobre madeira || 45 x 36 cm || Casa Museu Eva Klabin || Rio de Janeiro, RJ || Já atribuída a Antoniazzo Romano (1430-1508). Destaca-se na obra a intensidade da contemplação mútua entre a Virgem e o Menino e a atmosfera de intimidade e ternura, ressaltada pelo gesto do Infante, ao abraçar a Mãe. |- | || Sano di Pietro (Siena, 1405-1481) ||Virgem com o Menino Jesus || século XV || Têmpera sobre madeira || 43 x 31 cm || Coleção particular || - || |- | || Sano di Pietro (Siena, 1405-1481) ||Santa Inês || século XV || Têmpera sobre madeira || 28 x 31 cm || Casa Museu Eva Klabin || Rio de Janeiro, RJ || |- |150px || Álvaro Pires de Évora (Évora, Portugal, ativo na Itália no primeiro terço do século XV) ||São Miguel Arcanjo || primeiro terço do século XV || Têmpera sobre madeira || 53 x 20 cm || Coleção particular || São Paulo, SP || De origem portuguesa, Álvaro Pires estabeleceu-se na Itália na primeira década do século XV. A presente obra pertence a uma série de pinturas que aparentemente integravam as pilastras de um políptico desmembrado ("Tríptico de Volterra"). |- | || Atribuído a Filippino Lippi (Prato, c. 1457 - Florença, 1504) ||Virgem com o Menino e um Anjo|| último quartel do século XV || Óleo sobre madeira || 57 x 38 cm || Coleção particular || São Paulo, SP || Esta madona foi atribuída a Filippino Lippi por Maurizio Marini. |-