Luís de Portugal (Abrantes, — Lisboa, ). Filho do rei Manuel I de Portugal e da infanta espanhola Maria de Aragão, foi 5.º Duque de Beja, 5.º Senhor de Moura, 9.º Condestável de Portugal e Prior da Ordem Militar de S. João de Jerusalém, com sede portuguesa no Crato.

Irmão de D. João III, sobre o infante D. Luís diz-se que só faltou ser rei, dadas as suas qualidades.

Além de um exímio militar, era conhecido por ser um cortesão exemplar, cuja etiqueta e comportamento deveriam ser imitadosO último Avis: D. Antônio, o antonismo e a crise dinástica portuguesa (1580-1640), por Carlos Jokubauskas Coral, Universidade de S. Paulo, Brasil, 2010.

Esteve, durante algum tempo, noivo da rainha Maria I de Inglaterra.

Foi, também, considerado para assumir o trono do Reino da Polónia e do Grão Ducado da Lituânia.

Fez a peregrinação a Santiago de Compostela, em 1549, na companhia de Francisco de HolandaA Devoção e Peregrinação Jacobeias em Portugal, por Arlindo de Magalhães Ribeiro da Costa, Ad Limina, vol 2, n.º 2, Xunta da Galicia, Santiago de Compostela, 2011, p. 106.

Educação Deu em criança provas de grande inteligência, e teve como professor Pedro Nunes, com quem aprendeu Filosofia, Aritmética, Geometria e Astronomia, e que lhe dedicou várias obras, dirigindo-se a ele da seguinte forma:

Participação na Conquista de Túnis O Infante Dom Luís enquanto Condestável de Portugal comandou o contingente português que o Imperador Carlos V usou aquando da Conquista de Túnis. Quando Carlos V solicitou apoio naval a Portugal, referiu especificamente o galeão Botafogo, que Dom Luís comandou. Foi o esporão do Botafogo que conseguiu quebrar as correntes em La Goleta, que defendiam a entrada do porto, permitindo, então, à armada cristã que atingisse e conquistasse a cidade de Tunes.O galeão portuguez chamado S. João Baptista, em que o imperador de Alemanha, e rei de Hespanha Carlos V foi com seu cunhado o nosso infante Dom Luiz, chamado Delicias de Portugal, á conquista de Tunes contra o famoso corsario Heredim Barba-Rôxa, não só é celebrado por ser o maior navio, que nos mares da Europa opprimiram as ondas, pois jogava 366 peças de bronze, e sendo redondo continha 600 mosqueteiros, 400 soldados de espada e rodella, e 300 artilheiros; mas tambem é famoso pelo talhamar, ou serra grande de aço finissimo, que tinha na próa, para romper a cadea de Goleta; o que se não poude conseguir da primeira vez, mas sim da segunda, em que o infante Dom Luiz mandou ao piloto, que se fizesse ao mar com volta mais larga, e dadas as velas todas ao vento [prevenção que faltara na primeira] investiu a cadeia com impulso tão furioso, e vehemente, que a fez em pedaços, levantando uma grande serra de agua. Entrou o galeão pelo rio, como pelo corro o cavalleiro depois d’uma boa sorte, e começou a lançar tanta immensidade de raios sobre as fortificações dos infieis, que daqui lhe veio o nome, que o vulgo repete [ainda hoje em dia], chamando-lhe o galeão botafogo. Com elle, sem duvida, se facilitou, e conseguiu a conquista da Goleta, que se afigurava inexpugnavel, no dia 13 de Julho do anno de 1535. (Revista Panorama, 1841, Volume 5, pág. 384)

Paternidade real de D. António thumb|150px|left|Brasão pessoal do infante D. Luís, 5.º Duque de Beja. Dom Luís afirmou ter casado em segredo em Évora com Violante Gomes, a Pelicana (Torre de Moncorvo, c. 1510 - Almoster, 16 de julho de 1568), filha de Pedro Gomes, de Évora, e de sua mulher, tendo um filho, D. António, Prior do Crato, o que garante a Legitimidade de D. António, que não é socialmente aceite, e que mais tarde viria a ser aclamado rei de Portugal e lutado contra o domínio filipino.

Paternidade de Beatriz Mendes Beatriz Mendes de Góis e Vasconcelos, ou na caligrafia da época "Brites Mendes", filha de Luís de Portugal com uma Dama da Corte, Joana de Goés Vasconcelos. Beatriz foi dada como órfã, fazendo Bartolomeu Rodrigues assumir por obrigação a paternidade. Assim ela não fez parte da realeza portuguesa.

Hoje historiadores e genealogistas consideram Luís de Portugal o pai de Beatriz Mendes. Um dos mais importantes pesquisadores do período da ocupação neerlandesa em Pernambuco, Evaldo Cabral de Mello, considera que Beatriz é: filha natural de algum fidalgo da corte, talvez do próprio Dom Luís, solteirão impenitente, cujo camareiro se tenha prestado à ficção, então comum, de passar por pai da bastarda.

Beatriz Mendes migrou para o Brasil, então período colonial e casou-se com Arnau de Holanda que era sobrinho-neto do Papa Adriano VI, ela desempenhou o serviço de Senhora de engenho no estado brasileiro de Pernambuco, Beatriz morreu em 19 de dezembro de 1620 em torno de 90 anos.

Bibliografia José Miguel João de Portugal, Vida do Infante D. Luiz, Lisboa, 1735.

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